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SLAM RESISTÊNCIA E AS MICROTERRITORIALIZAÇÕES URBANAS

São Paulo

2018

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SLAMS RESISTÊNCIA E AS MICROTERRITORIALIZAÇÕES URBANAS

Dissertação apresentada ao programa de Pós Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie como requisito à título de Mestre em Arquitetura e Urbanismo.

ORIENTADOR: Professor Pós Doutor Igor Guatelli

São Paulo

2018

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D541s Dias, Raíssa de Araujo.

Slam Resistência e as Microterritorializações Urbanas / Raíssa de Araujo Dias.

57 f. : il. ; 30 cm

Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2018.

Orientador: Igor Guatelli.

Bibliografia: f. 56-57.

1. Cidade. 2. Espaço. 3. Slam. 4. Sujeito. 5. Território. I.

Guatelli, Igor, orientador. II. Slam Resistência e as Microterritorializações Urbanas.

CDD 711.4 Bibliotecária Responsável: Giovanna Cardoso Brasil CRB-8/9605

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“A arte não me levou aonde eu queria mas fez do meu coração um lugar habitável”.

Ni Brisant

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Este trabalho tem como objetivo expor e discorrer sobre uma das diversas formas de expressão marginal existentes nas cidades, buscando uma possível intersecção entre tais formas de expressão artística e a emergência de outras ou novas territorialidades no espaço público. Partindo das expressões marginais nascidas no movimento hip-hop norte americano da década de 70 e no Brasil na década de 80, também inspiração em outras diversas manifestações e movimentos artísticos internacionais e nacionais, como as instalações, os happenings e as performances, busca-se apreender e refletir sobre um outro “ethos” urbano trazido por uma arte que combina o lírico e a revolta ao manifestar-se em algumas praças e edifícios da cidade tratadas aqui como “espaços intermediários”. Neste trabalho, essa outra territorialidade (ou um espaço intermediário entre o espaço público extensivo e o espaço privado) será considerado um local fértil para a liberdade de expressão, sugerindo a apropriação e a criação livre de seus usuários, impulsionando o surgimento de reduzidos “outros espaços” que acontecem a partir do uso, uma

“arquitetura espontânea” do espaço gerada a partir do entendimento destes processos de apropriação das cidades pelas linguagens marginais e contestatórias presentes nos Slams – coletivos onde poetas leem ou recitam uma poesia própria de maneira performática, em forma de batalha - na cidade de São Paulo. Parte-se de uma discussão para a construção de uma cartografia da ação contestatória do sujeito na cidade, sua expressão e esse outro espaço produzido como insumo para uma reflexão sobre o espaço público na contemporaneidade. Espera-se que ao final do trabalho, seja possível, matizar mesmo que enquanto conceito, aquilo que seria uma arquitetura sensível a tal “ethos” urbano.

Palavras-chave: Cidade. Espaço. Slam. Sujeito. Território.

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This paper aims to expose and discuss one of the many forms of marginal expression existing in cities, seeking a possible intersection between such forms of artistic expression and the emergence of other or new territorialities in the public space. Starting from the marginal expressions born in the American hip-hop movement of the 70's and in Brazil in the 80's, also inspiration in other diverse manifestations and international and national artistic movements, such as installations, happenings and performances, it is sought apprehend and reflect on another urban ethos brought about by an art that combines lyrical and revolt by manifesting itself in some squares and buildings of the city treated here as

"intermediate spaces". In this work, this other territoriality (or an intermediate space between the extensive public space and the private space) will be considered a fertile place for freedom of expression, suggesting the appropriation and free creation of its users, impelling the emergence of small "others spaces "that happen from the use, a"

spontaneous architecture "of the space generated from the understanding of these processes of appropriation of the cities by the marginal and contestatory languages present in the collective Slams where poets read or recite a poetry of their own in a performative way, in form of battle - in the city of São Paulo. It starts from a discussion for the construction of a cartography of the contestatory action of the subject in the city, its expression and that other space produced as input for a reflection on the public space in the contemporaneity. It is hoped that at the end of the work, it is possible to qualify even as a concept, what would be an architecture sensitive to such urban ethos.

Keywords: City. Space. Slam. Subject. Territory.

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1 INTRODUÇÃO --- 09

1.1 Justificativa --- 13

1.2 Objetivo --- 14

2 SLAMS E A MICROPOLITICA URBANA --- 16

2.1 Slams - Máquina de Guerra: Potência Ativa --- 22

2.2 Slams - Microesferas e Micropolíticas Sociais --- 27

2.3 Slams – Microesferas e Micropolíticas Territoriais --- 31

3 ESPAÇO INTERMEDIÁRIO --- 36

3.1 O Espaço Outro, Outros Espaços no Espaço, Dentro do Espaço --- 38

3.2 Centro Cultural São Paulo: Território em Devir --- 43

4 SLAM E ARQUITETURA: UM AGENCIAMENTO POSSÍVEL? --- 47

5 CONSIDERAÇÕES INCONCLUSAS --- 51

REFERÊNCIAS --- 56

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Figura 1 Slam Resistência, Praça Roosevelt --- 11

Figura 2 Slam Resistência, Praça Roosevelt --- 15

Figura 3 Slam Resistência, Praça Roosevelt --- 18

Figura 4 ZAP! Slam, Virada Cultural --- 19

Figura 5 ZAP! Slam, Virada Cultural --- 19

Figura 6 Slam Resistência, Praça Roosevelt --- 21

Figura 7 Slam Resistência, Praça Roosevelt --- 21

Figura 8 a 11 Slam Resistência, Praça Roosevelt --- 22

Figura 12 Página Oficial no Facebook do Slam Resistência --- 23

Figura 13 Página Oficial no Facebook do Slam do 13 --- 23

Figura 14 Instagram oficial do Slam do 13 --- 23

Figura 15 Instagram oficial do Slam Resistência --- 23

Figura 16 Na imagem, fundadores e organizadores do Slam do 13 --- 24

Figura 17 Slam Resistência, Praça Roosevelt --- 24

Figura 18 Slam Resistência, Praça Roosevelt --- 25

Figura 19 Slam Resistência, Praça Roosevelt --- 27

Figura 20 Slam Resistência, Praça Roosevelt --- 28

Figura 21 Slam Resistência, Praça Roosevelt --- 29

Figura 22 Slam Resistência, Praça Roosevelt --- 30

Figura 23 Mapa da cidade de São Paulo --- 33

Figura 24 Mapa da cidade de São Paulo --- 35

Figura 25 Slam Resistência, Praça Roosevelt --- 37

Figura 26 Slam Resistência, Praça Roosevelt --- 40

Figura 27 Slam Resistência, Praça Roosevelt --- 42

Figura 28 Centro Cultural São Paulo --- 43

Figura 29 Centro Cultural São Paulo --- 43

Figura 30 Centro Cultural São Paulo --- 43

Figura 31 Centro Cultural São Paulo --- 44

Figura 32 Centro Cultural São Paulo --- 44

Figura 33 Centro Cultural São Paulo --- 44

Figura 34 Centro Cultural São Paulo --- 44

Figura 35 Centro Cultural São Paulo --- 45

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Figura 38 Slam Resistência, Praça Roosevelt --- 49 Figura 39 Slam Resistência, Praça Roosevelt --- 50

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1 INTRODUÇÃO: O Corpo e a Rua

A arte que se expressa na cidade de maneira marginal1, e em diálogo constante com os espaços, é considerada uma crítica à sociedade ou um grito desesperado de uma comunidade, grupo ou indivíduo.

