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SIMILARIDADES E DISCREPÂNCIAS ENTRE O PROJETO

No documento Teto como prática de inovação social (páginas 114-118)

4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS

4.5 SIMILARIDADES E DISCREPÂNCIAS ENTRE O PROJETO

Este item corresponde ao quarto objetivo específico. O objetivo desta seção é de apresentar de forma sintética o exposto na análise do projeto comunitário TETO fazendo uma análise entre as similaridades e discrepâncias entre as dimensões de inovações sociais.

Quadro 18: Práticas de inovações sociais encontrados no TETO

CATEGORIA E SUBCATEGORIAS Práticas de inovações sociais encontrados no TETO

INOVAÇÃO SOCIAL

TRANSFORMAÇÃO Combater problemas sociais;

Modificações estruturais na forma de pensar e agir fortalecendo os laços de confiança entre os moradores da comunidade transformando a realidade local.

CARÁTER INOVADOR

Geração de novas soluções para a comunidade;

De desenvolvimento através do compartilhamento e transferência do saber e do conhecimento empoderando os sujeitos da

comunidade com o objetivo da busca da autonomia e emancipação social.

INOVAÇÃO Difusão e implementação das inovações sociais;

De escala local e social com o propósito do bem comum, interesse geral, interesse coletivo, através de redes de cooperação

objetivando o cocriação de valor social.

ATORES Organização da sociedade civil através de um modelo de redes sociais, alianças e de inovação. Atores organizacionais

(financiadores de projetos)

Movimentos cooperativos nas comunidades Sociedade civil organizada

Redes sociais de aliança e de inovação

PROCESSOS Participação (comunidade nas decisões e execução de projetos) Mobilização (comunidade)

Aprendizagem (novas formas de organizar e trabalhar na comunidade)

Parcerias (com empresas privadas)

Integração (voluntários, moradores, órgãos privados) Negociação (entre moradores e lideranças comunitárias)

Empoderamento (transferência de conhecimentos e experiências) Fonte: o autor 2016

Transformação: Modificar ou transformar necessidades sociais. O ambiente problemático é a máquina propulsora para as inovações sociais. A crise entre o Estado e a sociedade civil no que se referem as responsabilidades com as demanda da sociedade, fortalecidas pela situação econômica emergencial no país que desencadeia a marginalização e exclusão social. O TETO apresenta um projeto que busca atender uma demanda da sociedade, não atendida pelo Estado através de trabalho voluntário trabalhando para gerar soluções concretas para uma problemática social que está diretamente ligado à diminuição dos índices de pobreza no país. Tardif e Harrisson (2005) apontam que em meio as crises e situações emergenciais podem surgir novos modelos de trabalho focados na reconstrução de laços sociais por meio da adoção de novas práticas como no caso do TETO o modelo de organização de trabalho comunitário através de reuniões nas comunidades locais para fazer a apresentação dos projetos e consequentemente desenvolver todas as atividades a partir da articulação e participação dos atores da comunidade.

Caráter inovador: Modelo de trabalho social que desencadeia a ação social através de arranjos e programas sociais. Desta forma, os atores de determinado território a partir do contexto e das respectivas condições de emergência, são impulsionados a agir, ou seja, a desenvolver soluções para sair de uma problemática em questão. O TETO apresenta um modelo de trabalho com organização de reuniões nas comunidades para implementar e avaliar o resultado das enquetes (levantamento dos problemas da comunidade) fazendo as mesas de trabalho com moradores para que eles sejam os agentes de transformação da comunidade.

Este é um programa baseado em trabalho comunitário ou trabalho em rede. Segundo Tardif e Harrisson (2005) as soluções inovadoras desenvolvidas para atender as necessidades da comunidade devem ser “novas”, ou seja inéditas para aquele território ou comunidade.

Inovação: Uma inovação social atende ao objetivos de busca bem-estar dos indivíduos e/ou comunidades. De escala local, atendendo um determinado território, do tipo social (comunitário) com o propósito do bem comum, interesse geral, interesse coletivo através de sistemas de cooperação. As inovações classificadas por Tardif e Harrisson (2005) como sociais são desenvolvidas por atores da sociedade civil, empreendimentos coletivos frutos de necessidades não satisfeitas de uma coletividade. No projeto TETO a participação das comunidades nas atividades propostas como ECO, COLETA, OLHAR PARTICIPATIVO, decidindo em conjunto quais são as prioridades da comunidade, problemas e soluções, através da formação de lideranças comunitárias e formação de novos voluntários para disseminação do modelo de trabalho contemplam as inovações sociais.

