4. ANÁLISE E DISCUSSÃO
4.3. Síntese dos resultados do projeto de IC PIC EaD
As primeiras atividades do projeto de Iniciação Científica, PIC EaD, consistiram em assistir aos vídeos dos professores que foram disponibilizados por e-
mail e também na plataforma AVA. Concomitantemente, também foram programadas
atividades de participação em chats semanais, a fim de esclarecer as dúvidas dos alunos e dialogar com os membros participantes da pesquisa, sobre seus respectivos pontos de vista sobre a importância da tecnologia no ensino, considerando suas experiências profissionais e acadêmicas. No projeto PIC EaD, os alunos foram instrumentalizados via AVA para o exercício da pesquisa, a partir de atividades como leituras e discussões teóricas, elaboração de fichamentos e de questionários e, coleta, organização e análise de dados.
Além da formação para a pesquisa, o projeto também buscou verificar como os alunos do PIC e seus colegas de turma têm sido preparados para o uso da tecnologia na prática profissional. Assim, os alunos atuaram como pesquisadores e, também, como alunos pesquisados. Neste sentido, consideramos que todas as fases do projeto foram fundamentais para o alcance dos objetivos previstos.
Considerando a etapa de atividades especificamente relacionadas ao projeto, depois de uma fase inicial de imersão no universo da pesquisa, com vídeos sobre a essência da IC, o registro do currículo de um pesquisador e os gêneros acadêmicos relativos à área, os alunos assistiram a vídeos de formação, gravados pelos professores da equipe, sobre os caminhos a serem percorridos.
Dando sequência as atividades do projeto, após assistirem aos vídeos de orientação sobre como ocorreriam as leituras teóricas, os alunos efetivamente passaram a realizá-las. A ferramenta vídeo foi um instrumento de capacitação para o aluno, mas também instrumentalização do aluno, no que diz respeito a sua autonomia, sua voz e vez de se fazer notar como construtor de saberes. Por meio do vídeo os alunos registraram suas percepções e ainda, a partir deles, puderam socializar saberes tanto por meio das gravações, como por meio das transcrições feitas por um dos alunos, a fim de avaliarmos as falas e, a parir delas, construirmos trabalhos para serem submetidos a um evento anual científico – EAC 2018. Os vídeos gravados
renderam, assim, além da experiência de gravação, dois trabalhos aceitos no referido evento.
Quanto ao uso da ferramenta chat, nesta os alunos depositaram dúvidas e debateram contextos pertinentes a formação e iniciação científica. Nos chats as dúvidas dos alunos, foram esclarecidas e tornou-se um canal de colaboração de saberes. Foram propostos textos que os levaram a refletir sobre o que é uma pesquisa científica, a importância do planejamento, o método científico, a pesquisa qualitativa e a quantitativa, além do processo de coleta de dados. Novamente, nos chats de discussão, os discentes compartilharam suas percepções sobre as leituras, evidenciando a assimilação de conceitos referentes aos principais aspectos componentes da pesquisa científica, viabilizando, portanto, a execução dos passos subsequentes.
Pelo chat, também, os alunos puderam expor suas reflexões acerca do escopo da pesquisa, bem como sobre suas percepções quanto ao uso da tecnologia no ensino. Ainda, no que tange ao uso dessa ferramenta, os alunos foram levados a refletir sobre a relevância da IC na sua formação acadêmica. Nesse sentido, os alunos realizaram leituras de documentos relativos ao projeto e, com isso, foram levados a refletir e expor no chat suas opiniões sobre os objetivos a serem alcançados num projeto, bem como a justificativa que norteia a investigação científica. Por unanimidade, os alunos manifestaram no chat, que ao fazer parte de um projeto de pesquisa são mais bem informados o que os leva a compreenderem melhor sobre o universo da pesquisa. Expuseram ainda, que este é um diferencial no processo de graduação, como observamos, por exemplo, nestes enunciados registrados por eles em uma das sessões de interação via chat: “qualifica melhor os alunos da
graduação, enriquecendo seu repertório de conhecimentos, ampliando sua visão
de mundo através do contato direto com a área a ser pesquisada”; e “é responsável
por desenvolver o espírito científico que se espera de um pesquisador”.