Quando o assunto é a arte urbana contestatória, o Movimento Hip Hop, surgido na periferia de Nova York, durante os anos 70, é aqui entendido como ponto de partida de uma trajetória recente, na qual diversas formas de linguagem, popular2 e marginal, viriam a nascer nas cidades.

Tais formas de expressão popular tomam relevante importância no contexto das cidades daquele momento, tal fato mantêm-se presente ainda hoje nas cidades brasileiras, sobretudo nos grandes centros urbanos. É inegável a importância do grafite e do rap como formas de expressão e auto reconhecimento.

No Brasil, desde os anos 80, “partindo de questões sociais diferenciadas”

segundo Mariane Lemos Lourenço (2010), “O Movimento Hip Hop e a Constituição dos Narradores Urbanos”, tomam força na cidade de São Paulo. Este movimento tem início com encontros de letristas de rap, de áreas periféricas distintas, perto da estação de metrô São Bento no centro da cidade.

O direito à cidade é, portanto, muito mais do que um direito de acesso individual ou grupal aos recursos que a cidade incorpora: é um direito de mudar e reinventar a cidade, mas de acordo com nossos mais profundos desejos. (HARVEY, 2012, p. 28)

Os encontros realizados pelo Movimento Hip Hop provocaram não apenas um novo conceito de arte da periferia – em diálogo com as áreas centrais – mas

1 De acordo com o Glossário de Derrida (1976), desenvolvido por Silviano Santiago e pesquisadores do Departamento de Letras da PUC do Rio de Janeiro, a palavra ‘marginal’

surge do conceito de ‘margem’: A margem não é um além, o que prescreveria o limite. Não é, por conseguinte, um “fora” em oposição a um dentro. O limite é violentado, rasura-se, perde-se; o próprio e o outro jogam; a perda é o encontro. E o primeiro texto é desvelado (ao menos, em parte), permite-se ser contrariado em sua opacidade inicial. O fora e o dentro se reescrevem e não se separam. A margem e o “marginalizado”, o “disseminado”, o

“suplemento” e a possibilidade de ser da escritura (re)compõem o texto; mais do que exteriores a ele, são o “interior do interior”, razão de ser da estrutura que se deixa ler dentro (e) fora da superfície.

2 Milton Santos (2000), em Para uma Outra Globalização descreve sobre o processo histórico de globalização e sobre um outro mundo em que “as pessoas constituiriam a principal preocupação, um verdadeiro período popular da história, já entremostrado pelas fragmentações e particularizações sensíveis em toda a parte devidas à cultura e ao território” (p.119).

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também a necessidade de ocupação do espaço. Passa a existir uma nova maneira de intervir na cidade e de se instalar em qualquer lugar que aparenta qualquer necessidade de vida, onde um simples cidadão se torna protagonista da própria história.

A intervenção, entendida aqui como forma de ocupação e uma maneira de integrar o espaço, o objeto e as pessoas, provoca a interatividade do usuário ou observador com o ambiente ou a cidade.

Além disso, é um direito mais coletivo do que individual, uma vez que reinventar a cidade depende inevitavelmente do exercício de um poder coletivo sobre o processo de urbanização. (HARVEY, 2012, p.

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Através de sua expressão, que poderá manifestar-se ou não neste lugar, usurpando e deturpando o sentido dado, o arquiteto Igor Guatelli (2012, p. 116), no livro “Arquitetura dos Entre Lugares”, sugere que “as essências relacionadas ao habitar seriam substituídas pelo acidental”.

Este trabalho se propõe a produção no campo da arquitetura, dos rastros de uma intervenção inspirada e sensível às diversas formas de manifestação urbanas surgidas nos espaços e estruturas de São Paulo, usando como objeto de estudo o Slam Resistência3.

Foi em um bar periférico do norte de Chicago que o Slam nasceu, quando um operário da construção civil e poeta Marc Kelly Smith fez um show chamado Uptown Poetry Slam – o primeiro do gênero. As regras simples criadas por Marc em 1986 permanecem. Não vale usar figurinos, acessórios, cenário ou acompanhamento musical. A poesia deve ser autoral, precisa ser recitada em até três minutos.

(PRATA, 2017, p. 26-27)

3 O primeiro Slam em um espaço público no centro da cidade de São Paulo, acontece desde 2014, na Praça Roosevelt toda primeira segunda-feira do mês. Em uma conversa informal com um dos poetas frequentadores da competição de poesia (spoken word), foi descoberto que o Slam Resistência não está sendo organizado atualmente pelos organizadores originais. FONTE: Página Oficial do Slam Resistência no Facebook. Disponível em:

https://www.facebook.com/slamresistencia/, acesso em: 24 de maio de 2018.

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Figura 1: Slam Resistência Primeira Edição, Praça Roosevelt, São Paulo, Outubro de 2014.

FONTE: Acervo Slam Resistência. Disponível em:

https://www.facebook.com/slamresistencia/, acesso em: 07 de fevereiro de 2018. Nota-se a utilização das estruturas da Praça – pelos usuários, como a configuração de uma plateia participante da intervenção.

A existência do espaço entre lugares ou intermediário, a partir de intervenções marginais e perturbadoras será a chance de recriar nosso modelo de cidade, de desenvolvimento e de liberdade. Segundo Guatelli (2008) em

“Contaminações Construtivas do Espaço Urbano: Cultura urbana através da intertextualidade e do entre”, para Arquitextos:

O espaço intermediário seria compreendido aqui justamente como uma in-definição, um espaço aberto às significações entre espaços definidos, espaços que seriam os agentes catalisadores, motivadores dessas ações dos usuários, desses eventos, desses acontecimentos inesperados que surgiriam e permaneceriam sempre em processo, transitórios, jamais se firmando como atividade dominante que pudesse se transformar em uma convenção de uso, e onde o programa não seria determinado pelo arquiteto, mas mutável, estaria sempre sendo solicitado e conformado por essas ações.

A arte se torna componente de uma sociedade que se encontra em constante movimento, sem referentes fixos. Traduz um papel simbólico da arquitetura, com diferentes pontos de produção e difusão, um novo planejamento de como se projetar a arte no espaço como maneira de ocupação.

Nós vivemos na época da simultaneidade: nós vivemos na época da justaposição, do próximo e do longínquo, do lado-a-lado e do disperso. Julgo que ocupamos um tempo no qual a nossa experiência do mundo se assemelha mais a uma rede que vai ligando pontos e se intersecta com a sua própria meada do que propriamente a uma vivência que se vai enriquecendo com o tempo.

(FOUCAULT, 1984, p. 78)

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Em 1960 seria lançado o “Manifesto da Internacional Situacionista” de cunho social, cultural e político. O situacionismo4 teve início na Europa e reuniu poetas, arquitetos, artistas plásticos, cineastas e outros profissionais que se denominavam dotados de uma ideologia marginal:

Os situacionistas chegaram a uma convicção exatamente contrária daquela dos arquitetos modernos. Enquanto os modernos acreditaram, em um primeiro momento, que a arquitetura e o urbanismo poderiam mudar a sociedade, os situacionistas estavam convictos de que a própria sociedade deveria mudar a arquitetura e o urbanismo. Enquanto os modernos chegaram a achar, como Le Corbusier, que a arquitetura poderia evitar a revolução, os situacionistas, ao contrário, queriam provocar a revolução, e pretendiam usar a arquitetura e o ambiente urbano em geral para induzir à participação, para contribuir nessa revolução da vida cotidiana contra a alienação e a passividade da sociedade.

