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E. F.GOI ÁS: M AGIA D A MODERNI ZAÇÃO NO CERR AD O.

1.2. b – S egunda E tapa: Tr echo Roncador – Anápoli s

A despovoada região que se estendia além Corumbá, na rot a da ferrovia, era c ompost a pelos municí pios de Sant a Cruz, C ampo Formos o (Orizona), Bonfim (Silvâni a) e A nápoli s. Sant a Cruz e B onf im, c om origem na ext ração auríf era, amargavam a est agnação durante o s écul o XIX, mas se equilibravam na t radição hist órica e em uma economia basicam ent e de subisist ência. E ss es dois ext ensos munic í pios t ambém sof reram, post eri orment e, a f ragment aç ão de seus territ órios, em conseqüência da emancipação de seus dist rit os, muit os deles servidos pel a ferrovia.

José Sêneca Lobo, em sua obra “Bonf im de G oiás – Minha Terra e Minha G ent e”, transpõe, pela graça de s ua sensível memória, o c ot idiano da cidade de Silv ânia, c omo é denominada hoje. Esse quadro de c ost um es, nas duas prim eiras déc adas do séc ulo XX, eluc ida a vida da isol ada região S udest e, já que existiam afi nidades de c aract erís ticas entre as loc alidades pelo próprio conf inament o regional. Serv e, port ant o, com o ref erência hist óric a

passível de aplic ação ness e est udo, no sent ido de sinalizar um tem po ant es do advent o da E.F.G oiás na referida região.

A aut o-suf iciênc ia, derivada do próprio isolament o e da capacidade criat iv a e de produção necess ária à subsis t ência, permitia um mundo onde a dic ot omi a ent re cidade e campo era t ênue e o dinhei ro em espécie, quase desnecessário. Ciente da dif erença imens urável dos cost umes, o aut or já avi sa que “Na minha inf ância,

por exemplo, os meninos vest iam c ami solas at é os nov e anos ou dez

anos de i dade, quando podiam us ar c alças. ”3 3

A garantia dos gêneros alim entíci os era assegurada pela aut o produção, f azendo-se desnecessário s erem repassados pelas cas as c omerci ais, quase inexist ent es:

Todo mu ndo cria va e custeava na cidade vacas, cavalo s, burros, j umentos, etc. (...) A maioria da popu l ação era mista, meio urbana, meio ru ral. Poi s tod os ou quase todos tin ham as su as lavouras de plantaç ão f ora da cidade, das quais ti ra vam os gêne ros aliment ícios de primei ra necessidade. Praticament e, nin guém com prava arroz, feij ão, toucinho e muito menos f ru t as e verduras, porque todos os culti va vam . As casas de vend as daquele tempo comercializa vam apenas bebidas, sal e alguma cousa enlatada, como sar dinhas, cocadas, etc. (...) A vida nas cidades era quase a mesma do campo, da fazenda, com aut o- suficiência. À exceção do sal, que era buscado de lon ge, desde o Campo Santana, n o Rio de Janeiro, até Ara guari e Roncador, em tropas3 4 e carros de bois, tudo o mais era p ro du zido na s próprias localidades. O açúcar era p ro duzido pelos própri os engenhos de made ira, f abricados em casa, mais tarde substi tuíd os pelos engenhos de ferro.3 5

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LOBO, José Sêneca. Bonfim de Goiás-Minha Terra e Minha Gente. Goiânia, Edição do Autor, 1983, p. 58.

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NA: As mercadorias chegavam aos locais transportadas pelas “tropas”, que podiam ser de pessoas dedicadas a esse ramo de negócio em torca do custo do frete, ou de viajantes comerciais, os “cometas” como eram conhecidos.

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LOBO, José Sêneca. Bonfim de Goiás-Minha Terra e Minha Gente. Goiânia, Edição do Autor, 1983. p. 17 e 59.

