SISTEMAS INTELIGENTES DE TRANSPORTE APLICADOS EM SISTEMAS DE ALTA CAPACIDADE: O CASO BRT E METRÔ DA CIDADE DE BRASÍLIA
3. OS SISTEMAS INTELIGENTES NO BRASIL
No Brasil os Sistemas Inteligentes de Transporte, têm mostrado desenvolvimentos importantes nos últimos anos, especialmente com as realizações de eventos como a Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos no Rio em 2016.
Talvez a bilhetagem eletrônica seja um dos sistemas mais evoluídos no Brasil que na década de 70 com o início de operação do Metrô de São Paulo se aplicou o primeiro sistema de cobrança antecipada com o uso dos bilhetes Edmoson. (ANTP, 2012).
Sistemas mais modernos foram inseridos para melhorar o pagamento, especialmente com a criação do Vale Transporte no ano 1985. Mas foi somente em 1997 na cidade de Campinas que foi usado o cartão magnético. Assim na atualidade diversas cidades brasileiras usam soluções de bilhetagem eletrônica do tipo sem contato (ANTP, 2012).
Embora existam organismos especializados em ITS no mundo, somente no ano 2001 surge a Organização ITS-Brasil, que busca auxiliar nos processos de implementação dos sistemas. Neste mesmo ano a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), incorpora a ABNT NBR ISSO 14813-1:2011, que estabelece a arquitetura referencial para o setor. Isso gerou uma evolução que é vista com bons olhos em relação aos países da América Latina. Apesar disso alguns consideram que o Brasil está longe de se aproximar ao estágio encontrado em países como os Estados Unidos, Japão e os países da Europa.
3.1. Estágio brasileiro em relação à Europa, Estados Unidos e Japão
O Brasil pode ainda ser considerado muito jovem neste setor, ultimamente está experimentado com mais intensidade as melhorias dos sistemas de transporte mediante a utilização dos ITS. Como já foi visto na introdução países como os Estados Unidos, Japão e países da Europa já tiveram as suas primeiras experiências e fracassos ao longo da história, isso os fez desenvolver uma competitividade tecnológica. Os resultados deste processo são os diversos ITS e padrões criados que deixaram um importante legado de ampliação e consolidação para os diversos países do mundo.
Para medir esse estágio foram pesquisados diversos artigos e relatórios que tentaram informar o nível de desenvolvimento, funcionalidade, potencialidade e implantação dos ITS ao longo da história. Assim a tabela 2 apresenta quatro tipos distintos de estágios, cada um deles representado pelo ano de desenvolvimento da tecnologia.
Tabela 2: Estágios de desenvolvimento ITS
País Estágio 1 Estágio 2 Estágio 3 Estágio 4
Europa ALI PROMETHEUS DRIVE
ITS (Consolidado)
PROMOTE TELEMATICS
CENTRICO Smart Cities Green-ITS Estados Unidos ARCS ERGS
UTCS
IVHS MOBILITU2000
ITS (Consolidado) ITS
Green-ITS Smart Cities Japão CACS AMTICS RACS ARTS VICS SSVS
ITS (Consolidado) Smart Cities Green-ITS
Brasil Bilhetagem Eletrônica Bilhetagem Eletrônica ITS (Não Consolidado) Smart Cities (Em discussão)
Anos 1970-1980 1980-1994 1995-2000 2000-2016
Fonte: Adaptado de FIGUEREIDO 2005, DJAHEL et al. 2015
Na atualidade o cenário atual dos ITS é reconhecido por especialistas do mundo inteiro como interessante, partindo das inciativas ambientais e sustentáveis, consideram o transporte como o primeiro estágio para a transformação de uma cidade típica numa cidade inteligente. Ao longo dos últimos anos, pesquisadores de diversas empresas e universidades foram focando seus esforços em aproveitar os avanços dos sistemas inteligentes de transporte mais eficientemente, permitindo-lhes evoluir para cidades inteligentes do futuro. (DJAHEL et al., 2015)
Esse avanço que é observado nos países desenvolvidos não conseguiu ser replicado no Brasil por diversas situações relacionadas com a participação e organização das políticas públicas. No país o setor privado e o setor público têm-se afastado, em relação aos tipos de aplicações de ITS. Enquanto o setor privado ambiciona o acréscimo dos benefícios financeiros, observa-se um investimento abundante em sistemas capazes de atingir esta meta. Já em relação ao setor público, nota-se uma maior ansiedade com o gerenciamento e a fiscalização do sistema de transportes. (PEREIRA, 2007).
