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4 A EXPERIÊNCIA DE APRENDIZAGEM DOS EGRESSOS

4.2 ANÁLISE DOS RESULTADOS DA PESQUISA

4.2.1 Categoria: características de um projeto de extensão

4.2.1.3 Subcategoria: impacto e transformação social

Para o Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras (2012, p. 35) o Impacto e a Transformação Social ratificam a EU como:

O mecanismo por meio do qual se estabelece a inter-relação da Universidade com os outros setores da sociedade, com vistas a uma atuação transformadora, voltada para os interesses e necessidades da maioria da população e propiciadora do desenvolvimento social e regional, assim como para o aprimoramento das políticas públicas.

Essa característica consolida e orienta cada ação da Extensão Universitária, portanto, espera-se que ela contribua para o processo de construção ou reconstrução de uma comunidade a que se está direcionada, e ainda, de acordo com o PNExt (2012, p. 36) o Impacto e a Transformação Social apresentam atributos tais como:

- Privilegiamento de questões sobre as quais atuar, sem desconsideração da complexidade e diversidade da realidade social; - Abrangência, de forma que a ação, ou um conjunto de ações, possa ser suficiente para oferecer contribuições relevantes para a transformação da área, setor ou comunidade sobre os quais incide; - Efetividade na solução do problema. ”

Assim sendo, a universidade contemporânea necessita estar atenta à dinâmica da sociedade, pois, em um panorama de dificuldades movido pelo desenvolvimento do capitalismo, não é possível desconsiderar o papel da Extensão na produção e disseminação do conhecimento.

Precisa a comunidade acadêmica agir de forma ágil e eficaz contribuindo para a transformação da sociedade, por meio da extensão, e com certeza essa ação acarretará mudanças sociais e com isso propiciará aos discentes oportunidades de colaborar nessa transformação.

A indissociabilidade do ensino-pesquisa-extensão favorece a difusão do conhecimento acumulado, o que acarreta na sua socialização e interação com a

comunidade e vai mais além, assegura canais interativos multidimensionados entre a universidade e a sociedade, comprovando que estes funcionam como componentes catalisador desse processo.

Essa comprovação do impacto e transformação social se fez presente para os 80% dos quinze depoentes. Alguns declararam que:

- Eu acredito que sim ele trouxe vem trazendo impacto e transformação social grande né porque na comunidade quilombola agente observou que enquanto nós estávamos lá no presente acompanhando as crianças elas já começaram a mudar os hábitos né desde os hábitos alimentares hábitos de higiene isso se refletiu dentro de casa porque as crianças aprendiam na escola e na casa passavam para os pais. (D-05)

E concluiu:

- Nós íamos nas casas da comunidade dos parentes familiares para falar um pouco da doença não é para falar não só falar de doenças parasitárias, mas também de outras doenças na hipertensão. Então a gente fazia pesquisa aferia pressão é questões nutricionais então isso é um impacto muito grande para eles porque como eles moravam na comunidade quilombola lá não tinha posto de saúde. Então é a presença do nosso grupo na comunidade trouxe o impacto social para eles muito, muito grande. (D-05)

- O projeto pelos impactos e transformação social sim porque a gente levava até a comunidade conhecimento informação até a própria atenção que eles não tinham. A gente teve um trabalho bem legal de conscientização da prevenção de parasitoses nessa comunidade. Trabalhou com crianças conscientizando também pais e professores sobre higiene sobre transmissão de doenças. (D-08)

-Acredito que impactou bastante o fato só da Universidade estar no local de extrema pobreza, em que não havia nenhuma possibilidade de desenvolvimento local, já de fato é um impacto. (D-26)

Observa-se que a EU é uma condição que oportuniza em primeiro lugar um maior acesso ao conhecimento que as universidades propiciam, e em segundo lugar dá ao discente a oportunidade de estudar e praticar, in loco, a aprendizagem da sala de aula. Assim, os discentes, na medida em que, participam de projetos extensionistas, vão vislumbrando a chance de preencher inúmeras lacunas do conhecimento e com isso trazer reflexões sobre seu papel como protagonista na mudança da realidade e as necessidades sociais. É o que encontramos em alguns depoimentos:

- Sim bastante que é o meu Projeto era voltar para escola. Eu trabalhei com gente que estava terminando o ensino médio estava no terceiro ano e assim tinha muita vontade de aprender a fazer um texto aprender, aprender a ler, isso me aproximou deles então, trouxe o impacto para eles muito. (D-01)

- Que alguns projetos tinham resultados positivos, pois as pessoas mudaram a forma de ver aquele fato […] da hipertensão e da diabetes e nas comunidades carentes já viram de outra forma [...] Entre outras coisas que mudou a cultura deles. (D-10)