(JACQUES, 2003, p.19)

A natureza da obsolescência na arquitetura efêmera provoca uma necessidade de atualizar a mensagem, que é uma das virtudes da arte. A liberdade de expressão permite aos artistas compor algo que reflete valores ou denunciam injustiças e opressões, a ocupação do espaço através da expressão do Slam Resistência no espaço público:

Disso advêm algumas questões correlatas: todas as pessoas se apropriam e percebem o espaço, ou a forma, da mesma maneira, ou, na maioria das vezes, como o arquiteto pretende que elas percebam ou se apropriem? É possível o arquiteto determinar que exista uma forma adequada para cada tipo de uso, imaginando uma uniformização da percepção forma-espacial e uma estandardização

4 O situacionismo é um movimento surgido na Itália nos anos 60 que influencia toda a Europa, até seu fim em 1972. A última fase do movimento trazia textos de Guy Debord (1931 - 1994) sobre anarquismo e surrealismo, criticava o modo de vida capitalista utilizando a expressão “espetacular mercantil” para a cultura de consumo da época. Estudantes de Paris nos protestos de Maio de 68 foram influenciados pelo Manifesto Internacional Situacionista. No início da revolta, protestos estudantis se estenderam aos trabalhadores, na França e desencadearam na queda do governo do general De Gaulle. No referencial teórico, Apologia da Deriva, de Paola Jacques (2003) foram encontrados dados relevantes para este trabalho, sobre como aconteceram os movimentos sociais na Europa nos anos 60: “O que é de fato uma situação? É a realização de um jogo superior, ou mais exatamente a provocação para esse jogo que é a presença humana. Os jogadores revolucionários de todos os países podem unir-se na IS para começar a sair da pré-história da vida cotidiana.

Desde já propomos uma organização autônoma dos produtores da nova cultura, independente das organizações políticas e sindicais que existem no momento, por não lhes reconhecermos a capacidade de organizar algo diferente do arranjo do que já existe.”

Internacional Situacionista – IS, n 4, Junho de 1960. (JACQUES, 2003, p. 126-128)

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dos movimentos das pessoas nesse espaço? (GUATELLI, 2008, 094.00)

1.1 Justificativa

A origem de minhas preocupações para este trabalho teve início em 2013 quando como vivência e experiência participei do Coletivo Esquina5 na cidade de Poços de Caldas, Minas Gerais. Para circular em diferentes espaços, o movimento Esquina passou a promover intervenções culturais e artísticas nos locais públicos e institucionais das periferias e centro da cidade, a fim de propor o diálogo entre as artes em diferentes ambientes.

A partir da busca de novas possibilidades de ocupação, de outros modos de existência nas cidades e resistência, de intervenções perturbadoras como os Slams, em locais públicos, surge o Slam Resistência. Como estudo de caso para este trabalho, o Slam Resistência acontece na Praça Roosevelt, no centro da cidade de São Paulo, toda primeira segunda feira do mês, considerado aqui como formatos estéticos conjugados a micropolíticas6 no espaço público.

5De acordo com a descrição do próprio Movimento Esquina Intervenções Urbanas (2013):

“Como vivência e experiência, o Coletivo Esquina surgiu de um grupo de oito pessoas que se formou em Gestão Cultural pelo Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais e é uma iniciativa que busca sensibilizar as pessoas por meio da cultura, difundir e espalhar a literatura, a fotografia, a música, o teatro e as artes visuais através de intervenções em espaços públicos e institucionais da cidade de Poços de Caldas, Minas Gerais. Para circular em diferentes espaços, o movimento Esquina promove intervenções culturais e artísticas nos locais públicos e institucionais das periferias e centros centrais da cidade, a fim de propor o diálogo entre as artes em diferentes ambientes. A ideia foi importada dos saraus que acontecem no estado de São Paulo, traz um “microfone”

disponível ao público, que pode contribuir com contação de poesias e performances teatrais de poemas, além da contribuição com variadas formas de arte. Os eventos oferecem também varal de fotos com imagens clicadas por fotógrafos da cidade, em intervenções que já aconteceram nas periferias e a distribuição de poesias de autores vivos da literatura marginal, além de cartazes com frases significativas de rap. O intuito é fazer com que a literatura seja levada para casa, tocada e distribuída. Durante os encontros, através da palavra falada, os idealizadores querem popularizar a cultura na cidade e fazer com a que as pessoas que apreciam a arte circulem em diferentes ambientes. A ideia é tirar a poesia das bibliotecas e levá-la para os saraus, para dar voz à população, tornar a população protagonista da própria história e multiplicadora de cultura. O intuito do movimento Esquina é ser democrático, receber públicos de todas as idades, sejam crianças, adolescentes, adultos ou idosos, sem distinção de pessoas, seja por condição social, etnia, deficiência física ou sensorial, gênero, faixa etária, domicílio e ocupação”.

6 Segundo Suely Rolnik (2018), em entrevista sobre seus estudos sobre micropolítica surgidas atualmente sobre o inconsciente colonial-capitalístico na América Latina em relação às questões socioeconômicas “Em vez de sucumbir à melancolia, ou seja à impossibilidade de fazer o luto do objeto perdido e permanecer eternamente colada a este,

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1.2 Objetivo

Como objetivo, uma problematização teórico-conceitual desses lugares onde os Slams acontecem e no momento em que acontecem foi realizada. A partir de um trabalho de campo pela captura de imagens, e acesso às redes sociais do Slam Resistência, como objetivo específico para esta dissertação. Associado a essa discussão conceitual e inteligível, uma pesquisa também imagética foi feita de ocupações encontradas no Centro Cultural São Paulo.

O material levantado tem como intuito investigar o processo singular de interação social, uma guerra poética no momento em que acontece o Slam Resistência. Nos seus rastros, emerge uma arquitetura sensível a tal intervenção de arte que é esse Slam – a batalha de poesia original falada, e ocupação do espaço analisando o sujeito. Refletir sobre a extensão política e social dessa ação no espaço, incluindo o indivíduo, presente em Michel Foucault (2006, p. 13):

Parece-me que a aposta, o desafio que toda história do pensamento deve suscitar, está precisamente em apreender o momento em que um fenômeno cultural, de dimensão determinada, pode efetivamente constituir, na história do pensamento, um momento decisivo no qual se acha comprometido até mesmo nosso modo de ser de sujeito moderno.

A intenção deste trabalho é a produção de uma cartografia urbana gerada a partir das urbanidades e territorialidades provenientes da arte urbana contestatória, neste caso, os Slams como ponto de partida. Essa cartografia será o material para reflexões sobre o fazer arquitetônico na contemporaneidade.

