4 RESULTADO E DISCUSSÃO
4.4 Riscos nos projetos
A Gestão de Riscos no EB é estabelecida pela Política de Gestão de Riscos do Exército (PGR-EB), emitida pelo próprio Comandante da Força, e regulamentada pela Metodologia de Gestão de Riscos do Exército, emitida pelo Estado-Maior do Exército. Ambas as normas atendem aos órgãos de controle interno do Governo Federal e estão atualizadas conforme o estado da arte sobre o assunto e as doutrinas vigentes mais modernas para os ambientes corporativos públicos e privados: a obra “Gerenciamento de Riscos Corporativos – Estrutura Integrada” publicada pelo Committee of Sponsoring Organizations of The Tread way Commission (COSO), conhecido por COSO ERM.
Define-se a gestão de riscos no âmbito do Exército Brasileiro (EB) e no DCT, como o processo institucional contínuo e interativo, formulado para dirigir e controlar eventos que possam afetar o cumprimento dos objetivos institucionais.
Sendo assim, considera-se de fundamental importância para a supracitada gestão de riscos o estabelecimento de princípios, objetivos, diretrizes e responsabilidades relacionadas aos planos estratégicos, programas, projetos e processos, tudo isso junto à Instituição.
Salienta-se, ainda, o fato de que o processo de gestão de riscos é a aplicação sistemática de políticas, procedimentos e práticas de gestão para identificar, analisar, priorizar, tratar e monitorar os riscos.
Segundo a PGR-EB, a sistematização da gestão de riscos aumenta a capacidade da Instituição lidar com incertezas, estimula a transparência e contribui para o uso eficiente, eficaz e efetivo dos recursos públicos, bem como para o fortalecimento da imagem do Exército Brasileiro perante à Sociedade.
Considerando que todos os projetos enfrentam influências e fatores internos e externos que tornam incerto o atingimento dos seus objetivos, além das normas supracitadas, os projetos do Exército são regidos, também, por diretrizes específicas de Gestão de Riscos, preconizadas na NEGAPEB, que determina a elaboração de um Plano de Gerenciamento de Riscos para cada projeto do EB.
Os objetivos do gerenciamento de riscos do projeto são aumentar a probabilidade e o impacto dos eventos positivos e diminuir as chances e o impacto dos eventos adversos nos objetivos do projeto. Ao se consumarem, os riscos podem impactar o projeto nos seguintes aspectos: custos (o projeto poderá exigir mais ou menos recursos para ser concluído), prazo (o projeto levará mais ou menos tempo para seu término), escopo (parte do escopo previsto deixará de ser executada) e qualidade (poderá deixar de haver conformidade em requisitos das entregas ou do projeto).
Segundo a NEGAPEB, o gerenciamento de riscos deverá acompanhar todas as fases do projeto, “a própria Autoridade Patrocinadora ao expedir sua Diretriz de Iniciação, já visualiza os primeiros riscos a serem analisados ao estabelecer premissas, que serão discutidas com as partes interessadas durante o Estudo de Viabilidade. Riscos também serão identificados durante os processos de definição do escopo e do planejamento das suas entregas, do cronograma, estimativa de custos, resultados esperados, etc. Ao se planejar esses processos, já se inicia a elaboração do Plano de Gerenciamento de Riscos. Ao longo de todo o ciclo de vida do projeto, deve-se realizar outras iterações para a identificação de novos riscos”.
Ainda segundo a NEGAPEB, os riscos dos projetos são divididos nas seguintes categorias:
a) técnico - risco que surge da complexidade técnica do serviço ou produto do projeto, como: requisitos técnicos minuciosos, tecnologias complexas, técnicas complicadas, dentre outros;
b) externo - risco que independe tanto da equipe quanto da organização que está promovendo o projeto, tais como: amparo legal, contratações, fornecedores, política, sociedade, condições climáticas, dentre outros;
c) organizacional - risco que independe da equipe, mas nasce no ambiente da organização que promove o projeto, como: distribuição de recursos, prioridades, política organizacional, cultura organizacional, política de pessoal, dentre outros; e
d) de gerenciamento de projeto - risco que nasce de problemas no gerenciamento do projeto, normalmente dentro da equipe, como: estimativas erradas de custos ou duração das atividades, controle falho dos riscos do projeto, mau gerenciamento das expectativas das partes interessadas, problemas de comunicação, fraca liderança, dentre outros.
Dando continuidade ao processo, após a identificação, os riscos são analisados de acordo com dois critérios: probabilidade de ocorrência e potencial de impacto (gravidade). Em seguida, a medida do risco (criticidade) é obtida cruzando-se escruzando-ses critérios em uma Matriz de Riscos.
Após a avaliação e definição da criticidade, o gerente do projeto determinará se o risco é aceitável ou tolerável e decidirá sobre a necessidade e prioridade de tratamento, o qual envolverá a seleção de uma ou mais opções para modificar os riscos e a adoção de uma estratégia voltada para o aproveitamento das oportunidades e/ou redução das ameaças aos objetivos do projeto. Após o tratamento, os riscos residuais devem ser novamente avaliados para se saber se são toleráveis ou se exigem um novo tratamento.
Ainda sobre o tratamento de riscos, pode-se adotar as seguintes estratégias, que serão consubstanciadas em um plano de ação:
a) prevenção: ações que visam a eliminação do risco levantado;
b) transferência: medidas para a mudança de responsabilidade do ônus do risco levantado;
c) mitigação: redução do impacto ou da probabilidade da ocorrência de um determinado risco, até níveis considerados aceitáveis, ou mesmo insignificantes; ou
d) aceitar (ativa ou passivamente): não adotar nenhuma providência frente ao risco levantado, deixando que o mesmo ocorra e, caso aconteça, ações previamente planejadas – plano de contingência – seriam adotadas (aceitação ativa) ou mesmo ações não planejadas (aceitação passiva).
Finalizando o processo, os riscos residuais são monitorados e controlados mediante acompanhamento dos indícios de que determinada ameaça possa se configurar e aplicação do tratamento planejado devidamente reavaliado para se ajustar à nova realidade.