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Resultados Experimentais

6.2.3 Sele¸ c˜ ao Temporal

As m´edias di´arias da concentra¸c˜ao e da distribui¸c˜ao de tamanho das part´ıculas de ae- rossol, calculadas a partir das nossas medidas no T2, est˜ao mostradas na figura 6.8. Durante a temporada seca e parte da temporada de transi¸c˜ao, as concentra¸c˜oes totais m´edias (NCN ≈ 4000 cm−3) s˜ao claramente maiores do que as observadas durante a temporada chuvosa (NCN ≈ 2200 cm−3), a partir de Fevereiro de 2015. Mesmo durante

Cap´ıtulo 6. Resultados Experimentais

Figura 6.7: Nas figuras do painel superior est˜ao mostradas a evolu¸c˜ao temporal dos parˆametros de higroscopicidade κa e κt para a maior e menor supersatura¸c˜oes. Nos pain´eis centrais est˜ao a evolu¸c˜ao temporal dos diˆametros secos de ativa¸c˜ao Da e Dt. Nos pain´eis inferiores est˜ao os parˆametros de higroscopicidade κa e κt em fun¸c˜ao dos respectivos diˆametros secos de ativa¸c˜ao Da e Dt, para todos os dez valores de supersa- tura¸c˜ao efetiva. Na coluna da esquerda est˜ao os resultados dos ajustes com trˆes graus de liberdade, representativos das part´ıculas ativadas e, na coluna direita, com dois graus de liberdade, representativos da popula¸c˜ao total, ou seja, tantos das part´ıculas ativadas quanto das inativadas.

a esta¸c˜ao chuvosa, por´em, as concentra¸c˜oes no s´ıtio experimental T2 s˜ao altas se com- paradas `aquelas encontradas em condi¸c˜oes pr´ıstinas, vento acima e longe da pluma de polui¸c˜ao de Manaus (NCN ≈ 400 cm−3) (Gunthe et al.,2009;P¨oschl et al.,2010;P¨ohl- ker et al., 2016). Al´em disso, quando as concentra¸c˜oes s˜ao maiores, durante a esta¸c˜ao

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seca, ocorre um correspondente aumento da propor¸c˜ao de part´ıculas na moda de acu- mula¸c˜ao (Dacc ≈ 200 nm). Isso est´a de acordo com observa¸c˜oes anteriores de part´ıculas de aerossol provenientes das queimadas na Amazˆonia, nas quais as concentra¸c˜oes na moda de acumula¸c˜ao geralmente s˜ao maiores do que nas modas de nuclea¸c˜ao e de Ait- ken (vide tabela 4.3). Por outro lado, durante a esta¸c˜ao chuvosa, essa propor¸c˜ao de part´ıculas da moda de acumula¸c˜ao cai de forma vis´ıvel.

Figura 6.8: M´edias di´arias da concentra¸c˜ao NCN e distribui¸c˜ao de tamanho dNCN(D)/d log D de part´ıculas de aerossol durante a campanha no s´ıtio experimental T2. Os dados foram tomados por um SMPS modelo TSI 3082, descrito em mais deta- lhes na subse¸c˜ao 5.2.2. No painel superior mostramos a m´edia di´aria da concentra¸c˜ao total em n´umero de part´ıculas de aerossol NCN. No painel intermedi´ario, as cores dos pontos indicam as esta¸c˜oes do ciclo hidrol´ogico, de acordo com a tabela 1.1. No painel inferior est´a a m´edia di´aria da distribui¸c˜ao de tamanho em n´umero de part´ıculas de aerossol dNCN(D)/d log D.

O nosso objetivo nessa subse¸c˜ao ´e selecionar o per´ıodo de medidas no T2 durante o qual a influˆencia das queimadas pode ser desprezada. Com base apenas nas s´eries temporais de concentra¸c˜ao e distribui¸c˜ao de part´ıculas de aerossol no T2, entretanto, n˜ao ´e poss´ıvel determinar com precis˜ao esse per´ıodo, j´a que as medidas de concentra¸c˜ao apresentam valores elevados durante toda a campanha. Por outro lado, usar apenas as medias durante a esta¸c˜ao chuvosa, a partir de Fevereiro de 2015, ocasionaria uma perda consider´avel de estat´ıstica. Para nos auxiliar a decidir qual ´e o per´ıodo sem influˆencia das queimadas, vamos considerar a concentra¸c˜ao de part´ıculas no s´ıtio T0a, e tamb´em

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a profundidade ´optica obtida com a rede AERONET nos s´ıtios experimentais T0e e T3. No painel esquerdo da figura 6.9 est˜ao as s´eries temporais das m´edias di´arias de NCN em ambos os s´ıtios T0a e T2, para o per´ıodo da nossa campanha de medidas. Notamos uma diminui¸c˜ao nas concentra¸c˜oes nos dois locais a partir de 07/12/2014, durante a esta¸c˜ao de transi¸c˜ao, indicando que a influˆencia da queima de biomassa come¸ca a diminuir a partir dessa data. As medidas de profundidade ´optica em 500 nm s˜ao mostradas no painel direito da figura 6.9. Notamos a tendˆencia de queda no valor da espessura ´optica tamb´em a partir de 07/12/2014, alguns dias depois dos maiores valores registrados, da ordem de AOD500 nm ≈ 0, 6 no T3 e AOD500 nm ≈ 0, 9 no T0e. Assim, tomamos a decis˜ao de considerar que as medidas realizadas a partir de 07/12/2014 n˜ao possuem sinal consider´avel da queima de biomassa. Doravante, vamos denominar o per´ıodo indo do come¸co da campanha (em 14/09/2014) at´e a data de 07/12/2014 como sendo a ´epoca de queimada, e dessa data em diante at´e o final da campanha (em 02/03/2015) como sendo a ´epoca chuvosa.

Do total de 3590 espectros que foram medidos durante a campanha inteira, 1366 fo- ram medidos a partir de 07/12/2014. Na pr´oxima subse¸c˜ao vamos dar continuidade ao processo de sele¸c˜ao, que consiste em separar os espectros que foram medidos enquanto a dire¸c˜ao do vento indicava de forma confi´avel que as part´ıculas eram provenientes da cidade de Manaus.

Figura 6.9: S´eries temporais das concentra¸c˜oes m´edias di´arias de aerossol (cm−3) nos s´ıtios experimentais T0a e T2 (esquerda) e da profundidade ´optica de aeross´ois em 500 nm nos s´ıtios T0e e T3 (direita) durante o per´ıodo de medidas de CCN no T2. As medidas de concentra¸c˜ao no T0a foram realizadas por nosso laborat´orio em parceria com o grupo do Max Planck Institute de Mainz, na Alemanha, com um SMPS similar ao que esteve no T2. O AOD500 nm´e a vers˜ao 3, n´ıvel 1.5 da rede AERONET