As const ruç ões da época utilizavam técnic as antigas e de f ácil execuç ão, que eram adot adas por todos, cons tit uindo em um proc esso const rut ivo t radicional, v ernacular:

Até o ano 191 9, só eram conhecidas em Bonf im e alhures as construções de casas ou sob rados com o emprego de madeira s na estru tura: esteios, baldrames, linhas t raves, etc.; as paredes de “pau a pique” ou mais modernamente de adobes; os piso s ou eram de assoal ho ou de terra batida e o forro ou est uque, d e tábuas. Ninguém naquele tempo p odia compreen der o utro ti po de construção.3 6

A prec ari edade das habitações, aos olhos de hoje, pode parec er enorm e. Mas não hav ia t anta disti nção entre os ric os e os pobres na quest ão do morar, pois o luxo e o exces so não existiam. O conf ort o era o próprio result ado dos c ost um es e das taref as produtivas caseiras, onde os f ilhos t ambém part icipavam:

As casas de resi dências não dispu nham de quaisq uer instalações de água, luz ou san itários. As const ruções era m primiti vas. As casas dos mais ricos eram assoalhadas, mas as das classes médias abaixo eram de terra batida. Os banhos eram de bacia em casa, d urante a semana. Ao s sábados, os homens iam ao córre go mai s próxim o “la var o corpo”. (...) Nas nossas casas se f azia de tudo, supri ndo -se os morado res c om o s própr ios recur sos. A iluminação caseir a era com velas de se bo, feitas também em casa. Cozido o sebo, enquanto d erretid o, era colocado nas f ormas confeccionadas pelos f unileiros. Pa ra isso havia uma técnica especial que bem aprendi, aj udando a minha mãe. (...) Essa operação era feita aos sábados de cada semana, fabricando- se velas para a semana seguinte, até o outro sábado.3 7

Nessas taref as c as eiras, para a f abricaç ão do nec ess ário, se incl uí am, t ambém, o f azer as v estiment as da f amília. Ess a

taref a, ent re out ras, propic iava o env olv iment o de mão-de-obra

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LOBO, José Sêneca. Bonfim de Goiás-Minha Terra e Minha Gente. Goiânia, Edição do Autor, 1983. p. 58.

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especiali zada fora de c as a, com a qual, geralment e, eram f eitos os acert os por troc as de m at éria prima ou de produt o c onf eccionado. A com plex a taref a não deixa de s er um as sombro diant e das facilidades oferec idas no com plex o mundo de hoje:

Para se vest irem, p lantavam o al godão, o qual, colhido, era descaroçado em moendinhas de m adeiras, adredemente preparadas, chamadas “escaroçadores”, no mesmo p rocesso d e passar a cana no e n genho. A se gu ir, o algodão e ra carcado, operação também qu e exigia técnica e prática, para ser f iado em rodas acionadas com pé ou no fuso manual. Com os fio s assim obtidos faziam-se os novelos, tanto de algodão como de lã, os quais eram entre gues a tecedeiras, mulheres que possuíam o tear, f abricado de madeira e operado com mãos e pés. Faziam -se tecid os lindos para calças e camisas de homens, cobertas de todas as cores, algumas mara vi lho sas no desenho e na arte. 3 8

Todos tinham os meios de trans portes, que eram f eit os pelo carro-de-bois e pelos c argueiros (para o t ransporte de cargas pesadas e médias, res pectivam ent e) e o cav alo, para o trans port e i ndiv idual de pess oas.

Através des ses meios de t rans port es exist ent es, carros- de-bois ou t ropas, os ci nemas c hegav am às cidades, c arregados de uma para a out ra, de t empos em tem pos, f azendo suas m udas apres ent aç ões em praç as abertas. Ess e modo de viajar c om o

cinema, no m es mo sist ema dos circos, levou-os a serem

denominados de “c inem as ambul ant es”.

