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4 SUSTENTABILIDADE

4.2 SUSTENTABILIDADE E PROCESSO DE PROJETO

4.2.3 Selo Casa Azul

O Selo Casa Azul é uma certificação da CAIXA que visa à sustentabilidade

dos projetos de empreendimentos habitacionais brasileiros. Este selo é um

instrumento de classificação socioambiental, que busca reconhecer os

empreendimentos que adotam soluções mais eficientes aplicadas à construção, ao

uso, à ocupação e à manutenção das edificações, objetivando incentivar o uso

racional de recursos naturais e a melhoria da qualidade da habitação e de seu

entorno (JOHN; PRADO, 2010).

O Selo se aplica a todos os tipos de projetos de empreendimentos

habitacionais propostos à CAIXA, seja para financiamentos ou, para programas de

repasse. Empresas construtoras, o Poder Público, empresas públicas de habitação,

cooperativas, associações e entidades representantes de movimentos sociais

podem se candidatar ao Selo (JOHN; PRADO, 2010).

Para conceder o Selo, a CAIXA utiliza um método que consiste em verificar,

durante a análise de viabilidade técnica do empreendimento, o atendimento a

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critérios sustentáveis distribuídos em seis categorias: Qualidade urbana, Projeto e

Conforto, Eficiência Energética, Conservação de Recursos Materiais, Gestão da

Água e Práticas Sociais (JOHN; PRADO, 2010).

O Selo é concedido em três níveis de gradação, Bronze, Prata e Ouro, de

acordo com o número de critérios (53 critérios) que são atendidos, sendo que alguns

dos critérios são obrigatórios, conforme Quadro 13.

Quadro 13 - Resumo Categorias, Critérios e Classificação

CATEGORIAS/CRITÉRIOS CLASSIFICAÇÃO

1. QUALIDADE URBANA BRONZE PRATA OURO

1.1 Qualidade do Entorno - Infraestrutura Obrigatório

critérios obrigatórios + 6 itens de livre escolha critérios obrigatórios + 12 itens de livre escolha 1.2 Qualidade do Entorno - Impactos Obrigatório

1.3 Melhorias no Entorno

1.4 Recuperação de Áreas Degradadas 1.5 Reabilitação de Imóveis

2. PROJETO E CONFORTO

2.1 Paisagismo obrigatório

2.2 Flexibilidade de Projeto 2.3 Relação com a Vizinhança 2.4 Solução Alternativa de Transporte

2.5 Local para Coleta Seletiva obrigatório 2.6 Equipamentos de Lazer, Sociais e Esportivos obrigatório 2.7 Desempenho Térmico – Vedações obrigatório 2.8 Desempenho Térmico – Orientação ao Sol e

Ventos obrigatório

2.9 Iluminação Natural de Banheiros

2.10 Ventilação e Iluminação Natural de Banheiros 2.11 Adequação às Condições Físicas do Terreno 3. EFICIÊNCIA ENERGÉTICA

3.1 Lâmpadas de Baixo Consumo – Áreas Privativas

obrigatório p/ HIS – 3 s.m. 3.2 Dispositivos Economizadores – Áreas Comuns obrigatório 3.3 Sistema de Aquecimento Solar

3.4 Sistemas de Aquecimento à Gás

3.5 Medição Individualizada – Gás obrigatório 3.6 Elevadores Eficientes

3.7 Eletrodomésticos Eficientes 3.8 Fontes Alternativas de Energia

(continua...)

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Quadro 13 - Resumo Categorias, Critérios e Classificação (Continuação)

CATEGORIAS/CRITÉRIOS CLASSIFICAÇÃO

4. CONSERVAÇÃO DE RECURSOS MATERIAIS BRONZE PRATA OURO 4.1 Coordenação Modular critérios obrigatórios + 6 itens de livre escolha critérios obrigatórios + 12 itens de livre escolha 4.2 Qualidade de Materiais e Componentes obrigatório

