Os princípios filosóficos da UDV baseiam-se fundamentalmente na ideia de reencarnação.
Este princípio procura distanciar a religião de outras expressões espíritas que se apoiam no conceito de “incorporação”. A incorporação – professa por religiões como a umbanda e candomblé – aceita a possibilidade segundo a qual o espírito de uma entidade pode incorporar uma pessoa viva durante o tempo em que se processa um ritual. A reencarnação aceita que esse processo ocorre em regime de fidelidade, ou seja, o espírito após a morte ocupa um novo corpo. Neste sentido enquanto nos rituais de incorporação os entes espirituais podem “descer à dimensão terrena” e comunicar diretamente com os seus seguidores através da incorporação no oficiante, no caso da UDV isso não acontece. Os seguidores da UDV acreditam que o Mestre Gabriel comunica através da burracheira mas efetivamente não incorpora.
O posicionamento quanto à não incorporação dentro do ritual, remete ao tempo em que o Mestre Gabriel frequentava os terreiros de umbanda no qual “recebia” entidades196 espirituais
196 Segundo discussão entre os discípulos no grupo Musincante, além do Sultão das Matas, M. Gabriel trabalhava com as entidades Flor da Aurora e Truveseiro no terreiro que formou na floresta. Ainda, a entidade Flor de Aurora era requerida quando M. Gabriel “precisava esclarecer algo escondido” (informações, grupo Musincante – Tópico: Esclarecimento: Sou Rei Superior – Flor de Aurora 50 postagens de 22 autores).
sobretudo o Sultão das Matas197. Nessa época, segundo o mestre e jornalista Rui Fabiano, ele já havia entrado em contato com a ayahuasca e já realizava o ritual similar ao que hoje se apresenta como uma sessão na UDV (2012: 82). Porém, também (em um momento diferente da sessão) atuava como um “ser incorporado” curando as pessoas (Andrade 1995). Como já referido anteriormente, o momento simbólico em que enuncia “o Sultão das Matas sou eu”198 e “não um outro espírito” (Fabiano 2012: 83), estabelece um momento de grande alteração em termos de princípios religiosos. Nesse instante desvinculou-se dos contextos da umbanda e do candomblé, para delimitar e mistificar definitivamente o seu papel no novo contexto (Fabiano 2012: 171).
Os ensinamentos da doutrina são transmitidos pelo Mestre Dirigente, que orienta as sessões rituais, uma vez “em contato” com o Mestre Gabriel. Em princípio existe um conjunto de normas a partir das quais a interpretação de cada um em relação a elas deve vigorar sem, no entanto, se distanciar dos princípios fundadores da doutrina. Este princípio decorre do facto de os discípulos acreditarem que o Mestre Gabriel teve uma função agregadora de diferentes elementos da UDV que estavam dispersos por diferentes religiões.
Uma das primeiras provas que se oferecem a um discípulo em contato inicial com a doutrina, é uma análise crítica que deve fazer sobre uma sessão. Segundo o jornalista Rui Fabiano (2012:
174), Mestre Gabriel recomendou que: “não é para aceitar o que digo, mas para examinar e ver que estou certo (...) aquele que achar que o Mestre está errado não deve acompanhá-lo” 199 - esclarecimento que segundo os colaboradores direciona o raciocínio crítico entre os seus discípulos. Todavia, mesmo que haja distintos entendimentos e uma certa liberdade na forma de entender a doutrina, o discípulo somente é reconhecido pelo Mestre Representante como
“pronto a subir na hierarquia” quando compreende e vai aceitando a doutrina como um todo e sem alterar os seus princípios fundacionais. Como refere o discípulo Pisco:
Sinto a UDV francamente aberta para TODAS AS PESSOAS DO MUNDO exatamente por este motivo: porque não impõe de forma dogmática o que devemos
“comer e calar”. Não estou dizendo das regras de conduta e comportamento porque essas são para que os homens, pequeninos e desorientados, saibam como se
197 Segundo Afrânio de Andrade o Mestre Gabriel, antes de delimitar somente a UDV como forma de expressão ritual e também religiosa, enquadrava-se no contexto do “curandeirismo amazônico” onde o agencia da cura ultrapassava e era independente da ingestão da ayahuasca, pois obtinha o conhecimento das plantas, dos chás, das rezas, dos conselhos entre outros. “Acrescenta-se que, antes de fazer uso do chá, curava com o nome de Sultão das Matas, para o que passava dieta composta de conselhos e indicação de plantas para se usar” (Andrade 1995:10).
