ZOOLÓGICO
SERIA O PROJETO INTELIGENTE UMA ALTERNATIVA INTELIGENTE?
O registro fóssil não é apenas inadequado para estabelecer um relacionamento ancestral. À luz do que sabemos hoje sobre a natureza irredutivelmente complexa dos sistemas biológicos, o registro fóssil é irrelevante para a questão. A similaridade de estrutura ou de anatomia entre tipos (algumas vezes chamada de homologia) também não nos diz nada sobre um ancestral comum. Michael Behe escreve:
De maneira bem simples, a anatomia é irrelevante para a questão de se saber se a evolução possa ter ocorrido no nível molecular. O mesmo acontece com o registro dos fósseis. Não importa mais se existem enormes lacunas nos registros fósseis ou se o registro é algo tão contínuo como a seqüência de presidentes norte-americanos. Se existem lacunas, não é importante o fato de que elas não possam ser explicadas de maneira plausível. O registro fóssil não tem nada a nos dizer se a interação do II-ets-retinol com a rodopsina, a transducina e a fosfodiesterase [sistemas irredutivelmente complexos] possa ter se desenvolvido passo a passo.124
Assim, de acordo com Behe, a biologia minimiza a anatomia na questão da plausibilidade da macroevolução. Assim como o conteúdo de um livro fornece muito mais informações do que a sua capa, a biologia de uma criatura nos dá muito mais informações do que sua estrutura estética. Todavia, há muito tempo os darwinistas argumentam que a similaridade de estrutura entre, digamos, macacos e humanos é evidência de um ancestral comum (ou de uma linhagem comum). Será que nunca
lhes ocorreu que a similaridade de estrutura pode ser evidência de um projetista comum, em vez de um ancestral comum?125 Além do mais, em um mundo governado
por certas leis físicas e químicas, talvez apenas certa faixa de estruturas anatômicas seja viável para animais projetados para caminhar sobre duas pernas. Uma vez que todos precisamos viver na mesma biosfera, deveríamos esperar que algumas criaturas tivessem um projeto similar.
Além do mais, embora os macacos possam ter uma estrutura similar à dos humanos, é freqüentemente desprezado o fato de que macacos e humanos não têm nenhum tipo de semelhança com cobras, fungos e árvores. Contudo, de acordo com o darwinismo, todos os seres vivos evoluíram com base em um mesmo ancestral. Para postular o darwinismo é preciso ser capaz de explicar a enorme
dessemelhança entre os seres vivos. Deve-se explicar de que maneira uma palmeira,
um pavão, um polvo, um lagarto, um morcego, um hipopótamo, um porco-espinho, um cavalo-marinho, uma libélula, um ser humano e um fungo, por exemplo, são todos descendentes da primeira vida irredutivelmente complexa sem intervenção inteligente alguma. É também preciso explicar de que maneira a primeira vida e o Universo passaram a existir. Sem explicações viáveis, o que os darwinistas falharam em apresentar, é preciso ter muita fé para ser darwinista. É por isso que
não temos fé suficiente para sermos darwinistas!
SERIA O PROJETO INTELIGENTE UMA ALTERNATIVA INTELIGENTE?
Muito mais poderia ser dito sobre a macroevolução, mas o espaço não nos permite ir além. Todavia, uma conclusão plausível pode ser extraída dos dados que investigamos neste capítulo. À luz de fatos como registros fósseis, isolamento
124 Darwin's Black Box, p. 22.
125 Como já vimos, o mesmo pode ser dito em relação à similaridade do DNA — ele também poderia ser simplesmente o resultado de um projetista comum, em vez de vir de um ancestral comum.
molecular, dificuldades transicionais, complexidade irredutível, mudança cíclica e limites genéticos (e o fato de que eles não podem explicar a origem do Universo ou da primeira vida), pode-se concluir que os darwinistas devem finalmente admitir que sua teoria não se encaixa diante das evidências observáveis. Em vez disso, os darwinistas ainda estão criando histórias sem substância do tipo "é porque é" que realmente contradizem a observação científica. Eles continuam a insistir que a evolução é um fato, um fato, um fato!
