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CAPÍTULO 6 OS SITES DE MUSEUS NA WEB E OS RECURSOS DE INTERAÇÃO

6.3 A presença de instrumentos de comunicação e interação

6.3.1 Sites museais brasileiros: pouco interativos

Os 274 museus referidos foram observados na sua integralidade e não apenas as páginas definidas como educativas, pois em visitas anteriores foi possível compreender que muitos recursos de interação podem ser considerados também de ordem educativa, embora se encontrem espalhados pelas diversas seções dos sites. Portanto, consideramos essa característica de apresentação dos museus nos registros realizados. A seguir, os resultados:

a) Fotografias, o recurso mais usual (271 registros)

Diferenciam-se em tamanho na página ou constituem sequências de imagens que permitem uma visualização em série, além de outros usos (trata-se de recurso

Visita Virtual; 57 Áudio; 28 Fotos; 271 Jogos; 31 Linha de Tempo; 40 Mapa; 67 Vídeos; 166 Exp.Online; 43 Biblioteca ou Arquivo; 69 Doc. Textuais; 131 Livros ou Catálogos; 88 E.mail; 264 Blog; 42 Esp.Comentário; 93 Facebook; 222

muito limitado em suas possibilidades interativas). Nos museus, o uso mais comum verificado para as fotografias é o de mostrar as peças do acervo e as exposições temporárias, para apresentar as instalações físicas do museu, compor narrativas visuais de eventos, registro de etapas de práticas educativas, registro da presença das escolas e outros fins. Só não houve registros de recursos imagéticos para aqueles sites que não estavam funcionando no período de averiguação. Todos os outros possuem fotografias como elemento de comunicação.

b) E-mail para comunicação com os usuários (264 registros)

A forma mais usual de apresentação é o tradicional “Fale Conosco”. Pela frequência com que aparece, deduz-se ser um espaço fundamental de contato com os usuários da página, a fim de ampliar a comunicação entre a equipe técnica do site e quem navega no ambiente virtual.

c) Rede social Facebook (222 registros)

A intenção não era fazer uma observação sistemática, mas foi possível perceber que a ferramenta é utilizada na divulgação das atividades dos museus, e mais uma vez os números confirmam sua significativa presença (81% dos sites averiguados dispõem do Facebook). Geralmente é possibilitado ao usuário, com apenas alguns cliques, “Curtir”, “Comentar” e “Compartilhar” os conteúdos postados. Destacam-se raros museus que abrem o uso da mídia para os usuários postarem conteúdos (apenas quatro instituições), ou seja, a rede social é utilizada apenas com um direcionamento de informação, do museu para os usuários. Foi possível observar que algumas instituições escolhem ter mais de um endereço na rede social, destinando um deles para uso exclusivo do setor educativo, onde são postadas as atividades desenvolvidas pelos educadores e eventos de cunho educativo.

d) Vídeos (166 registros)

Em geral, são vídeos com palestras, seminários e divulgação do acervo. Há instituições que têm procurado usar o vídeo com uma linguagem apropriada ao meio virtual para comunicar seus conteúdos educativos. Para tanto, utilizam-se de colaboradores jovens para falar aos de sua geração, ou de atores, iniciativas que aos poucos se tornam mais frequentes. A opção por abrir um canal específico no

YouTube também é muito usada, havendo instituições com um acervo de vídeos significativo.

e) Documentos para download (131 registros)

A postagem de material didático e informacional é bastante frequente. Há material relacionado às exposições com biografias de artistas, textos de cunho histórico, toda uma gama de conteúdos que qualquer pessoa pode acessar. Nos espaços educativos, costumam ser disponibilizadas cartilhas, orientação para professores e outros materiais didáticos, como jogos em papel, imagens para reprodução e outros.

f) Bibliotecas e arquivos online (69 registros)

Esses recursos são, sem dúvida, poderosos instrumentos disponíveis online para quem deseja aprender e ensinar. Permitem o acesso a toda uma série de acervos bibliográficos e iconográficos sobre muitas temáticas, e sem esses recursos os pesquisadores precisariam se deslocar até o museu.

g) Espaços para comentários (93 registros)

Surpreende a existência desses espaços de comentários referentes aos assuntos apresentados em formato textual ou audiovisual (geralmente relacionados aos vídeos que foram postados na plataforma do Youtube) e não àqueles que são apresentados na própria página do site. Entretanto, os espaços não conseguem cumprir sua função de armazenar a opinião dos internautas, pois se encontram quase sempre vazios. Deduzimos que faltam técnicas motivacionais que levem os usuários a comentar os conteúdos acessados. É um exemplo de que nem sempre a tecnologia é suficiente para haver interação.

Figura 19: Espaços para comentários disponíveis ao usuário

Fonte: Site MARGS, disponível em: <http://www.margs.rs.gov.br/publicacao/revista-no-01/>.

Acesso em: 30 04. 2018.

h) Espaços para interação com o usuário

Há alguns poucos espaços abertos e específicos para contribuição do usuário, relacionados diretamente com a questão educativa, e outros de cunho mais cultural (como o da ilustração a seguir), todos com ocorrência rara. Há indícios de que esses espaços planejados possuem uma boa aceitação pelos visitantes- usuários, que tendem a participar e que contribuem, quando solicitados, como no exemplo a seguir:

Figura 20: Espaço interativo do Museu do Café

Fonte: Disponível em: <http://www.museudocafe.org.br/c/espaco-interativo/>. Acesso em: 30 abr.

2018.

Figura 21: Espaço interativo do Museu do Café

Fonte: Disponível em: <http://www.museudocafe.org.br/c/espaco-interativo/>. Acesso em: 30 abr.

2018.

A partir do resultado da presença dos recursos de interação nos sites, foram selecionados aqueles que apresentavam 9 ou mais recursos interativos. Num total de 33 sites com esses quantitativos de recursos, alguns apresentaram até 14 recursos de interação. Tais sites podem ser considerados acima da média em relação à presença de recursos de interação, pois a maioria dos museus da amostra tem de 3 a 6 desses recursos em suas páginas, perfazendo um total de 190 sites. Pode-se inferir que as páginas de museus ainda são pouco interativas, fato que já

havíamos observado antes dessa amostragem. O cruzamento de dados nos permitiu identificar informações que são importantes para formar o contexto do quadro institucional de nossa pesquisa: das instituições mais pontuadas, 11 são privadas, 18 são públicas (9 federais, 7 estaduais e 2 municipais) e 4 são de outras categorias.