O evento, no momento em que acontece o Slam Resistência, um indivíduo reconhece o outro e provoca a articulação no espaço. Passa a existir um processo de subjetivação emancipada, não conduzida ou imposta, no processo de construção

sinto que graças ao desmoronamento deste mundo idealizado, podemos reconhecer mais claramente que é preciso deslocar-se da micropolítica dominante, a qual abarca a própria esquerda. Refiro-me à micropolítica reativa do inconsciente colonial-capitalístico que comanda o sujeito moderno que, todavia, encarnamos, inclusive na esquerda. É nesta direção que se move um novo tipo de ativismo, que vem se propagando na sociedade brasileira e que se caracteriza precisamente pela invenção de múltiplas formas de ação micropolítica. Estas talvez já não caibam no imaginário das esquerdas, sobretudo em sua versão partidária e sindical, e menos ainda no binômio esquerda x direita.” FONTE:

https://www.goethe.de/ins/br/pt/kul/fok/rul/20790860.html, acesso em: 26 de novembro de 2018.

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de um sujeito. Nos rastros dessa investigação toda, emerge uma questão espacial sensível ao estado da arte e no modo operante da arquitetura na atualidade:

Michel Foucault nos interpela no sentido de que somos responsáveis, sempre onde estamos, pela produção e reprodução ou pelo questionamento e inflexão das figuras de saber, das relações de poder, das práticas estratégicas que constituem espaços de exclusão, de segregação, de censura, de interdição, de reclusão, de silenciamento, que fazem parte da maquinaria social que sustentamos. Refletir, portanto, sobre onde estamos, onde nos situamos, quais os espaços que constituímos e que nos constituem, que segmentações espaciais atualizamos em cada uma de nossas ações. (MUNIZ; VEIGA; SOUZA, 2008, p. 11-12)

Figura 2: Slam Resistência, Praça Roosevelt, São Paulo, 2017. IMAGEM: Vitor Villaça Campanario, em: 04 de setembro de 2017.

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2 SLAMS E MICROPOLÍTICA URBANA

Foucault mostrava em seu curso O Nascimento da Biopolítica, que a democracia nessa sociedade que já não era mais só disciplinar e que mais tarde Gilles Deleuze anunciou como sociedade de controle, de intermináveis controles -, ampliava conservadorismos políticos, penalidades e religiosidades. Então, um parresiasta se atualiza ao questionar a democracia não pela sua bula, mas pelo paradoxo que faz conviver crescimento de liberdades com ampliação de assujeitamentos; ao discutir os anarquismos diante de sua incorporação no interior de lutas democráticas. (PASSETTI et al., 2008, p. 110)

O trabalho centra-se em uma investigação dos rastros deixados pelos Poetry Slam ou Slam – encontros de poesia falada, ou spoken word e performática. Em forma de competição, um júri popular é escolhido aleatoriamente entre o público no início do evento. O evento é divulgado com antecedência em data, hora e local através das redes sociais pelos organizadores de cada Slam da cidade de São Paulo, surgido em 2008. Logo em seguida do fim da performance, o júri apresenta a nota aos slammers7, ou poetas, levando em consideração principalmente dois critérios: a poesia e o desempenho, além do tempo de performance que não deve exceder três minutos. Se exceder o tempo, o próprio público levanta a mão para sinalizar sobre. Em cada evento podem ser inscritos uma quantidade variável de slammers, enquanto cada um deles está declamando, quem assiste a performance deve ficar em silêncio. A força dos aplausos e gritos do público, ao final da apresentação, demonstra preferência ao slammer ou poesia que mais gostaram, serão os prováveis ganhadores da competição.

O fato é que no Slam o que menos importa é a nota. Campeão ou não, todos ganham: artistas e o público. As poesias dão a oportunidade da pessoa se ver e se identificar na fala da outra, que as vezes nem conhece. Sonhos são compartilhados por todos.

(LETA, Voz das Comunidades, 24 de janeiro de 2018)

As regras básicas, de 1986 surgidas nos EUA prevalecem: é proibido o uso de figurino ou objeto cênico durante a performance, os textos declamados devem ser originais, próprio de cada poeta.

O formato da competição diz que o poeta ou poetisa não deve usar adereços ou ferramentas cênicas, não pode ter acompanhamento

7 Slammer é o nome dado aos poetas que possuem textos próprios que competem nos slams. FONTE: Documentário Slam Voz de Levante, 2017.

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musical e deve falar poesias de sua autoria. O tema das poesias é livre, valorizando a liberdade de expressão. (LETA, Voz das Comunidades, 24 de janeiro de 2018)

Porém alguns Slams recentemente começam a possuir regras particulares, pequenas mudanças que fazem cada Slam ser único pela forma como se organiza e configura, como as heterotopias8 de Michel Foucault (1984).

O parresiasta é próprio da democracia ateniense e também da anarquia contemporânea. Ele pratica a verdade como obrigação e exige franqueza; escolhe a fala em vez do silêncio; reconhece o risco de morte sobre a segurança; evita a lisonja; faz de sua atitude uma obrigação moral em vez de agir segundo uma conduta relativa ao próprio interesse ou ao aparato moral. No campo filosófico, a parrésia está relacionada com o cuidado de si. A palavra parrésia, que apareceu primeiro na tragédia mais racional de Eurípedes, em latim se transformou em libertas (liberdade de quem fala) (PASSETTI et al., 2008, p. 110).

Cada Slam de poesia possui um grito de guerra único e diferente. Quando o poeta, pronto para competir, começa a performance, antes, os mestres de cerimônia gritam e o público repete o grito de guerra do Slam. A partir daí todos no local ficam em silêncio até que o slammer termine a performance.

8 Conceito que foi criado por Michel Foucault, para uma Conferência em Paris, em 1967. No

texto “De Outros Espaços”, o autor comenta sobre um “espaço outro” onde acontecem relações além do tempo. Também além dos espaços pré-determinados para relações que já acontecem, como espaços projetados para encontros. “Nós vivemos na época da simultaneidade: nós vivemos na época da justaposição, do próximo e do longínquo, do lado- a-lado e do disperso. Julgo que ocupamos um tempo no qual a nossa experiência do mundo se assemelha mais a uma rede que vai ligando pontos e se intersecta com a sua própria meada do que propriamente a uma vivência que se vai enriquecendo com o tempo.” (p. 78).

Este conceito de Foucault, a heterotopia, será discutido mais adiante neste trabalho. “O espaço no qual vivemos, que nos leva para fora de nós mesmos, no qual a erosão das nossas vidas, do nosso tempo e da nossa história se processa num contínuo, o espaço que nos mói, é também, em si próprio, um espaço heterogêneo. Por outras palavras, não vivemos numa espécie de vácuo, no qual se colocam indivíduos e coisas, num vácuo que pode ser preenchido por vários tons de luz. Vivemos, sim, numa série de relações que delineiam lugares decididamente irredutíveis uns aos outros e que não se podem sobre- impor.” (p. 79)

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Figura 3: Slam Resistência, Praça Roosevelt, São Paulo, 2017. IMAGEM: Vitor Villaça Campanario, em: 04 de setembro de 2017.

O Slam é uma celebração da poesia original falada na cidade de São Paulo que acontece desde de 2008. A precursora dos eventos de Poetry Slam na cidade foi Roberta Estrela D’álva, artista referência para o Movimento Hip Hop da cidade, segundo a Revista Brasileiros (2017). “Em 2008, apaixonada pelos embates depois de uma viagem aos Estados Unidos, Roberta resolveu trazê-los para o Brasil e organizou em São Paulo o primeiro Slam” de acordo com a escritora Liliane Prata, em entrevista com Estrela D’alva (2017).

