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Resumindo

No documento Despesas com pessoal (páginas 37-43)

O artigo 51 trata da consolidação, nacional e por esfera, das contas dos entes da Federação relativas ao exercício anterior, e a sua divulgação, que será promovida pelo Poder Executivo da União.

Art. 51. O Poder Executivo da União promoverá, até o dia trinta de junho, a consolidação, nacional e por esfera de governo, das contas dos entes da Federação relativas ao exercício anterior, e a sua divulgação, inclusive por meio eletrônico de acesso público.

Já o § 1º do artigo 51 não menciona somente um Poder ou órgão, mas todo o ente: “Estados” e

“Municípios”. Observe:

§ 1º Os Estados e os Municípios encaminharão suas contas ao Poder Executivo da União até 30 de abril.

Considerando que, na prática, os Poderes Legislativos e Judiciários não recebem transferências voluntárias e nem contrataram operações de crédito, é possível concluir que as restrições mencionadas no artigo 51, § 2º, acabam atingindo apenas os Poderes Executivos estaduais e municipais.

Questões para fixar

Questão inédita – Professor Sérgio Machado

Se a despesa total com pessoal, do Poder Executivo estadual, ultrapassar os limites definidos na Lei de Responsabilidade Fiscal e o excedente não for eliminado ao final de dois quadrimestres, então, enquanto perdurar o excesso, o ente não poderá receber transferências voluntárias.

Comentários:

Depois da LC 178/21, você sabe que pegadinhas assim acontecerão na prova. A questão está errada, porque o impedimento de receber transferências aplica-se somente ao órgão ou Poder que descumpriu o seu respectivo limite de despesa com pessoal. No caso da questão, somente o Poder Executivo estadual (e não o ente, o estado) não poderá receber transferências voluntárias, conforme artigo 23, § 3º:

Art. 23. Se a despesa total com pessoal, do Poder ou órgão referido no art. 20, ultrapassar os limites definidos no mesmo artigo, sem prejuízo das medidas previstas no art. 22, o percentual excedente terá de ser eliminado nos dois quadrimestres seguintes, sendo pelo menos um terço no primeiro, adotando-se, entre outras, as providências previstas nos §§ 3º e 4º do art. 169 da Constituição.

Art. 23, § 3º Não alcançada a redução no prazo estabelecido e enquanto perdurar o excesso, o Poder ou órgão referido no art. 20 não poderá:

I - receber transferências voluntárias; (...) Gabarito: Errado

CESPE – ANTT - Analista Administrativo – Direito – 2013

O não recebimento de transferências voluntárias é penalidade a que está sujeito o órgão ou poder que, tendo excedido o limite de gasto com pessoal, não reduza o percentual excedente do limite de despesa com pessoal.

Comentários:

Correto, nos termos do artigo 23, § 3º, da LRF (com redação dada pela LC 178/21):

Art. 23, § 3º Não alcançada a redução no prazo estabelecido e enquanto perdurar o excesso, o Poder ou órgão referido no art. 20 não poderá:

I - receber transferências voluntárias; (...) Gabarito: Certo

Prazos (e exceções aos prazos) para redução das despesas com pessoal Ainda tem mais informação interessante no § 4º do artigo 23:

§ 4º As restrições do § 3º aplicam-se imediatamente se a despesa total com pessoal exceder o limite no primeiro quadrimestre do último ano do mandato dos titulares de Poder ou órgão referidos no art. 20.

Se já estamos no último ano do mandato, não dá para esperar dois quadrimestres, pois não se pode deixar uma “herança maldita” para o sucessor. A LRF combate isso ferrenhamente! A intenção é fazer com que o governante arrume tudo (ou o máximo possível) dentro do seu próprio mandato, deixando nada (ou o mínimo possível) para o seu sucessor.

Uma pergunta que eu recebo frequentemente é a seguinte:

“Professor, a lei diz que as restrições se aplicam imediatamente se a despesa total com pessoal exceder o limite no primeiro quadrimestre do último ano do mandato. Mas e se isso acontecer no segundo ou no terceiro quadrimestre do último ano do mandato, as restrições também se aplicam imediatamente?”