Concordamos que a evolução é um fato, mas não no sentido dos darwinistas. Se você define evolução como "mudança', então certamente as coisas vivas evoluíram. Mas essa evolução se dá no nível micro, e não no nível macro. Como vimos, existe não apenas uma lacuna de evidências para a macroevolução, mas
existem evidências positivas de que ela não ocorreu.
Se a macroevolução não é verdadeira, então o que é? Bem, se não existe a explicação natural para a origem de novas formas de vida, então deve haver uma explicação inteligente. É a única opção que nos resta. Não existe uma posição intermediária entre a inteligência e a não inteligência. Ou a inteligência está envolvida ou não está. Mas os darwinistas não gostam dessa opção. Assim, uma vez que eles exaurem a sua capacidade de defender adequadamente suas próprias posições com evidência científica não tendenciosa (o que acontece muito rapidamente), os darwinistas geralmente voltam suas armas para quem crê em um projeto inteligente — aqueles de nós que acreditam que existe uma inteligência por trás do Universo da vida. Aqui estão suas típicas objeções e as nossas respostas:126
Objeção: O projeto inteligente não é ciência.
Resposta: Como já vimos, a ciência é uma busca pelas causas e existem apenas dois tipos de causas: a inteligente e a não inteligente (natural). A afirmação dos darwinistas de que o projeto inteligente não é ciência está baseada em sua definição tendenciosa de ciência. Mas isso é fazer uma argumentação em círculos! Se a sua definição de ciência exclui as causas inteligentes de antemão, então você nunca considerará o projeto inteligente como ciência.
A ironia dos darwinistas é esta: se o projeto inteligente não é ciência, então o darwinismo também não é. Por quê? Porque tanto darwinistas quanto cientistas defensores do projeto inteligente estão tentando descobrir aquilo que aconteceu no passado. Perguntas com relação às origens são perguntas criminalísticas e, assim, exigem que usemos os princípios científicos da criminalística que já discutimos. De fato, para que os darwinistas possam excluir o projeto inteligente do campo da ciência, deveriam, além de excluírem a si mesmos, excluir também a arqueologia, a criptologia, as investigações criminalísticas de acidentes e a Busca por Vida Extraterrestre Inteligente (SETI). Essas são ciências criminalísticas legítimas que olham para o passado em busca de causas inteligentes. Alguma coisa deve estar errada com essa definição darwinista de ciência.
A tabela 6.2 mostra a diferença entre ciência empírica e ciência criminalística:
Ciência empírica (operação) Ciência criminalística (origem)
Estuda o presente Estuda o passado
Estuda regularidades Estuda singularidades
Estuda o repetível Estuda o não repetível
Recriação possível Recriação impossível
Estuda como as coisas funcionam Estuda como as coisas começaram
126 uma ampla defesa do projeto inteligente em William DEMBSKI, The Design Revolution: Amwering the
Testada pela repetição do experimento Testada pela uniformidade Pergunta como uma coisa funciona Pergunta qual é a origem de algo
Exemplos: Exemplos:
Como a água cai? Qual é a origem de uma usina hidrelétrica?
Como a rocha se desgasta? Qual é a origem do monte Rushmore? Como funciona um motor? Qual é a origem de um motor? Como a tinta gruda no papel? Qual é a origem deste livro?
Como funciona a vida? Qual é a origem da vida?
Como funciona o Universo? Qual é a origem do Universo?
Tabela 6.2
Objeção: O projeto inteligente comete a falácia do Deus das lacunas. Resposta: A falácia do Deus das lacunas acontece quando alguém acredita erroneamente que Deus provocou o fato quando, na realidade, o fato foi causado por um fenômeno natural ainda não descoberto. As pessoas acreditavam, por exemplo, que os relâmpagos eram causados diretamente por Deus. Havia uma lacuna em nosso conhecimento sobre a natureza e, assim, atribuíamos os efeitos a Deus. Os darwinistas afirmam que os teístas estão fazendo a mesma coisa ao afirmar que Deus criou o Universo e a vida. Estariam eles corretos? Não, por diversas razões.
