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TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (T.C.C)

4 GRANJA MULTIPLICADORA DE MATRIZES

4.2 SETOR DE MATERNIDADE

4.2.1 Instalações

O setor de Maternidade também é composto por três barracões assim como o setor de Gestação, sendo um barracão de Maternidade por núcleo.

FIGURA 09: BARRACÃO DO SETOR DE MATERNIDADE

O barracão de Maternidade constitui-se de 16 salas, cada uma contendo 8 celas parideiras num total de 128 celas por barracão e ao final do deste, ficam localizadas mais duas salas do setor de Reposição já citado anteriormente e uma sala para o acondicionamento de sacos de rações e de materiais de limpeza, num total de 19 salas.

Todas as celas da maternidade possuem piso de cimento, sendo que as laterais e a parte final da cela são constituídas por piso vazado de ferro, sendo este para escoamento dos dejetos.

Cada cela parideira é composta por um escamoteador, que serve como abrigo e como aquecedor para os leitões, sendo este último feito através de lâmpada

incandescente de 60 Watts e também através do termostato, sendo este único e localizado logo na entrada de cada sala, o qual faz o aquecimento do piso de todas as celas. Ainda dentro da cela parideira, encontra-se em frente à fêmea um cocho para o arraçoamento e um bebedouro tipo “chupeta”, ambos no mesmo cocho como demonstrado na figura 10.

FIGURA 10: COCHO PARA RAÇÃO E ÁGUA

O setor ainda possui um carrinho para fazer o arraçoamento, uma caixa para acondicionar os materiais utilizados no setor como, caixa de isopor para acondicionar medicamentos, tatuador, aplicador de ferro Dextrano, ferro e cauterizador para caudectomia (“corte de cauda”), pistola para vacinação, bastões marcadores, etc.

4.2.2 Alojamento das fêmeas no setor

As fêmeas são alojadas no setor alguns dias antes do parto, mais precisamente com 5 a 10 dias antes, fazendo assim com que a fêmea se acostume com o ambiente antes do parto e evitando também ao máximo o estresse da mesma, fator este que pode ser importante para uma excelente produção ou até

Bebedouro tipo “chupeta”

mesmo o contrário, no caso de nascidos mortos por estresse. Essa transferência da fêmea é e deve ser feita com calma e de preferência nos horários mais frescos do dia.

4.2.3 Manejo Nutricional

TABELA 04: TIPO E QUANTIDADE DE RAÇÃO FORNECIDA NO SETOR DE MATERNIDADE. PIRAÍ DO SUL, 2006.

Período Tipo de Ração Quantidade/dia

111 dias de Gestação S4PP (Pré-Parto) 3 Kg 112 dias de Gestação S4PP (Pré-Parto) 2 Kg 113 dias de Gestação S4PP (Pré-Parto) 1 Kg

Dia do Parto --- --- 1o dia pós-parto S4BL (Lactação) 1,5 Kg 2o dia pós-parto S4BL (Lactação) 2,5 Kg 3o dia pós-parto S4BL (Lactação) 3,5 Kg 4o dia pós-parto S4BL (Lactação) 4,5 Kg 5o dia pós-parto S4BL (Lactação) 6,0 Kg 6o dia pós-parto S4BL (Lactação) 8,0 Kg

A freqüência do arraçoamento até o dia do parto é na quantidade de duas enquanto que após o parto as fêmeas são arraçoadas 5 vezes ao dia quando a quantidade está em 8 kg.

Com relação aos leitões, estes são arraçoados a partir do sétimo dia de vida com ração pré-inicial em cochos localizados na parede dos escamoteadores.

4.2.4 Auxílio ao parto

Antes de relatar o auxílio ao parto, é importante citar a indução ao parto. A indução de parto deve respeitar alguns requisitos como: Não induzir parto em leitoas, e em fêmeas deve-se consultar primeiramente a ficha individual de cada matriz (FIM), ficha esta que fica fixada na porta de cada sala da Maternidade.

O objetivo da indução de parto é para que haja uma sincronização dos mesmos e também para uma melhoria na sobrevivência dos leitões.

O medicamento utilizado na granja para indução do parto é a Ocitocina Pituitária Calier (Ocitocina Sintética), podendo esta ser aplicada tanto pela via Intramuscular (IM) quanto diretamente na vulva da matriz, só que numa dose menor que na IM, sendo que a dose varia entre 1,5 e 2,5 ml para obstetrícia.

Outras vantagens da indução de parto:

• Melhor utilização da maternidade;

• Possibilidade de formação de lotes mais homogêneos por ocasião da desmama;

• Aumento da possibilidade de transferência cruzada de leitões; e

• Eliminação dos partos no fim de semana e melhor assistência às fêmeas a aos leitões durante o parto.

O auxílio ao parto é feito por funcionários da granja a partir do momento em que se evidenciam os primeiros sinais, os quais serão citados na tabela 05.

TABELA 05: PRINCIPAIS SINTOMAS ASSOCIADOS AO PARTO E MOMENTOS EM QUE ESSES OCORREM.

