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O ponto mais importante a realçar é que trata-se de um empreendimento comercial capitalista, organizado por um grupo que explora a terra como mercadoria e trata a vinda dos colonos como uma transação de mercado (AUBERTIN et. al, 1984, P. 22).

Este capítulo tem como objetivo resgatar alguns aspectos que envolveram o projeto de colonização da região norte de Mato Grosso, mais especificamente, buscar estabelecer a relação entre o avanço do capital numa determinada área de fronteira agrícola – o caso de Sinop196 - e as relações sociais aí produzidas, hoje vividas; seus encantos, caminhos e desencontros.

Esta abordagem torna-se significativa na medida em que nos permite estabelecer alguma forma de relação entre o projeto de Reforma Agrária, implantado pelo INCRA na região Norte de Mato Grosso, na década de 1990, como é o caso do Assentamento Gleba Mercedes V, e o modelo de ocupação/colonização implantada pelos militares, na década de 1960 e 1970, na região. Ou seja, em ambos os casos, a Reforma Agrária - de interesse dos trabalhadores do campo – serviu, única e exclusivamente, aos interesses do capital, representado pelos organismos internacionais, principalmente o Fundo Monetário Internacional – FMI e o Banco Mundial – BM. O que, naturalmente, se contrapõem às lutas históricas dos movimentos sociais populares do campo. Por isso, caracterizada como política de contra-reforma agrária (IANNI, 1979).

A fronteira de expansão do capital – configuração contemporânea do espaço mato-grossense – dentro do qual Sinop está inserida, é resultado de um conjunto de fatores, não só econômicos, mas também políticos e sociais, marcados pela luta dos trabalhadores do campo na busca pela terra – terra de trabalho. Como nos diz Santos (1993, p. 14), “esta é uma realidade simultaneamente geográfica e histórica, passado e presente, envolvendo problemas sociais, demográficos, fundiários, econômicos, políticos e culturais”.

196Por que Sinop? Pelo fato desta cidade ter-me acolhido enquanto migrante em 1994, onde passei a desenvolver minhas atividades profissionais como docente em uma instituição pública superior, Unemat (Universidade Estadual do Estado de Mato Grosso). Bem como, pelo fato do Assentamento de Reforma Agrária Gleba Mercedes V (campo empírico de minha pesquisa) estar localizado neste município.

Conforme Sousa (2004, p. 16), a idealização do projeto Sinop deu-se, basicamente, a partir do “discurso do progresso”. Para o autor, este tem sido usado, basicamente, como um “instrumento de poder para consolidar interesses políticos,

econômicos, sociais e estratégicos”. Partindo desta afirmativa197, surgem algumas

questões: a) em que contexto sócio-político e econômico ocorreu o processo de colonização da região norte de Mato Grosso, o caso de Sinop? b) Sendo um projeto de colonização de responsabilidade do Estado ou mesmo da iniciativa privada – como foi o caso de Sinop –, este é considerado como fazendo parte de políticas públicas de caráter social. Tal projeto implicou em deslocamento populacional e, assim sendo, implicou, também, em pensar que as populações deslocadas carregam consigo direitos sociais. Como foram garantidos estes direitos? E a educação escolar para os filhos dos migrantes? E, por fim, como muitos destes trabalhadores, tanto rurais quanto urbanos, vieram a se constituir ou a se tornar parceleiros em um projeto de Reforma Agrária do Incra, como é o caso do Assentamento Gleba Mercedes V?

Estas são algumas questões que buscamos responder e, através delas, podermos compreender melhor como, dentro deste contexto, ainda fortemente dominado pelo discurso do colonizador, as populações aparecem buscando novas formas de produção de suas vidas, como é o caso dos parceleiros do Assentamento de Reforma Agrária Gleba Mercedes V.