Os meios de c omunicaç ão, prec ári os, just if ic avam o isolament o da região. Silv ânia só veio a t er o primeiro rádio, um aparelho primitiv o com f one de ouvi do, em 1925, lev ado pelo bispo D om Emmanuel. O conhecimento dos f atos que ocorriam no mundo chegava c omo c oisa ant iga, pois “As notícias do R io e São Paulo,

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LOBO, José Sêneca. Bonfim de Goiás-Minha Terra e Minha Gente. Goiânia, Edição do Autor, 1983, p. 59.

vinham de mês em mês, pelos jornais t razidos pelo c orreio, s erviço

feito nas cost as de burros. ”3 9 P ara s e env iar um t el egrama, era

preciso mandar um cav aleiro de S ilvânia at é Corum bá de G oiás, dist ant e mais de oit ent a quilôm et ros, onde hav ia o Telégraf o N acional. Soment e em 1925, o correio em Silvânia pas sou a ser sem anal, sinal de um progress o que s e aprox imava e por iss o foi digno de c omemoração pelo “grande acontecim ent o”.

Na década de vint e, com a travessia da f errovia sobre o rio Corumbá, deu-se i nício na região a um gradati vo proc esso d e transformação que remet iam a i ndícios de progress o. O impacto das i nvenções m odernas que entrav am na região pode s er avaliado, no nív el em ocional, pelas repres ent ações f eit as pelas pessoas que, pela prim eira vez, com elas tomaram c ont at o, t at eando e absorvendo os símbolos do progresso.

No c ampo da const ruç ão civil, um int eress ant e f at o, ocorrido aproximadam ent e em 1920, é relat ado por Lobo. Com o propósit o de cons trui r um moderno Grupo Escolar na cidade de Silv ânia, seu I nt endente Municipal t roux e de Araguari o pedreiro, um mestre de obra italiano. Junt am ent e c om out ro italiano, res idente em Silv ânia e especialist a em cerâmica com o “paneleiro”, resolveram usar o abundant e barro local para f abri caç ão dos tijolos a serem utilizados na obra, o que res ultou na primeira olaria da região. P ara construir o prédio ut il izaram o inédito cim ent o, i mport ado e embal ado em barricas de zinc o, e t ambém a c al virgem, que pela prim eira vez era vista na cidade. Tudo is so s ob a admi raç ão de t odos que, não t endo muito o que f azer, fic av am observ ando as novi dades da construção: “água queim ar a c al”, alic erc es e o mai s es pant os o: cant os do prédio em colunas de tijolos! Casa sem est ei os? Vai c air na cert a! Ess as preocupações f oram parar no Cons elho Municipal

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LOBO, José Sêneca. Bonfim de Goiás – Minha terra e minha gente. Goiânia, edição do autor, 1983, p. 60.

que, após demorados debates, decret ou que o it aliano const rut or s e tornaria, daí em diant e, res ponsável pel o que oc orresse, uma vez que ele havia f eit o um a obra sem est eios e sem baldram es.

Nessas memóri as, Lobo relat a que, em sua infância, 1919 f oi o ano que mais emoç ões e maiores conheciment os lhe

proporc ionou. Em Cam po Formoso, conheceu os primei ros

aut omóv eis recém chegados, que provocou na ci dade uma f esta popular improvisada no Largo da I grej a, at raindo t odos os moradores para cont empl arem, ext asi ados, “os dois mons tros ” que chegavam:

“Conf esso que a emoç ão e o entusiasmo da minha ment e menina foram grandes. Sobret udo as personalidades dos dois heróis mot orist as, cujos f eit os, se c omparados no tempo e no es paço com

os astronautas de hoje, ganhariam longe. ”4 0 Ao trem de ferro, vist o

pela primeira v ez em R oncador, dedicou est as lembranç as:

Hospe damo-nos n o Hotel da Estação, j unto aos trilho s da estrada de ferro, no qual passei a no ite quase sem dormir encantado com o barulh o das locomotivas a va por, em manobras. Ali co nh eci, também pela primeira vez, o trem de ferro. Que monstr o, comparado ao fordi n ho.4 1

Surgiram os primeiros aut omóv eis na região e t ambém as empresas de t rans port e colet ivo, int egrando as demais localidades ao final dos t rilhos. As primeiras empresas f oram a Auto-Viação Goyana, de Roncador à Cidade de G oiás, passando por Sant a Cruz, Bela vist a, Campinas e Curralinho (It aberaí ) e a Auto-vi ação R oncador-Anápolis , vi a Bonfim. Consequent emente as inci pient es est radas, simples trilhas abertas à enxada, f oram sendo melhoradas,

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LOBO, José Sêneca. Bonfim de Goiás-Minha Terra e Minha Gente. Goiânia, Edição do Autor, 1983. p. 25.