Desta forma, a extensão possibilita o aprendizado em sua concepção mais ampla e profunda, superando a dicotomia teoria-prática para propor a prática pedagógica inter, trans e multidisciplinar. A universidade deve, destaca Jantke e Carol (2013, p. 97) fortalecer uma "Extensão Universitária preocupada com as questões sociais que estejam diretamente relacionadas com o desenvolvimento da cidadania dos seus participantes". Confirmado pelos depoentes abaixo:

- Numa esfera individual daqueles seres que participaram daqueles grupos de idosos que a gente foi, talvez a gente tenha deixado uma sementinha em relação a prevenção, ao controle de saúde. (D-12) - Acompanhávamos muitos os alunos que entraram na universidade, porque encontrávamos ele no cotidiano [...] A gente notava que estava mudando, não só a cabeça deles com perspectiva de ensino ou da área, mas também no que mudou dentro da casa dele, e até mesmo no cotidiano deles em influenciar os irmãos jovens para estudar. (D- 21)

- Então elas (participantes da comunidade) conseguiram ter um empodeiramento, se veem como agente social, sujeitos de direito e conseguiu desenvolver a sua renda a partir de tudo que tinha no local. (D-26)

Não podemos deixar de enfatizar que a universidade não pode substituir as políticas sociais, operacionalizadas nos mais diversos campos, pois se não o fazer- universitário volta a ter visão assistencialista de outrora, por isso é fundamental observar o papel da universidade na condução e solução dos problemas sociais que se apresentam através dos projetos extensionistas. Reforça Santiago (1990, p. 40) quando afirmou que é necessário “ empreender uma educação para a compreensão e intervenção na realidade, em função da construção de uma escola pública e democrática".

As diferentes maneiras de ensinar e de aprender permitem uma maior aproximação entre a Universidade e a sociedade, e isso contribui para uma educação

qualitativa o que possibilita aos discentes uma formação acadêmica mais completa. Entretanto, três depoentes foram contrários, e destacaram que não encontraram, durante os projetos de extensão que participaram, o impacto e a transformação social. O primeiro depoente D-02 alegou que o projeto "virou uma publicação, isto é um livro, com isso não viu impacto na sociedade”, o D-15 afirmou que "era um projeto interno, ou seja, só dentro da universidade", e finalmente o depoente D-20 complementou afirmando que:

- Infelizmente não. Infelizmente eu acho que não trouxe impacto e nem transformação social. Desde o manejo dos projetos de extensão que eu participei, desde como ele é pensado, e, essa resposta também que a gente tem que dar a todo momento, que é da academia né. Porque o projeto de extensão ele está em uma interface interessante, que é com a prática, no entanto os dois lados, o social de um lado, a prática, e a academia de outro, elas não andam de mão juntos muitas vezes. O tempo e espaço é diferente. (D-20)

E concluiu:

- Porque enquanto eu tenho que fazer um projeto de extensão burocraticamente, tendo que responder à academia, eu tenho um prazo, né? Eu tenho prazo do edital, eu tenho um financiamento, que muitas vezes não há também, eu tenho uma série de critérios burocráticos para responder enquanto academia. Enquanto prática eu tenho outra coisa. Eu tenho um tempo e espaço que é muito diferente. (D-20)

Realmente, a universidade trabalha com editais e a PROExC segue esta linha, que tem em média um ano de duração. Os projetos extensionistas, geralmente, são compostos: da pesquisa, da análise, dos resultados, e depois a sua aplicabilidade na comunidade. Então, fica insuficiente, em alguns desses projetos, vislumbrar essa característica, nesse espaço de tempo, seria necessário, pelo menos, mais um ano para essa observação. É o que assevera o depoente D-20:

- Porque eu não estou mais lá no social, não estou mais lá na comunidade por exemplo. Eu já saí. Então o impacto e a transformação podem até acontecer, mas eu não vi, porque voltei para a academia, porque não deu tempo, porque o projeto acabou, porque o edital acabou, porque não tem financiamento. (D-20)

É preciso que os docentes e a gestão da UFPE tenham a compreensão de que buscar o conhecimento, seja ele acadêmico ou popular, deve ser um processo prazeroso para os discentes, onde a burocracia acadêmica deve ser observada para não prejudicar o crescimento dos mesmos, isso fica claro quando o depoente D-20

declara que existem dois tempos o acadêmico e o social, e isso faz com que a interação com a sociedade não aconteça, e se acontece é de forma precária.

Portanto, considerando que “a extensão é educativa” (FREIRE, 1992, p. 22), cabe a ela encontrar uma maneira própria de educar. Esse modus operandi exige uma sensibilidade frente a realidade e uma compreensão dos conhecimentos e um compromisso com a sociedade, aspectos que, enfatiza Síveres (2013, p. 31) "confirmam o princípio da aprendizagem por meio do jeito de ser, da maneira de dialogar e da possibilidade de aprender."