4.3 Componentes Industrializados ou Pré- fabricados

4.4 Formas e Escoras Reutilizáveis obrigatório 4.5 Gestão de Resíduos de Construção e

Demolição (RDC) obrigatório

4.6 Concreto com Dosagem Otimizada

4.7 Cimento de Alto-forno (CPIII) e Pozolânico (CP IV)

4.8 Pavimentação com RCD

4.9 Facilidade de Manutenção da Fachada 4.10 Madeira Plantada ou Certificada 5. GESTÃO DA ÁGUA

5.1 Medição Individualizada – Água obrigatório 5.2 Dispositivos Economizadores – Sistemas de

Descarga obrigatório

5.3 Dispositivos Economizadores – Arejadores 5.4 Dispositivos Economizadores – Registro Regulador de Vazão

5.5 Aproveitamento de Águas Pluviais 5.6 Retenção de Águas Pluviais 5.7 Infiltração de Águas Pluviais

5.8 Áreas Permeáveis obrigatório

6. PRÁTICAS SOCIAIS

6.1 Educação para Gestão de RCD obrigatório 6.2 Educação Ambiental dos Empregados obrigatório 6.3 Desenvolvimento Pessoal dos Empregados

6.4 Capacitação Profissional dos Empregados 6.5 Inclusão de trabalhadores locais

6.6 Participação da Comunidade na Elaboração do Projeto

6.7 Orientação aos Moradores obrigatório 6.8 Educação Ambiental dos Moradores

6.9 Capacitação para a Gestão do Empreendimento

6.10 Ações para a Mitigação de Riscos Sociais 6.11 Ações para a geração de Emprego e Renda

Fonte: JOHN e PRADO (2010).

Para cada critério o Selo descreve o objetivo, indicador, a documentação

necessária, ressalva (quando necessário), avaliação, recomendações técnicas, entre

outros. Para exemplificar, o Quadro 14 apresenta algumas das descrições para o

critério “lâmpadas de baixo consumo – áreas privativas”, que está inserido na

categoria Eficiência Energética.

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Quadro 14 - Descrições para o critério lâmpadas de baixo consumo - áreas

privativas

Objetivo Reduzir o consumo de energia elétrica.

Indicador Existência de lâmpadas de baixo consumo e potência adequada em todos os ambientes da unidade habitacional, principalmente nos empreendimentos de habitação de interesse social.

Documentação - Memorial descritivo especificando o tipo de lâmpadas com selo Procel ou etiqueta Nível de Eficiência A do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), do Inmetro.

- Inclusão dos insumos/serviços em planilhas orçamentárias e cronograma físico- financeiro.

Ressalva Esse item é obrigatório somente para empreendimentos de habitação de interesse social destinados a famílias com renda mensal de até três salários mínimos, devendo o referido item ser entregue instalado na obra ou diretamente ao morador na entrega da chave.

Avaliação Critério obrigatório para habitação.

Item obrigatório para habitação de interesse social destinada a famílias com renda de até três salários mínimos.

Recomendações técnicas

O uso de lâmpadas de baixo consumo, como as fluorescentes convencionais e compactas, é mais adequado para locais de permanência prolongada, como dormitórios, cozinhas ou áreas de serviço ou locais de pouca permanência, porém com acionamentos não contínuos como banheiros. No caso de áreas de pouca permanência com acionamento intermitente, como circulações, garagens e/ou com uso de sensores de presença e minuterias, seu uso não é indicado.

Fonte: Adaptado do Selo Casa Azul (JOHN; PRADO, 2010).

Apesar de se tratar de selo específico para habitações, muitos de seus

critérios podem ser adaptados e utilizados para edificações não residenciais. Por

exemplo: solução alternativa de transporte, uso de paisagismo, definição de local

para coleta seletiva, desempenho térmico – orientação ao sol e ventos, uso de

aparelhos eficientes, uso de madeira legalizada, entre outros. Um maior

detalhamento do Selo Casa Azul é apresentado nos resultados desse trabalho.

A escolha do Selo Casa Azul para esta pesquisa também se deve ao seu

nível relativamente baixo de exigência, quando comparado a outros selos, como o

LEED. Deve-se considerar que para as contratações públicas, a sustentabilidade é

uma exigência recente, como poderá ser verificado no próximo capítulo, não sendo

nesse momento adequado adotar critérios de sustentabilidade com alto grau de

exigência.

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