Em primeiro lugar, ao concluirmos que a inteligência criou a primeira célula ou o cérebro humano, não o fazemos simplesmente porque carecemos da comprovação de uma explicação natural. Também é porque temos uma evidência positiva e empiricamente detectável que aponta para uma causa inteligente. Uma mensagem (complexidade específica) é empiricamente detectável. Quando detectamos uma mensagem — tal como "Leve o lixo para fora — Mamãe" ou mil enciclopédias — sabemos que elas devem ter vindo de um ser inteligente porque todas as nossas experiências de observação dizem que as mensagens vêm apenas de seres inteligentes. Em todas as ocasiões que observamos uma mensagem, descobrimos que ela vem de um ser inteligente. Juntamos essa idéia com o fato de que nunca observamos leis naturais criando mensagens e entendemos que um ser inteligente deve ser a causa. Essa é uma conclusão científica válida, baseada na observação e na repetição. Não é um argumento baseado na ignorância nem está fundamentado em alguma "lacuna" do nosso conhecimento.
Em segundo lugar, os cientistas do projeto inteligente estão abertos a causas
tanto naturais quanto inteligentes. Eles não se opõem à pesquisa contínua para
uma explicação natural para a primeira vida. Estão simplesmente observando que todas as explicações naturais conhecidas fracassam e que todas as evidências empiricamente detectáveis apontam para um Projetista inteligente.
Mas alguém pode questionar se há sabedoria em continuar procurando uma causa natural para a vida. William Dembski, que já publicou uma extensa pesquisa sobre o projeto inteligente, pergunta:
Em que momento a determinação [encontrar uma causa natural] se torna obstinação? [u.]. Por quanto tempo devemos continuar uma busca antes que possamos ter o direito de desistir dessa procura e declarar não apenas que a pesquisa contínua é vã, mas também que o próprio objeto da pesquisa é inexistente?127
127 Intelligent Design.· The Bridge Between Science and Theology. Downers Grave, m.: InterVarsity Press, 1999, p. 244
Considere as implicações da pergunta de Dembski. Deveríamos continuar procurando causas naturais para fenômenos como o monte Rushmore ou para mensagens como "Leve o lixo para fora — Mamãe"? Quando se pode considerar o caso encerrado?
Walter Bradley, autor de um trabalho seminal chamado The Mystery of Lifes
Origin [O mistério da origem da vida], acredita que "não há nada na ciência que
garanta uma explicação natural" para a origem da vida. Ele complementa: "Acho que as pessoas que acreditam que a vida surgiu de modo natural precisam ter muito mais fé do que aquelas que concluem racionalmente que existe um [Projetista] inteligente". 128
Independentemente de se pensar ou não que devamos continuar procurando uma explicação natural, o ponto principal é que os cientistas ligados ao PI estão abertos tanto às causas naturais quanto às causas inteligentes. O que acontece é que uma causa inteligente combina melhor com as evidências.
Terceiro, a conclusão do projeto inteligente é passível de falsificação. Em outras palavras, o PI poderia ser refutado caso se descobrisse, um dia, leis naturais que pudessem ter criado a complexidade específica. Contudo, o mesmo não pode ser dito em relação à posição darwinista. Os darwinistas não permitem a falsificação de sua "história da criação" porque, como já descrevemos, não dão espaço para que qualquer outra história da criação seja considerada. Sua "ciência" não é aberta à tentativa ou à correção: ela é mais mente fechada do que a mais dogmática doutrina da igreja que os darwinistas pudessem criticar.
Por fim, o fato é que quem está cometendo a falácia do Deus das lacunas são os darwinistas. O próprio Darwin foi certa vez acusado de considerar a seleção natural como um "poder ativo ou Deidade" [v. capo 4 da obra A origem das
espécies]. Mas parece que, na verdade, a seleção natural é a deidade ou o "Deus das
lacunas" para os darwinistas de hoje. Quando se vêem totalmente derrotados diante da definição de como sistemas biológicos repletos de informação e irredutivelmente complexos passaram a existir, simplesmente cobrem a lacuna do conhecimento afirmando que a seleção natural, o tempo e o acaso fizeram isso.
