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3.6.1 Sítis grita profeticamente contra a teologia do templo

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Todo o povo simples, para poder participar normalmente das cerimônias religiosas, era obrigado a fazer sacrifícios e levar ofertas no Templo (Ne 10,29-40).Os sacrifícios tradicionais eram o holocausto e o sacrificio de comunhão, em que eram oferecidos bois ou ovelhas, e a oblação, oferta de um tipo de pão de farinha de trigo. O Templo arrecadava seus tributos através deles.

Por isso, com a necessidade do Templo arrecadar também o tributo para os persas, será instituída a lei do puro x impuro, que já falamos, e um novo sacrifício, o de expiação pelo pecado, um sacrifício de purificação ( Lv 4,27-7,38). O pecado não é mais uma transgressão voluntária de algum aspectoda lei de Deus, agora pecado é viver em uma situação de impureza. Doenças (Lv 13-14), profissões ou serviços que causavam contato com animais mortos ou impuros (Lv 11), ou com coisas consideradas impuras ( Lv 15,1-18), deixam a pessoa em estado de pecado, isto é, impura. Praticamente todos os trabalhadores e trabalhadoras estavam em contato com alguma coisa ou pessoa impura.

Os sacerdotes é que definiam o que ou quem era puro e o que ou quem era impuro (Ez 44,23). E a sociedade ficou dividida em pessoas e raças puras e pessoas e raças impuras. Só aqueles que eram considerados puros tinham acesso ao sacerdócio e, através do sacerdócio, aos principais cargos públicos e religiosos. Os impuros são afastados do convívio com os outros, para que não transmita sua impureza a toda a congregação (Nm 5,1- 3).

O Templo vai se tornando o centro econômico, político e religioso do país. Os sumos sacerdotes, que controlavam o Templo, vão ficando cada vez mais ricos e poderosos.

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SACKS, R.The Book of Job with Commentary: A Translation for Our Time (South Florida Studies in the History of Judaism 197), Atlanta (Ga), 1999; WEINBERG, J. “Was Elihu, the Son of Barachel, the Author of

the Book of Job?”, Trans 16 (1998), pp. 149-166; SETERS, J. van. “The Primeval Histories of Israel and Greece Compared”, ZAW 100 (1988), pp. 1-22; VAAGE, Leif.“Do meio da tempestade a resposta de Deus a Jó – Sabedoria bíblica, ecologia moderna, vida marginal – Uma lectura de Jó 38,1-42,6”, en RIBLA,

Petrópolis, Editora Vozes, vol.21, 1995, p.62-77; VOGELS, W. Job. L’Homme que a bien parlé de Dieu (Lire la Bible 104), Paris, 1995; WHARTON, J.A. Job (Westminster Bible Companion), Westminster, 1999; VOX SCRIPTURAE - REVISTA TEOLÓGICA BRASILEIRA. São Bento do Sul: FLT-MEUC. Semestral. Faculdade Luterana de Teologia/União Cristã Ed. e Ceteo l - editores. ISSN 01040073; ZENGER, E. Gottes

Bogen in den Wolk en.Untersuchungen zu Komposition und Theologie der priesterschriftlichen Urgeschichte

Eram eles que executavam na Judéia a política do império Persa. E foi contra eles que Sitis protestou.

Seguindo a Teologia da Retribuição, os mestres e doutores da religião pediam paciência aos justos que estivessem sofrendo. As injustiças que lhes causavam sofrimentos seriam passageiras, e sua fidelidade e paciência seriam recompendados.

A partir das casas as mulheres não ficam caladas. Quem se relacionava mais de perto com essa situação no dia-a-dia eram as mulheres. Eram elas que todo o dia repartiam as migalhas na hora de comer, tinham de esconder suas próprias lágrimas para poder enxugar as lagrimas dos seus. Como poderão ficar caladas quando falta comida, quando filhos e filhas passam fome? Quando filhos e filhas são escravizados? Por isso, como se nota, são elas “as mulheres” que clamam. E protestam profeticamente (Ne 5,1), contra a Teologia da Retribuição. Deviam ficar caladas esperando que Deus fizesse justiça. Protestar contra a injustiça era não confiar na justiça de Deus, era ser rebelde e não aceitar o plano de Deus, o mesmo que “amaldiçoar a Deus”. Por isso a mulher de Jó (Sítis) é introduzida no texto e na história com um comportamento muito negativo, com o propósito de difamar as mulheres que protestam.