Os primeiros Slams aconteciam no Sesc Campo Limpo uma vez por mês – ZAP! ou Zona Autônoma da Palavra. “As pessoas estavam esperando um espaço de diversidade como esse” disse Roberta Estrela D’alva (2017). A configuração do acontecimento se dava em um palco de pequeno porte, os poetas declamavam os textos originais em um microfone, como nos primeiros Slams surgidos nos EUA. E da mesma maneira ocorre na competição anual mundial de Poetry Slam em Paris, na França, atualmente.

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Figura 4: ZAP! Slam, Virada Cultural, Largo São Bento, São Paulo, 2012. IMAGEM:

Leonardo Galina (Guma), em: 06 de maio de 2012. Disponível em:

http://zapslam.blogspot.com.br/search/label/fotos, acesso em: 26 de maio de 2018. Figura 5:

ZAP! Slam, Virada Cultural, Largo São Bento, São Paulo, 2012. IMAGEM: Leonardo Galina

(Guma), em: 06 de maio de 2012. Disponível em:

http://zapslam.blogspot.com.br/search/label/fotos, acesso em: 26 de maio de 2018.

A artista Estrela D’alva participou da produção do documentário “Slam: Voz de Levante”, lançado em outubro de 2017. Também é organizadora do Slam BR,

“etapa nacional que reúne os que receberam a maior nota nas edições regionais”

(PRATA, 2017, p. 27).

De acordo com a Mostra Trilhas Urbanas – Poesias, realizada pelo Slam do Corpo9, na exposição das obras de Jean- Michel Basquiat na cidade de São Paulo entre janeiro e março de 2018:

Todo final de ano acontece o Slam BR, o campeonato nacional da modalidade, onde slammers de diversos Slams, que competiram durante todo o ano, concorrem a uma vaga para representar o Brasil na Copa Mundial de Poesia na França.

O Poetry Slam passou a acontecer em escolas, universidades, bibliotecas de todo o mundo a partir de 1986, de acordo com o site oficial de Marc Smith, criador oficial da competição de poesia surgida nos Estados Unidos. Como solução para resgatar clientes de um local falido, de acordo com o depoimento de Marc Smith no documentário “Slam: Voz de Levante”, a premiação da competição eram apenas alguns dólares. No Brasil, as premiações geralmente são livros de poetas vivos da

9 Corposinalizante é o coletivo realizador do Slam do Corpo, “o primeiro Slam de Surdos e Ouvintes do Brasil, com poemas em libras e língua portuguesa” de acordo com os organizadores. Os prêmios recebidos pelo coletivo Corposinalizante pela realização do Slam do Corpo, até então, são: Prêmio Darcy Ribeiro 2009, Prêmio Ludicidade 2009, Prêmio Sentidos 2010, Prêmio Artes Cênicas na Rua 2010, Pontinho de Cultura. Disponível em:

https://www.facebook.com/pg/Corposinalizante, acesso em: 27 de Maio de 2018.

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cena dos Saraus e Slams atuais, em alguns casos camisetas de coletivos ligados aos movimentos de resistência.

Os anarquismos não cessam de acontecer. No campo e nas cidades, na produção e na cultura, na vida diária, eles inventam costumes libertários que desintegram, abalam a propriedade, corroem os Estados, estraçalham o Indivíduo. A anarquia é uma singularidade que procria grupos de afinidades, organizações, associações com existências muitas vezes breves, outras vigorosas, algumas apenas circunstanciais, e que atua intensificando os acontecimentos (PASSETTI et al., 2008, p. 110-111).

O surgimento da competição de poesia falada na cidade de São Paulo influencia o slammer Emerson Alcalde – vice-campeão mundial de Poetry Slam, que por uma questão de dificuldade de deslocamento dentro da cidade de São Paulo, tem a ideia de criar um Slam no próprio bairro, numa praça, próxima à estação do metrô Guilhermina-Esperança (Revista Brasileiros, 2017).

Os situacionistas perceberam então que não seria possível propor uma forma de cidade pré-definida pois, segundo suas próprias ideias, esta forma dependia da vontade de cada um e de todos, e esta não poderia ser ditada por um planejador. Qualquer construção dependeria da participação ativa dos cidadãos, o que só seria possível por meia de uma verdadeira revolução da vida cotidiana.

(JACQUES, 2003, p. 19).

Um espaço intermediário surge após a aglomeração de indivíduos e seus interesses, “passou a ter iluminação após o uso daquele ambiente” segundo o poeta Alcalde, em uma entrevista para a Revista Brasileiros no segundo semestre de 2017. Aquele evento passou a ser conhecido como Slam da Guilhermina10, o pioneiro em um local público e acessível, sem distinção, um Slam não institucional.

Atualmente, o poeta Emerson Alcalde também é organizador do Slam BR, e SóFalá que acontece na Red Bull Station – uma instituição que se encontra no centro da cidade de São Paulo apoiadora de projetos urban thinking.

A partir dos precursores, vários outros Slams surgiram em espaços intermediários da cidade – qualquer lugar que tenha um uso improvisado e/ ou

10 No dia 25 de Maio de 2018, em um dos eventos do Slam da Guilhermina onde acontecia o lançamento do livro Sangria, da poeta Luiza Romão, de acordo com a página pessoal da slammer em tempo real: “Slam da Guilhermina rolando e eis que encostam: 6 viaturas, 1 base móvel e 2 ônibus da polícia militar. Se isso não é postura ostensiva e cercamento intelectual, eu não sei o que é. Edit: eles acabaram de sair. Do nada. Assim como chegaram, uma hora de intimidação. Que tempos, parças!” Disponível em:

https://www.facebook.com/luiza.romao.1, acesso em: 28 de maio de 2018.

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marginal, no extremo da Zona Sul, na Zona Leste e no Centro. O Slam constrói o espaço intermediário no momento em que ele acontece, quando deixa de ser resíduo, um espaço de intermediação, um evento. Um lugar onde há interação de indivíduos com interesses ligados através da arte marginal, original e performática.

Figura 6: Slam Resistência, Praça Roosevelt, São Paulo, Junho de 2015. FONTE: Acervo Slam Resistência. Disponível em: https://www.facebook.com/slamresistencia/, acesso em:

07 de fevereiro de 2018. Figura 7: Slam Resistência, Praça Roosevelt, São Paulo, Fevereiro de 2016. FONTE: Acervo Slam Resistência. Disponível em:

https://www.facebook.com/slamresistencia/, acesso em: 07 de fevereiro de 2018. As imagens acima mostram o início do Slam Resistência, a divulgação e público claramente aumentou de acordo com os acessos online e no momento em que o evento acontece.

A diferença entre os espaços de Slam em local institucional e de Slam em local público, no momento em que o evento está acontecendo é que em um local privado existe um palco – improvisado ou já construído, com microfone e uma configuração de plateia bastante parecida com a de um teatro. Geralmente, um espaço que possui cobertura, acesso a sanitários, exemplificando, muitos acontecem em instituições como o Serviço Social do Comércio (SESC) de todo o Brasil, atualmente.

