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O principal sintoma sugestivo do IAM é a dor no peito, também denominada de dor torácica, dor precordial ou precordialgia. Esta é descrita como em aperto, opressiva, com irradiação para os membros superiores, mandíbula, dorso ou epigástrio, sendo acompanhada, ou não, por sudorese fria, dispneia, náuseas e vômitos. Entretanto, nem todos os indivíduos irão apresentar dor torácica, como, por exemplo, os diabéticos (devido a neuropatia sensitiva e autonômica), algumas mulheres e idosos (BRAGA et al., 2007; CANESIN; TIMERMAN, 2013).

A dor de origem isquêmica é caracterizada pelo sinal de Levine (o paciente coloca sua mão espalmada sobre o centro do precórdio). O desconforto comum na dor de origem isquêmica é retroesternal e de localização difusa. Mesmo sendo impossível caracterizar a parede miocárdica acometida pela isquemia tecidual somente pela localização da dor e a sua irradiação, já se verificou uma associação entre a dor epigástrica com o infarto na parede inferior miocárdica (CANESIN; TIMERMAN, 2013).

O desconforto torácico é o sintoma mais comum de IAM e manifesta-se em 75% a 80% dos pacientes. Os principais termos relacionados à dor que são utilizados pelos indivíduos que sofrem o IAM são ‘queimação, indigestão, peso, aperto, opressão, sufocação, dor ou pressão”. Esse desconforto dura mais de 30 minutos e pode ser constante e desaparecer, ou ser aliviado com a eructação. Os pacientes que apresentam o desconforto torácico atípico que são similares às causas de origem musculoesquelética, postural ou pleurítica, geralmente, são os idosos, os diabéticos e as mulheres. Os diabéticos podem apresentar os seguintes sinais e sintomas atípicos: fraqueza generalizada, síncope, tonturas ou alteração no nível de consciência. As mulheres que apresentam a SCA podem descrever um desconforto torácico vago que pode desaparecer. Além disso, podem manifestar: dispneia, fraqueza, fadiga incomum, sudorese fria, tontura, náusea e vômitos. As mulheres têm duas vezes mais probabilidade de vir à óbito nas primeiras semanas após o IAM e também de apresentarem reinfarto em relação aos homens (AEHLERT,2013).

Até o início dos anos de 1960 não havia nos Estados Unidos da América (EUA) nenhuma estratégia de tratamento estabelecida para os pacientes com IAM. O atendimento dado era de suporte. A primeira Unidade de Cuidados Coronarianos (Corony Care Unit – CCU) foi inaugurada em um hospital do Kansas. A CCU é considerada um marco revolucionário nos cuidados ao paciente com IAM. As unidades de dor torácica foram desenvolvidas nos EUA visando à redução da morbimortalidade por IAM e à reeducação da população em relação aos benefícios de procurar atendimento assim que houvesse o aparecimento desse principal sintoma da doença coronariana (BAHR, 2000).

De acordo com Copola et al. (2013) a dor torácica é uma das queixas principais de apresentação entre os pacientes atendidos no departamento de emergência. Shian, Lima e Markman Filho (2007) realizaram um estudo do tipo série de casos, em Pernambuco, tendo como população 36 pacientes idosos divididos em dois grupos para comparação: 21 idosos com angina pré-infarto e 15 idosos sem angina pré- infarto. Estes grupos foram avaliados prospectivamente em relação aos desfechos clínicos. Os pesquisadores evidenciaram que todos os pacientes do estudo apresentaram precordialgia como uma das manifestações clínicas do IAM. Segundo Santana (2014), em seu estudo de revisão, há uma estimativa de que os pacientes que dão entrada na unidade hospitalar com dor torácica, níveis elevados do principal marcador de necrose miocárdica no IAM, a troponina, e com alterações eletrocardiográficas com coronariografia normal ou discretamente alterada, representem 2,6% a 19% dos casos com diagnóstico inicial de IAM. Santos et al. (2006) realizaram um estudo em um hospital de referência em cardiologia, em São Paulo, analisando os registros no banco de dados da instituição de 860 pacientes admitidos com diagnóstico de SCA. Segundo esses pesquisadores, a dor precordial considerada típica para DAC ocorreu em 86,3% dos participantes do estudo. Mussi et al. (2013) realizaram um estudo exploratório, de corte transversal, em duas instituições hospitalares de referência para o tratamento do IAM em Salvador, com a amostra de 100 indivíduos com o diagnóstico de IAMcssST, sendo 29 mulheres, com idade entre 41 e 87 anos, e 71 homens, com idade entre 27 e 80 anos. Os autores relataram que todos os participantes do estudo tiveram dor no peito como uma manifestação da doença, com uma apresentação clínica inicial típica do IAM.

Douglas et al. (2015) realizaram um ensaio clínico em 193 centros de referência para DAC na América do Norte com uma população de pacientes ambulatoriais sintomáticos, porém sem DAC diagnosticada, e evidenciaram que apesar de todos os pacientes serem sintomáticos, 87,7% não relataram dor no peito como sintoma primário, sendo este último: fraqueza; dor nos membros superiores e ombro; taquicardia; tonturas ou sensação de “cabeça leve”; ou no pescoço ou dor maxilar. A dor torácica foi descrita nesse estudo como uma sensação de esmagamento em 70,3% dos pacientes.

O pico de incidência dos eventos cardíacos agudos situa-se entre seis horas da manhã e meio-dia. Tal fato deve-se ao aumento da pressão arterial, da frequência cardíaca, da atividade do sistema nervoso simpático, do cortisol e da agregabilidade plaquetária nas primeiras horas da manhã. Em geral, há um fator precipitante em aproximadamente 50% dos eventos cardíacos agudos, como esforço físico moderado a intenso, estresse emocional excepcional, transtornos do sono, alimentação excessiva, uso do álcool, infecção respiratória aguda, embolia pulmonar e uso da cocaína (em particular nos pacientes com menos de 40 anos de idade) (AEHLERT, 2013).

A irradiação da dor de origem isquêmica do coração para a face, membros superiores, nuca e dorso pode ser explicada devido aos estímulos das terminações nervosas aferentes localizadas nos vasos coronarianos e no miocárdio. Esses locais de irradiação da dor não possuem relação com o coração doente, mas sim com a distribuição dos dermátomos (áreas cutâneas inervadas). A dor pode manifestar-se como visceral ou transformar-se na irradiação. Além disso, é possível existir equivalente doloroso e não doloroso, como formigamento, perda de força, sudorese e sensação de calor. A irradiação da dor para pavilhões auriculares, nariz, maxilares, nuca, região cervical, membros superiores, cotovelos e ombros sugere o comprometimento das raízes nervosas cervicais até a primeira torácica (C2 a T1). Portanto, quanto mais intenso o estímulo, maior será a intensidade da dor e a probabilidade de que ela possa irradiar-se. Os impulsos nervosos são direcionados aos gânglios simpáticos cervicais e torácicos e atingem a medula espinhal por meio das raízes dorsais dos primeiros cinco segmentos torácicos e dos dermátomos que correspondem a esse nível, incluindo o precórdio. A dor isquêmica apresenta grande

variação em decorrência das mudanças no trajeto nervoso através dessa rede aferente (SIQUEIRA; TEIXEIRA, 2012).