Nos chats as discussões permearam sobre a compreensão de tecnologias no ensino e foi trabalhado nas reflexões se há, da parte dos alunos, a percepção de que os recursos digitais têm sido de fato, aplicados adequadamente nas suas aulas de português. Essa percepção partilhada foi para todo o grupo uma contribuição valiosa, visto que a discussão permitiu refletir sobre a necessidade de se buscar aprimorar os métodos pedagógicos. Isto se deu, pois:
O chat ou bate-papo exige outras habilidades de mediação pedagógica. Como sabemos, o chat ou bate-papo é sempre on-line, como atividade síncrona, e é um momento em que todos os participantes estão conectados, interligados, e são convidados a expressar suas ideias e associações de forma livre. Essa técnica possibilita-nos conhecer as manifestações espontâneas dos participantes sobre determinado assunto ou tema, aquecendo para um posterior estudo e aprofundamento deste. Possibilita-nos também preparar uma discussão mais consistente, motivar um grupo para um assunto, incentivá-lo quando o sentimos apático, criar um ambiente de grande liberdade de expressão. ‘Essa técnica envolve muito os participantes, e a velocidade com que acontecem as contribuições é surpreendente, uma vez que todos podem se manifestar ao mesmo tempo’. (MASETTO, 2013, p. 158).
Para maior sucesso dos chats, o uso do aplicativo WhatsApp ocorreu de forma concomitante. Ele foi usado para melhor orientarmos os alunos sobre como proceder para o acesso a plataforma, facilitando assim, o acesso ao AVA, por possibilitar orientações síncronas, com textos e imagem com os prints da tela de acesso a plataforma bem como às ferramentas disponíveis no AVA.
Pelo WhatsApp, enviamos áudios orientando onde o aluno deveria clicar para ter acesso a determinado material ou mesmo para entregar as atividades. Enviamos, também, videos com o passo a passo das ações no AVA, para o grupo, facilitando, assim, para que, na dúvida, pudessem rever as explicações. Isso contribuiu para a interação de todos do grupo visto que, entre eles, se ajudavam com base nas explicações gravadas. Foram ainda partilhados links de cursos e conteúdos (textos, vídeos etc.) sobre as temáticas tratadas em cada etapa do PIC, como também outras que eles tivessem interesse, a fim de proporcioná-los a possibilidade de conhecer, bem como participar de diferentes cursos ofertados na modalidade EaD, realizando- os em curto período e, assim, manter o grupo unido e contribuindo um com o outro.
Por meio dessa ferramenta, foram realizados amplos debates, no que se refere aos respectivos pontos de vista dos alunos do grupo, sobre o uso das ferramentas tecnológicas digitais na formação. O aplicativo foi mais utilizado no período de férias e se mostrou o mais adequado e eficaz para esse período. Primeiramente porque as atividades no AVA foram cessadas, respeitando o período de férias. E, porque o dispositivo móvel é usado cotidianamente por ser prático e assim, o aplicativo torna-se um facilitador na comunicação, permitindo a interação do grupo via internet, independentemente do horário e espaço geográfico em que seus membros se encontram.
No tocante ao Fórum, a partir dos dados levantados, identificamos que dos 17 alunos do PIC, apenas 7 alunos compreenderam o espaço como um canal de colaboração e troca de saberes. Das três atividades postadas nessa ferramenta, em apenas uma houve de fato a troca de mensagens com postagens colaborativas e um breve debate do assunto proposto. Constatamos, assim, que os alunos não têm a percepção de que o fórum vai além do mero cumprimento de atividades avaliativas.
O Fórum deve ser compreendido como uma ferramenta capaz de promover o ensino e a aprendizagem, por meio de um movimento dinâmico, no sentido de permitir a interação entre os participantes, independentemente do espaço geográfico, do horário de acesso ou da ferramenta utilizada para isso. Logo, pelas contribuições dos alunos, identificamos certo “engessamento”, uma vez que, usam o espaço apenas para o cumprimento de tarefas que exigem prazo e que terão, ainda que minimamente, conotação avaliativa, ou seja, limitam-se a usá-lo, respeitando-o como atividade cuja a exigência está atrelada às avaliações e não espaço de interação, colaboração e atratividade para momentos com o grupo.
Assim, o desafio está em fazê-los compreender e utilizar esse espaço como possibilidade de interação e autonomia para a partilha de percepções bem como de dúvidas que podem ser importantes quando evidenciadas. Talvez o caminho seja então, debater também, nesse espaço, a importancia dele quanto ferramenta capaz de agregar saberes e não apenas meio de avaliação.
Essa ferramenta é assíncrona e serve para além da discussão e do debate de conteúdos. É um espaço para a partilha de ideias, mas não é compreendida assim. Ela é um ambiente de interação democrático e colaborativo, em que as trocas, os questionamentos e as interlocuções são fundamentais e capazes de promover o aprendizado, mas, no entanto, ainda pouco aceita para este fim.
Outro aspecto a ser trabalhado no que diz respeito ao uso eficiente do fórum, está na necessidade de uma maior aproximação entre os alunos nos momentos de debates, de forma autônoma, por interesse deles mesmos em postar e compartilhar informações, ainda que estas estejam limitadas à assuntos pertinentes ao grupo. Essa autonomia deve ser incentivada, pois tendem a esperar a motivação do professor para fluir os debates. Entendemos a necessidade de o professor acompanhar as discussões, mas isso não quer dizer que ele (professor), somente, tenha a função de motivar as discussões.
