• Nenhum resultado encontrado

Santa Maria: Programa de Energia Alternativa e Programa de Gestão

No documento 2016Amanda Lange Salvia (páginas 131-134)

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

4.5 Melhores práticas escolhidas

4.5.3 Santa Maria: Programa de Energia Alternativa e Programa de Gestão

Em Santa Maria o resultado obtido também sugere duas práticas em conjunto: o Programa de Energia Alternativa e o Programa de Gestão. As vantagens da implantação destas práticas incluem economia financeira, segurança energética e o maior controle sobre a situação do sistema, com a gestão à distância.

Assim como as demais cidades, o diagnóstico dos indicadores qualitativos de Santa Maria apontou que não são usadas fontes alternativas de energia no sistema de iluminação pública, então a prática sugerida tende a contribuir neste sentido. Além disso, esta cidade ainda utiliza lâmpadas muito ineficientes no seu sistema de iluminação, e o Programa de Energia Alternativa tende a favorecer o uso de luminárias LED, o que também contribuirá para o melhor resultado deste indicador, maior qualidade da iluminação e menores consumos de energia.

O Programa de Gestão visa principalmente melhorar o controle do sistema, favorecer o gerenciamento da iluminação e sua manutenção, podendo também ser aplicado a fim de reduzir a intensidade luminosa durante certas horas da noite, o que tende a contribuir para menor consumo e menor emissão de dióxido de carbono. Porém, deve-se destacar que Santa Maria apresentou o pior resultado no indicador de número de pontos de iluminação por quilômetro de via, muito abaixo de outros valores observados. Então, é importante considerar que antes de uma possível implementação do Programa de Gestão atuando como controlador da luminosidade de cada poste, deve-se investir na etapa de estudo detalhado para escolha das ruas e luminárias que tem potencial de utilização deste sistema.

Para o uso do Programa de Energia Alternativa, Santa Maria poderia seguir os moldes do projeto realizado na cidade de Canoas, também no Rio Grande do Sul, que sugere o uso de postes híbridos (com placa solar e aerogerador), ou também o exemplo da cidade paulista de Rio Claro, que focou suas ações na instalação de placas solares em 45 postes. Ambos os projetos apontam resultados positivos, podendo ser replicados com estudo prévio acerca da sua viabilidade.

Quanto ao uso do Programa de Gestão, um bom exemplo metodológico é o realizado em Kirkless, no Reino Unido. Para que não se use o sistema de liga e desliga de todo ou partes

do sistema de iluminação (o que poderia gerar insegurança na cidade), pode-se trabalhar apenas com a redução de luminosidade das lâmpadas em horários específicos, conforme detalhado na Figura 40 no estudo de caso desta cidade.

A Tabela 16 apresenta as simulações feitas para Santa Maria, utilizando-se a calculadora de economia de energia. A prática de retrofit possui diversas opções a serem simuladas, com variação do percentual de LED utilizado, por exemplo, mas as práticas de Santa Maria possuem ainda maior variedade de possibilidades a serem sugeridas. Para não tornar esta simulação muito extensa e complexa, optou-se por considerar, em todos os cenários, que o uso do Programa de Energia Alternativa faz com que o percentual de lâmpadas LED passe de 2% para 5%, havendo então substituição de lâmpadas de vapor de mercúrio, cujo percentual baixa de 28% para 25%. Essa substituição foi considerada visto que lâmpadas de vapor de mercúrio são consideradas menos eficientes e também mais ambientalmente impactantes, além do fato de que em todos os estudos de caso analisados, com implantação de energia alternativa, sempre são utilizadas lâmpadas de LED. Portanto, a mudança dos cenários limitou-se a variar questões referentes ao Programa de Gestão, incluindo número de horas de acionamento das lâmpadas e nível de luminosidade destas.