Ternay361 afirmou que quando Jó chama sua esposa de “doida”, ele apenas compara a linguagem dela aquela dos homens cujo sofrimento os tornam loucos. E a mulher de Jó revela a pessoa que estava sofrendo muito para tentar ajudar a si mesma e ao marido diante de tamanha dor e de perdas na vida. Por isso, Sítis ganha vida nesse texto (2.9,10) ao se colocar contra a Teologia da Retribuição.

A proposta de Albertz362 com referência a Mulher de Jó, é pensar que ela estivesse justamente dentro dessa dialética entre divisão/reconciliação teológica tão típica do período pós-exílico, e que chegou justamente a uma “religiosidade pessoal de pobres”, composta de um dos pequenos grupos da qual poderia fazer parte. Possivelmente gritando frente à teologia teocrática e sapiencial da classe alta.

A voz profética da mulher de Jó sem dúvida alguma teve a atenção dos sacerdotes do Templo, pois segundo Albertz, na reconstrução do templo no pós-exílio, foi feito um estreito espaço para que as mulheres pudessem entrar também. Logo, essas mulheres estavam próximas dos sacerdotes para que seus manifestos proféticos pudessem ser ouvidos pelos sacerdotes:

361TERNAY, Henri de. O livro de Jó: da provação à conversão, um longo processo. (pág 1 a 45)

Petrópolis,RJ: Vozes, 2001.

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ALBERTZ, Rainer. História de la Religião de Israel em Tiempos del Antiguo Testamento . Volume I e II. Editorial Trotta. Biblioteca de Ciências Bíblicas yOrientales. 1999. Sagasta. Espanha, Madrid ,600-601.

Frente ao vestuário estava o átrio dos sacerdotes com o altar dos holocaustos, e diante deste, separado por uma barreira, se abriram o átrio dos israelitas, em que mais tarde se estreitou um espaço para acolher as mulheres. Tudo ao redor, foi preenchido artificialmente num aterro para construir ali um grande átrio acessível a todos os visitantes. (p 600-601).

As mulheres tiveram direito de ter um espaço, estreito, separado por uma barreira, mas mesmo assim ainda estavam no templo frente o átrio dos sacerdotes com o altar dos holocaustos, onde havia o átrio dos israelitas, de modo que elas poderiam ser ouvidas pelo sacerdote ao gritarem contra o que estavam fazendo a elas com essa nova teologia (Ne 5; Jó 2,9; 24).

Mas, para desautorizá-la ainda mais, o Templo continua declarando que a mulher era impura. Depois do exílio na Babilônia, Israel já não tinha reis, quem governava o povo eram os sacerdotes, que com Neemias e Esdras recebiam dinheiro e poder dos Persas para reconstruir e repovoar Jerusalém. Os sacerdotes reorganizaram o país a partir do Templo que os sacerdotes vão exercer e legitimar a concentração do poder em suas mãos. Em Ez 44,5-31 há toda uma “mística dos sacerdotes” que foi desenvolvida nesta época, que levaram esses sacerdotes a ficar no poder por mais de 500 anos.

Isso tem várias conseqüências. Dietrich363 vai dizer que a profecia é desautorizada. Deus só fala com o povo através do sumo sacerdote agora. Os profetas passam a ser considerados hereges, como falam o nome de Deus se não tem acesso à “Palavra de Deus” depositada na arca? Não se pode mais escutar Deus na vida. O nome Javé só será pronunciado uma vez por ano, na grande festa da purificação de todo o povo (Lv 16), pelo sumo sacerdote. A pronúncia do nome de Deus, que no êxodo diz que desceu para junto do seu povo (Ex 3,8), é proibida. Deus será recolocado nos céus. E de lá de cima ficará vigiando para retribuir cada um conforme a lei.

A questão persiste, quem pode ser afinal de contas essa mulher que grita contra essa teologia? A própria frase demonstra que é uma pessoa que enfrentou Jó e a Elohim, e propôs um veredito para ambos. Aqui nos parece que Jó, representa certo grupo de homens, e Elohim, as divindades. Então, não está perguntando, ela afirma que se deve abençoar/amaldiçoar as divindades, e depois disso que esse grupo de homens morra.

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