No Slam que sucede no espaço público, como o Slam Resistência, específico para esta dissertação, a formação ou configuração do espaço é efêmera. Ou seja, não existe um palco, o público improvisa para conseguir participar do evento e observar as performances, não possui microfone e não é patrocinado por instituições. É comum encontrar públicos iguais ou parecidos nos dois tipos de intervenção, já que os coletivos de poesia original marginal se conectam no ambiente urbano e, principalmente, pela internet.

O anarquista não se prepara para a revolução. Ele pratica insurreições todos os dias associando-se aos parceiros e experimentando outros costumes. A associação é o lugar da existência amistosa e conflituosa, estabelecida por pessoas contundentes, livres de regras fixas, constantes e imutáveis.

Relaciona-se formando federações, compostas de miríades de associações que atravessam territórios, fronteiras e certezas. Os

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anarquistas são nômades, máquinas de guerra voltadas para destruir desigualdades, hierarquias e experimentar libertarismos. Eles inventam seus próprios recursos. (PASSETTI et al., 2008, p. 111) Atualmente, mais de 30 Slams existem na cidade de São Paulo de acordo com o poeta Emerson Alcalde (Revistas Brasileiros, 2017), sendo institucionais ou não, em espaços públicos ou não. Como os que acontecem na Virada Cultural, desde 2015.

Figura 08 a 11: Slam Resistência, Praça Roosevelt, São Paulo, 2017. IMAGEM: Vitor Villaça Campanario, em: 04 de setembro de 2017.

2.1 Slams - Máquina de Guerra: Potência Ativa

A divulgação dos Slams passa a ser possível através do acesso do público à internet, na era da popularização da informação nas mídias sociais. A organização e a divulgação dos eventos, acontece pelo Facebook e Instagram, qualquer pessoa, sem distinção, tem conhecimento do horário e local onde acontece cada Slam da cidade, se acessar os links dos Slams na internet, podem participar como competidores ou plateia.

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Figura 12: Página Oficial no Facebook do Slam Resistência, acesso em: 28 de janeiro de 2018. Figura 13. Página Oficial no Facebook do Slam do 13, acesso em: 12 de abril de 2018.

Figura 14: Instagram oficial do Slam do 13, publicação do dia 15 de março de 2018, imagem com um total de 128 curtidas, o perfil possui atualmente 951 seguidores online. Disponível em: https://www.instagram.com/slamdo13/, acesso em: 12 de abril de 2018. Figura 15:

Instagram oficial do Slam Resistência, publicação do dia 30 de janeiro de 2018, imagem com um total de 83 curtidas e 3 comentários, o perfil possui atualmente 879 seguidores.

Disponível em: https://www.instagram.com/oficial.slamresistencia/, acesso em: 12 de abril de 2018.

Vídeos são feitos ao vivo pelos organizadores dos Slams, durante a batalha de poesia, ou em outros momentos para promover os próximos eventos. Há também uma promoção, via internet, dos Slams e movimentos de resistência a partir da criação de mercadorias, – como por exemplo a venda de camisetas com o logo de cada Slam, lojas online são criadas pelos organizadores. Não são todos os coletivos que possuem mercadorias para venda.

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Figura 16: Na imagem, fundadores e organizadores do Slam do 13 vestindo os produtos produzidos, encontrados na página oficial do Slam no Facebook, em um álbum com o nome de “Lojinha Slam do 13”. Disponível em: https://www.facebook.com/SlamDo13/, Acesso em:

27 de abril de 2018.

Importante ressaltar que nem todos os Slams acontecem com frequência ou possuem produtos para vendas, alguns são bem organizados e possuem uma hierarquia melhor definida, dentro da esfera de cada Slam, que outros. Uploads de imagens são totalizados depois que acontecem os eventos, também pela organização dos Slams.

Figura 17: Slam Resistência, Praça Roosevelt, São Paulo, 2017. IMAGEM: Vitor Villaça Campanario, em: 04 de setembro de 2017. Na imagem é possível observar a posição central dos organizadores do evento, alguns podem ser identificados pelas roupas com o escrito “Slam Resistência”.

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Cada Slam possui uma organização própria, com uma equipe bem definida ou não, de apresentadores e mestres de cerimônia (MC)11 no momento em que acontecem. Gritos de guerra também são particularidades de cada Slam e são usados como antecessores à performance de cada competidor da batalha de poesia. Fotógrafos, videomakers, apoiadores e coletores de notas dadas pelo público aos slammers são funções previamente definidas pelos organizadores.

Figura 18: Slam Resistência, Praça Roosevelt, São Paulo, Março de 2016. FONTE: Acervo Slam Resistência. Disponível em: https://www.facebook.com/slamresistencia/, acesso em:

07 de fevereiro de 2018. Notável a contínua aglomeração de pessoas das primeiras ocupações pelo Slam Resistência na Praça Roosevelt desde o início até as intervenções atuais.

Os pioneiros a executarem os Slams na cidade de São Paulo são em geral poetas, com títulos publicados ou não, fazem parte de coletivos ou não, vivem da cultura como trabalho e sentiram a necessidade de ocupar o espaço incluindo qualquer sujeito. Atualmente, os organizadores dos eventos que promovem a competição de poesia geralmente são os mestres de cerimônia nos eventos. Existe um esforço da parte dos precursores de motivar a divulgação dos Slams.

11 O mestre de cerimônia surgiu no início da cultura Hip Hop, é o indivíduo que faz a apresentação e mediação nos eventos de rap, saraus e slams. Geralmente é alguém conhecido dentro do Movimento Hip Hop pela maioria das pessoas que frequentam os eventos e traz consigo o bom humor, na maioria das vezes possui o dom de rimar e fazer rir.

FONTE: Hip Hop Evolution. Darby Wheeler. Documentário. EUA: Netflix, 2016. (188 minutos).

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Acontece de alguns Slams que surgem em certos lugares da cidade não permanecerem em constante atividade. Slams surgem e permanecem por um período e logo se desconectam, online ou não. Enquanto tal inconstância de eventos e organização não desenvolve, slammers passam a migrar para outros Slams mais próximos, ou mesmo longe se de fácil acesso através da mobilidade urbana.

Essa possibilidade se dá através de contatos feitos com poetas de toda a cidade de São Paulo, no momento em que os eventos acontecem ou online, as pessoas se reconhecem.

As dinâmicas sociais e urbanas são conexões inéditas que provocam um intertexto do lugar. Assim sujeito, objeto e território são os textos com possibilidade de remontagem dessas relações, uma recomposição, mesmo que efêmera na composição do espaço intermediário.

A construção desse outro sujeito, um ser múltiplo, em toda sua multiplicidade traz uma articulação estratégica com engrenagens, a máquina de guerra (PASSETTI et al., 2008, p. 111). Sem interrupção ou uma finalidade precisa, essa congestão espacial (KOOLHAAS, 2014, p.46) advinda do momento em que acontece o Slam Resistência, promove uma mudança de intensidade de como a coisa acontece no mundo. Consequentemente o indivíduo, naquele espaço, também muda, passa a ser outra coisa além ou aquém do que era antes.

A intenção dessa reunião de pessoas com a arte original é dar voz à população, divulgando a arte marginal, que se entende aqui por estar “às margens – nas bordas, um fora dentro que permanece fora, nunca está a bordo porque aborda pelas bordas e não por aquilo que parece ser central”, segundo Igor Guatelli, em uma conversa, durante orientação para este trabalho, lembrando dos navios de Foucault (1984) no texto “Outros Espaços” mais a frente neste trabalho.

