MAPA 9: Suscetibilidade da Escarpa da Esperança
3.1 Vulnerabilidade, suscetibilidade, risco, perigo e desastre
3.1.2 Risco
A Geografia é uma das mais antigas ciências a tomar o risco em sua dimensão ambiental, com uma extensa bagagem conceitual e uma larga tradição de trabalhos empíricos. Esta ciência apresenta expressiva experiência no esforço de focar as dinâmicas sociais e naturais simultaneamente, trazendo também o termo vulnerabilidade como conceito complementar ao de risco (MARANDOLA JR. e HOGAN, 2005). Sobre os primeiros trabalhos de risco na geografia, Aneas de Castro (2000, p. 08) afirma: “los primeros trabajos de investigación en geografía de los riesgos, tuvieron
Atualmente, as pesquisas sobre riscos diversificaram-se e ampliaram seus focos podendo o tema central ser também risco a: deslizamento, erosão, furacão, tornado dentre outros.
Segundo Castro et al. (2005) o risco pode ser usado como uma categoria de análise associada à priori a idéia de incerteza, exposição ao perigo, perda e prejuízo, em função de processos naturais ou daqueles associados à atividade antrópica. Portanto, risco é a probabilidade de ocorrência de processos no tempo e no espaço, não constante e não determinados, que afetam a vida humana. Incluindo a probabilidade de ocorrência de um evento natural ou antrópico e a valorização por parte do homem enquanto seus efeitos nocivos (vulnerabilidade), também é freqüente encontrar esse termo como sinônimo de perigo (CASTRO et al. 2005) e como binômio inseparável (ANEAS DE CASTRO, 2000). Isso ocorre devido à origem dos termos e sua terminologia. Etimologicamente, risco provém da palavra perigo.
Em dicionários da língua portuguesa é comum encontrar esse problema, onde o conceito de risco é definido como perigo, probabilidade ou possibilidade de perigo (BUENO, et al. 1986). Gerando uma confusão conceitual, devido ao fato de se colocar o conceito de risco com o mesmo significado de perigo, quando de fato estes possuem sentidos diferentes.
Assim, o uso indiscriminado destes termos no meio científico tem sido a causa de muitos equívocos. Isso ocorre, porque em muitas publicações utilizam-os concomitantemente ou intercambiando-os, não havendo assim claras distinções entre eles. Por isso, considera-se importante que haja uma discussão de definições, quando se fizer o uso destes conceitos (CASTRO et al., 2005).
De maneira geral, o termo risco (risk) é utilizado pelos geógrafos como uma situação, que está no futuro e que traz incerteza e insegurança. Havendo assim regiões de risco ou regiões em risco. Sendo que estar em risco, é estar suscetível8 á ocorrência
de um hazard (neste caso entende-se hazard como perigo) (MARANDOLA JR. e HOGAN, 2004). Este termo passou por transformações, mas continua mantendo seu sentido genuíno, que transmite a idéia de incerteza, com um sentido negativo.
8 A autora acredita que neste caso o termo não seria estar suscetível, mas sim estar vulnerável. Vistos as
Para Cardona (1996), risco é a probabilidade de exceder um valor específico de conseqüências, que podem ser econômicas, sociais ou ambientais em um local e durante um tempo de exposição determinado. O risco resulta da relação da ameaça ou da probabilidade de ocorrência, com intensidade específica, com a vulnerabilidade dos elementos expostos. A avaliação do risco se dá pela evolução da ameaça, ou perigo, análise de vulnerabilidade e estimação do perigo.
Para os geógrafos o interesse relacionado a risco está voltado sobre as populações em situações de risco, principalmente o risco de deslizamentos e enchentes. E ainda preocupações diretas sobre espaços-tempo específicos e a problemática ligada ao planejamento e à gestão (MARANDOLA JR. e HOGAN, 2005).
