1 Luis Felipe Carvalho Bocayuva, brasileiro, advogado, inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil sob o nº 50.829. Aluno do curso de pós-graduação lato sensu do Centro Universitário de Brasília – UniCEUB/ICPD.
O PROJETO DE LEI DO SENADO 186, DE
2014: JOGO DE BINGO NO BRASIL COMO
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ABSTRACT
The present article cares out a thorough approach to the controversial concept of public service, with all its doubts and certainties. It will take care of exposing some of the main doctrinal conceptualizations of state activity, with a view to obtaining a theoretical basis for the next step: the classification of public services. After the detailed approach of the point, new phase will be appreciated. In a new chapter, all the introductory characteristics inherent to the public service will be explained, some particularities will be exposed on the game of Bingo in Brazil, practice for some years no longer exploited thanks to its ban in the mid-2000s, which will also be treated. Today, due to the imminent regulation of the game, it is important to carry out a new investigation and demonstrate what the legislator's ambitions are when discussing the subject again, always in administrative bias, already using the concepts and debates of previous chapters. Through bill 186, of 2014, it is also important to highlight the administrative legal nature of bingo gambling as a public service, the rules imposed by the project on the Administration, the classification of the public bingo game service, and the Authorization of the activity. The conclusion will close this article demonstrating the importance of the subject discussed, so that we are all prepared for the administrative future of the bingo activity in Brazil and that we can start a heated debate about the need to have in our legal system more or less public services.
Keywords: Public services. Bingo.
INTRODUÇÃO
O presente trabalho tratará de um debate caloroso na doutrina e na jurisprudência pátria. O que é serviço público? Qual o conceito utilizado pelos administrativistas? Conforme os conceitos apresentados, qual pode ser o mais considerado, ante as conjunturas atuais e a implementação, em 1988, pelo legislador constitucional, do Estado Democrático de Direito, em linha mista de proteção e liberdade?
Utilizar-se-á de três dos principais doutrinadores da matéria: Maria Sylvia Zanella di Pietro, Hely Lopes Meirelles, José dos Santos Carvalho Filho e um quarto e novo doutrinador, que muito contribui para a evolução do tema: Alexandre Mazza, cuja conceituação junta as acima citadas e mais algumas para criar uma única e bem elaborada concepção.
129 São inúmeros os debates, é polêmica a discussão. De fato, merece limitação o termo, de acordo com o que se almeja. E o principal objetivo é a necessidade de se definir, ao menos de forma concreta o que é serviço público.
Nossa Constituição é repleta de exemplos de serviços Públicos, como os serviços de transporte, seja terrestre, aéreo, metroviário ou ferroviário, serviço de telecomunicações, radiodifusão, dentre tantos outros. E de pronto já temos um primeiro questionamento: será que o Brasil possui serviços públicos além da medida?
Não é o que pensa o legislador. Foi criado e está em trâmite, no Senado Federal, o Projeto de Lei de número 186, de 2014, que regulamenta e legaliza a exploração dos jogos de azar em território nacional. Dentre os jogos, especificamente tratar-se-á do Bingo. Delimitar a discussão a um só jogo facilita a argumentação e torna o presente trabalho mais sucinto e objetivo, até porque o Bingo no Brasil possui algumas peculiaridades, que também estão dispostas no artigo.
O Bingo, como qualquer outro jogo de azar, conforme o Projeto de Lei, é considerado Serviço Público. Pessoas Jurídicas de Direito privado, mais especificamente, Sociedades Empresárias, somente poderão explorar a atividade mediante concessão do serviço, através de licitação.
Temos então mais um serviço público em nosso ordenamento, cuja atuação concreta do Estado deverá ser direta e constante. O jogo de bingo, como qualquer outro jogo de azar, deve ser fiscalizado, observado, e as ilegalidades devem ser punidas, até que alcancemos a utópica educação. Sociedade e Poder Público devem se juntar para prevenir casas ilegais de jogos. São essas as premissas para se tornar o jogo de azar serviço público. E a doutrina assim o permite, como se verá.
No entanto, outro debate é aberto exatamente no mesmo ponto. O Estado e seus entes federativos possuem estrutura concreta para atuação, fiscalização, punição de ilegalidades e proteção da sociedade administrada? Quais os passos para a concretização suprema do interesse público? Será que a mão do Estado
130 não está pesando demais em interesses unicamente privados, tornando mais dificultosa a concepção de serviços públicos e tornando ainda mais polêmica a discussão?
Entende-se que o Estado deve se preocupar com aquilo que pode causar prejuízo a si e aos seus administrados, pois este sim é o interesse público no presente artigo debatido. Dizem até que a regulamentação dos jogos de azar é matéria de saúde pública, graças aos jogadores patológicos, ou ludopatas. Ademais, os prejuízos que podem ser suportados pelas práticas de crime dentro de uma casa de bingo ou de um cassino merecem atenção redobrada do Estado. Portanto, no princípio, o Estado será o responsável por fiscalizar a atividade. Justo, já que arrecadará muito bem com ela. No entanto, isso, por si só não é o bastante. Sociedade administrada, e os próprios exploradores, cuja atividade será concedida, devem ser conscientes, corretos, ativos na busca do interesse público. Deixar o estado fazer tudo sozinho é pedir para que tudo venha a ruir, como já aconteceu no passado.