A resposta é: SIM!

De acordo com o Manual de Demonstrativos Fiscais (10ª edição), as restrições aplicam-se imediatamente se a despesa total com pessoal exceder o limite em qualquer quadrimestre do último ano de mandato dos titulares de Poder ou órgão referidos no art. 20 da LRF.

Beleza!

Mas, da mesma forma que as restrições podem ser aplicadas imediatamente, os prazos também podem ser duplicados ou até mesmo suspensos, caso o ente esteja passando por algumas situações. Vejamos (LRF):

Art. 65. Na ocorrência de calamidade pública reconhecida pelo Congresso Nacional, no caso da União, ou pelas Assembleias Legislativas, na hipótese dos Estados e Municípios, enquanto perdurar a situação:

I - serão suspensas a contagem dos prazos e as disposições estabelecidas nos arts. 23, 31 e 70;

II - serão dispensados o atingimento dos resultados fiscais e a limitação de empenho prevista no art.

9º.

(...)

Numa crise como a causada pelo novo Corona vírus (COVID 19), uma verdadeira calamidade pública, a prioridade é resolver a situação. Por isso, nada mais justo do que suspender os prazos para recondução da despesa total com pessoal e para recondução da dívida, para que a Administração Pública possa focar naquilo que é importante no momento. Além disso, permitir a continuidade da contagem dos prazos pode ser um obstáculo para a solução do problema.

Exemplo hipotético: o prazo final para o Estado do Rio de Janeiro reconduzir sua despesa total com pessoal para abaixo do limite seria daqui a 1 mês. O plano era incentivar a demissão e demitir profissionais da saúde e da segurança. No entanto, demitir esses no meio de uma calamidade pública causada por uma pandemia iria agravar o problema, em vez de resolvê-lo.

Além da suspensão da contagem dos prazos, o ente estará dispensado do atingimento dos resultados fiscais e da limitação de empenho, pelo mesmo motivo que já falei: a prioridade no momento é a calamidade pública e essas ferramentas de responsabilidade na gestão fiscal (limites de despesas, metas de resultado, limitação de empenho, etc.) podem representar obstáculos na solução da situação.

Art. 66. Os prazos estabelecidos nos arts. 23, 31 e 70 serão duplicados no caso de crescimento real baixo ou negativo do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, regional ou estadual por período igual ou superior a quatro trimestres.

§ 1º Entende-se por baixo crescimento a taxa de variação real acumulada do Produto Interno Bruto inferior a 1% (um por cento), no período correspondente aos quatro últimos trimestres.

Quando o crescimento real do PIB é baixo ou negativo, a situação é ruim, mas não é tão grave quanto uma calamidade pública. Por isso, em vez da suspensão da contagem dos prazos, haverá a duplicação dos prazos.

Atente-se para o que é baixo crescimento do PIB: é quando a taxa de variação real acumulada é inferior a 1%, no período correspondente aos quatro últimos trimestres (ou seja, nos últimos 12 meses).

Beleza!

E agora eu lhe apresento uma novidade: uma alteração feita em 2018 (pela LC 164/18). Você sabe que as bancas adoram novidades, não é?

Então preste atenção:

Art. 23, § 5º As restrições previstas no § 3º deste artigo não se aplicam ao Município em caso de queda de receita real superior a 10% (dez por cento), em comparação ao correspondente quadrimestre do exercício financeiro anterior, devido a:

I – diminuição das transferências recebidas do Fundo de Participação dos Municípios decorrente de concessão de isenções tributárias pela União; e

II – diminuição das receitas recebidas de royalties e participações especiais.

Art. 23, § 6º O disposto no § 5º deste artigo só se aplica caso a despesa total com pessoal do quadrimestre vigente não ultrapasse o limite percentual previsto no art. 19 desta Lei Complementar, considerada, para este cálculo, a receita corrente líquida do quadrimestre correspondente do ano anterior atualizada monetariamente.