Neste sentido, o aluno deve ser orientado, motivado e instrumentalizado, de modo a apreender e se apropriar de conhecimentos e respaldos para exercer sua autonomia nestes espaços e assim identificar, que o professor é um intermediador no processo de ensino-aprendizagem, tendo como funções, agregar saberes, indicar caminhos no processo de formação do educando e auxiliá-lo, de forma ativa, mediadora e estimulando a interação colaborativa, mas que na sua falta, eles mesmos (alunos), após terem se apropriado de um assunto, podem e devem exercer o papel de motivadores no debate, provocando a participação dos demais colegas.
Isso porque, o professor na contemporaneidade, não pode continuar sendo visto como o detentor do conhecimento, mas como colaborador nesse processo, sem distanciar-se do aluno e ao mesmo tempo, deixando-o fluir. Por isso a relevância de um diálogo maior entre aluno e professor e sobre as necessárias ações de cada um, de modo que corroborem para que isso ocorra e, assim, ambos estarão próximos, ainda que espacialmente distante.
Considerando o envolvimento dos alunos no fórum, podemos identificar que há necessidade de que ocorram mudanças na forma de ensinar com tecnologia, para que a elaboração e a (re)definição de como envolvê-los, melhore não só o uso desse espaço, mas também torne a forma de debater, mais atrativa, colaborativa e significante para todos.
Nesse sentido, o novo cenário educacional convida-nos a (re)pensar a questão da mediação pedagógica, de forma que os ambientes de estudo possam “transformar-se em um conjunto de espaços ricos de aprendizagens significativas, presenciais e digitais, que motivem os alunos a aprender ativamente, a pesquisar o tempo todo, a serem proativos, a saberem tomar iniciativas e interagir” (MORAN; MASETTO; BEHRENS, 2013, p. 30).
Sendo assim, o fórum deve ser reconhecido como ferramenta capaz de agregar qualidade aos estudos, visto que esse instrumento e todo o contexto das novas tecnologias estão ao dispor do ensino na modalidade EaD, a fim de fomentar novas formas de interlocução entre os atores envolvidos nesse processo de formação, por isso a necessidade deste diálogo que ora iniciamos, ser apenas um ponto de partida para novos debates e reflexões.
Diante dos resultados apresentados, o grupo de pesquisadores delineou uma série de ações que podem vir a amenizar algumas lacunas diagnosticadas nos relatos dos professores participantes: i) investimento da promoção de uma cultura de IC, a
fim de os alunos valorizarem a pesquisa; ii) embora tenhamos a oferta de bolsas de IC, por meio da Fundação Nacional de Desenvolvimento de Ensino Superior Particular (FUNADESP), considerando a limitação do número, sugerimos ao setor de pesquisa da instituição, por ocasião de um workshop que discutia a temática, que a universidade contemple o aluno que opte por fazer pesquisa com um percentual de desconto a ser aplicado na mensalidade, como forma de incentivo; (iii) promoção da socialização das pesquisas, uma vez que todos alunos que fazem IC podem participar do Encontro Nacional de Iniciação Científica (EAC) da instituição (http://pgsskroton.com.br/eac/).
Justificamos a seleção do evento citado, por ser de abrangência nacional; permitir a participação online, por meio de vídeos e interações no ambiente moodle, além de fornecer a certificação e a publicação de resumo expandido, com ISSN.
Na sequência, a figura 33 apresenta as dimensões necessárias para o uso das ferramentas mediadoras.
Figura 33 - Dimensões necessárias para o uso das ferramentas mediadoras
Fonte: Baseado em Rojo (2012), Kalantzis e Cope (2008), Faraco (2010), Street (2014).
O quadro foi elaborado com base nas quatro dimensões apresentadas pela Pedagogia do Multiletramento, conforme estudos de Rojo (2012), considerando, ainda, as concepções de Knobel e Lankshear (2007), Kalantzis e Cope (2008), Faraco (2010) e Street (2014), logo, criamos a proposta de 4 dimensões necessárias para uma adequada orientação no processo de IC de forma que ocorra a permanência desse aluno no processo.
1. Documentos nacionais norteadores e, a partir destes, adaptações para os Estados/Municípios 2. Inserção do conteúdo "novas tecnologias e ensino" no currículo escolar via Projeto Político Pedagógico da Escola 3. Formação docente continuada teórico-prática para o professor, contemplando feramentas tecnológicas e sua aplicação em sala. 4. Exploração de ferramentas mediadoras tais como
AVA, Chat, E-mail, Fórum, Vídeos,
Cabe ainda ressaltar, cada ferramenta teve seu momento mais adequado no PIC EaD, mas todas contribuíram sobremaneira para o desenvolvimento do projeto e as tarefas a ele pertinentes.
Na próxima seção apresentaremos nossas considerações finais acerca desta pesquisa.