Sintomas antes do parto Momento em que ocorre

Edema vulvar 4 dias (7-1)

Complexo mamário Engurgitado

48-24 horas

Secreção serosa escassa 48-24 horas Secreção leitosa em gotas

em 70% dos casos 12 horas

Secreção leitosa em jatos

em 94% dos casos 6 horas

Fonte: Jones (1966); Moennig (1972); Plonait & Bickhardt (1988)

Quando esses sinais são observados, imediatamente são colocados os materiais de auxílio ao parto em frente a cela da matriz que está parindo, que são tesoura, papel toalha, barbante embebido em iodo, recipiente contendo iodo e uma caixa de madeira e, logo após o nascimento do leitão, este é secado com os papéis- toalha e colocado posteriormente em cima da caixa de madeira onde então é feita a amarração do umbigo a aproximadamente 3 cm da inserção do mesmo. Depois de feito isto, o umbigo é mergulhado em um recipiente contendo iodo.

Logo após a amarração do umbigo, outra tarefa do funcionário é a de estimular e garantir a mamada de colostro pelo leitão durante as 6 primeiras horas de vida do mesmo.

Uma outra forma de garantir que os últimos leitões que nascem, geralmente do 10o pra frente, vão mamar o colostro materno é através do fechamento dos oito primeiros nascidos dentro do escamoteador após a mamada, sendo que estes são marcados com bastão marcador, para que os últimos leitões nascidos também

possam mamar a quantidade suficiente de colostro assim como os primeiros, tendo assim uma imunidade homogênea no lote.

4.2.5 Intervenção ao parto

O parto na espécie suína geralmente ocorre sem maiores complicações. No entanto, frente a algumas situações, há a necessidade de intervenção.

A intervenção é recomendada, de um modo geral, em duas situações:

• quando o intervalo entre o nascimento dos leitões for muito longo (45 a 60 minutos); ou

• quando a fêmea já tiver parido algum(ns) leitão(ões) e continuar apresentando contrações, sem, no entanto, expulsar nenhum outro leitão (Grunert et al, 1987; Martinez, 1980).

Durante meu estágio na Granja presenciei algumas intervenções ao parto, devido ao não expulsamento do feto, e frente a algumas situações como esta, as primeiras medidas tomadas são a de massagear o abdômen da fêmea e também a de mudar a posição ou o lado em que a fêmea está deitada. Caso estas medidas não sejam suficientes, é aplicado Ocitocina sintética para estimular as contrações abdominais e uterinas da fêmea respeitando o período de atuação do medicamento que é de 30 minutos e se caso também não resolva aplicação de Ocitocina, é feita a palpação da via fetal, com o objetivo de verificar a presença e o posicionamento do leitão, bem como retirá-lo quando possível. É de extrema importância que a palpação seja realizada observando rigorosamente as normas de higiene (utilizar luvas com vaselina e limpar a fêmea na parte posterior) para, com isso, diminuir as possibilidades de infecção do aparelho genital feminino.

4.2.6 Manejo com os leitões

Após a primeira mamada dos leitões, a primeira medida tomada é a de uniformização do lote, geralmente essa uniformização ocorre 12 horas após o nascimento dos mesmos. Esse processo é feito para que aqueles leitões mais fracos sejam colocados juntos às fêmeas que tem uma maior produção de leite e uma certa conformação dos tetos (finos e alongados).

O manejo feito com os leitões após a uniformização é a seguinte:

• Desgaste dos dentes e corte de cauda: realizado de 6 a 7 dias após nascimento;

• Aplicação de Norfloxacino: aplicado aos 2 dias de idade como preventivo para o corte de cauda e desgaste dos dentes;

• Aplicação de Ferro Dextrano: realizado no mesmo dia do desgaste de dentes e corte de cauda;

• Castração: a castração é feita aos 10 dias de idade e é utilizado o método escrotal, fazendo-se duas incisões, sendo uma incisão sobre cada testículo.

• Aplicação de Baycox: aplicado aos 6 dias junto com o desgaste dos dentes e o corte da cauda e é aplicado novamente na castração.

FIGURA 11: MATERIAL PARA DESGASTE DOS DENTES

FIGURA 12: CORTADOR E CAUTERIZADOR PARA CAUDA

4.2.7 Medicações

Durante meu estágio na Granja, as afecções que mais presenciei foram a diarréia e a artrite.

A medicação preventiva para diarréia feita na granja é o Norfloxacino leitões na dose de 1,0 ml para cada 3,5Kg durante 3 a 5 dias, mas caso haja algum problema maior com relação a diarréia são feitas outras medicações como Enrotec 5-Pig (Enrofloxacina) na dose de 1ml para cada 5Kg durante 3 dias ou Minoxel Plus (Ceftiofur Cloridrato) na dose de 1 a 3 ml para cada 50 Kg durante 4 a 5 dias e para

os casos de artrite é utilizado o Agroplus® (Colistina+Ampicilina+Dexametasona) na dosagem de 1,0 ml para cada 10Kg durante 3 dias.