198 Melo revela esse percurso histórico e reflete sobre essa afirmação, sobre esse momento significativo e decisório dentro da cosmologia da UDV (2010: 67-71;94-96).
199 No Regimento Interno lido no início de toda sessão de escala enfatiza essa prerrogativa. Referência que prestei mais atenção quando em uma sessão ocorreu de um discípulo do CI (Tuju) no final da mesma informar que não mais faria parte da irmandade (caderno de campo 15/09/2012)
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comportar … nem das orientações no sentido da evolução porque, lá está,
“orientações” em si (ao meu ver) são ensinamentos e não imposições. Se um irmão diz para um Mestre da União que não está conseguindo “combater o mal com Luz, Paz e Amor”, certamente ele irá receber conselhos e doutrinas que o permitam olhar para isso com “olhos de ver”. Acredito que a forma de lidar com este caso não será a mesma de um fiel católico que vire para um Padre e diga que tem uma enorme dificuldade em acreditar no Pai (Deus), no Filho (Jesus) e no Espírito Santo. Porque dogma é uma espécie de “lei”: não cumpriu o pau comeu! Então a visão do nosso Mestre é a do crescimento individual pelo sentimento do que é belo, do que é certo e do que é justo. De dentro para fora (Texto enviado via e-mail em 10/01/2014).
A releitura feita pelos discípulos sobre a trajetória mística pregressa do Mestre Gabriel antes de fundar a UDV (vivência dessa encarnação) ressalta não um exemplo a ser seguido, mas demonstra a predestinação do Mestre em encontrar o tesouro (o Vegetal) (Fabiano 2012).
Assim, segundo informações dadas pelos colaboradores o vegetal vem carregado de símbolos, ideias, ideais e conceitos somente alcançados através do ensinamento e da cientificação200- este termo está intimamente relacionado com o conceito de sabedoria sendo que esta se alcança através do contato que o Vegetal proporciona com as vidas passadas de cada um dos discípulos. Ao contatar com as vidas passadas o discípulo pode aprender a conhecer-se, acumulando saberes passados, reconhecendo melhor o seu lugar no presente e, com isso, alcançar níveis de sabedoria cada vez mais completos. Supostamente o Mestre Gabriel terá conseguido aceder a todas as suas vidas passadas o que o torna singular, no contexto da UDV e, portanto, inigualável. Neste sentido, a UDV é um sistema que difunde um saber baseado num aprendizado para além da existência “atual”, repassado aos discípulos através da burracheira, como forma de relembrarem as suas reencarnações e aprenderem com elas (Melo 2010).
De que forma, então, a partir da ingestão da ayahuasca em contexto ritual se pode aceder a esse universo espiritual passado? Vou tentar responder a esta pergunta a partir da descrição de uma sessão no contexto da UDV e posterior recurso a elementos que considero importantes para a fundamentação da minha descrição.
200 Segundo Fabiano: “’Só através da ordem e da doutrinação reta, que receberemos eternamente dentro da União do Vegetal, é que chegaremos à Cientificação’, diz o Boletim da Consciência da Lei, com esse objetivo, o Mestre organizou a UDV”
(2012: 168). Neste sentido Cientificação - termo endêmico - é utilizado para distinguir as hierarquias alcançadas a partir do conhecimento adquirido/apreendido durante às sessões.
A SESSÃO
Na União do Vegetal o ritual religioso denominado de sessão, é caracterizada por 3 tipos de designações oficiais: Extra, de Escala e de Adventício.
A Sessão de adventício é realizada para iniciação do neófito dentro do ritual da UDV, a partir do agendamento local. Geralmente na UDV-PT ocorre às sextas feiras, um dia antes de uma sessão de escala. A Sessão extra também é agendada localmente. Não mantém a rigidez quanto à hora e ao dia, assim como também não implica necessariamente a leitura de documentos, ficando ao critério do MD. É realizada por distintos motivos, como: visita de um mestre, aniversário do grupo local, despedida de algum discípulo, Sessão de Casais, Sessão de Jovens; sessão direcionada para somente discípulos que estão no Corpo Instrutivo, Sessão da Direção, Sessão do Quadro de Mestres, etc..
