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Equil´ıbrio MHD em plasmas sim´ etricos com campo gravitacional externo

3.3 Solu¸c˜ oes anal´ıticas para processos isot´ermicos e adiab´ aticos

3.3.1 Solu¸c˜ oes em coordenadas retangulares

No sistema de coordenadas retangulares temos, x1 =x, x2 =z, x3 =y,

(3.79)

onde estamos considerando y como coordenada ignor´avel, portanto todas as grandezas envolvidas depender˜ao de x e z apenas. Essa escolha ´e compat´ıvel com um campo gra-vitacional uniforme na dire¸c˜ao z, como mostra a figura 3.3, na qual o plano xy pode representar a superf´ıcie do Sol, por exemplo.

Figura 3.3: Campo gravitacional em coordenadas retangulares, ondey´e a coordenada ignor´ a-vel.

O campo gravitacional ´e dado por,

g =−geˆz, (3.80)

com o seguinte potencial gravitacional,

Φ = Φ0 +gz. (3.81)

O tensor m´etrico covariante desse sistema ´e dado por,

gij =

⎜⎝

1 0 0 0 1 0 0 0 1

⎟⎠, (3.82)

a equa¸c˜ao para um processo isot´ermico em coordenadas retangulares assume ent˜ao a seguinte forma, uma vez queD= 0,

ΔΨ = ∂2Ψ

∂x2 + ∂2Ψ

∂z2 =−1 2μ20dI2

dΨ − 1 2μ0dp0

dΨegz/RT¯ . (3.83)

3.3. Solu¸c˜oes anal´ıticas para processos isot´ermicos e adiab´aticos 45

• Solu¸c˜ao da equa¸c˜ao isot´ermica

Considerando os perfis para a press˜ao e da corrente dados respectivamente por:

p0(Ψ) = κ

0e, (3.84)

ondeκ ´e uma constante,

I2(Ψ) =I02 =const, (3.85)

substituindo-os na equa¸c˜ao de equil´ıbrio isot´ermico (3.83) resulta em, ΔΨ = −κ exp

2Ψ− gz RT¯

. (3.86)

De acordo com a equa¸c˜ao acima observamos que ´e conveniente realizar a seguinte mudan¸ca de vari´avel,

ψ = Ψ− gz

2 ¯RT, (3.87)

e obtemos:

Δψ=−κe2ψ, (3.88)

com a seguinte solu¸c˜ao,

ψ =−ln cosh(√

κx). (3.89)

A qual na vari´avel original resulta em,

Ψ =−ln cosh(√

κx) + gz

2 ¯RT, (3.90)

esta ´e a solu¸c˜ao de Kippenhahn-Schl¨uter [16], a qual descreve proeminˆencias da superf´ıcie solar. Onde assume-se que as distˆancias da superf´ıcie solar com as proeminˆencias sejam pequenas o suficiente, tal que, o campo magn´etico solar possa ser considerado aproxima-damente uniforme ao longo da dire¸c˜ao z [16]. O termo 2 ¯gzRT representa a raz˜ao entre a energia potencial gravitacional e t´ermica do plasma, logo definimos como:

τ ≡ gz 2 ¯RT, reescrevendo Ψ,

Ψ =−ln cosh(√

κx) +τ, (3.91)

assumimos alguns valores paraτ, afim de representar graficamente Ψ em duas dimens˜oes, como mostra a figura3.4, comκ= 4.

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5 1 1 5 2 2 5 3

5 4 3 2 1 1 2

ψ

τ=1,5 τ=1,0 τ=0,5

Figura 3.4: Fun¸c˜ao de fluxo Ψ para trˆes valores do parˆametro τ, definido como a raz˜ao da energia potencial gravitacional pela energia t´ermica do plasma em coordenadas retangulares, para um processo isot´ermico.

De acordo com a figura 3.4 a fun¸c˜ao de fluxo magn´etico atinge uma amplitude maior quando a energia potencial gravitacional ´e maior que a energia t´ermica do plasma. As componentes dos campos magn´eticos podem ser calculadas atrav´es da fun¸c˜ao Ψ de acordo com (3.14) e (3.15),

B =

− g 2 ¯RT,√

κtgh(√

κx),∓μ0I0

, (3.92)

com as componentes do campo podemos obter a densidade de corrente J tomando o rotacional de B,

J =

0,0,−κ μ0

1 cosh2(√

κx)

. (3.93)

As fun¸c˜oes de B e J est˜ao representadas na figura 3.5.

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5 1 1 5 2 2 5 3

1 4 2

B

5 1 1 5 2 2 5 3

1 4 2

Figura 3.5: ComponenteBzdo campo magn´etico magn´etico em (a) e componenteJy da densi-dade de corrente em (b), no sistema de coordenadas retangulares, para um processo isot´ermico.

De acordo com os gr´aficos na figura 3.5 a medida que o campo magn´etico na dire¸c˜ao z diminui a densidade de corrente na dire¸c˜aoy aumenta, atingindo um valor de satura¸c˜ao Jy = 0. O campo magn´etico atinge um valor de satura¸c˜ao negativo, conforme mostra 3.5.