Mais uma colher de chá dada pela LRF! O bicho que ia pegar, o cachorrinho, ficou ainda mais fofinho com a Lei Complementar 164/18, que introduziu os parágrafos 5º e 6º ao artigo 23 da LRF.

É o seguinte: caso um Município

• experimente queda de receita real superior a 10% (dez por cento), em comparação ao correspondente quadrimestre do exercício financeiro anterior, devido à diminuição das transferências recebidas do FPM decorrente de concessão de isenções tributárias pela União; e diminuição das receitas recebidas de royalties e participações especiais, e

• a sua despesa total com pessoal no quadrimestre vigente não ultrapasse o limite percentual de 60% previsto no artigo 19 da LRF (só que, para este cálculo, será considerada a receita corrente líquida do quadrimestre correspondente do ano anterior atualizada monetariamente),

as restrições previstas no art. 23, § 3º (OGTv) não se aplicam!

Mas temos que ver pelo outro lado também. Veja a opinião de Rodrigo Maia, então presidente da Câmara dos Deputados, que negou ter flexibilizado a LRF: “o projeto não amplia gasto de pessoal, o gasto continua limitado a 60% das receitas, o artigo 19 da LRF não foi modificado. Vale apenas em casos extremos, quando a receita corrente cai mais de 10% real de um quadrimestre para outro, em cima de receitas que não estão sob comando dos municípios, não por decisão deles, mas decisão da União. A União dá incentivos fiscais e, muitas vezes, impacta com muita força o Fundo de Participação dos Municípios ou royalties. São muitas condicionantes para que os municípios possam ter esse benefício dentro dos 60%”.

Agora preste atenção nas bases de cálculo (porque acredito que é aqui onde irá chover pegadinhas ):

• A queda da receita real superior a 10% é em comparação ao correspondente quadrimestre do exercício financeiro anterior.

Por exemplo: vamos comparar a receita do primeiro quadrimestre de 2020 com o primeiro quadrimestre de 2019.

• Mas para saber se essa regra se aplica, devemos verificar se a despesa total com pessoal do quadrimestre vigente ultrapassou ou não o limite percentual estabelecido no artigo 19 da LRF (60% para os Municípios). Só que, para esse cálculo, não utilizaremos a RCL do quadrimestre vigente. Utilizaremos a RCL do quadrimestre correspondente do ano anterior atualizada monetariamente.

“E por que essa comparação com o quadrimestre correspondente do ano anterior e não com o quadrimestre vigente, professor?”

Porque dessa forma conseguimos descobrir se a ultrapassagem do limite se deu em função de uma queda da receita real ou em função do aumento (absoluto) de despesas com pessoal mesmo:

• Se foi em função de uma queda da receita real, então o município “não tem culpa”: a regra se aplica (ocorre a flexibilização).

• Se foi em função do aumento (absoluto) de despesas com pessoal, então o município foi o responsável pela ultrapassagem do limite e a ele não deverá ser concedida essa flexibilização.

Vamos a um exemplo?

O município de Coxixola – PB (a pequena notável) ultrapassou os limites de despesa total com pessoal na verificação feita no primeiro quadrimestre de 2019. Considere o seguinte:

• Despesas com pessoal 1º quadrimestre 2018: R$ 6.000.000,00

• Despesas com pessoal 1º quadrimestre 2019: R$ 6.000.000,00

• RCL 1º quadrimestre 2018: R$ 10.000.000,00

• RCL 1º quadrimestre 2019: R$ 8.000.000,00 (essa queda se deu em razão da diminuição das receitas recebidas de royalties e participações especiais)

Vamos calcular o percentual da despesa total com pessoal: 6.000.0008.000.000= 75%, ou seja, há um percentual excedente de 15%. Até aqui, o município de Coxixola estaria sujeito às restrições do § 3º do artigo 23 da LRF.

No entanto, repare que o montante das despesas com pessoal não se alterou. Na verdade, o limite foi extrapolado porque a receita real sofreu uma queda superior a 10% em comparação ao correspondente quadrimestre do exercício financeiro anterior (a queda foi de 20%: R$ 10.000.000,00 – R$ 8.000.000,00) e essa queda se deu em razão da diminuição das receitas recebidas de royalties e participações especiais (LRF, art.