Finalmente a Sessão de Escala pode adquirir dois perfis:
• sessão de escala anual – realizada para comemorar datas especiais, como aniversário do M. Gabriel, dia de santo, fundação da instituição etc., porém nem todos os grupos realizam todas as datas;
• sessão de escala – definida para ocorrer todo 1º e 3º sábado de cada mês.
A tipologia de sessões de escala possui um calendário fixo e praticado por todos os núcleos na mesma hora, das 20h00 às 24h15, horário que remete à primeira sessão realizada pelo Mestre Gabriel no seringal (Fabiano 2012).
As 3 tipologias de sessões da UDV, apesar de manterem a mesma estrutura de uma sessão de escala (vide infra), distinguem-se em algumas sequências rituais, assuntos, conteúdo das perguntas, e fonogramas tocados. Contudo, a alteração da sequência ritualística, que envolve a performance ou não da leitura do Regimento Interno, e o acréscimo de fonogramas (seja instrumental ou cantado) varia de mestre para mestre – se for nas sessões de adventícios e extras. Já nas sessões de escala anuais, como no dia 10 de fevereiro dia de nascimento do Mestre Gabriel, no início da sessão é narrada a História da Hoasca, geralmente através de um fonograma performado pela própria voz do Mestre.
No caso da UDV-PT a disposição dos diferentes participantes durante a sessão obedece ao seguinte esquema:
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Figura 28 - Mapa do Salão do Vegetal /UDV-PT - exemplo de uma sessão.
* Figura 29 – Identificações dos participantes durante a sessão.
Dentre as sessões, as de escala são as que mantém a rigidez do horário, na data e na execução da leitura dos documentos. Como característica intrínseca ao ritual é recomendando sempre haver um participante (geralmente acima do CI) que dirija a sessão e se responsabiliza pela distribuição do Vegetal. A seguir descrevo uma sessão onde além da análise, busco trazer alguns elementos necessários para o entendimento do que é o ritual udevista.
O modo como as sessões decorrem, obedece a um processo sequencial onde estão expressas hierarquias, normas de conduta e formulas vocativas que remetem para princípios simbólicos de relação interpessoal e com a própria religião. O ritual propriamente dito é precedido de um processo preparatório que se inicia por volta das 18 horas. A tabela seguinte será posteriormente detalhada e mostra de forma sucinta um cronograma de uma sessão tipo.
Tabela 14 – Descrição esquemática de uma Sessão
Hora Agente ativo Ação Ação/Som
18:00 todos/ Organ Organização do lugar e preparação do lanche
AM/CDC Acomodação do Vegetal em suporte apropriado para a sessão.
MR Revisão dos fonogramas, documentos ou assuntos pendentes
19:55 Todos Acomodação dos participantes pelos lugares que devem
ocupar. Início da concentração mental Silêncio Orador
Oficial Informação a todos que durante a sessão serão feitas algumas fotos para o DMD. Em caso de óbice pede para ser informado. Informação sobre a presença dos visitantes destacando-os pelos nomes e local de origem.
Voz individual em tom de boas
vindas e
informativo
* Toda informação e comentário feito por qualquer participante necessariamente é realizado na cabeceira da mesa, ao lado direito do MD, num suposto “palco imaginado”.
20:00 MR/MD O MD pede para todos ficarem em pé, para receber o
Vegetal 1 voz –
comando.
Início do ritual Em fila e por ordem hierárquica os participantes caminham
em direção à cabeceira da mesa, onde é distribuído o chá pelas mãos do MR/MD: 1º os representantes do QM (caso haja Mestre Visitantes), 2º os do CDC, 3º os CI, 4º os do QS e 5º os visitantes.
1 voz – ordem para beber o chá
O MD ao levantar o copo, declama a frase “Que Deus nos guie no caminho da luz para sempre e sempre amém Jesus”
e bebe o chá com os membros de grau mais alto na hierarquia (QM, CDC e CI) para depois somente repetir a frase (sem beber o chá) junto com os restantes (QS e V) que ingerem o chá.
Vozes separadas por hierarquia
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183 sessão anual ou
extra Quando todos se posicionam em pé, na frente dos seus respectivos lugares previamente selecionados, o MD (em mimese com o restante do grupo) com a mão direita levanta o copo na altura do peito e profere a seguinte frase:
“Que Deus nos guie no caminho da luz para sempre e
assistente Recolha dos copos com uma bandeja Titirilar dos
copos, passos, cadeiras e algum sussurro.