3.2. Estágio brasileiro em relação à América Latina
Os países da América Latina são considerados em sua grande maioria como países em desenvolvimento, encontrando-se em muitos dos casos processos de transformação social, cultural ou política, produzindo uma escassez de recursos financeiros e em alguns até de mão de obra capacitada do ponto de vista técnico e da engenharia. Mesmo assim observa-se a introdução de tecnologias com conteúdo ITS em vários países, basicamente sistemas de informação ao usuário, sistemas de bilhetagem eletrônica, sistemas de cobrança de pedágio, e muitos outros sistemas. Segundo o relatório elaborado pelo Observatório Regional de Sistemas Inteligentes de Transporte para América Latina e o Caribe no ano 2015 (ORSITAL), mostra-se que pelo menos de 8 a 10 aplicações são encontradas em países como Brasil, Colômbia, Argentina, México e o Chile.
Países como a Venezuela e o Peru apresentam uma estratégia para a implantação de Sistemas Inteligentes de Transporte, Bolívia e Honduras são países que apresentam aplicações ITS em pequena escala. Num estágio baixo ainda de nove países que foram classificados como países com menor aplicações ITS encontram-se o Equador, Costa Rica, Barbados, Republica Dominicana, Jamaica, Trinidade e Tobago, Paraguai. El Salvador e a Nicarágua, este grupo é
muito heterogêneo e não apresentam muitas aplicações. Assim para olhar o cenário Brasileiro, foram escolhidas as 10 aplicações mostradas no relatório do ORSITAL (2015), com os cinco países considerados como mais desenvolvidos nesta parte do continente, conforme tabela 3:
Tabela 3: Aplicações ITS na América Latina (ORSITAL, 2015)
Aplicações Argentina Brasil Chile Colômbia México
Cobrança de tarifas de trânsito X X X X X
AVLC X X X X X
Sistemas de Informação de trânsito ao
passageiro X X X X X
Bicicletas compartilhadas X X X X X
Gestão de Tráfego Urbano X X X X X
Execução em ambiente urbano X X X X X
Gestão de Tráfego interurbano X X X X X
Segurança Rodoviária no ambiente
interurbano X X X X X
Cobrança eletrônica de passagens X X X - X
Identificação Automática de Veículos - desenvolvimento Em - - desenvolvimento Em
Fonte: Adaptado de ORISTAL (2015).
4. MÉTODO
O método usado com a intenção de avaliar e comparar os sistemas de ITS partiu da observação
in loco, que resultaram no levantamento de dados primários de forma a conhecer os dois
sistemas de transporte público no âmbito do Distrito Federal, sendo o BRT e o Metrô. Em ambos os casos inicialmente percorreu-se o sistema como usuário e posteriormente foi feita visita ao centro de controle operacional (CCO). A data da visita ocorreu no mês de junho de 2016.Na figura 1 mostra-se o método que foi utilizado:
Figura 1: Representação do método 5. BRASÍLIA E OS ITS
Com o advento da Copa do Mundo de 2014, a cidade de Brasília recebeu vários investimentos na área de transportes. Conforme Romero (2014), no mês de março de 2014, foram liberados R$ 1,59 bilhão para o DF pelo Programa de Aceleração do Crescimento –PAC, dos quais, 60% dos recursos deveriam ser usados nos eixos Norte e Sudoeste do Expresso DF. O restante seria
Método
BRT Metrô
Criação de Categorias Visita in loco
Avaliação por especialistas e documental
para melhorias no Metrô (estudo para a expansão na Asa Norte); para o Veículo Leve sobre Trilhos - VLT com expansão até a Asa Norte; para Ônibus de Trânsito Rápido (Bus Rapid Transit) -BRT Sul e Sudoeste.