23, § 5º, II).

Nesse caso, vejamos se o município está mesmo sujeito às mencionadas restrições.

Queda de receita real superior a 10% em comparação ao correspondente quadrimestre do exercício financeiro anterior devido à diminuição das receitas recebidas de royalties e participações especiais. Passou no primeiro teste! ✅

Agora o segundo teste: será que, desconsiderando essa queda de receita, o ente já não teria estourado o limite?

Porque se ele já tiver excedido o limite, desconsiderando essa queda de receita, então ele excedeu o limite por irresponsabilidade dele mesmo (aumento das despesas com pessoal), e não por causa da queda de receita.

Nesse caso, não seria justo que ele recebesse o benefício de não se sujeitar às restrições do § 3º do artigo 23.

Como vamos descobrir isso? Como vamos desconsiderar essa queda da receita?

Comparando a despesa total com pessoal do quadrimestre vigente com a RCL do quadrimestre correspondente do ano anterior atualizada monetariamente.

“Como assim, professor?”

Você vai dividir a despesa total com pessoal do 1º quadrimestre de 2019 (despesa total com pessoal do quadrimestre vigente) com a RCL do 1º quadrimestre de 2018 (do quadrimestre correspondente do ano anterior) atualizada monetariamente.

Digamos que a correção monetária foi de 5%, portanto:

RCL 1º quadrimestre 2018 atualizada monetariamente = R$ 10.000.000,00 x 1,05 = R$ 10.500.000,00 Agora sim vamos ver se o limite foi ultrapassado: 10.500.0006.000.000 = 57,1%, que é menor que 60%.

Portanto, a despesa total com pessoal do quadrimestre vigente, considerada, para este cálculo, a RCL do quadrimestre correspondente do ano anterior atualizada monetariamente, não ultrapassou o limite percentual previsto no artigo 19 da LRF (60%). Pronto! Passou no segundo teste! ✅

Assim, chegamos à conclusão de que a regra estabelecida pela Lei Complementar 164/18 se aplica ao caso, de forma que as restrições previstas no § 3º do artigo 23 da LRF não se aplicam ao município de Coxixola.

Para finalizar, quero reforçar: essa é regra só é valida para municípios! Os Estados não receberam essa colher de chá servida com mamão e açúcar!

Preste atenção!

As restrições do § 3º do artigo 23 da LRF (OGTv) não se aplicam aos municípios que:

Tiveram queda de receita real superior a 10% (em razão a duas consequências de decisões que não foram suas); e Não ultrapassaram o limite percentual de despesas com pessoal, considerada, para este cálculo, a RCL do quadrimestre correspondente do ano anterior atualizada monetariamente

Agora vai um resumo dos 3 limites que aparecem na LRF e dos prazos e suas exceções (você também vai querer guardar essa tabela com carinho ):

Limite de alerta (90%)

Os Tribunais de Contas alertarão os Poderes ou órgãos quando

constatarem que a despesa total com pessoal, as dívidas (consolidada e mobiliária), as operações de crédito e as concessões de garantia se encontrem acima de 90% dos seus respectivos limites

Ainda não há sanções! É só um alerta!

Limite prudencial (95%)

Se a despesa total com pessoal exceder a 95%, são vedados:

1. concessão de vantagem, aumento, reajuste ou adequação de remuneração a qualquer título,

salvo os derivados de sentença judicial ou de determinação

legal ou contratual

A revisão geral anual ainda é permitida!

2. criação de cargo, emprego ou função

3. alteração de estrutura de carreira que implique aumento de despesa (só a que implique aumento de despesa)

4. provimento de cargo público, admissão ou contratação de pessoal a qualquer título

ressalvada a reposição decorrente de aposentadoria ou

falecimento de servidores das áreas de educação, saúde e segurança -

seguridade social não!

5. contratação de hora extra

salvo situações previstas na LDO Limite máximo (100%)

No documento Despesas com pessoal (páginas 37-43)

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