20:13 Todos Sentados Silêncio
20:15 Sócio de
variado grau O associado selecionado durante a fase preparatória, em pé informa a todos que irá ler os documentos que constituem as normas da sociedade e procede à sua leitura. No ato da leitura é um dos 4 participantes sentado na mesa. A sua fonogramas com temas instrumentais esperando a burracheira.
Introdução do FM – espera dos efeitos do chá.
Geralmente no fim da leitura dos documentos, os efeitos do chá já se manifestam 20:35 1 sócio
(CI/CDC/Q M)
O discípulo convidado e sentado do lado esquerdo do MD (1ª cadeira) fica responsável por fazer a explanação (interpretação) da leitura dos documentos. Durante a performance levanta-se e caminha por detrás do MD parando à sua direita. Quando termina exclama “que a sessão continue com um clima de Luz, de paz e de amor”, e retorna ao seu lugar, sempre no sentido anti-horário.
1 voz
20:40 MD O MD inicia as chamadas e declara oficialmente aberto o registo espiritual do ritual. O vocabulário usado altera-se no sentido simbólico e místico. Pede para todos se endireitarem nas cadeiras e realiza as chamadas de abertura:
Sombreia, Estrondou na Barra e Minguarana. Geralmente mantém-se sentado, olhando em frente e com a mão direita destapa o vidro onde está o chá, entoando parte da chamada Minguarana: “Eu vou abrir meu oratório ao divino Espírito Santo”.
1 voz – rezada e entoada
MD e todos Terminada a chamada o MD levanta-se caminha pela sala no sentido anti-horário perguntando a cada participante olhando nos olhos: “Como vai o(a) senhor (a)? Tem Luz?
Tem burracheira?” As respostas seguem o mesmo padrão:
“Bem” (ou) “Bem graças a Deus” (ou) “Tenho” (ou) “estou esperando”. Mas também, o MD pode somente elevar-se da sua cadeira e perguntar a todos, que respondem de uma só vez “tenho”. Retornando novamente para o seu lugar. Essa
Sucessão de vozes
individuais.
Ênfase na
palavra “tem”
ação tem como objetivo fazer a ligação, ou seja ligar o participante à força superior, a força estranha, a força do Vegetal, abrindo um círculo de sintonia com a vibração emitida pelo Mestre Gabriel.
20:50 MR/MD Ao retornar ao seu lugar, sentado, entoa a chamada Caiano e a chamada União. Geralmente são destinadas somente ao
anual MR/MD pode colocar um fonograma com a voz do Mestre Gabriel contando a História da Hoasca – mito fundacional da doutrina. Ou um outro fonograma na voz de outro mestre (geralmente de origem) contando alguma história referente atenção: “Mestre”, que responde: “Sim”. “O senhor me dá licença de fazer uma pergunta? “o MD responde: “Sim”. O participante levanta-se e faz a pergunta.
As questões geralmente remetem a tudo que ocorreu desde o início do ritual. Podem ser referentes às chamadas feitas, aos documentos lidos, à explanação realizada, aos fonogramas executados, às histórias contadas e/ou mesmo em referência (se for o caso) às efemérides comemoradas.
Porém, também podem surgir questões sobre assuntos particulares que remetem apenas ao próprio indivíduo, promovendo a discussão em torno de assuntos do presentes se necessitam ingerir novamente o Vegetal.
Passado esse horário fica expressamente proibido frequentemente a ingestão do Vegetal provoca náuseas, vômitos ou hipersensibilidade gastrointestinal, pede a autorização ao MD sempre em diálogo: “Mestre?”, “sim”
“O senhor dá licença de eu ir logo ali?” “Sim” Caso o participante seja adventício ou visitante é usual um associado sair em seguida para auxiliá-lo se for necessário.
Quando retornam caminham sempre no sentido anti-horário.
suportes sonoros continua, mas se o participante solicitar transmitir alguma mensagem, pode ser autorizado. O acesso
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201 Em 2012, presenciei essa ação durante uma sessão realizada no núcleo Erunaiá em Porto Velho/Rondônia. O conteúdo da informação, além de anunciar o precário estado de saúde do Senhor Geraldo (82 anos) - considerado o patrono da música na UDV - também solicitou a contribuição em dinheiro para sua operação (na época - 14/05/2012 - a quantia necessário foi de 21mil reais) – muitos contribuíram. O MR/MD do núcleo, M. Alcimar aproveitou para contar como ocorreu a história da oficialização da música em sessão.