Cada um deles tem características definidas de operação, assim o BRT é um sistema que opera na superfície e pode-se adaptar as diversas condições das cidades enquanto o Metrô já tem uma diferença ao ser considerado como um meio rígido que precisa de uma infraestrutura maior e investimentos consideráveis tanto na sua operação e na sua manutenção. Os ITS destacam-se em suas diversas aplicações nos sistemas oferecendo ferramentas de comunicação com os usuários em tempo real, além de melhorar a operacionalidade dos sistemas entre outras.
5.1. Integração ITS com o BRT e Metrô
Existem muitas tecnologias com diversas características que podem ser usadas para diversos fins nos sistemas BRT e Metrô, alguns possuem diversas adaptações que podem ser aplicados até em ônibus convencionais para melhorar a sua eficiência. Os ITS para os meios de transporte são tipicamente uma combinação de tecnologias em função dos diversos recursos e objetivos, para este trabalho definiu-se em seis grupos as tecnologias, com a finalidade de se ter uma melhor organização:
Priorização de Veículo: são marcações de pista e horários de sinais simultaneamente para priorizar o trânsito atendendo as demandas dos corredores exclusivos de ônibus (WANJING
et al., 2014). Este tipo de tecnologia inclui métodos para fornecer preferências aos veículos
BRT’s, sendo que pela sua concepção os sistemas de Metrô já são concebidos com prioridade na sua infraestrutura;
Tecnologia IVI: o potencial ITS tem sido amplamente reconhecido como uma ferramenta para obtenção de ganhos consideráveis especialmente na segurança, assim grandes inciativas como os veículos inteligentes estão se desenvolvendo de maneira constante (KULMALA, 2010). Esta tecnologia é utilizada para fornecer controle ao motorista ou operador em alertas de colisão, com a finalidade de poder controlar os veículos e orientar as manobras para reduzir a gravidade dos acidentes;
Bilhetagem eletrônica: Diversas tecnologias são empregadas através de um cartão eletrônico que o usuário utiliza para realizar transações no sistema de transporte (GUERRA et al., 2014).
Gerenciamento de operações: Este tipo de tecnologias inclui métodos para prever a gestão das diversas operações com a finalidade de otimizar a frota em função da demanda. É utilizado para monitorar e melhorar a distribuição de diversos agendamentos como as manutenções e os tempos de para dos sistemas (MARTE et al., 2013).
Informação aos usuários: Estas tecnologias fornecem aos passageiros informações em tempo real sobre a estação, localização e até programação das viagens para que assim o usuário do sistema possa planejar suas atividades em função das opções disponíveis (MARTE et al., 2013).
Outras tecnologias: Neste grupo colocam-se vários tipos de tecnologias com diversas funções como os alarmes silenciosos para aumentar a segurança ou diversas funções que possam apoiar a satisfação dos usuários durante as viagens;
5.2. Aplicações das Tecnologias ITS nos sistemas BRT e Metrô de Brasília
Conforme NTU (2016), até janeiro de 2016, 19 Estados e 33 cidades somam 96 projetos com 1.234,25 km de extensão, sendo que desse total de projetos, 18 estão em operação, 19 em obras e 59 em fase de projetos que priorizam o transporte urbano por ônibus. Cidades como Goiânia
(GO), Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Uberlândia (MG), Curitiba (PR), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Uberaba (MG) e Recife (PE), já contemplam corredores BRT, sendo que IBGE (2013) afirma que o sistema de Metrô está presente em apenas 19 cidades brasileiras. Alguns desses sistemas de transporte de alta capacidade já tem várias aplicações ITS e outras estão pensando em introduzir visando a melhoria da operação dos mesmos. Neste contexto tecnológico o BRT e o Metrô de Brasília encontram-se numa fase de melhoria operacional enfocado no Plano de Mobilidade Urbana da cidade. Entre os principais projetos que o plano propõe refere-se a ampliação dos corredores do BRT e ampliação das linhas de metrôs, assim como também a integração entre estes dois meios.
Esta integração envolve uma série de fatores tecnológicos que devem ser considerados, tais como os sistemas de comunicações e o suporte necessário para manter essa integração ao longo do tempo. Para isto é preciso estabelecer a quantidade de aplicações que a cidade possui em relação a estes dois meios de transporte usando os seis grupos anteriormente citados com suas tecnologias que são apresentadas a seguir na tabela 4:
Tabela 4: Integração de tecnologia