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Slams – Microesferas e Micropolíticas Territoriais

No documento São Paulo (páginas 33-38)

2 SLAMS E A MICROPOLITICA URBANA

2.3 Slams – Microesferas e Micropolíticas Territoriais

Segundo o documentário “Slam: Voz de Levante” lançado na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 2017, atualmente nos EUA slammers se movimentam na cidade para participar dos Slams que acontecem em locais privados.

A periferia passa a ocupar outros espaços, de acordo com o documentário exibido em 25 de outubro de 2017, no Itaú Cinemas Frei Caneca em São Paulo, pessoas partem das margens para o centro portando apenas o dinheiro da passagem e textos próprios preparados para participarem da competição que nos Estados Unidos acontecem em locais institucionais.

No Brasil, a maioria dos Slams ocorre em espaços públicos. O Slam Resistência é o único que acontece com frequência, toda primeira segunda feira do mês, em um espaço público no centro da cidade de São Paulo, na Praça Roosevelt.

O evento com maior quantidade de acessos, online e no momento em que acontece a competição de poesia original e performática, é o mais conhecido da cidade. Pode ser entendido aqui como ponto de encontro, um local fértil para a liberdade de expressão, sem distinção de pessoas e o início de uma conversa entre periferia e os centros urbanos, além dos eventos de poesia oferecidos pela Virada Cultural.

Em uma conversa informal, com um dos poetas que competiam no Slam Resistência, Praça Roosevelt, no dia 04 de Setembro de 2017, foi descoberto que o deslocamento dentro da cidade de São Paulo também acontece como em Nova Iorque, nos EUA, a periferia vai ao centro.

De acordo com o texto “Post-it City: los otros espacios publicos de la ciudad europea”, de Giovani La Varra, encontrado no livro Mutations (KOOLHAAS; KWINTER; FABRICIUS; BOERI; OBRIST; TAZI, 2000, p. 426) na Europa os usos dos espaços públicos estão em mutação assim como os novos espaços

direcionados para este movimento ou ocupação. Possibilita a diversidade de indivíduos e a materialidade dos espaços devido ao fluxo, mobilidade urbana tanto nas margens como nos centros. A criação de outros espaços transfigura o sentido e o valor dados para os espaços públicos e construídos.

Através das dinâmicas da vida coletiva no ambiente urbano surge uma reinterpretação temporal do espaço público, espaços que passam a se colocar em função da ocasião. Lugares de reconhecimento dos próprios indivíduos fora dos canais convencionais.

O centro de São Paulo é referência para o Movimento Hip Hop desde o surgimento do movimento no país, nos anos 80. Movimento que passa a acontecer alguns anos após a implantação do sistema de transporte metropolitano facilitando o fluxo de indivíduos e possibilitando contato com outros lugares.

Atualmente, alguns escritores vão até o centro da cidade participar do Slam Resistência somente com o dinheiro da condução que o leva até o local. O que diferencia a situação de São Paulo de Nova Iorque atualmente, é que alguns poetas levam consigo pequenos poemas originais escritos à mão, em pequenos papéis retirados de cadernos e oferecem às pessoas que estão presentes no momento da ocupação do território, ou cópias de poesias e desenhos feitos pelos próprios poetas.

A intenção do poeta com quem foram trocadas informações, era poder participar do evento sem qualquer custo, e não vender a arte que produzia. O produto que estava oferecendo valia qualquer moeda, “pra ajudar na passagem de volta”, disse o slammer.

Enquanto o Slam acontece está surgindo o espaço intermediário. O slammer compete e faz conexões pessoais ou não com outros indivíduos que estão naquele espaço. Passantes ou poetas, usuários do espaço público, skatistas, curiosos, participantes. O slammer vende a própria arte com custo quase zero e constrói vínculos sociais e profissionais com outros poetas de outros Slams de outros bairros da cidade de São Paulo12.

12 Durante o estudo de caso, o breve mapeamento dos Slams na cidade de São Paulo,

nota-se que a maioria dos movimentos de resistência e eventos promovidos pelas batalhas de poesia passam a ter força depois de 2013. Interessante fazer uma relação das manifestações que ocorreram no Brasil em 2013, contra o aumento das passagens do transporte público, ou manifestações dos 20 centavos. “Em junho de 2013, um aumento nas tarifas de transporte público provocou protestos em São Paulo, dando início a uma nova

Abaixo apresenta-se um breve mapeamento, até 2015, sobre o fluxo dos primeiros Slams da cidade de São Paulo. Interessante observar a concentração de indivíduos frequentadores e produtores, participantes ou não das atividades promovidas por cada Slam apresentado no mapa. Nota-se que os Slams ocorrentes na Zona Sul como nos bairros Vila Mariana e Pinheiros, Zona Leste como em São Miguel e Centro, por exemplo, Barra Funda apresentam maior aglomeração de eventos.

onda de ativismo político”. FONTE: 20 Centavos. Tiago Tambelli. Documentário. Brasil: 2014. (52 minutos)

Figura 23: Mapa da cidade de São Paulo, 2016. FONTE: IBGE, modificado por Raíssa de

Araujo Dias. Disponível em:

ftp://geoftp.ibge.gov.br/organizacao_do_territorio/malhas_territoriais/, acesso em: 12 de março de 2018. Apresenta a localização original dos Slams, onde surgiram, mapeados até Dezembro de 2015, de acordo com as eliminatórias do Slam BR do mesmo ano. FONTE: Evento Slam BR 2015, no Facebook, criado por Roberta Estrela D’alva, Emerson Alcalde, Thiago Peixoto, Lews Barbosa, Lucas Afonso, Will Junio, Adelson Chaves e Marcos Bassini.

Disponível em: https://www.facebook.com/SlamDo13/,

https://www.facebook.com/slamdaguilhermina/, https://www.facebook.com/slamresistencia/, https://www.facebook.com/Slam-Fun%C3%A7%C3%A3o-379901975517497/, https://www.facebook.com/zapslam/ https://www.facebook.com/menorslamdomundo/, https://www.facebook.com/Corposinalizante/, https://www.facebook.com/SlamdaPonta/, https://www.facebook.com/slamdogrito/, https://www.facebook.com/slamrachaopoetico/ https://www.facebook.com/slamdocorre/acesso em: 12 de março de 2018.

Figura 24: Mapa da cidade de São Paulo, 2016. FONTE: IBGE modificado por Raíssa de

Araujo Dias. Disponível em:

ftp://geoftp.ibge.gov.br/organizacao_do_territorio/malhas_territoriais/, acesso em: 12 de março de 2018. Apresenta os Slams surgidos até dezembro de 2015 e seus fluxos até março de 2018, partindo do bairro de origem de cada Slam. FONTE: Eventos dos Slams ZAP!, do Corpo, Menor Slam do Mundo, da Guilhermina, Resistência, da Ponta, do Grito, do 13, Slam Rachão, Slam Função e do Corre, no Facebook, organizados pelas páginas

oficiais de cada Slam. Disponível em: https://www.facebook.com/SlamDo13/,

https://www.facebook.com/slamdaguilhermina/, https://www.facebook.com/slamresistencia/, https://www.facebook.com/Slam-Fun%C3%A7%C3%A3o-379901975517497/, https://www.facebook.com/zapslam/ https://www.facebook.com/menorslamdomundo/, https://www.facebook.com/Corposinalizante/, https://www.facebook.com/SlamdaPonta/, https://www.facebook.com/slamdogrito/, https://www.facebook.com/slamrachaopoetico/ https://www.facebook.com/slamdocorre/, https://www.facebook.com/events/440108519524300/,

No documento São Paulo (páginas 33-38)

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