Dentre as cidades que foram surgindo ao longo do eixo rodoviário da BR-163 (Cuiabá/MT – Santarém/PA), nas décadas de 1960/1970, e que passaram a receber parte

do fluxo migratório198 que se dirigia para o norte mato-grossense, está a cidade de

Sinop199. A BR-163, no conjunto das rodovias de integração da Amazônia com o

restante do país200, passou a oferecer as condições necessárias para a entrada do capital

197 Porém, sem que com isso se entenda que as populações não sejam capazes de criar ou se apropriar de táticas/estratégias de apropriação do espaço social, recriando novas práticas, com novas formas de produção de suas vidas, como vem ocorrendo. Podemos tomar como exemplo, os inúmeros assentamentos de Reforma Agrária, já implantados e consolidados em todo o país, não sendo diferente em Mato Grosso.

198 Formado por trabalhadores expulsos do campo, principalmente do centro-sul do país, mais especificamente dos Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul: pequenos proprietários rurais, posseiros, agregados, meeiros, sitiantes, etc., - pobres -, que, sem condições de concorrerem com grandes produtores, foram obrigados a “vender” suas terras e buscar novas colocações. Segundo Martins (1985, p. 179), partiam “porque tinham necessidade da terra para trabalhar e para deixar aos filhos, [...]. Partiam porque no Sul não havia mais condições de ganhar a vida, senão como parceiros, e viviam em um estado de pobreza. Partiam, enfim, porque acreditavam nas promessas que lhes foram feitas”.

199 O nome do município é derivado do acrônimo de Sociedade Imobiliária Noroeste do Paraná (SINOP), empresa responsável pelo projeto de colonização.

200 A área de colonização é cortada pela BR-163, sendo ainda servida pela BR-080 (ao norte) e pela BR-242 (ao sul). Ambas cortam o Estado no sentido Oeste – Leste, ligando a capital (Cuiabá) a Santarém (Pará) com a BR-158 (Barra do Garças – Luciara/MT) e avançando para Goiás na altura de São Félix do Araguaia/MT e de São Miguel do Araguaia/GO respectivamente.

na região norte do Estado de Mato Grosso. O que significa dizer, em outros termos, que a nova cidade passou a representar mais um empreendimento a ser incorporado ao

projeto capitalista na região Amazônica201.

A possibilidade de acesso à região deu-se, basicamente, sob três formas:

espontânea, dirigida/oficial e particular202. No caso de Sinop, o projeto se efetivou

através da colonização particular, estando à frente a Sociedade Imobiliária Noroeste do Paraná, empresa subsidiária da Colonizadora Sinop S/A, iniciando suas atividades em 1972, numa área adquirida de terceiros, denominada, inicialmente, Núcleo de

Colonização Celeste e, posteriormente, Gleba Celeste203.

Diferentemente do que se propunha o projeto de colonização para a região Norte do Estado que era, em tese, beneficiar os “trabalhadores pobres” (IANNI, 1979), estes não foram os beneficiários diretos desta política. Segundo Ferreira (1996, p. 330) “a colonização particular voltou-se, exclusivamente, para o trabalhador que havia realizado algum tipo de acumulação, encarregando-se de removê-los de áreas cobiçadas pelo capital e transferi-los para as regiões de fronteira, que deveriam ser formadas”. E, com esta medida, acrescenta o autor, “os empresários asseguravam novos espaços para o capital nas novas regiões” (p. 330).

Ao que se pode perceber, portanto, é que a política de colonização da região amazônica, através dos mais diferentes projetos ali implantados, tanto os de iniciativa privada quanto oficial, representaram uma aliança entre o Estado e as elites agrária e urbana, como forma estratégica de garantir, sob a proteção estatal, a expansão capitalista na Amazônia204.

201 Para Santos (1993, p. 14), falar de colonização significa, necessariamente, falar do “modo pelo qual o desenvolvimento extensivo e intensivo do capitalismo cria e recria a fronteira”. Para Oliveira (1983, p. 77), “o processo de colonização em Mato Grosso, só será entendido enquanto parte integrante do processo de expansão do capitalismo no campo, [...]”.

