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1 VANTAGEM COMPETITIVA

No documento DIREITO ADMINISTRATIVO (páginas 80-83)

Uma vantagem competitiva real está relacionada com algo difícil de ser copiado num curto espaço de tempo. O que coloca a empresa possuidora da vantagem numa posição mais favorável do que seus concorrentes. Entretanto, até mesmo uma vantagem competitiva é algo temporário, uma vez que já é possível copiar com relativa rapidez qualquer ação da concorrência. As empresas, em busca de maior eficácia e lucratividade, aproveitam a diminuição de barreiras de competição, advinda da atenuação de regulamentações e da globalização dos mercados. Elas utilizam suas vantagens operacionais, de poder econômico e de conhecimento nas suas negociações, seja em contratos nacionais ou transnacionais. A teoria da vantagem competitiva pode ser aplicada também às nações e a busca pela competitividade torna-se um dos principais desafios para o Estado e para as empresas oriundas dos mesmos.

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A prosperidade nacional não é algo herdado, mas, sim, o produto do esforço criativo humano. Não é privilégio que emana dos dotes naturais de um país, de sua força de trabalho, das taxas de juros ou do valor da moeda, como insistem os economistas clássicos.9

Observa-se a ideia de que a competitividade de um país depende da capacidade de inovação e melhoria de suas indústrias. Num mundo de competição global crescente, os países se tornaram mais, e não menos, importantes. A vantagem competitiva é gerada e sustentada por um processo altamente localizado. Essa é a conclusão resultante de estudos sobre os padrões do sucesso competitivo em dez dos principais países comerciais, o que contraria o pensamento de muitas empresas e governos nacionais para os quais as palavras de ordem são: fusão, aliança, parceiros estratégicos, colaboração e globalização supranacional. Parece que a ideia de empresa competitiva está clara, mas a de um país competitivo ainda é obscura. Ao identificar o que pode ser considerado um país competitivo, e independente de todas as teorias (macroeconomia, abundância de recursos, políticas governamentais e gerência) conclui-se que o único conceito significativo de competitividade no nível nacional é a produtividade. O principal objetivo de um país deveria ser proporcionar padrão de vida elevado e crescente para os cidadãos10.

De forma geral, as empresas privadas conquistam vantagem competitiva e uma posição de liderança internacional por meio da inovação. Em sentido amplo, novas tecnologias e novas formas de fazer as coisas. Isso pode ser exemplificado por: um novo desenho do produto, um novo processo de produção, novos canais de distribuição ou comunicação e até mesmo novas ferramentas para capacitação de profissionais. Nos mercados internacionais, as inovações que proporcionam vantagens antecipam as necessidades domésticas e externas. Inovadores em geral são observadores externos de outros setores e de outros países. A inovação é resultado do esforço incomum, e quase sempre

9 PORTER, Michael. Competição. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009. p. 171.

82 exige pressão, necessidade e até mesmo dificuldades, uma vez que o medo da perda é quase sempre maior do que a esperança do ganho.11

São quatro os atributos que lapidam o “diamante” da vantagem nacional segundo os estudos da pesquisa: condições de fatores (mão-de-obra qualificada e infraestrutura); condições de demanda; setores correlatos e de apoio (presença ou ausência no país de setores fornecedores e outros correlatos, que sejam internacionalmente competitivos); e, estratégia, estrutura e rivalidade das empresas. Observou-se que nos setores sofisticados, sustentação das economias avançadas, o país não herda, mas cria os mais importantes fatores de produção – como recursos humanos e base científica. Além disso, a ideia é que “o estoque dos fatores do país num determinado momento, é menos importante do que a velocidade e a eficiência com que esse país os gera, aprimora e distribui entre os diferentes setores”. Por fim, a rivalidade interna exerce pressão sobre as empresas para encontrar soluções inovadoras e de melhoria. Nesse caso, quanto mais localizada, mais intensa a rivalidade; e, quanto mais intensa, melhor12.

No debate sobre a competitividade das nações, nenhum tópico envolve maior discussão ou abrange mais incompreensões do que o papel do Estado. Fala-se em Estado como promotor dos setores, através de suas políticas; ou adotando o livre mercado, deixando-o a cargo da mão invisível. Por um lado, as políticas acabam por comprometer as empresas no longo prazo; e por outro, ignora-se o papel do governo na criação de um ambiente estimulante para a conquista de mercado. O tempo competitivo para as empresas e o tempo político para os governos são diferentes. Um setor ou uma empresa pode demorar uma década para consolidar uma vantagem competitiva, pois o processo “envolve longo aprimoramento das qualificações humanas, investimento em produção e processos, desenvolvimento de arranjos produtivos locais e incursões em mercados externos”. Dessa forma, os governos preferem políticas que proporcionem resultado de curto prazo, que sejam

11 PORTER, Michael. Competição. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009. p. 179.

83 perceptíveis à sociedade, tais como: subsídios, proteção e incentivos a fusões e incorporações13. Para fechar esse tema, por enquanto, as empresas são as únicas capazes de construir tal vantagem competitiva, ou num termo mais adequado ainda para o cenário futuro, “vantagem construtiva”. Elas precisam criar um ambiente dinâmico e desafiador em busca da inovação, para isso devem: criar pressões para a inovação; procurar motivação nos concorrentes mais capazes; estabelecer sistemas de advertência antecipada às mudanças de mercado; melhorar o “diamante” nacional, estimulando a capacitação e produção interna; fomentar a rivalidade interna; globalizar para aproveitar as vantagens seletivas em outros países; recorrer à alianças de forma seletiva; e, localizar a base doméstica para sustentar a vantagem competitiva.

No documento DIREITO ADMINISTRATIVO (páginas 80-83)