Resolvendo a equa¸c˜ao das linhas de campo magn´etico,

B×d= 0, (3.94)

onde d ´e um elemento de comprimento na dire¸c˜ao do campo B, para o sistema de

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4 2 2 4

1 2 3 4 5

Figura 3.6: Linhas de campo magn´etico no planoy=constante, em coordenadas retangulares, para um processo isot´ermico.

coordenadas retangulares, temos, dx

dy = g

2 ¯RT μ0I0, (3.95)

dz dy =

√κ

μ0I0tgh(√

κx), (3.96)

as quais podem ser integradas e resultam na equa¸c˜ao (3.97) para as linhas de campo magn´etico, para o planoy =constante.

z =z0− g 2 ¯RT κln

cosh(√ κx) cosh(√

κx0)

. (3.97)

A equa¸c˜ao (3.97) est´a graficamente representada em 3.6, para diferentes valores de z0. O campo magn´etico agindo sobre a superf´ıcie do plasma, comprime as linhas de campo magn´etico, como consequˆencia do congelamento de fluxo magn´etico, expresso pelo teorema de Alfv´en. Desta forma, s˜ao observados esses dobramentos das linhas de campo magn´etico, de acordo com a figura 3.6. As linhas de campo magn´etico representadas na figura 3.6 apresentam uma semelhan¸ca com as estruturas formadas por proeminˆencias solares [16].

• Solu¸c˜ao da equa¸c˜ao adiab´atica

3.3. Solu¸c˜oes anal´ıticas para processos isot´ermicos e adiab´aticos 49 Utilizando agora a equa¸c˜ao para o equil´ıbrio adiab´atico,

ΔΨ =−μ0dp0

com os seguintes perfis para a press˜ao e corrente respectivamente,

p0(Ψ) =KΨη, I2(Ψ) =I02, (3.99) conforme expressa na eq. (3.75) K ´e uma constante que depende da entropia, e η foi definido de acordo com (3.78), a equa¸c˜ao torna-se,

ΔΨ = −μ0

Como no caso anterior, fazemos a seguinte mudan¸ca de vari´avel:

ψ = Ψ− gz

ηK, (3.101)

obtendo a seguinte equa¸c˜ao para a nova vari´avel,

Δψ =−μ0Kηψη−1. (3.102)

Novamente identificamos o termo gz/ηK como a raz˜ao entre a energia potencial gravita-cional e t´ermica, logo estabelecemos alguns valores para esta raz˜ao definindo-a como,

Γ≡ gz ηK, e reescrevendo Ψ,

Ψ(x) =cx2/(2−η)−Γ. (3.105)

E interessante observar o comportamento da fun¸c˜´ ao Ψ quando a raz˜ao entre a energia potencial gravitacional e t´ermica ´e menor, igual e maior que a unidado. Deste modo, a figura3.7 mostra o comportamento da fun¸c˜ao Ψ para trˆes valores de Γ, onde η= 5/2 e o valor da constante multiplicativa foi escolhido como a unidade, sem perda de generalidade.

3.3. Solu¸c˜oes anal´ıticas para processos isot´ermicos e adiab´aticos 50

5 1 15 2

5 1 1 5 2 2 5

ψ

Γ=1,5 Γ=1,0 Γ=0,5

Figura 3.7: Fun¸c˜ao de fluxo Ψ para trˆes valores do parˆametro Γ, definido como a raz˜ao da energia potencial gravitacional pela energia t´ermica do plasma, para um processo adiab´atico em coordenadas retangulares.

A fun¸c˜ao de fluxo para um equil´ıbrio MHD adiab´atico com geometria retangular de-cresce rapidamente e passa a ser dominada pelo parˆametro constante Γ, conforme mostra 3.7. Logo, se a energia potencial gravitacional assume um valor maior que a energia t´er-mica a fun¸c˜ao Ψ ´e mais intensa. As componentes do campo magn´etico e da densidade de corrente s˜ao, respectivamente:

B=

− g ηK, 2c

2−ηxη/(2−η),∓μ0I0

, (3.106)

J =

0,0, 2

(2−η)μ0ηcx(η/(2−η))−1

, (3.107)

e est˜ao representadas em3.8.

3.3. Solu¸c˜oes anal´ıticas para processos isot´ermicos e adiab´aticos 51

2 4 1

2 4 1

B

1 2 3 4

2 4 1

Figura 3.8: Componente Bz do campo magn´etico em (a) e componente Jy da densidade de corrente em (b), para um processo adiab´atico em coordenadas retangulares.

De acordo com a figura 3.8 o campo Bz decai abruptamente com x, j´a a densidade de corrente Jy decai de forma mais suave. Integrando a equa¸c˜ao das linhas de campo magn´etico obtemos a seguinte equa¸c˜ao para o plano y=constante,

z =z0− 4ηKc

g(2−η)2(x2/(2−η)−x20/(2−η)), (3.108) a qual est´a representada na figura 3.9 para diferentes valores dez0.

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Figura 3.9: Linhas de campo magn´etico para diferentes valores de z0, para um processo adiab´atico em coordenadas retangulares.

De acordo com a figura 3.9, quando a press˜ao satisfaz a hip´otese adiab´atica as linhas de campo magn´etico na presen¸ca de um campo gravitacional externo s˜ao praticamente constantes no planoy=const., tendo um decaimento emz quandoxse aproxima de zero, na forma de dobramentos. Essa estrutura observada para as linhas de campo magn´etico, de acordo com a figura3.9, tamb´em est´a associada com a presen¸ca do campo gravitacional externo, que comprime a superf´ıcie de plasma. Deste modo, devido ao congelamento do fluxo magn´etico, as linhas de campo s˜ao comprimidas junto com a superf´ıcie de plasma.

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