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vis ando a exploração do t ransport e coletiv o e de c arga com as novas máquinas, i ntegrando cada vez mais t oda região à f errovia.

As estradas, em grande parte do Es t ado, ant ec ederam a f errovia e f oram mult iplicadas pela nec essidade de alcançar os termi nais f errov iários, princi palment e no perí odo de paralis ação da f errovia em Ronc ador, por quase uma década. A princí pi o usadas pelos carros de bois e t ropas, es sas est radas s erviram tam bém aos trans port es rodoviári os, a cargo das aut oviações part ic ulares, qu e pass aram a assumir a c onstruç ão, conservaç ão e ex ploração econômic a das rodovi as. O poder públ ico f azia as concessões e o erário estadual subsidiava a c onstruç ão das rodov ias. A s companhias exploradoras t inham como principal f ont e de receit a, além do trans port e de carga e de pass ageiros , os valores abusiv os de pedágio, c obrados de quem por elas t ransit av a.

Nessa context uali zaç ão regional, f oi inaugurada, em 9 de novem bro 1922, a est aç ão de P ires do Rio, no m unicípio de Sant a Cruz, primeira a ser instalada à margem direit a do Corumbá e, com o s e verá nes se est udo, f oi a estaç ão rev elaç ão da E.F.G oiás. Pode-se af irm ar que f oi a est ação que deu c erto, no sentido de t er corres pondi do di namicam ent e e com res ult ados bast ant e pos it ivos, ao propós it o da f errov ia em seu process o de povoament o e urbanizaç ão. Da estação origi nou-se, em pouco t em po, uma c idade emancipada politic amente, apresent ando consideráv eis índices de desenvolv iment o em div ers os aspect os, a serem contemplados d e manei ra mais am pla nesse est udo, que a considera como um exem plar por exc elência para análise e ref erênci a urbana nesse cont ext o hist óric o de G oiás.

A Estaç ão de Tavares, inst alada em 1924 no municí pi o de Bonf im, deu origem à cidade de Vi anópolis que, apes ar de seu grande progress o na époc a, t ev e s eu desenvolvim ent o est agnado. O

avanço da Est rada em direç ão ao norte deslocava ness a direç ão os migrant es e com eles, as c hanc es do progress o. Mas, Vianópolis, com a f errovia paralisada por seis anos na c idade, s oube us uf ruir dos efêmeros priv ilégios concedidos às localidades no f inal dos trilhos:

Desde que a locomoti va da estrada de f erro apito u, pela primeira ve z, nas cercanias de Tava res, sur giu uma po voação com todo s o s req uisitos da vida mo derna, que, dia a dia, está colhendo louros, tanto no camp o comercial, como no campo industrial.4 2

Sob os olhos de Helou, pode-se rev er o progress o dessa cidade a partir de out ubro de 1924, quando para lá se mudou:

Vianópolis (...) te ve um desen vol vime nto rápid o; morad or es afluiram de tôda a parte, sur gi ram casas comerciais, Agênc ia de Banco, uma capela e um cinema. Não faltaram consultó rio s de dentistas, médicos, um hotel, uma máquina de benef iciar arroz, pr op riedade de nossa firma, Cecílio José Rassi & C., um posto de venda de gasoli na Atlant ic também da f irma C.J.R.C. 4 3

Os si nais do rápido progres so t rouxeram para a infante cidade, ainda no final dos anos vi nt e, uma agência do B anc o Hipot ec ário e A grí cola de Mi nas Gerais, única agência bancária que servia a t oda a região, inclus ive P ires do Rio, que aí moviment ou sua rec eit a municipal por bom tem po.