Atores: Os atores fazem parte da sociedade civil através de um modelo de redes sociais, alianças e de inovação. Os atores organizacionais também participam deste processo como é o caso de empresas privadas que patrocinam as casas do TETO através de doação financeira ou financiamento de casas emergenciais (construção em família e construção de colégios). Os atores institucionais como é o caso do Estado não participam do modelo de trabalho do TETO, o motivo é pelo fato das comunidades estarem em localidades que não estão regularizadas ou em áreas de conflito. O TETO dissemina a ideia da união dos moradores através do estabelecimento de laços de confiança para criar a consciência do trabalho cooperativo em todos as suas atividades. Os beneficiários dos projetos decidem e participam de todas as ações e inovações geridas por eles mesmos na comunidade aonde vivem.

Processos: A dimensão de processos de uma inovação social é compreendida por Tardif e Harrisson (2005) como uma série de etapas que levam a criação e implementação da inovação social em determinado contexto. Trabalho em rede, mobilização, participação e aprendizagem na implementação dos projetos; Parcerias, integração, negociação, empoderamento na implementação dos projetos. No caso do TETO o modelo de trabalho é desenvolvido por etapas previamente planejadas conforme demonstrasse na descrição das atividades nas seções anteriores. No inicio do processo quando a ONG entra na comunidade ocorre a resistência, tensão, incerteza. Exatamente como menciona o modelo de Tardif e Harrisson (2005). Após as primeiras etapas de mapeamento da comunidade, implantação da equipe de voluntariado fixa na comunidade, aplicação de enquete socioeconômica, olhar

participativo com reuniões de lideranças na comunidade e a construção de casas emergenciais, definitivamente passa a aumentar o grau de confiança nas ações do TETO ampliando a participação da comunidade. Todas estas características fazem parte dos projetos implementados pelo TETO nas comunidades, como já citado nas dimensões anteriores.

Quadro 19: Elementos característicos do Projeto Comunitário TETO

Similaridades Discrepância Dimensões de

Tardif e Harrisson (2005) Descrição das especificidades das dimensões de Tardif e Harrisson (2005) Combater problemas sociais;

Modificações estruturais na forma de pensar e agir fortalendo os laços de confiança entre os moradores da comunidade transformando a realidade local.

Não foram identificadas Transformação Modificar ou transformar necessidades sociais. O ambiente problemático é a máquina propulsora para as inovações sociais

Geração de novas soluções para a comunidade;

Desenvolvimento através do compartilhamento e

transferência do saber e do conhecimento empoderando os sujeitos da comunidade com o objetivo da busca da

autonomia e emancipação social.

Não foram identificadas Caráter inovador Modelo de trabalho social que desencadeia a ação social através de arranjos e programas sociais.

Difusão e emplementação das inovações sociais;

De escala local e social com o propósito do bem comum, interesse geral, interesse coletivo, através de redes de cooperação objetivando o cocriação de valor social.

Não foram identificadas Inovação Uma inovação social atende ao objetivos de busca bem-estar dos indivíduos e/ou comunidades

Organização da sociedade civil através de um modelo de redes sociais, de alianças e de inovação.

Movimentos cooperativos e comunitários

Sociedade civil organizada e atores organizacinais (financiadores)

Redes sociais/de aliança/ de inovação

Nas categorias de Tardif e Harrison (2005) a participação dos atores institucionais (Estado) seguem como uma configuração importante para a implementação da inovação social. O TETO não tem a participação do Estado no Paraná.

Atores Os atores fazem parte da sociedade civil através de um modelo de redes sociais, alianças e de inovação. Os atores organizacionais também participam deste processo como financiadores Participação Mobilização Aprendizagem Parcerias Integração Negociação Empoderamento

Não foram identificadas Processos Uma série de etapas que levam a criação e implementação da inovação social em determinado contexto Fonte: o autor (2016)

De acordo com o quadro 19 denota-se que houveram muitas similaridades entre o projeto TETO e as dimensões de inovação social de Tardif e Harrisson (2005). Quando as discrepâncias ao modelo dos autores na dimensão dos atores foi identificado que o TETO não tem parceria com os atores institucionais como o Estado, e que faz parte do modelo em questão. Não significa que não existam outras discrepâncias, elas apenas não foram identificadas no período da pesquisa. Logo, fica como sugestão para futuros estudos uma avaliação mais apurada sobre esta questão com o objetivo de investigar o processo. Na próxima seção é apresentada a agenda de ações a luz da teoria de inovação social e que contribui para que o projeto comunitário TETO se consolide como uma prática social efetiva.

No documento Teto como prática de inovação social (páginas 114-118)