2. Objetivos e Planeamento do Estágio
3.3. Sala de exercício
A presença numa sala de exercício de um ginásio necessita de muita atenção e dedicação por parte dos instrutores. Os clientes sentem a necessidade de serem devidamente acompanhados com atendimento personalizado com prescrição e periodização dos seus treinos. Cada cliente tem os seus objetivos pessoais, desde perda de massa gorda, hipertrofia muscular, tonificação/ definição muscular aumento e melhoria da força e resistência, tornando assim necessário complementar esse atendimento com mais conhecimento sobre o treino das diferentes componentes da aptidão física.
O conceito de treino de força muscular pode ser entendido como todo o conjunto de meios e métodos de treino que podem ser utilizados para desenvolver a força muscular assim, podemos englobar todos os exercícios de treino em que ao movimento do corpo se
Para Brooks (2001), citado por Tavares (2008), o treino de força ensina as pessoas a movimentar-se e é muito mais do que empurrar, puxar, agachar, levantar pesos.
Segundo Komi (2006) força muscular é a força ou torque máximos que um músculo ou grupo muscular pode gerar em velocidade específica ou determinada.
Esta capacidade varia de indivíduo para indivíduo, consoante as características fisiológicas de cada um, o número e tipo de fibras musculares, volume muscular, recrutamento das unidades motoras, fadiga, idade, entre outras (Bompa, 2000). A manutenção de um nível normal de força num determinado músculo ou grupo muscular é importante para a vida saudável do indivíduo (Ribeiro, 2000).
A força pode manifestar-se em função da existência de movimento (estática ou isométrica e dinâmica), em função do tipo de contração (concêntrica, excêntrica e de alongamento encurtamento muscular (CAEM), e em função da aceleração produzida pelo corpo (força explosiva, rápida, reativa e resistência) (Cervera 1996).
3.3.1.
Intervenção na sala de exercício
Em relação ao horário na sala de exercícios este foi de 9h semanais, distribuídas por quinta e sexta-feira e sábado ao longo do ano letivo. Na fase inicial o meu papel na sala de exercício passou por conhecer o espaço e o tipo de cliente que frequentava a mesma. Posteriormente comecei a deslocar-me pela sala e auxiliando quando solicitada pelos clientes para ajudas técnicas.
Ao longo do estágio segui individualmente 4 clientes, 2 do sexo feminino e 2 do sexo masculino com diferentes objetivos, o que levou a diferentes prescrições físicas e às respetivas avaliações para avaliar as suas evoluções e realizar os devidos ajustes nos planos de treino.
As principais atividades desenvolvidas na sala de exercício foram: 1. Observações e registo de atividades
2. Acompanhamento a clientes 3. Avaliações físicas
4. Prescrição de sessões de treino 5. Gestão e organização do espaço
1- Observações e registo de atividades
Na fase inicial do estágio foi determinado a realização de observações dos instrutores de sala de exercício, onde foram observadas 10 sessões. Esta fase foi de máxima importância pois permitiu-me adquirir conhecimento de “saber estar” dentro do espaço e saber como reagir perante os clientes, a gestão do espaço é essencial, o material deve estar arrumado para que os clientes possam localizar os materiais e tenham espaço na sala. Auxiliar o cliente assim que veja alguma postura corporal incorreta e dar instruções com demonstrações faz parte da entidade de um bom instrutor.
As observações foram seguidas pelo registo em fichas de observação e com as respetivas reflexões para ponderar os erros e posteriormente poder alterá-los. A ficha de registos de observações da sala de exercícios é composta pelos seguintes parâmetros: inicio de aula, plano e domínio de aula, gestão e organização, comunicação e clima, disposição dos alunos e do instrutor no espaço. Instrução e fim da aula, um exemplar encontra-se no anexo 5.
Após as observações e passagens pela sala de exercício passei à monitorização de clientes e às respetivas avaliações físicas.
2- Acompanhamento a clientes
A maior afluência à sala de exercício foi por parte da população jovem/média idade e que demonstram a necessidade de um acompanhamento mais individualizado. A minha função neste espaço foi dar acompanhamento aos clientes corrigindo erros técnicos de manipulação de cargas e/ou na realização de movimentos posturais, auxiliar na execução de exercícios de musculação e demonstrar quando necessário e fornecer feedbacks para motivar os clientes.
Do meu horário em sala de exercício cerca de 6 horas foram de acompanhamento direto ao cliente, sendo as restantes horas (3 horas) distribuídas para avaliações e organização dos planos de treino e da sala.
3- Avaliação inicial do cliente e avaliação da aptidão física
Ao chegarem ao ginásio a primeira coisa que era feita ao abordar o cliente era a avaliação inicial para poder assim perante os seus objetivos realizar um programa físico. A minha função era realizar os diferentes testes (anamnese, PAR-Q, avaliação corporal e avaliar a pressão arterial).
O ginásio disponibiliza de uma balança de bio impedância para realizar a avaliação corporal. Esta avaliação é realizada entre 6 semanas, mas não tem marcação certa.
Enquanto estagiária realizei avaliações sempre que estava na área e eram necessárias a sua realização. Aos clientes que estavam sob minha orientação realizei 18 avaliações à composição corporal e pressão arterial.
Relativamente aos testes de aptidão física não foram utilizados, pois não é habitual do ginásio.
4- Prescrição de sessões de treino
Após a realização da avaliação física ao cliente e após falar com o cliente sobre os seus objetivos pessoais e disponibilidade de treino, a minha função passava por prescrever a sessão de treino do dia (provisório, mas adaptado) para posteriormente ser criado um programa de treino mais consistente, para a realização desses planos recorri aos planeamentos que se encontram na secção seguinte.
5- Gestão e organização do espaço
A minha função foi orientar os clientes para as máquinas quando eles não sabiam para onde se dirigir e ir arrumando os materiais que ficam espalhados pelo espaço nos devidos locais. A arrumação do espaço também era realizada no final do turno.
Nos momentos de menor afluência, como nos períodos da manhã, a minha função era de arrumar as fichas e os planos de sessão dos clientes nas respetivas pastas.
3.3.1.1.
Planeamento e Periodização
Periodização é a forma avançada de treino que varia sistematicamente o volume e a intensidade dos exercícios (Heyward, 2013).
Para prescrevermos exercício devemos ter em atenção as variáveis do treino. Deste modo, sabemos que a prescrição do exercício deve ser individualizada, contudo podemos encontrar estruturas base para a prescrição dos diferentes programas de exercício. Segundo ACSM (2014), as 4 dimensões que constituem a base para a prescrição do exercício são:
Frequência é a frequência de sessões de treino realizadas, por exemplo, numa semana, num mês, num dia.
Intensidade é a variável quantitativa do treino, esta determina a exigência do treino que vai ser realizado e de cada exercício presente no plano de treino. Esta variável em conjunto com a duração do treino determina o dispêndio energético.
Duração é a indicação quantitativa do treino, ou seja, indica a quantidade de tempo que levamos a fazer um treino prescrito (Castelo, 2000). Duração corresponde ao todo do exercício realizado, desde o período de começo até ao período de término.
Tipo de Exercício esta variável considera os diferentes tipos de exercícios que são mais indicados para atingir determinado objetivo.
A construção de uma periodização de treino de força inclui ainda diversas fases, a fase inicial de adaptação anatómica (aproximadamente 4 semanas) onde prevalece o volume sobre a intensidade, seguindo vem a fase especifica, onde é focado o objetivo, desde o aumento de força, hipertrofia, definição muscular ou manutenção.