202 Espontânea, “espécie de reforma agrária feita pelos próprios camponeses, agricultores ou posseiros em épocas de migrações mais ou menos intensas” (SOUSA, 2004, p. 97). Ou, como diz Shaefer (1985, p. 47), “sem a interferência de governantes, burocratas ou técnicos”. Dirigida/oficial, a cargo do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). Teve maior expressão na década de 1970 e se propunha, dentre outros objetivos, assentar trabalhadores pobres que buscavam terra de trabalho. A particular, como o nome sugere, era uma modalidade/forma de colonização que objetivava “promover o aproveitamento econômico da terra com base na empresa particular” (IANNI, 1979, p. 85). Para o autor, tanto a colonização oficial quanto a particular, constituíram-se, na prática, como formas de colonização voltadas a desenvolver na Amazônia, a “contra-reforma agrária”.

203 O termo “celeste” é uma referência ao Rio Celeste, local onde aportaram os primeiros colonizadores (“pioneiros”) quando do reconhecimento/da ocupação da área. .

204 É importante ressaltar que o fenômeno migratório que caracterizou a expansão da fronteira agrícola no Brasil nas últimas décadas deu-se, para muitos agricultores, de forma traumática, uma vez que, como nos diz Duarte (2005, p. 10), “não deu margem ao diálogo ou reivindicações quanto a outras formas de ocupação do território, como projetos de reforma agrária, desmobilizando a organização de base dos agricultores, em sua gênese”. Não menos ou mais traumática tem sido a forma como os posseiros e indígenas da região foram expulsos, dando lugar ao projeto pensado

A constatação procede na medida em que a expansão de empresas capitalistas (nacionais e internacionais), na Amazônia, deu-se movida pelo apoio incondicional de diferentes órgãos/agências federais e estaduais criados para darem todo suporte necessário a fim de viabilizarem os diferentes projetos, principalmente agropecuários. Dentre estes, a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia - SUDAM, a Fundação Nacional do Índio – FUNAI, o Banco da Amazônia – BASA, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA, o Banco do Brasil, e o Instituto de Terras de Mato Grosso – INTERMAT.

Neste contexto favorável, com apoio institucional e financeiro de bancos, através de incentivos fiscais e creditícios, o Grupo Sinop, por intermédio da empresa

subsidiária, Colonizadora Sinop S.A., adquiriu uma grande extensão de terras205 na

região, em 1970 e, em 1972, deu início à colonização. Inicialmente foram instalados quatro núcleos urbanos e de apoio dentro da área de colonização: Vera, Santa Carmem, Cláudia e Sinop, hoje, sede do município do mesmo nome e a principal cidade do projeto206.

Em curto espaço de tempo, as “terras vazias”207, na mão da iniciativa privada,

foram transformadas em terra de negócio, como cunhou Martins (1980). A área foi dividida em lotes de diversos tamanhos que passaram a ser vendidos, principalmente no sul do país, em que “a firma Sinop S/A procurou sensibilizar colonos dos três Estados

do Extremo-Sul, com boa tradição agrícola” (SHAEFER, 1985, p. 61)208.

Conforme Aubertin et alii. (1984, p. 26-27), os proprietários destes lotes seriam, preferencialmente, os trabalhadores do norte e noroeste do Paraná: “os pequenos produtores diretos, proprietários, parceiros, meeiros, arrendatários que, devido ao processo de minifundização e mudança do uso da terra, viram-se obrigados a migrar”. Todavia, Miranda (1990, p. 51) identificou com maior precisão quem eram, de fato,

pelo capital, onde estes povos passaram a representar um “empecilho para o crescimento econômico” (ZART, 2005, p. 14). Sobre o destino dos índios e a ocupação/colonização da Amazônia, consultar Picoli (2006), O Capital e Devastação da Amazônia.