4.2.8 Desmame

O desmame dos leitões é feito aos 28 dias de idade, este processo só não é feito aos 21 dias como nas demais granjas apenas pelo motivo de que o volume de leitões nascidos é maior do que o espaço disponível para o alojamento na creche. A média de partos na granja é de 51,33 por semana por núcleo, lembrando que são três, com um número aproximado de 575,75 leitões por semana, ou seja, um total de 2.303 leitões de todos os núcleos e uma média de 14,95 leitões por parto.

O processo de desmame é realizado sempre nas quintas-feiras, no processo de transferência dos leitões da maternidade para a creche, é feita a separação de macho e fêmea, para que sejam colocados separadamente no setor de creche facilitando no manejo da creche.

4.2.9 Manejo Sanitário

O manejo sanitário da maternidade é feito através de vacinação sendo apresentado na tabela a seguir.

TABELA 06: ESQUEMA DE VACINAÇÃO DO SETOR DE MATERNIDADE. PIRAÍ DO SUL, 2006.

Problema Nome Animal Dose em ml Idade

Mycoplasma (Pneumonia) SuvResp MH Leitões 2 + 2 ml 21 e 42 dias Streptococcus (Meningite) Strepto suis Leitões 2 ml 21 dias

4.2.10 Limpeza e Desinfecção

A limpeza no setor de maternidade consiste mais na limpeza dos cochos após a alimentação das fêmeas e também no processo chamado “repasse”, que consiste em repassar a ração daquela fêmea que não comeu toda a ração para aquela que comeu tudo evitando assim o desperdício e a oxidação da ração.

Na granja é utilizado o sistema “all in, all out”, ou seja, “todos dentro, todos fora”, que consiste em retirar as fêmeas todas no mesmo dia para que então a sala seja lavada e desinfetada logo em seguida. O processo de limpeza e desinfecção começa com a desmontagem de todas as instalações da sala, facilitando desta maneira a lavagem da mesma. Após a retirada dos equipamentos, é feita a aplicação de detergente, Biobom®, este por sua vez ajuda na diluição das crostas e facilita na hora da lavagem, depois de passado o detergente a sala é lavada através de uma bomba de alta pressão, sendo que estão incluídas nesta lavagem o teto, as cortinas, paredes, celas, canaletas de dejetos e equipamentos desmontados. Após a lavagem é feita a desinfecção da sala no dia seguinte a lavagem e nesta desinfecção são utilizados dois desinfetantes, o TekTrol e o Ortozool.

FIGURA 13: LAVAGEM DA SALA DE MATERNIDADE

FIGURA 14: SALA PRONTA PARA FAZER A DESINFECÇÃO

A secagem das salas é feita através da chamada “vassoura de fogo” ou lança-chamas e depois da secagem a sala fica mais 3 dias em vazio sanitário, aí então a sala está pronta para receber um novo lote de fêmeas gestantes.

4.2.11 Manejo Ambiental

O manejo térmico na maternidade é difícil, pois a matriz necessita de uma temperatura que varia de 10 a 18oC como já citado anteriormente enquanto que a

temperatura de conforto térmico do leitão principalmente nas duas primeiras semanas gira em torno de 30 a 33oC.

TABELA 07: ZONA DE TERMONEUTRALIDADE DOS SUÍNOS.

Categoria Temperatura de Termoneutralidade Mínima Máxima Porcas 10oC 18oC Leitão de 1 dia 30oC 32oC 1a semana 30oC 32oC 2a semana 27oC 28oC 3a semana 25oC 26oC 4a semana 24oC 25oC 5a e 6a semana 23oC 24oC

Fonte: Perdigão Agroindustrial

Para haver um equilíbrio térmico tanto para a matriz quanto para o leitão, o manejo utilizado na maternidade é o seguinte: faz-se o manejo das cortinas dependendo da temperatura para que haja um conforto térmico para a matriz e também para a eliminação dos gases presentes no ar, enquanto que para o leitão o manejo é feito através da presença de lâmpadas incandescentes dentro dos escamoteadores e também através do piso aquecido dentro das celas, temperatura esta controlada através de termostatos presentes em cada sala do setor.

FIGURA 15: TERMOSTATO

4.2.12 Critérios de descarte por Ordem de Parto (OP)

Os critérios de descarte por Ordem de Parto estão citados na tabela a seguir.

TABELA 08: DESCARTE POR OP.

OP Situação

1 e 2 Deve-se minimizar o descarte desta categoria. Somente razões sanitárias ou de aprumos justificam o descarte nestas OP.

4 a 6 Fêmeas com três leitegadas consecutivas com número baixo de nascidos (< 8) devem ser descartadas.

> 7 A partir desta OP pode-se descartar animais baseando-se no número de coberturas semanais, ou seja, quando a meta de coberturas semanal for atingida pode-se descartar animais acima dos sete partos.

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