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5.1 Entrevistas com os estudantes

5.1.3 Roteiro para uma história de leitura

Questão 1: Qual é sua mais antiga lembrança de leitura?

- Lugar (interior ou exterior de prédio):

Casa/quarto 63,3%

Biblioteca 3,3%

Escola 23,3%

Sítio/embaixo de uma árvore 6,6%

Não responderam 3,3%

- Postura física (no colo, sentado, deitado, em pé):

Deitado 46,6%

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- Material de leitura (livro, revista; autor; tamanho; memória visual):

Livro 73,3%

Livro grosso, com muitas páginas 6,6%

Revista 6,6%

Bíblia 3,3%

Poesias na internet 3,3%

Mangás 3,3%

Não responderam 3,3%

- Razão da leitura (lazer, oração, dever de escola, curiosidade independente):

Oração 6,6%

Lazer 36,6%

Dever de escola 6,6%

Curiosidade independente 36,6%

- Outras pessoas presentes e envolvidas na situação (familiar adulto, familiar infantil, colega, professor, desconhecido):

Amigo / colega 26,6%

Colegas de classe / professor 16,6%

Familiares (adulto e/ou infantil) 33,3%

Sozinho 16,6%

Não responderam 6,6%

Essa série de questões, que adaptamos livremente de Lajolo (2005) e incluímos na entrevista, serve, além de reforçar a questão 4, para resgatar das lembranças (muito tenras) dos leitores o(s) momento(s) que marcou(aram) a sua entrada no mundo diverso e desafiador da leitura. Ambas as perguntas, diferentemente das primeiras, não são objetivas, mas discursivas, a fim de que os alunos pudessem relembrar, comentar, numa tentativa de

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reconstituir, da fala para a escrita, breves mas particulares memórias. Contudo, suas respostas foram muito curtas, e com a ausência de comentários que pudessem oferecer um painel mais detalhado de suas primeiras experiências (subjetivas) com a leitura.

Desse modo, foi possível resumir as respostas dos leitores da maneira como se observa nas cinco tabelas acima. Na primeira delas, como vemos, uma grande parte dos nossos entrevistados (63,3%) afirmaram ter sido a casa o lugar em que realizaram a leitura da qual se recordam como a mais antiga, local secundado pela escola, eleita por 23,3% dos alunos. Por que estaria o lar mais presente do que a escola na memória do leitor jovem, se é nesta última que, quase sempre, ensina-se a ler, sendo esse um de seus papéis? Seria mais um indício de que as leituras da escola, geralmente obrigatórias, por isso mesmo estão ausentes da autoimagem remissiva de leitura feita pelos educandos?

Se compararmos os dados do item sobre a postura física no momento da leitura e do item acerca do material desta, percebemos facilmente que, no primeiro, o leitor valorizou a situação em que esteve de maneira mais confortável (sentado ou deitado). Enquanto que, no segundo, 73,3% de todos os alunos se remetem ao livro como o artefato de maior visibilidade em suas lembranças, numa clara demonstração de que esse objeto foi, de saída, o mais associado, desde sempre, ao ato de ler.

Já em relação às razões que levaram aos contatos iniciais com a leitura, ficam empatados e em lugar de evidência os itens “lazer” e “curiosidade independente” – fixando a ideia de que a leitura que marcou, no total dessas alternativas, 73,2% dos leitores iniciantes, teve sua razão de ser não em deveres escolares ou até mesmo religiosos, mas em situações de espontânea e livre possibilidade de escolha e motivação entre leitor e objeto lido. Quanto à questão sobre quem estava presente no momento, tanto os amigos/colegas quanto os familiares foram citados como os que compunham a cena, com predileção pelos familiares, ratificando o destaque (já mencionado) do ambiente doméstico.

Questão 2: Cite entre dois e cinco livros ótimos (os melhores!) que leu em sua vida.