205 Seiscentos e quarenta e cinco mil (645) hectares. Segundo Schaefer (1985, p. 60), há certa dificuldade em se estabelecer com exatidão a área de um projeto de colonização, uma vez que as colonizadoras tenham se apossado de “áreas não discriminadas, incorporando-as posteriormente ao projeto”.

206Estas terras pertenciam ao município de Chapada dos Guimarães/MT, à época, o maior município em extensão do Estado de Mato Grosso.

207 Na verdade, terras que foram esvaziadas pelo projeto colonizador, pois já havia a presença de índios (Apiaká, Kayabi, Panará/Kreen-Akarore) e de posseiros.

208 Segundo o autor, “cerca de 50% dos colonos são luso-brasileiros e os restantes são de origem alemã, italiana, polonesa, japonesa, etc. [conforme levantamento de 1985]. Cerca de 35% da população é proveniente do Paraná, 30% de Santa Catarina, 20% do Rio Grande do Sul, 12% de São Paulo e os restantes 3% provêm de outros Estados” (p. 61).

estes trabalhadores: homens e mulheres com uma trajetória de vida marcada pelo constante processo de expropriação/exploração. Segundo o autor, “muitos colonos que migraram, embora radicados no Paraná, eram, originalmente, de outras partes do país, pequenos proprietários, parceiros e meeiros que vinham em busca de mais terras e terra própria para trabalhar”. E acrescenta: “os primeiros que chegaram puderam comprar terra para iniciar suas atividades, mas não permaneceram em sua totalidade. Cerca de 50% passaram adiante suas terras indo para outros lugares, como Rondônia ou para

núcleos urbanos, mudando de atividade” (Op. cit., p. 51)209.

Como o processo de ocupação não se daria, como de fato não se deu, de forma “pacífica” e “ordeira”, entram em cena os militares, pois “ocupar os ‘espaços vazios’ da Amazônia constituía muito mais do que um projeto de crescimento econômico. Tratava-se, principalmente, de uma estratégia militar de controle do espaço amazônico” (ARRUDA, 1997, p. 36). Para Sousa (2004, p. 108), “a força policial tem sido, muitas vezes, o ‘braço armado’ do capital” em defesa dos interesses burgueses que, neste caso, representava e representa a defesa das grandes propriedades. Ou ainda, segundo o autor, “dentro do processo de expansão do capitalismo na Amazônia mato-grossense, os conflitos sociais foram tratados como casos de policia”. O que significa dizer, em outros termos, a “militarização da questão agrária” (MARTINS, 1985, p. 178).

Neste espaço da fronteira que está sendo constituído, fortemente marcado pelas contradições, sempre houve os vencedores e os vencidos. É o que o capital chama de “bem sucedidos” e “mal sucedidos”. Gostaríamos de chamar a atenção, embora de forma bastante sucinta, para um aspecto para o qual se tem dado pouca importância na pesquisas, qual seja: a do significado da volta ou do “abandono” da terra, das propriedades e/ou lotes, por parte de muitos migrantes colonos. Hoje este processo se repete com muitos assentados que são parceleiros e o retorno destes é para as regiões ou cidades de origem.

Esta atitude, à primeira vista, poderia ser interpretada como resultado do fracasso do projeto colonizatório e/ou da política de Reforma Agrária implantada pelo governo (INCRA). Pelo contrário, pois o “não dar certo” refere-se aos trabalhadores e não ao projeto do capital. Segundo, estes trabalhadores “mal sucedidos” passam a desempenhar um importante papel político: o de estimulo à denúncia da forma como estes projetos

209 Muitos destes migrantes, após inúmeras idas e vindas, em busca da tão sonhada terra – aquela prometida pelas colonizadoras - se encontram, hoje, no Assentamento Gleba Mercedes V.

vêm sendo criados e gestados. Em outras palavras, significa a negação, a reprovação deste modelo de fazer políticas públicas, agrária, agrícola e educacional, como alternativas à crise criada a partir de um modelo de desenvolvimento, a modernização conservadora e, sobretudo, dolorosa do campo (SILVA, 1981). Para Santos (1985, p. 141-42), estes trabalhadores “aparecem no interior da luta pela terra, confrontando a propaganda oficial a partir de suas vivências”. E acrescenta: estes sujeitos “constituem um personagem pleno de significados sociais e políticos para a sociedade [...]”. O que, em outros termos vem a significar a recusa de um modelo de desenvolvimento que reproduz a expropriação, da terra, do saber, passando a constituírem-se como novos sujeitos e a participar/aderir à luta nos mais diferentes movimentos sociais ligados ao campo.

