A complexidade, a fluidez, a singularidade das situações educativas ressalta a capacidade do professor de reinventar o dia-a-dia, baseando-se em tramas bastante genéricas de forma a não ficarem cerceadas em modelos. Para Perrenoud (2001), o principal desafio da prática pedagógica, consiste em que o professor se apropriar das idéias pedagógicas sem se deixar aprisionar pelas modalidades prescritas nas teorias educacionais.
Diferenciar o ensino na contemporaneidade consiste em utilizar todos os recursos disponíveis, para organizar as interações e as atividades, de modo que cada indivíduo vivencie, tão freqüentemente quanto possível, situações fecundas de aprendizagem.
Abordando a prática docente, Perrenoud (2000) destaca alguns referenciais atuais para torná-la mais coerente com os eixos de renovação dos sistemas educativos: diversificar os recursos utilizados nas situações educacionais; colocar os aprendizes no centro da ação pedagógica; recorrer ao trabalho por problemas abertos e por situações-problema; desenvolver as competências e a recontextualização de conhecimentos e, também, educar para a cidadania.
Segundo Perrenoud (2000), há também a necessidade de envolver os alunos em sua aprendizagem, suscitando o desejo de aprender, estabelecendo um sentido para o trabalho escolar, explicitando relações entre um dado saber e o seu uso em determinados contextos. É uma concepção de trabalho mais centrada nos aprendizes, considerando as atividades que realizam, as representações que estabelecem e os obstáculos que dificultam a aprendizagem.
Para o referido autor, trabalhar considerando os obstáculos à aprendizagem implica considerar que aprender não é primeiramente memorizar e estocar informações, mas reestruturar seu sistema de compreensão de mundo. Tal reestruturação demanda um complexo trabalho cognitivo que demanda lidar com a realidade de maneira simbólica e prática. Trabalhar tendo por base as representações do aprendiz implica considerar os conhecimentos já construídos em sua mente. As concepções que têm a respeito de um dado assunto fazem parte de um sistema de representações que tem sua coerência e que tem a função de explicar o seu mundo que se reconstitui constantemente. Trabalhar com base nas representações dos alunos implica, pois, interessar-se por elas, tentar compreender suas raízes e sua forma de coerência.
2.4.3 As Tecnologias e as novas paisagens educativas
As novas tecnologias permitem a criação de situações de aprendizagem ricas, complexas e diversificadas, uma vez que tanto a informação quanto a dimensão interativa são assumidas pelos indivíduos que usam essas ferramentas para criarem seus artefatos. Cabe aos professores apossarem-se das tecnologias concentrando-se na criação, na gestão e na regulação de situações de aprendizagem. Tudo isso exige um trabalho considerável de concepção, organização e de acompanhamento, sem falar dos equipamentos e dos problemas materiais.
Nesse cenário a escola, compondo um recorte da vida social e cultural, organiza de modo próprio os saberes para ensinar, as regras, as linguagens e os costumes de uma sociedade. Mesmo sendo um recorte que têm sua própria organização, a escola é parte de um todo. Nesse sentido, o que acontece dentro e fora da escola são parte de um mesmo contínuo; porém, o que se observa é que esse recorte ainda permanece separado dos lugares de entretenimento, dos espaços artísticos e culturais. Nesse recorte, o conhecimento ainda é tratado separado da diversão, da criação, da decisão e da ação.
Enquanto processo educativo, os espaços escolares também estão ligados às possibilidades de comunicação e aos artefatos disponíveis para transmitir, preservar e recuperar informação. No mundo atual, as redes informáticas crescem em ritmo vertiginoso, os sistemas multimídia se impõem com força crescente, os meios de comunicação entraram no mundo de uma maneira cada vez mais densa. As novas tecnologias da comunicação e da informação aportam novas dimensões, que permitem estruturar paisagens educativas mais ricas, variadas e complexas, possibilitando, por exemplo, “incluir o mundo na aula” e a “aula no mundo”. Nesse sentido, as práticas educacionais precisam investir na formação de produtores e leitores por diversos caminhos e linguagens. Precisam também ampliar suas concepções de linguagem, de leitura e de escrita para incorporar as mediações feitas a partir do uso das tecnologias digitais.
Com as tecnologias de informação e comunicação, os ambientes educacionais incorporam o aspecto virtual que transcende o tempo, a proximidade, a localização geográfica, a diversidade cultural e lingüística. Com o mundo se movendo tão rapidamente, as pessoas sentem a necessidade de se manter em dia, em aprendizagem constante, on-line e ocorrendo no momento necessário. Nosso tempo produz informações em excesso e um dos grandes desafios atuais é
Nesse cenário, o advento das tecnologias - projetadas para viabilizar eficazmente a informação e a comunicação - vem desempenhando um papel importante para as pessoas realizarem as atividades em que estão envolvidas (criação, trabalho, estudo).
A concepção educacional também vem sendo transformada. A informação não é mais apresentada de forma longa e dirigida pela fonte e, sim, voltada para a demanda. Os experts em determinadas áreas podem ser contatados via Internet e envolvidos em grupos de discussões. A educação tende a não estar centrada em uma dada disciplina, mas no conteúdo de que necessitamos para realizar uma determinada atividade. Quanto à utilização da tecnologia, os aprendizes não aprendem apenas sobre as tecnologias, mas, principalmente, as utilizam como recurso para aprender.
Considerando a urgência de se superar a visão fragmentada de mundo e de ser humano, tornam- se necessárias novas maneiras para apreciar e expressar os novos modos de pensar e fazer; um passo bastante útil pode ser a criação de espaços que contribuam para que o indivíduo possa manifestar sua individualidade, que permitam aflorar sua criatividade e que permitam o estabelecimento de interações e comunicações de forma integral e eficiente.