202 A partir de 2015 a Sede Geral recomendou antes de todos se levantarem para o intervalo, o indivíduo que fez a explanação informar que “na UDV tem a prática do dízimo, destinada para compra de produtos para a higienização do Salão do Vegetal, para quem vomitou é um dever, para quem não vomitou é a caixinha da boa vontade” (Juriti depoimento 03/03/2015).
Aqueles que contribuem e não têm em mãos moedas, saem do salão para pegá-las e voltam para enfim aproximadamente às 23:35 ser finalizada essa parte do ritual.
à intervenção individual segue sempre o mesmo sistema:
“Mestre?”, “Sim”, “O senhor me dá licença para falar algumas palavras?”, “Sim”.
O participante levanta-se e caminha com cuidado - para não esbarrar e não cair – seguindo o sentido anti-horário.
Posiciona-se ao lado direito do MD e a partir desse “palco imaginado” expõe seus pensamentos. Geralmente revelam as suas experiências durante a burracheira. Encerra a oratória com a frase: “Que a sessão continue com Luz, Paz e Amor”.
(vozes, carros, vidros, fado etc.).
23:15 QM/CDC Horário “aberto” para o discípulo (responsável pelo secretariado) ler os documentos oficiais, provenientes da Sede Geral de Brasília/BR (caso haja). Esses podem conter informações atualizadas sobre a sociedade em geral. Dados tais como: avisos de viagem de algum MO; alteração hierárquica de determinado sócio; criação ou ascensão de determinado grupo; estado de saúde e/ou homenagem a determinado associado, entre outros. Porém, como observado em outros grupos a leitura de alguns documentos também podem ocorrer após a leitura do Regimento Interno
201. Nesta altura os sinais e sintomas da borracheira tendem a estar mais difusos.
1 voz
23:25 MD MD solicita que todos se endireitem na cadeira e faz a chamada Caiano, para despedir da força entoando: “Vai levando a miração e com ela a burracheira”. Em seguida, levanta-se e repete o mesmo procedimento da abertura, porém momento, a mítica sessão tem seu término.
1 voz informa que “Na UDV tem a prática do dízimo, destinada para compra de produtos para a higienização do Salão do Vegetal. Para quem vomitou é um dever, para quem não vomitou é a caixinha da boa vontade”. Aqueles que contribuem e não têm em mãos moedas, saem do salão para pegá-las e voltam.
S
OBRE O TEMPOA componente mais profunda do ritual tem início a partir do momento em que o MD inicia um processo de pergunta/resposta dirigindo-se aos participantes. Neste processo ele inicia também um movimento ao longo da sala, caminhando sempre no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio. Este aspeto é particularmente relevante uma vez que o conceito de tempo e o seu significado tem um lugar central na prática ritualística. É suposto que cada um 23:35 Todos Num outro ambiente, na copa e cozinha, a Organ e mais
alguns voluntários apressadamente iniciam a preparação do lanche que será servido após a sessão. Os alimentos servidos resultam da contribuição de cada sócio que dias antes coloca a sua oferta numa lista elaborada pela Organ e enviada por e-mail a todos os associados. Em dias de festa é recorrente a Organ pedir aos participantes uma oferta mais sofisticada, e mais saudável. É usual sempre haver um bolo de aniversário em dias de aniversário, seja do M. Gabriel, do núcleo ou mesmo para felicitar os aniversariantes do mês.
Várias vozes, movimentação para o lanche.
23:50 Sino Toca o sino chamando para o Salão do Vegetal todos os
presentes. 1 som
23:55 presentes Todos sentados nos seus respectivos lugares. Silêncio 24:00 MD O MD inicia a chamada Ponto da meia noite que finaliza
exatamente às 24:00 horas, que é o “ponto final do dia”. 1 voz entoada Direção
administrativa e sócios de variado grau hierárquico
O Vice-Presidente da associação, seguido pelo tesoureiro e a Organ, procedem ao anúncio de diferentes avisos de caráter administrativo e organizacional. Aqui se incluem
O Vice-Presidente da associação, seguido pelo tesoureiro e a Organ, procedem ao anúncio de diferentes avisos de caráter administrativo e organizacional. Aqui se incluem