A ação dos movimentos sociais, porque questionadora da ordem estabelecida, “são os sinais dos tempos”, como diz Marx (2006, p. 18), “que não se deixam encobrir por mantos purpúreos ou negras sotainas”. Ou seja, podem não resolver todos os problemas do campo, o que “não significa, a ocorrência de milagres amanhã”, mas fazem com que as classes dominantes, cada vez, mais pressintam “que a sociedade atual não é um ser petrificado, mas um organismo capaz de mudar, constantemente submetido aos processos de transformação” (Op. cit., p. 18).

Para Santos (1985, p. 168), a ação dos movimentos sociais tem sua importância na medida em que, ao questionar a legitimidade da ordem estabelecida no campo, provoca e acentua a “crise da legitimidade das propostas do Estado brasileiro para a questão agrária”. E o Estado, neste caso, se vê obrigado a criar novos mecanismos no sentido de buscar superar estas crises. Como estes mecanismos ocultam interesses burgueses, pois o Estado é burguês -“o executivo no Estado moderno não é senão um comitê para gerir os negócios comuns de toda a classe burguesa” (MARX e ENGELS, 2002, p. 42), estas crises, em vez de serem superadas, aprofundam-se. São estas contradições, quando apreendidas pela classe trabalhadora, que dão movimento à história, ou seja, possibilitam as mudanças.

É importante compreendermos que, ao trazermos a questão da colonização para a análise, suas contradições, como é o caso de Sinop, estamos nos referindo aos empreendimentos comerciais do tipo capitalista. Portanto, organizados por diferentes grupos que transformam a terra em mercadoria e os trabalhadores, em mão-de-obra necessária para a viabilização destes, como uma transação de mercado (AUBERTIN et

al., 1984, p. 22). É neste sentido que Marx e Engels (2002, p. 51), já há bastante tempo, têm chamado a atenção quanto à importância da mão-de-obra para a acumulação da riqueza, no crescimento do capital, ao dizerem que “a condição de existência do capital é o trabalho assalariado”. Ou ainda: “na sociedade burguesa o trabalho vivo é sempre um meio de aumentar o trabalho acumulado” (p. 53). Segundo Sousa (2004, p. 19),

a representação da Amazônia como o novo eldorado foi, do ponto de vista político, um poderoso agente catalisador dos interesses dos trabalhadores rurais. E o mito passou a ser, nesse sentido, um instrumento de poder nas mãos dos setores dominantes.

Portanto, não só a colonização, mas toda a forma de ocupação deste espaço que se reestrutura e gera novas possibilidades (SOUSA, 2004, p. 18) - como é o caso dos assentamentos de Reforma Agrária implantados pelo INCRA no norte de MT –, devem ser vistos como estratégia de controle da fronteira. Arruda (1997, p. 180) bem define esta questão quando diz que “neste contexto, os espaços são simulados e os territórios apropriados e transformados; [...] e os seus espaços comercializados”.

Enfim, em que pesem todas as contradições produzidas pelo capital, “a nova fronteira desponta como esperança viva ao camponês de poder continuar trabalhando e vivendo na terra, isto é, a esperança vem na frente” (OLIVEIRA, 1983, p. 74). Esta esperança vem alimentando, ainda hoje, o sonho de muitos trabalhadores que para esta região se dirigem em busca de “alguma oportunidade...”, “melhorar de vida...”.