As obras citadas foram as seguintes: O Hobbit; Planeta Vermelho; Viagem ao centro da Terra; Vinte mil léguas submarinas; Em busca de mim; Cinderela; A bela adormecida; Romeu e Julieta; Quando meu pai perdeu o emprego; Dezesseis luas; Lua nova; Apocalipse; O código Da Vinci; Eclipse; O alquimista; “seleção de Machado de Assis”; Dom Quixote; A pata da gazela; “poesia de Patativa do Assaré”; Cidade de papel; A cabana (2); Cidade do

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sol; Tower of God; Percy Jackson (3); Soul cartel; One piece; O senhor dos anéis; Cinquenta tons de cinza; João e Maria; Tá chovendo hambúrguer; Peter Pan; Planeta vermelho; Anjos da noite; Chamado do monstro; Instrumentos mortais; Alice no país das maravilhas; Bíblia; Crepúsculo; Amanhecer; A culpa é das estrelas; Psiu! Não faça barulho; Apocalipse; Noé; Um crime de amor; Papo aberto com Jesus; Amor à primeira vista; Procurando palavras; Fúria de titãs; Naruto Shippuden; Percy Jackson e o mar de monstros; Percy Jackson e o ladrão de raios.

Na lista dos melhores livros já lidos pelos entrevistados, visualizamos uma quantidade de obras com características distintas e para as quais podem ser aplicadas algumas discussões realizadas quando, numa questão anterior, solicitamos que os leitores escolhessem apenas uma das melhores obras já lidas. A diferença, porém, agora, é a extensão das respostas, devido à variedade dos títulos.

A validade dessa questão se justifica mais pelo fato de podermos acompanhar as diferentes escolhas de leitura dos alunos até o momento, nesses poucos anos de sua história educativa. A esse respeito, e como uma boa ilustração do movimento interpretativo e de amadurecimento percorrido pelos leitores, Tinoco (2013, p. 142) observa: “o leitor, progredindo de descoberta em descoberta, ao mesmo tempo avança, e percebe que a compreensão do que é lido se modifica, na medida em que cada novo elemento imprime uma nova dimensão aos elementos antecedentes, repetindo-os, desenvolvendo-os ou os contradizendo”.

Nas respostas à questão 2, contam entre as produções eleitas vários títulos da chamada literatura infantojuvenil, com destaque para obras pouco conhecidas mas citadas, como é o caso, por exemplo, de Em busca de mim; Amor à primeira vista; Procurando palavras, entre outras. Observamos muitos títulos best-sellers, já aludidos, mas dessa vez na companhia de congêneres, tais como: O Hobbit e O código Da Vinci, os quais dividem o mesmo espaço com uma leva de mangás, como os preferidos de alguns meninos adolescentes: Percy Jackson (citado três vezes); Soul cartel; One piece; Naruto Shippuden; Percy Jackson e o mar de monstros; Percy Jackson e o ladrão de raios. Curioso também é notarmos, entre as escolhas dos leitores, títulos de filmes como O senhor dos anéis; Tá chovendo hambúrguer e Noé – tentativa, da parte dos leitores, de mostrarem a sua visão mais ampla sobre a leitura, já que leem também as legendas dessas produções cinematográficas?

E os clássicos? Também marcaram presença, por meio de escolhas como “seleção de Machado de Assis”; Dom Quixote; Alice no país das maravilhas, além de contos infantis

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mencionados, com a inclusão, dessa vez, de Peter Pan. Importante esta resposta de um leitor: “poesia de Patativa do Assaré” – ao menos um traço revelador da valorização de um elemento cultural digno de respeito, a literatura de cordel, representada, com mestria, por um nordestino semialfabetizado que se popularizou no Brasil, merecendo estudo em notória universidade francesa, pela desenvoltura com que extrai seus versos da paisagem e da gente de sua terra.