A habilidade de tal mecanismo de criar sistemas biológicos ricos em informação vai no sentido contrário ao da evidência da observação. As mutações são quase sempre danosas, e o tempo e o acaso não fazem bem aos darwinistas, como explicamos no capítulo 5. Na melhor das hipóteses, a seleção natural pode ser responsável por mudanças menores das espécies vivas, mas não pode explicar a origem das formas de vida básicas. Você precisa de uma coisa viva com a qual possa começar para que uma seleção natural aconteça. Contudo, a despeito dos problemas óbvios com seu mecanismo, os darwinistas insistem que ela cobre qualquer lacuna que exista em seu conhecimento. Além disso, decididamente ignoram as evidências positivas e empiricamente detectáveis de um ser inteligente. Isso não é ciência, mas o dogma de uma religião secular. Os darwinistas, tais quais os oponentes de Galileu, estão deixando que sua religião governe suas observações científicas!
Objeção: O projeto inteligente possui motivações religiosas.
Resposta: Existem dois aspectos nessa objeção. O primeiro é que algumas pessoas ligadas ao projeto inteligente podem estar motivadas pela religião. E daí? Isso faz o projeto inteligente ser falso? Será que a motivação religiosa de alguns darwinistas torna o darwinismo falso? Não, pois a verdade não reside na motivação dos cientistas, mas na qualidade das evidências. A motivação do cientista ou a sua
tendência não necessariamente significam que esteja errado. Ele poderia ter um viés e ainda assim estar certo. O viés ou a motivação não é a questão principal— a verdade é que é.
Às vezes a objeção se inicia da seguinte maneira: "Você não pode acreditar em qualquer coisa que diga sobre as origens porque ele é criacionista!". Bem, espada boa é aquela que corta dos dois lados. Poderíamos facilmente dizer: "Você não pode acreditar em qualquer coisa que diga sobre as origens porque ele é darwinista!".
Por que as conclusões dos criacionistas são imediatamente consideradas tendenciosas, mas as conclusões dos darwinistas são automaticamente consideradas objetivas? Porque a maioria das pessoas não percebe que os ateus possuem uma visão de mundo, assim como os criacionistas. Como estamos vendo, a visão de mundo do ateu não é neutra e, na verdade, exige mais fé do que a do criacionista.
Como dissemos, se as tendências filosóficas ou religiosas impedem alguém de interpretar corretamente as evidências, então temos bases para questionar as conclusões dessa pessoa. No debate atual, esse problema parece afligir os darwinistas muito mais do que qualquer outra pessoa. Contudo, a questão principal é que, mesmo que alguém seja motivado pela religião ou pela filosofia, suas conclusões podem estar corretas ao avaliar-se as evidências de maneira honesta. Os cientistas de ambos os lados da cerca podem ter dificuldades para serem neutros, mas, se tiverem integridade, então poderão ser objetivos.
O segundo aspecto dessa objeção é a acusação de que os defensores do projeto inteligente não possuem evidência alguma para sua visão — estariam simplesmente repetindo aquilo que a Bíblia diz. Esse aspecto da objeção também não funciona. As crenças do projeto inteligente podem ser compatíveis com a Bíblia, mas não estão
baseadas na Bíblia. Como vimos, o projeto inteligente é uma conclusão baseada em
evidência empiricamente verificada, e não em textos sagrados. Como observa Michael Behe, "a vida na Terra, em seu nível mais fundamental, em seus componentes mais críticos, é produto de atividade inteligente. A conclusão do projeto inteligente surge naturalmente dos próprios dados, e não de livros sagrados ou de crenças sectárias" 129
O projeto inteligente também não é a "ciência da criação". Os cientistas do PI não fazem afirmações que os assim chamados "cientistas da criação" fazem. Eles não dizem que os dados apóiam indubitavelmente a idéia dos seis dias de 24 horas do Gênesis ou um dilúvio mundial. Em vez disso, reconhecem que os dados favoráveis ao projeto inteligente não estão baseados numa era específica ou na história geológica da Terra. Os cientistas do PI estudam os mesmos objetos da natureza estudados pelos darwinistas — a vida e o próprio Universo em si — mas chegam a uma conclusão mais racional sobre a causa desses objetos. Em resumo, independentemente daquilo que a Bíblia possa dizer sobre esse assunto, o
darwinismo é rejeitado porque ele não se encaixa nos dados científicos, e o projeto
inteligente é aceito porque se encaixa.
