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5. Análise e interpretação dos dados

5.2 Descrição e análise das categorias emergentes

5.2.1 Categoria 1 – Aprendizado lúdico do vídeo

5.2.1.3 Subcategoria 3 – Divertida/criativa/diferente

A cada encontro com os alunos, bem como nas entrevistas, a pesquisadora percebeu em alguns grupos a animação durante o processo e na finalização dos vídeos. A produção de vídeo foi classificada por eles como uma atividade divertida, criativa e diferente. Relataram que na hora das filmagens riram, erraram, começaram novamente, regravaram várias vezes as mesmas cenas, mas com prazer e alegria,

lembrando que a produção de vídeo era uma atividade nova para eles, pois não haviam filmado antes. No quadro a seguir, foram selecionados as falas dos alunos que contribuíram para situar a produção de vídeo nas aulas de matemática como uma atividade que diverte, que desperta sentimentos e desenvolve aprendizagens (Quadro 4).

Quadro 4 - A produção de vídeo é divertida/criativa/diferente.

Alunos Fale um pouco sobre as filmagens... A1 “Legal, cada um faz uma parte e todo mundo participa”.

A4

“É legal, é diferente, a gente vai aprendendo e se divertindo. Foi diferente porque eu nunca tinha gravado umas coisas assim. É uma coisa nova, assim tu não precisa, tipo, senão tu só faz prova, copia do quadro também. Assim tu faz uma coisa divertida e ainda aprende acima de tudo”.

A5 “Muito bom. Uma forma diferente de se estudar e se divertir também”. A6 “Está bom, a gente ri muitas vezes quando a cena dá errada”.

A8 “Está sendo legal. Está bom, …”

A10 “Muito bom. Achei bem criativa a ideia de fazer os vídeos”.

A12 “É bom de fazer vídeo. Porque tu ganha nota mais fácil, não é tão difícil quanto estudar pra prova”.

A16 “Está legal fazer os vídeos, queríamos fazer tipo uma aula”.

A17 “Está bem legal fazer as gravações, já fizemos duas cenas no campo e a outra queremos fazer tipo na aula”.

A20 “A gente gostou bastante, nos divertimos muito. A gente gostou bastante, a gente ficou bem feliz com o resultado, a gente está gostando bastante de fazer. Divertimos-nos, aprendemos, rimos”.

A21 “A gente está bastante empolgado em editar, tudo. Estou gostando das aulas, no sexto ano não conseguimos acompanhar o conteúdo e esse ano tá ficando melhor”.

A25 “Achei legal”.

Fonte: Elaborado pela pesquisadora.

Analisando as falas selecionadas durante os encontros e nas entrevistas, foi possível perceber que a atividade foi positiva para os alunos. Essa valorização da produção de vídeos nas aulas de matemática é reiterada quando falam sobre os sentimentos encontrados no processo. Em suas falas os alunos caracterizaram a produção de vídeos com palavras positivas como: “muito bom”, “legal”, “gostamos

bastante”, “feliz”, “empolgados”, “é bom”, “mais fácil”, “não é tão difícil”. Nas entrevistas, os alunos também mencionaram que a atividade é bem criativa, de acordo com a fala do aluno A10: “Achei bem criativa a ideia de fazer os vídeos”.

A produção de vídeos incentivou a criatividade dos alunos e, segundo Freire (1979), esse incentivo é necessário na educação, pois “a educação é mais autêntica quanto mais desenvolve este ímpeto ontológico de criar. A educação deve ser desinibidora e não restritiva. É necessário darmos oportunidade para que os educandos sejam eles mesmos” (FREIRE, 1979, p. 17).

Nas cenas dos vídeos foi perceptível que os alunos, além de se divertirem, se empenharam nas filmagens e nas interpretações dos personagens. Em várias cenas do vídeo do G1 evidencia-se esse fato, por exemplo, na cena em que o personagem chama o irmão de forma cômica; noutra o personagem rindo segurando a mão do outro ao se despedir; também é possível ouvir a risada de quem está filmando; na cena da tentativa de abrir a porteira, o personagem fala “Mas como tu é fraco” e na cena em que o personagem diz que o arado está com “problema de junta”. Ao finalizar o vídeo, o grupo inseriu nas falas do personagem a menção à professora de forma cômica, dizendo: “Nossa, se a professora não sabe, imagina a gente!”.