Tabela 16 - Simulação de cenários de economia de energia com os Programas de Energia Alternativa e Gestão em Santa Maria

Lâmpadas ligadas Situação atual Cenário 1 Cenário 2 Cenário 3*

Duração por dia 11h 52min 10h 52min 9h 52min 11h 52min

Média de horas

por ano 4330h 3970h 3600h

1825 h (100%) + 680 h (75%) + 1825 h (50%) _

Economia de energia (GWh/ano) 2 3 5

Economia financeira (R$/ano) 629.021,00 1.176.976,00 1.853.819,00 *A média de horas por ano neste cenário foi considerada como sendo duas partes iguais divididas entre luminosidade total do sistema (100%) e luminosidade parcial (50%) e uma pequena parte também com luminosidade parcial (75%).

Fonte: Elaborado pela autora.

Ao analisar o primeiro e segundo cenários, verifica-se que ambos sugerem menor quantidade de horas por dia com as lâmpadas acionadas, ou seja, no Cenário 1 considera-se que por uma hora durante a noite/madrugada/manhã as lâmpadas sejam desativadas, podendo-se optar por desativar diferentes postes em diferentes horários. O Cenário 2 tem o mesmo objetivo, mas sugere o tempo total de duas horas de desativação das lâmpadas. Já o Cenário 3 é o mais complexo, mas provavelmente o mais preferível também. Optou-se por manter as lâmpadas acesas na mesma duração que se observa na situação atual (11h52min), com a diferença de que,

assim como apresentado no estudo de caso de Kirkless, varie-se o nível de luminosidade das lâmpadas conforme as horas da noite. Nas primeiras quatro e últimas duas horas do intervalo comum de acionamento das lâmpadas (normalmente entre 19h e 7h da manhã), considerou-se potência máxima das lâmpadas (100%), que brilhariam com luminosidade normal. Durante aproximadamente duas horas (possivelmente entre 22h e 23h52min), considerou-se 75% do total da potência das lâmpadas; e durante as próximas cinco horas considerou-se que as lâmpadas funcionariam com metade de seu potencial (50%).

O terceiro cenário se mostra o mais vantajoso por diversas razões, incluindo a maior economia de energia e maior economia financeira. Porém, o seu principal destaque está no fato de que utiliza o mesmo período de iluminação que a situação atual da cidade, sem propor que as lâmpadas fiquem desligadas por determinado número de horas, mas garantindo maior eficiência ao se controlar o nível de luminosidade. No estudo de caso de Kirkless, esta opção rendeu cerca de 30% de economia de energia por ano, que é o mesmo percentual encontrado para a simulação deste cenário.

Vale destacar que os valores de economia de energia e financeira para os cenários foram calculados com base em uma pequena variação na quantidade de lâmpadas LED no município, sendo que o resultado poderia ser ainda melhor ao se considerar maior percentual para este tipo de iluminação.

Em Santa Maria, todos os aspectos de enquadramento das práticas são observados. A questão política novamente como incentivadora, principalmente pelo fato de que o município ainda não possui um Plano Diretor ou de Gestão para a Iluminação Pública; a questão ambiental e tecnológica pelo uso de um sistema inovador com resultados ambientalmente positivos; e o aspecto de financiamento para ser possível implementar as práticas. Além desses, há o aspecto fiscal, que é importante por representar a possibilidade de o município receber bonificações por estar aplicado ações de eficiência; e o aspecto legal, que regula fortemente o sucesso da prática de Gestão. Isso porque atualmente, de acordo com a Resolução Normativa nº 414, da ANEEL, há a fixação de faturamento da energia para 11 horas e 52 minutos de consumo diário, mesmo que eventualmente as lâmpadas fiquem acesas por período de tempo menor, o que não incentiva o poder público local a investir na prática de controle da iluminação (já que não teria retorno financeiro de economia de energia). Havendo alguma alteração nesse limite imposto pela legislação, a implementação da prática seria feita com muito mais sucesso.

No documento 2016Amanda Lange Salvia (páginas 131-134)