A variedade de obras mencionadas nessa pergunta de maiores possibilidades demonstra o percurso de alguns leitores em territórios um pouco mais abrangentes que o dos livros infantis com que, muitos deles, foram alfabetizados e dos quais ainda sobram (talvez as únicas) lembranças de contato com um texto literário. Todavia, alguns já se enveredaram, de fato, nas plagas das produções ficcionais em série; outros provaram das HQs japonesas, gostaram e continuam a lê-las; em contraponto com os poucos que podem citar (às vezes só no implícito de obras lidas) nomes como os de Machado de Assis, José de Alencar, Shakespeare, Júlio Verne, Lewis Carroll e Patativa do Assaré.

Questão 3: Cite entre dois e cinco livros muito ruins (os piores!) que teve que ler em sua vida. (Que situação tornou a leitura obrigatória?).

Títulos mencionados pelos estudantes – dos quais disseram não gostar: O príncipe e a raposa / Big bang (“tive de ler no 8º ano”); Meu primeiro beijo (2) (“Não foi uma leitura obrigatória porque eu li por vontade própria” – resposta de um dos leitores); A floresta encantada (“Tive que ler como dever de escola”); Deus da guerra / Fugindo de casa / Chapeuzinho Vermelho / Bela adormecida / A arte da guerra / Cinquenta tons de cinza (estes seis últimos títulos compõem a resposta de um leitor); A pata da gazela e Mob Dick (“Fui obrigada a ler na escola”); “Era um livro de histórias que eu não quis ler, mas a professora quis que eu lesse”; Branca de neve.

Disseram não lembrar: 6 alunos. Disseram não saber: 4 alunos.

Disseram “nenhum”: 8 alunos. Entre estes, uma leitora comentou: “Não tive até agora, pelo menos eu acho que todos são bons, mas de acordo com seu gosto literário. Livros são arte e pensamentos”.

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A grande maioria dos estudantes (vinte e um deles, o equivalente a 70%) não ofereceu como resposta títulos de obras literárias lidas e detestadas, em contraste com os nove únicos leitores (30% do total) que relembraram os livros uma vez lidos, mas contrários ao seu gosto de leitor. Vemos, assim, conhecidas histórias infantojuvenis, que estiveram presentes em pergunta anterior sobre o livro preferido, agora aparecerem entre as menos apreciadas pelos leitores, ao lado de produções como Cinquenta tons de cinza; A pata da gazela e Mob Dick.

Importante comentar a resposta de um dos leitores, que elege seis, entre os livros mais insignificantes que ele já leu (ou não terminou de ler), fazendo-nos entrever sua curiosidade e seu senso crítico. Ressaltamos ainda o teor de obrigatoriedade da leitura, favorecendo o distanciamento entre o leitor e o livro indicado, como no comentário de uma aluna, ao afirmar ter lido apenas para satisfazer a professora, que “quis” que ela lesse. Ao contrário dessa visão, porém, está a de uma outra leitora, a qual, valendo-se de uma percepção pouco crítica mas sem deixar de ser coerente com o todo de sua resposta, afirma não ter achado ainda livros que não gostou de ler, pois, por serem “arte e pensamentos”, dependem do “gosto literário” do indivíduo, para receberem o seu quinhão de acolhimento ou rejeição.

5.1.4 A visão da turma sobre seus professores em contato com a leitura

Questão 1: Seus professores dão a impressão de gostarem de ler?

A unanimidade respondeu que sim: os professores demonstram gostar de ler. Apenas uma leitora vagamente respondeu “um pouco”.

Questão 2: Eles indicam livros? Quais? E que livros contraindicam?

Respondeu apenas “sim”: 1 aluno.

Responderam “sim” e comentaram: 19 alunos. Eis as respostas: “Sim. Literatura”; “Sim, todos que possamos ler”; “Sim, livros didáticos”; “Sim, Dom Quixote”; “Sim, literários clássicos”; “Alguns indicam e dão sugestão de leitura”; “Sim, indicam livros de conto e crônica”; “Sim, muitos”; “Sim, vários”; “História”; “Sim, os que tenham a ver com a aula”; “Sim, todos os tipos, fábulas, livros adultos eu acho”; “Sim, animados”; “Sim, não lembro”

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