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3.4 GESTÃO DE PROJETOS COM O FRAMEWORK GP2

3.4.2 Planejamento de projetos com o framework GP2

3.4.2.2 RPP-RPEP Realizar Planejamento do Escopo do Projeto

A área de conhecimento relacionada ao planejamento do escopo do projeto, de acordo com o guia PMBok contempla os seguintes processos:

1. Planejar o gerenciamento do escopo: O processo de criar um plano de gerenciamento do escopo do projeto que documenta como tal escopo será definido, validado e controlado;

2. Coletar os requisitos: O processo de determinar, documentar e gerenciar as necessidades e requisitos das partes interessadas a fim de atender aos objetivos do projeto;

3. Definir o escopo; O processo de desenvolvimento de uma descrição detalhada do projeto e do produto;

4. Criar a Estrutura Analítica do Projeto (EAP): O processo de subdivisão das entregas e do trabalho do projeto em componentes menores e mais facilmente gerenciáveis;

5. Validar o escopo: O processo de formalização da aceitação das entregas concluídas do projeto:

6. Controlar o escopo - O processo de monitoramento do andamento do escopo do projeto e do produto e gerenciamento das mudanças feitas na linha de base do escopo.

Dentre os processos supracitados, no entanto, o processo realizar planejamento do escopo do projeto tem foco apenas na coleta dos requisitos, na definição do escopo e na criação da EAP, conforme pode ser observado na Figura 33. O processo “Planejar o gerenciamento do escopo” define e documenta como a equipe do projeto irá definir, validar e controlar o escopo. Como o GP2 define todo o processo, ferramentas e técnicas para o gerenciamento do escopo do projeto no contexto das PMEs, este processo foi suprimido do framework.

Figura 33 - Subprocesso RPEP - Realizar Planejamento do Escopo do Projeto

RPEP-CR - Coletar Requisitos: A primeira atividade do processo responsável por

realizar o planejamento escopo do projeto tem a finalidade de coletar requisitos.

De acordo com o PMI (2013a), as técnicas de coleta de requisitos mais comuns são: Entrevistas, Oficinas, Observações, Protótipos, Questionários, Técnicas de Criatividade em Grupo, Workshops, Técnicas de Tomadas de decisão em grupo, Benchmarking, análise de contexto e Análise de Documentos.

A Prototipagem é uma técnica particularmente eficaz para a coleta de requisitos de

software. Além disso, a demonstração de software de trabalho é uma técnica primária para

desencadear o próximo conjunto de requisitos que devem ser implementados quando incrementos produtos são desenvolvidos (PMI, 2013a).

Esta atividade gera a documentação dos requisitos, que descreve como os requisitos individuais atendem às necessidades do negócio para o projeto. Os requisitos podem começar em um alto nível e tornarem-se progressivamente mais detalhados conforme mais informações sobre estes são conhecidas. Antes das linhas de base serem estabelecidas, os requisitos devem ser não ambíguos (mensuráveis e passíveis de testes), rastreáveis, completos, consistentes e aceitáveis para as principais partes interessadas (PMI, 2013a).

RPEP-DEP - Definir o Escopo do Projeto: A segunda atividade do planejamento do

escopo do projeto é, por sua vez, responsável por definir o escopo do projeto.

Segundo PMI (2013a), definir o escopo envolve a escolha das exigências que farão parte do âmbito do produto. Quando tratamos de projetos de software, este problema é comumente tratado por priorizar os requisitos, utilizando critérios que incluem os desejos e as necessidades das comunidades de clientes e usuários, bem como o valor acrescentado por cada requisito. Riscos, suposições e restrições também são levados em consideração. Para projetos Iterativos e incrementais, os produtos do escopo são inicialmente definidos na medida do possível, a um nível mais elevado, mas a definição do produto normalmente evolui durante o desenvolvimento iterativo. O escopo do projeto inicial pode ser ajustado conforme a definição do produto emerge (PMI, 2013b). Como saída desta atividade, é identificada a especificação do escopo do projeto, que contém uma lista das principais entregas, premissas e/ou restrições. A especificação do escopo do projeto documenta todo o escopo, incluindo o escopo do projeto e do produto. Ela descreve detalhadamente as entregas do projeto e o trabalho necessário para criá-las. Ela fornece também um entendimento comum do escopo do projeto entre as partes interessadas (PMI, 2013a).

RPEP-CEAP - Criar a EAP: Como saída - e última atividade - do planejamento do

EAPs orientadas à atividade são desejáveis para a maioria dos projetos de desenvolvimento de software porque o software é o produto dos processos cognitivos de desenvolvedores, sendo considerado intangível, e não envolve a fabricação de produtos de trabalho físicos (PMI, 2013a).

De acordo com a extensão para projetos de Software do Guia PMBok, aos pacotes de trabalho em uma EAP incluem especificação das atividades de trabalho, dos produtos de trabalho ou de produtos a serem criados ou modificados por essas atividades de trabalho, bem como os critérios de aceitação para os produtos de trabalho ou entregas. Para projetos de

software, o nível mais alto da EAP subdivide o projeto por processos ou atividade do ciclo de

vida. Os produtos de trabalho e resultados são mostrados como saídas de atividades e tarefas em níveis mais baixos da EAP.

Ciclos de desenvolvimento iterativo e incrementais podem ser usados durante a fase de construção de software. O escopo de requisitos ou características que podem ser implementadas durante um ciclo de iteração é determinada por períodos predeterminados e que não sofrem variações, também chamados de timebox.

A velocidade da equipe de desenvolvimento pode ser baseada na experiência acumulada com medidas como desempenho para resolução de atividades. Outro aspecto do desenvolvimento iterativo e incremental é que em alguns dos ciclos iterativos, o ambiente de aprendizagem propicia aos clientes esclarecimento e a priorização dos requisitos e características do produto com base nas prioridades de agregação de valor e demonstrações periódicas de software trabalhando.

Uma técnica para criação da EAP e posterior definição das atividades que serão realizadas em cada um dos pacotes de trabalho desta EAP é o planejamento em ondas sucessivas. Segundo PMI (2013a), esta é uma técnica valiosa para a progressiva elaboração do trabalho a ser realizado quando se usa uma EAP orientada a atividades em ciclos de vida de projetos de software.

Uma vez que cada projeto de software resulta em um produto único, a maioria dos esforços empreendidos em sua criação exige inovação e resolução criativa de problemas para satisfazer as necessidades das partes interessadas, de forma que o detalhamento das entregas e/ou pacotes de trabalho pode demandar muito tempo para ser realizado. Utilizando o planejamento em ondes sucessivas, a EAP é criada de forma iterativa e incremental.

Desta forma, à medida em que o projeto prossegue, os entregáveis do projeto são decompostos em componentes menores e mais gerenciáveis. A Figura 34 mostra o exemplo de uma EAP.

Figura 34 – Exemplo de uma EAP

Fonte: PMI (2013a).