Via de regra, não há risco sem que haja pessoas envolvidas, ou seja, só se considera risco quando há pessoas ameaçadas. Sobre isso García-Tornell (1997, p.03), afirma que:
Cabe,sin embargo, considerar que frente al comportamiento de los factores naturales generadores de situaciones potencialmente de riesgo, son las características y el comportamiento del grupo sociales en cuyo territorio se desarrollan estas, el factor que determina realmente la importancia e incluso la propia existencia de riesgo9
Na mesma linha, em sua definição mais simples, Lavell (1996), descreve o risco como a probabilidade de que uma população, ou segmento da mesma, sofra algo nocivo ou danoso. Dessa forma, para que ocorra o risco deve haver tanto uma ameaça (ou como alguns dizem, um perigo) como uma população vulnerável a seus impactos, sendo a vulnerabilidade a propensão de sofrer danos que exibe um componente da estrutura social. Assim, o risco sempre esta em função da magnitude da ameaça e da vulnerabilidade, constituindo uma condição dinâmica e teoricamente controlável.
Quanto a análises de risco, Cutter (2001) citada por Castro et al. (2005), afirma que a análise enfatiza a estimativa e a quantificação da probabilidade de ocorrência, para determinar níveis de segurança e aceitabilidade E que a noção de perigo está
9 García-Tornell (1997 p. 03) “Cabe, sim, todavia, considerar que frente ao comportamento dos fatores
naturais geradores de situações potencialmente de riscos, são as características e o comportamento do grupo social em cujo território se desenvolvem estas, o fator que determina realmente a importância e inclui a própria existência do risco”.
intrinsecamente relacionada ao processo/evento a ocorrer, enquanto o risco compreende a identificação do perigo, que pressupõe uma quantificação e/ou qualificação dos seus efeitos. Esta autora complementa afirmando que risco é componente do perigo.
Complementando, Aneas de Castro (2000) afirma que não há perigo sem risco, nem risco sem perigo. Porque a existência de um perigo potencial está embutida em um risco, enquanto o risco só existe a partir de um fenômeno.
Por sua vez, alguns autores fazem a distinção de risco, em risco natural10, tecnológico e social. No entanto, essa distinção não é mais tão utilizada, por não ser mais possível distinguir estes riscos, devido à complexidade existente (Castro et
al.2005).
De modo geral, o estudo de áreas de risco, segundo Cristo (2002), pode obter três direcionamentos: a prevenção de acidentes, onde se busca evitar o desastre; redução da intensidade do desastre, melhorando a convivência da população com a situação de risco; e por último, a eliminação definitiva do risco de desastre.
Já Deyle et al. (1998 apud CASTRO et al. 2005) consideram 3 níveis de análise ou avaliação: a identificação do perigo (extensão geográfica do perigo, magnitude e probabilidade), a avaliação da vulnerabilidade (inventário de pessoas expostas ao perigo, estimando danos e custos) e análise de risco (estimativa quantificativa de danos, em um determinado período, e o local). Destes, apenas o primeiro nível, é empregado na gestão e planejamento. Quanto aos outros dois últimos níveis, o autor afirma, que há falta de conhecimento e preparo dos planejadores.
De maneira geral, percebe-se que é imprescindível a análise e a avaliação de risco, pois contribui para a definição dos níveis de gestão, e das intervenções necessárias na mitigação dos riscos.
10 Castro et al (2005) definem riscos naturais como processos de origem natural ou induzida pelo
homem, podendo apresentar-se com diferentes graus de perdas, em função da intensidade, abrangência espacial e tempo de atividade dos processos. Podendo ser encontrado com outra nomenclatura como: risco geológico, perigo geológico, risco geomorfológico. Essa diversidade se dá pela gama de processos naturais causadores de risco ao homem. Já as análises de riscos naturais estão relacionadas às atividades que interferem ou são afetadas por processos da dinâmica da Terra.
Por fim, observou-se pela maioria dos autores estudados, que este conceito é entendido como a probabilidade de ocorrência de um acidente, incluindo a valorização da sociedade, trazendo em si a idéia de incerteza e insegurança que geram perdas ao homem. Sendo assim, entende-se que não há risco quando o homem não esta envolvido, ou seja, quando este se encontra ameaçado, e propenso a sofrer prejuízos.