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2.17 CAMPO REVERBERANTE

5. SALAS PARA SURROUND

O surround foi inicialmente desenvolvido para a reprodução do áudio em cinemas. Desde os primeiros filmes em surround o sistema de reprodução é adaptado às necessidades da indústria cinematográfica. A configuração de surround que mais proliferou entre os lares, salas de cinema e estúdios de gravação, foi a configuração 5.1. Essa configuração, utilizada nesse trabalho, conta com as duas caixas frontais (L e R), que já eram utilizadas no formato estéreo, com uma caixa central (C), que fica entre as caixas frontais da esquerda e da direita, com duas caixas traseiras (LS e RS) e com uma caixa destinada a responder as frequências mais baixas (LFE).

Com o crescimento do uso do formato do formato 5.1, os engenheiros de áudio tiveram que adaptar suas mixagens para o novo formato. A caixa central apresenta bons resultados quando empregada em situações onde a fala é predominante (palestras em auditórios e pregações em igrejas). Em filmes, é frequentemente utilizada para os diálogos e na música os engenheiros costumam não endereçar muitos canais para esse monitor. Em alguns DVDs de áudio é possível perceber que essa caixa não é utilizada.

Os engenheiros de áudio também tiveram que se adaptar ao uso das caixas traseiras, que em alguns casos recebem apenas efeitos para não tirar a atenção da tela de vídeo. O sistema de baixa frequência foi amplificado 10 dB a mais que no sistema estéreo, exatamente para suprir a necessidade da extensa faixa dinâmica que as explosões e tiros de canhões, por exemplo, necessitam nos filmes. Desta forma, o sistema de

áudio destinado à reprodução da música, se adaptou às necessidades do áudio feito para o cinema; até porque, em residências, o mesmo sistema será utilizado em ambas as situações.

Desde a criação dos primeiros sistemas de gravação as salas para monitoração vêm sendo estudadas e modificadas ao longo dos anos. Conceitos como o LEDE e Non-Enviroment têm apresentado bons resultados, uma vez que sua execução seja bem feita. Esses modelos de salas de controle foram inicialmente projetados para monitoração em estéreo e, como em todos os outros conceitos analisados, estas salas são simétricas entre o lado direito e o esquerdo, porém não há simetria entre a parte frontal e traseira da sala. Sendo assim, se a posição dos monitores frontais for passada para a parte traseira da sala o resultado seria inferior ao que obtido inicialmente. Desta maneira pode-se concluir que em uma sala, projetada para estéreo, onde o resultado é considerado ótimo, se colocarmos monitores frontais na parte traseira, invertendo assim a sala, irá se obter um rendimento inferior em relação à situação original. No caso de uma sala totalmente simétrica o resultado da qualidade sonora na monitoração, obviamente, será o mesmo entre os monitores dianteiros e traseiros, uma vez que o estúdio tenha monitores iguais, porém o resultado será inferior para as caixas frontais em comparação a salas com projeto LEDE e Non-Enviroment (NEWELL, 2008).

Na maioria dos casos os monitores frontais tem importância maior, portanto a opção de simetria frontal e traseira não é utilizada como uma alternativa para projetos de salas de controle para estúdios. É comum a situação onde os engenheiros de áudio endereçam apenas efeitos e alguns elementos de menor importância para as caixas traseiras, a fim de criar ambientes sonoros diferenciados, porque o ouvinte tende a se virar para a direção de onde vem o som, desviando assim a atenção do vídeo. Outro ponto que se difere no caso do áudio surround para cinema é que em salas de controle não se utilizam múltiplos monitores na parte traseira da sala, pois embora essa disposição possa cobrir uma área maior, a

resposta no espectro de frequência tende a ser menos plana (NEWELL,2008).

De acordo com Holman (2008), as salas para surround devem ter o Tempo de Reverberação um pouco menor que as salas destinadas à monitoração em estéreo, porque a ambiência necessária já virá das caixas traseiras e isso diminuirá também a coloração criada pela assimetria entre a parte frontal e traseira da sala. Outra sugestão é o uso de mais difusores para o ambiente, incluindo as paredes laterais e o teto. O problema de adequar uma sala totalmente ao surround é que ela pode perder um pouco quando usada para estéreo, e na prática, muitas das salas de controle para surround são, também, utilizadas para estéreo.

A melhor solução acústica, segundo Newell (2008), para as salas de controle, destinadas a monitoração no formato surround, até o momento, tem sido adaptar os padrões de cinema em salas que já vem demonstrando bons resultados para áudio estéreo. A introdução de mais quatros caixas na sala de controle exige algumas adaptações. Muitos projetistas vêm aprimorando os formatos e padrões para as salas de monitoração surround.

5.1 LOCALIZAÇÃO, ESPACIALIALIDADE E ENVOLVIMENTO

O conceito de localização refere-se à sensação de escutar o som proveniente de um ponto distinto. Em ambientes difusos esse efeito não é perceptível. Em salas de concerto, por exemplo, o som proveniente do campo difuso que chega por todos os lados ao ouvinte é o que causa a sensação de envolvimento. No sistema multicanal essa sensação pode ser criada pela interação entre os monitores frontais e os monitores traseiros (KLEINER; TICHY,2014).

Espacialidade e Envolvimento são termos utilizados para descrever o som no espaço ou som espacial. Embora esses dois termos sejam frequentemente confundidos, eles possuem significados diferentes.

Espacialidade aplica-se à extensão de um espaço a ser retratado e pode ser criada através do sistema em dois canais. A espacialidade é controlada pela razão entre o som direto, as reflexões e a reverberação (KLEINER; TICHY,2014).

Em um sistema com dois canais, o campo sonoro geralmente é construído entre o monitor esquerdo e o monitor direito. A espacialidade se aplica na sensação de que existe um espaço físico criado através do som emitido pelas duas caixas de som. A sensação de profundidade também é incluída na espacialidade, mas nos sistemas compostos por dois canais, esse efeito sonoro se estende entre os dois monitores de áudio.

Envolvimento se aplica, no sistema multicanal, ao conceito de estar envolvido pelo som e inserido em um espaço sonoro. Para que essa sensação seja criada é necessário que a reprodução seja feita através de um sistema multicanal.

Na reprodução do áudio em dois canais, o objetivo é criar a sensação de olhar para um espaço ou uma cena. No caso do sistema multicanal, o objetivo é que o ouvinte se sinta inserido nesse espaço ou cena.

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