Os escritos de Foucault, desde as análises genealógicas, provocam o deslocamento da existência para a fronteira, levando ao desaparecimento do limite entre posicionamentos e contraposicionamentos, o que implica dar forma à impaciente liberdade. (PASSETTI et al., 2008, p. 111).

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Figura 19: Slam Resistência, Praça Roosevelt, São Paulo, 2017. IMAGEM: Vitor Villaça Campanario, em: 04 de setembro de 2017.

2.2 Slams - Microesferas e Micropolíticas Sociais

Estes espaços que possibilitam e criam um fluxo, seja do corpo ou da palavra, um chamado de liberdade no ambiente urbano. Para Foucault (2006) e Deleuze (1995), essa microesfera – o Slam, opõem-se a sociedade da maneira como acontece atualmente. Seria o Slam Resistência a possível máquina de guerra, a potência ativa no espaço das possibilidades não dadas, não ofertadas?

Esse espaço seria aquele que construímos para o nosso habitar, e onde, para Foucault, ‘sempre nos tornamos algo diferente do que somos’, ou para Derrida, ‘onde se criaria a possibilidade de chegada de algo que não nos deixaria os mesmos’, ou ainda, para Gilles Deleuze, ‘onde se daria a possibilidade de ocorrência do “virtual”, ou seja, a realidade da qual ainda não possuímos o conceito’. Em suma, seria no espaço, não no espaço pré-determinado, mas nos “entres”, nos espaços livres de pré-configurações, que vivenciaríamos estes

“momentos de invenção” e criaríamos condição para o devenir autre, indo além dos limites impostos pelo natural [é possível afirmar o que seria próprio e essencial de cada “lugar” ou espaço?], pela história construída por discursos dominantes. (GUATELLI, 2008, 094.00)

O sujeito criativo no mundo contemporâneo cria possibilidades de ecossistemas. Os coletivos que existem e subsistem nas cidades são rizomas, de

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acordo com o filósofo Gilles Deleuze (1995). O conceito de rizoma ou de situações rizomáticas resiste a algo instável e difícil de ser mapeado, uma estrutura de multiplicidade (DELEUZE, 1995).

A propriedade e identidade do lugar é deturpado nos instantes em que acontece a competição de poesia, o evento, manifestação. Um lugar não reconhecido, ilegítimo. No momento do evento se torna um jogo no espaço, entre os indivíduos. A deturpação do uso na arquitetura em Tschumi (1996), pode ser considerada uma construção impermanente de territorialidades.

Em 1720, o filósofo Leibniz escreve em “Princípios da Filosofia - Monadologia”

sobre as mônadas que são como bolhas ou esferas. Leibniz disserta sobre a mônada ser um mundo completo simples e indivisível. Compostas por partes simples, as mônadas são auto suficientes, ou seja, perfeitas e é assim que a bolha, no caso, o Slam, torna-se uma esfera de compartilhamento.

Uma esfera, um acontecimento, que não pré existe ao compartilhamento onde estão as subjetividades múltiplas dos indivíduos. Na monadologia de Leibniz, tudo que é compartilhado no espaço ocupa espaço, existe uma troca nas bolhas, no espaço onde acontece o Slam.

Figura 20: Slam Resistência, Praça Roosevelt, São Paulo, 2017. IMAGEM: Vitor Villaça Campanario, em: 04 de setembro de 2017.

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O uso horizontal e vertical daquele lugar, pelo indivíduo sem distinção, acorda com Passetti (2008, p. 112-113) em “Michel Foucault e os Guerreiros Insurgentes - Anotações Sobre Coragem e Verdade no Anarquismo Contemporâneo”, no livro Cartografias de Foucault que “Todavia, a anarquia não é um movimento linear. Sua singularidade está em produzir diversos anarquismos e não ser apanhada por um modelo.” Seria então o momento de observar o que as heterotopias de Foucault (1984) têm a ver com as cidades contemporâneas.

De que maneira a arquitetura poderia auxiliar a construção das microesferas que ocupam o espaço urbano? “O anarquista não habita um território, inventa percursos e distribui as pessoas num espaço aberto.”, como disse Passetti (2008, p.

115-116), “O seu espaço é localizado, mas não delimitado, e é onde acontece uma máquina de guerra diante de um Estado”.

Os indivíduos descartados como aglomerados tomam força quando sujeitos reunidos pelo Slam, apresentado aqui neste trabalho. Desencadeiam situações rizomáticas, instáveis e difíceis de serem mapeadas – desde o início da divulgação dos próximos eventos pela Internet, até o momento em que acontecem.

Para os anarquistas, as liberações de costumes no amor, na educação, na arte, no aprendizado, nas comemorações festivas, antecedem e acompanham a revolução como fator libertador.

(PASSETTI et al., 2008, p. 111)

Figura 21: Slam Resistência, Praça Roosevelt, São Paulo, 2017. IMAGEM: Vitor Villaça Campanario, em: 04 de setembro de 2017.

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Em outro momento, pode-se citar o livro “Esferas II”, de Sloterdijk (2017), que acrescenta o fato de que nas esferas, se foge da razão histórica, as mônadas de Leibniz passam a possuir aberturas. Microterritorializações, como para Deleuze (1995), de codificações instáveis onde as ações espontâneas como os Slams são diferentes das ações induzidas. Como, em relação à arquitetura e o espaço urbano, potencializar essas ações considerando o Slam Resistência como hipótese ou uma ponta solta intencional no espaço público?

Os Slams surgem contra uma fonte de autoridade e em um espaço urbano intermediário. Essa estrutura múltipla faz com que esses indivíduos possam ser uma coisa e outra, tornando-se outra coisa; entendendo-se coisa aqui como o papel do sujeito no espaço intermediário. Lugar onde existe na sociedade o entendimento do outro indivíduo no momento em que acontece, a maneira como o sujeito se expressa é seu próprio reconhecimento, quando se torna protagonista da própria história:

Não somos, enfim, governados por ideias, mas por efeitos de lutas.

O anarquista é o combatente das grandes e pequenas desigualdades, e das imediatas e transcendentais hierarquias, quando permanece rebelde (PASSETTI et al., 2008, p. 119).

Figura 22: Slam Resistência, Praça Roosevelt, São Paulo, 2017. IMAGEM: Vitor Villaça Campanario, em: 04 de setembro de 2017.

Inventar a vida é mais que resistir aos efeitos de dominação e contrapropor maneiras de ultrapassar a exploração e a dominação. É preciso recusar o soberano sobre si e promover a vida libertária por miríades de associações. Restrita ao movimento social, a anarquia

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estará reduzida à posição resistente, a compor um fluxo alternativo, a reescrever uma polêmica com o Estado e à economia atual; quem sabe até assujeitada ao marxismo ou mesmo a uma contraordem organizativa interna que julgue o que é anarquismo e o que não é, segundo um modelo, uma doutrina. Limitado ao movimento social o anarquismo é somente utopia de revolução, risco de restauração de um soberano, iminência do terror. O parresiasta não desaparece, atinge. (PASSETTI et al., 2008, p. 121)

2.3 Slams – Microesferas e Micropolíticas Territoriais

Segundo o documentário “Slam: Voz de Levante” lançado na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 2017, atualmente nos EUA slammers se movimentam na cidade para participar dos Slams que acontecem em locais privados.