Estas falas no vídeo do G1, ressaltam que os alunos aprenderam de forma divertida a produzir vídeos intercalando-os com o conteúdo de Geometria. Cenas divertidas e diálogos descontraídos também são visíveis nos outros grupos, como na cena do G2 em que o martelo cai da mão do personagem e a cena continua, sem cortes desse acontecimento. Os integrantes do G4 confirmaram que fizeram várias vezes as gravações, que riram bastante nas filmagens e que tiveram que cortar várias cenas em virtude disso. Já os integrantes do G5 registraram que “A gente

está bastante empolgado, em editar, tudo”.

Essas afirmações de empolgação vão ao encontro das palavras de Moran que diz que ao assistir vídeo “somos atingidos por todos os sentidos e de todas as maneiras” (1995, p. 28) e que “filmar é uma das experiências mais envolventes” (1995, p. 31). Na produção de vídeo, os alunos produzem e assistem a seus vídeos que, posteriormente, são publicados no youtube o que oportuniza mostrar suas produções para seus familiares e amigos.

Moran também destaca sobre o trabalho com o vídeo em sala de aula, seja na forma de debates após assistir filmes com os alunos ou como reforço para as

aulas. Segundo Moran (1995, p. 28), assistir vídeos desperta os sentidos: “pelo vídeo sentimos, experienciamos sensorialmente o outro, o mundo, nós mesmos”. Já Gadotti (1997, p. 10) afirma que “só aprendemos o que sentimos profundamente [...] a mídia pode nos sensibilizar e a escola pode partir desta sensibilização para ir além”. Assim, com a produção de vídeo, possibilita-se ao aluno trabalhar de forma autônoma, de sua maneira, com seus esforços e, desta forma, transforma-se em protagonista de seu aprendizado, como relata o aluno A4:

“É legal, é diferente, a gente vai aprendendo e se divertindo. Foi diferente porque eu nunca tinha gravado umas coisas assim. É uma coisa nova, assim tu não precisa, tipo, senão tu só faz prova, copia do quadro também. Assim tu faz uma coisa divertida e ainda aprende acima de tudo”.

Os alunos fizeram algo novo, diferente das atividades até então desenvolvidas nas aulas de matemática, tarefas que procuravam conduzir a interação e aprendizagem, tais como exercícios em conjunto e seminários sobre pesquisa de algum conteúdo, porém não haviam trabalhado com vídeo nas aulas de matemática. Desta forma, também expressa na fala do aluno o uso do celular como auxiliar nas atividades com a produção de vídeo nas aulas de matemática, diverte e desenvolve aprendizagens. Gadotti (2013, p. 9) nos diz que: “Se qualidade de ensino é aluno aprendendo, é preciso que ele saiba disso: é preciso “combinar” com ele, envolvê-lo como protagonista de qualquer mudança educacional”. Assim, ao envolver os alunos em outras atividades, diferentes dos exercícios corriqueiros das aulas de matemática, os alunos protagonizaram e vivenciaram seu aprendizado. Como declarado na fala da aluna A21: “Estou gostando das aulas, no sexto ano não

conseguimos acompanhar o conteúdo e esse ano tá ficando melhor”.

Percebe-se nos comentários dos alunos que eles gostaram da atividade, desenvolveram aprendizagens e sentimentos com seus colegas de grupo, bem como nos debates de exibição dos vídeos e sentiram-se valorizados quanto ao seu trabalho. A atividade com os vídeos despertou sentimentos nos alunos e na professora/pesquisadora, que juntamente com os mesmos criou um ambiente de interações e debates em que o conteúdo de Geometria foi desenvolvido fora da sala de aula, interligando o cotidiano dos alunos com a escola. Essa tarefa nas aulas de matemática repercute numa ação que deixa de ser mecânica e sem sentido para o aluno, porque professor e alunos participaram do processo, conforme diz o aluno A1:

Esta ação também vem ao encontro do que afirma Pereira (2014c, p. 174) “A produção de vídeo é um elemento que contribui para que os sentidos sejam utilizados na relação docente e discente. A aprendizagem com vídeo, dessa forma, busca um equilíbrio entre a razão e a sensibilidade”.

Assim, a atividade da produção de vídeo possibilitou que o conteúdo de Geometria fosse desenvolvido de forma positiva e com significado para o aluno. Ao analisar as falas dos alunos nas entrevistas percebe-se que os sentimentos positivos estiveram presentes durante todo o processo de produção de vídeo, estabelecendo que produzir vídeos nas aulas de matemática reproduz mudanças no ambiente escolar.