Os novos t empos, marcados pelo advento da nas cente

i ndustriali zaç ão, são v ist os por Helou de maneira ot imist a,

simbolizando o progresso m at eri al e hum ano das cl ass es m ais modest as, como se pode conf erir em trechos de seu disc urs o, na i nauguraç ão da máquina de benef ic iar arroz, em Vi anópol is, de

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HELOU, Bourhan. Memórias de um Imigrante. Goiânia, Gráfica Oriente, 1969. p. 82. 43

propriedade da f irma Cec ílio José Ras si & Cia, da qual era s ócio. Percebe-s e, t am bém, a part icipação e liderança desses imigrant es, com suas visões coerentes quant o ao proc ess o do desenv olv iment o econômic o regional, carregada de sent iment os de agradec iment o e sat isfação:

Sej ais benvindos, meus senhores! ... A satisfação que nos enche o coração de j úbilo é o ri gi nada de um sen timento aind a mais nob re e mais elevado, qual é o do patri otism o. Com a instalação de uma máquina de beneficiar ar ro z, de última e mais perf eita criação do engenh o humano , na matéria, dotamos a f uturo sa cidade de Vianópolis, em particular, e o queri do Estado de Goiás, e m geral, de um fator de p ro gresso, de um índice de adiantada civili zação. Os mestres de econom ia nacional ensinam que as indústrias são conside radas padrão de progresso de um povo. As indústrias são grandes coo peradora s da f ormação das elites. Basta mencionar que as invenç ões, frutos de estudo, esforços e sacrifícios de tôda so rte, constituem o pri ncíp io vital das grandes indúst rias. Foram a s máquinas que redu ziram o preço de custo das utilidades, pondo ao alcance das bolsa mais modestas, o qu e dantes era pri vilé gi o dos ricos. A máquina, aumentando sua p rodutivi dade, afasta o homem do trabalh o manual embrute cedor, a guça-l he a inteli gência, e perm ite a elevação do ní vel d os salár ios. A redução das ho ras de trabalho favorec e as possibilidades de instr ução proletária, enfim, sorte da humanidade (...).4 4

Experient e dos f enôm enos urbanos ocorridos na Est rada de Ferro, reconheceu na i ndustriali zação, o proc ess o vigoroso para a afirm ação de uma cidade: “Uma pov oaç ão é s emel hant e a um c orpo

orgânico e est á sujeit a a aument o, diminuiç ão ou desapareciment o, conf orme as c irc unstânci as em que vive. Mais uma indústria é mais

sangue puro que corre nas veias dess e corpo”.4 5

Em sinal de rec onhec iment o à t erra que o acolheu, rec onhec iment o esse, comum aos árabes, exalt ou f inalment e a cidade:

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HELOU, Bourhan. Memórias de um Imigrante. Goiânia, Gráfica Oriente, 1969. p. 75. 45

Vianópolis, a queri da Vianóp olis vi ve e vi ve rá sempre mais forte, mais rad iante, mais p róspera, com seu mui relacionado comércio, com suas múltiplas indú strias, com a sua Agênc ia bancária, com seus distintos habitantes, com os seus preclaros profissionais de me dicina, f armácia e arte dentaria, com seu salubérrimo clima, seus conf ortan tes hotéis e pensões e especialmente com seu que rido f un dador e pr otetor Sua Excelência o Senador Felismin o de Souza Viana. Vianópo lis está no caminho de bril har entre as indú strias, vetustas ci dad es do Estado, não lhe falta, para isso, comércio, indústria, nem filhos ardo rosos e de boa vontade.4 6

De est aç ão à cidade, Vianópolis t ev e com o s eu grande prot et or, e c onsi derado fundador, o senador Felismino de S ouza Viana, que, originário da cidade de Bonf im, adquiriu terras no loc al e l ot eou part e para a f ormaç ão da cidade, ao lado da estação, cuj a emancipaç ão à municí pio s e deu em 1948. O auge de seu desenvolv iment o se deu nas décadas de trint a e quarenta, c omo mostram os dados do IBGE: o distrit o em 1940, c ont ava com 2. 420 habitant es, sendo 1.168 a popul ação urbana, e em 1950, 6. 001 e

1.588 res pectivament e. Es ses dados demonst ram um m enor

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