Objeção: O projeto inteligente é falso porque o assim chamado projeto não é perfeito.
Resposta: Os darwinistas há muito argumentam que, se existisse um projetista, ele teria projetado suas criaturas de maneira melhor. Stephen Jay Gould destacou isso em seu livro The Panda's Thumb [publicado em português pela Martins Fontes, O polegar do panda], no qual cita o aparente projeto menos que ótimo de uma saliência óssea nos pandas que se assemelha a um polegar.
129 Darwin's Black Box, p. 193.
O problema dos darwinistas é que isso, na verdade, se mostra mais como um argumento favorável à existência de um projetista do que um argumento contrário a ele. Primeiramente, o fato de Gould poder identificar alguma coisa como um projeto menos que ótimo implica que sabe qual é o projeto ótimo. Você não pode saber se alguma coisa é imperfeita a não ser que saiba como é a coisa perfeita. Desse modo, até mesmo a observação de Gould de que existe um projeto menos que ótimo implica a admissão de que é possível perceber um projeto no polegar do panda (a propósito, essa é outra razão pela qual podemos dizer que os darwinistas estão errados quando afirmam que o projeto inteligente não é ciência. Quando afirmam que alguma coisa não foi planejada corretamente, a implicação é que eles poderiam dizer se determinada coisa foi projetada corretamente. Isso prova aquilo que os cientistas do PI estão dizendo há muito tempo: o PI é ciência porque o projeto é empiricamente detectável).
Em segundo lugar, o projeto menos que ótimo não significa que não existe um projeto. Em outras palavras, mesmo que você presuma que alguma coisa não foi projetada da melhor maneira, isso não significa que ela não tenha sido projetada de algum modo. O seu carro não foi projetado da melhor maneira, mas, ainda assim, ele foi projetado — certamente não foi montado pelas leis da natureza.
Em terceiro lugar, com o objetivo de poder dizer que alguma coisa é menos que ótima, você deve saber quais são os objetivos ou os propósitos do projetista. Se Gould não sabe o que o projetista desejava, então não pode dizer que o projeto não atingiu aquelas intenções. De que maneira Gould sabe que o polegar do panda não é exatamente aquilo que o projetista tinha em mente? Gould presume que o panda deveria ter polegares opositores tais quais os humanos. Mas talvez o projetista quisesse que os polegares dos pandas fossem exatamente como são. Além do mais, o polegar do panda funciona muito bem ao ajudá-lo a quebrar as varas de bambu e chegar até a parte comestível. Talvez os pandas não precisem de polegares opositores porque não precisam escrever livros como Gould: eles simplesmente precisam descascar o bambu. Gould não pode culpar o projetista pelo polegar se ele não tem outra função a não ser quebrar bambu.
Por último, em um mundo confinado pela realidade física, todo projeto exige concessões e ajustes. Computadores portáteis precisam ter equilíbrio entre tamanho, peso e desempenho. Carros maiores podem ser mais seguros e confortáveis, mas também são mais difíceis de manobrar e consomem mais combustível. O teto mais alto deixa a sala mais impressionante, mas também consome mais energia. Pelo fato de os ajustes não poderem ser evitados neste mundo, os engenheiros devem procurar uma posição que alcance da melhor maneira os objetivos planejados inicialmente. Você não pode colocar a culpa no projeto de um carro compacto porque, por exemplo, ele não carrega 15 passageiros. O objetivo é levar quatro passageiros, e não 15. O produtor do carro fez o ajuste entre tamanho e economia de combustível e alcançou o objetivo planejado. Do mesmo modo, é possível que o projeto do polegar do panda seja uma concessão que, ainda assim, atinge o objetivo inicial. O polegar é perfeito para descascar bambu. É possível que o polegar atrapalhasse o panda em alguma outra atividade se tivesse sido planejado de outra maneira. Sem saber os objetivos do projetista, nós simplesmente não sabemos explicar. O que realmente sabemos é que as críticas de Gould não podem ser bem-sucedidas sem se saber quais são esses objetivos.