A periferia passa a ocupar outros espaços, de acordo com o documentário exibido em 25 de outubro de 2017, no Itaú Cinemas Frei Caneca em São Paulo, pessoas partem das margens para o centro portando apenas o dinheiro da passagem e textos próprios preparados para participarem da competição que nos Estados Unidos acontecem em locais institucionais.

No Brasil, a maioria dos Slams ocorre em espaços públicos. O Slam Resistência é o único que acontece com frequência, toda primeira segunda feira do mês, em um espaço público no centro da cidade de São Paulo, na Praça Roosevelt.

O evento com maior quantidade de acessos, online e no momento em que acontece a competição de poesia original e performática, é o mais conhecido da cidade. Pode ser entendido aqui como ponto de encontro, um local fértil para a liberdade de expressão, sem distinção de pessoas e o início de uma conversa entre periferia e os centros urbanos, além dos eventos de poesia oferecidos pela Virada Cultural.

Em uma conversa informal, com um dos poetas que competiam no Slam Resistência, Praça Roosevelt, no dia 04 de Setembro de 2017, foi descoberto que o deslocamento dentro da cidade de São Paulo também acontece como em Nova Iorque, nos EUA, a periferia vai ao centro.

De acordo com o texto “Post-it City: los otros espacios publicos de la ciudad europea”, de Giovani La Varra, encontrado no livro Mutations (KOOLHAAS;

KWINTER; FABRICIUS; BOERI; OBRIST; TAZI, 2000, p. 426) na Europa os usos dos espaços públicos estão em mutação assim como os novos espaços

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direcionados para este movimento ou ocupação. Possibilita a diversidade de indivíduos e a materialidade dos espaços devido ao fluxo, mobilidade urbana tanto nas margens como nos centros. A criação de outros espaços transfigura o sentido e o valor dados para os espaços públicos e construídos.

Através das dinâmicas da vida coletiva no ambiente urbano surge uma reinterpretação temporal do espaço público, espaços que passam a se colocar em função da ocasião. Lugares de reconhecimento dos próprios indivíduos fora dos canais convencionais.

O centro de São Paulo é referência para o Movimento Hip Hop desde o surgimento do movimento no país, nos anos 80. Movimento que passa a acontecer alguns anos após a implantação do sistema de transporte metropolitano facilitando o fluxo de indivíduos e possibilitando contato com outros lugares.

Atualmente, alguns escritores vão até o centro da cidade participar do Slam Resistência somente com o dinheiro da condução que o leva até o local. O que diferencia a situação de São Paulo de Nova Iorque atualmente, é que alguns poetas levam consigo pequenos poemas originais escritos à mão, em pequenos papéis retirados de cadernos e oferecem às pessoas que estão presentes no momento da ocupação do território, ou cópias de poesias e desenhos feitos pelos próprios poetas.

A intenção do poeta com quem foram trocadas informações, era poder participar do evento sem qualquer custo, e não vender a arte que produzia. O produto que estava oferecendo valia qualquer moeda, “pra ajudar na passagem de volta”, disse o slammer.

Enquanto o Slam acontece está surgindo o espaço intermediário. O slammer compete e faz conexões pessoais ou não com outros indivíduos que estão naquele espaço. Passantes ou poetas, usuários do espaço público, skatistas, curiosos, participantes. O slammer vende a própria arte com custo quase zero e constrói vínculos sociais e profissionais com outros poetas de outros Slams de outros bairros da cidade de São Paulo12.

12 Durante o estudo de caso, o breve mapeamento dos Slams na cidade de São Paulo, nota- se que a maioria dos movimentos de resistência e eventos promovidos pelas batalhas de poesia passam a ter força depois de 2013. Interessante fazer uma relação das manifestações que ocorreram no Brasil em 2013, contra o aumento das passagens do transporte público, ou manifestações dos 20 centavos. “Em junho de 2013, um aumento nas tarifas de transporte público provocou protestos em São Paulo, dando início a uma nova

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Abaixo apresenta-se um breve mapeamento, até 2015, sobre o fluxo dos primeiros Slams da cidade de São Paulo. Interessante observar a concentração de indivíduos frequentadores e produtores, participantes ou não das atividades promovidas por cada Slam apresentado no mapa. Nota-se que os Slams ocorrentes na Zona Sul como nos bairros Vila Mariana e Pinheiros, Zona Leste como em São Miguel e Centro, por exemplo, Barra Funda apresentam maior aglomeração de eventos.

onda de ativismo político”. FONTE: 20 Centavos. Tiago Tambelli. Documentário. Brasil:

2014. (52 minutos)

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Figura 23: Mapa da cidade de São Paulo, 2016. FONTE: IBGE, modificado por Raíssa de

Araujo Dias. Disponível em:

ftp://geoftp.ibge.gov.br/organizacao_do_territorio/malhas_territoriais/, acesso em: 12 de março de 2018. Apresenta a localização original dos Slams, onde surgiram, mapeados até Dezembro de 2015, de acordo com as eliminatórias do Slam BR do mesmo ano. FONTE:

Evento Slam BR 2015, no Facebook, criado por Roberta Estrela D’alva, Emerson Alcalde, Thiago Peixoto, Lews Barbosa, Lucas Afonso, Will Junio, Adelson Chaves e Marcos Bassini.

Disponível em: https://www.facebook.com/SlamDo13/,

https://www.facebook.com/slamdaguilhermina/, https://www.facebook.com/slamresistencia/, https://www.facebook.com/Slam-Fun%C3%A7%C3%A3o-379901975517497/,

https://www.facebook.com/zapslam/

https://www.facebook.com/menorslamdomundo/,

https://www.facebook.com/Corposinalizante/, https://www.facebook.com/SlamdaPonta/, https://www.facebook.com/slamdogrito/, https://www.facebook.com/slamrachaopoetico/

https://www.facebook.com/slamdocorre/acesso em: 12 de março de 2018.

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Figura 24: Mapa da cidade de São Paulo, 2016. FONTE: IBGE modificado por Raíssa de

Araujo Dias. Disponível em:

ftp://geoftp.ibge.gov.br/organizacao_do_territorio/malhas_territoriais/, acesso em: 12 de março de 2018. Apresenta os Slams surgidos até dezembro de 2015 e seus fluxos até março de 2018, partindo do bairro de origem de cada Slam. FONTE: Eventos dos Slams ZAP!, do Corpo, Menor Slam do Mundo, da Guilhermina, Resistência, da Ponta, do Grito, do 13, Slam Rachão, Slam Função e do Corre, no Facebook, organizados pelas páginas oficiais de cada Slam. Disponível em: https://www.facebook.com/SlamDo13/, https://www.facebook.com/slamdaguilhermina/, https://www.facebook.com/slamresistencia/, https://www.facebook.com/Slam-Fun%C3%A7%C3%A3o-379901975517497/,

https://www.facebook.com/zapslam/

https://www.facebook.com/menorslamdomundo/,

https://www.facebook.com/Corposinalizante/, https://www.facebook.com/SlamdaPonta/, https://www.facebook.com/slamdogrito/, https://www.facebook.com/slamrachaopoetico/

https://www.facebook.com/slamdocorre/,

https://www.facebook.com/events/440108519524300/,

https://www.facebook.com/events/1143319599131294/, acesso em: 24 de março de 2018.

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