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Subjetividade no processo de trabalho da enfermagem

2.1 O Estado da Arte

2.1.3 Subjetividade no processo de trabalho da enfermagem

Capella et al. (1999, p. 286) mencionam que no trabalho da enfermagem faz-se necessário apreender a multidimensionalidade do sujeito-trabalhador, na busca pela integração do seu pensar, agir e sentir para o resgate do respeito e, conseqüentemente, do reconhecimento de sua subjetividade. Essa subjetividade deve ser trabalhada pela reconstrução coletiva das formas de interação, de comunicação e do agir, para fortalecer tanto o trabalhador, quanto à clientela que procura os serviços de saúde, a partir da reconfiguração da área relacional e das identidades profissionais. A tão almejada humanização do cuidado de enfermagem, somente se torna possível mediante a humanização das relações entre os profissionais num contexto em que vida

e trabalho passam a ser espaços comunicantes e não mais esferas alienadas entre si.

Cabe esclarecer que a subjetividade no trabalho compreende uma investigação na tentativa de entender os indivíduos, seus conflitos, seus vínculos consigo mesmo, sua família, o próprio trabalho, a produção e a inserção de cada um na equipe.

Daniels e Daniels (1996) dizem que toda a organização que pretende tornar-se global, ou seja, sobreviver no atual contexto social imposto, deve identificar e desenvolver parcerias, na busca da complementação mútua, além de se educar em relação ao papel potencial dos parceiros. Portanto, é preciso estar alerta para as várias abordagens existentes para a compreensão da subjetividade presente no processo de trabalho.

Segundo Maturana e Rezepka (2001, p.80), ao se pensar um espaço relacional, é preciso atentar para o fato que nos faz tornar humanos é nosso viver como seres de

mesmos e pelo outro.

Cabe ressaltar que os constantes avanços tecnológicos transformaram o fazer humano num ato extremamente tecnicista, com uma acentuada valorização da técnica em detrimento de uma abordagem humanista. A realidade vigente é dominada pelo regime capitalista e tem levado a humanidade a buscar uma competitividade sem limites, porém o diferencial imposto, atualmente, não está somente na tecnologia de ponta, mas na forma como ela está sendo empregada, ou seja, mediante a associação do resgate do ser humano, em sua dimensão subjetiva e do cuidado ao indivíduo.

As organizações, na atualidade, tornaram-se num ambiente com excesso de condições negativas, submetendo seus trabalhadores a tensões indevidas, prejudicando ou degradando sua humanidade. Em muitos casos transformaram-se num trabalho arriscado e perigoso, em virtude dos problemas psíquicos, morais e físicos desencadeado nos trabalhadores. Desta forma, é preciso resgatar a qualidade de vida no trabalho, ou seja, produzir um ambiente de trabalho mais humanizado, com alegria, prazer e satisfação.

Maturana e Rezepka (2001) chamam a atenção para o fato de que em um ambiente de desconfiança, manipulação das relações, os seres humanos tornam-se enfermos. E, alertam que a emoção fundamental ou fundamento emotivo dos seres humanos no convívio em comunidades está pautado na cooperação, na confiança mútua e, no respeito nas relações interpessoais.

O presente estudo visa oferecer, pela dimensão da subjetividade dos seres humanos no mundo das equipes de trabalho, um novo olhar que estimule as questões que perpassam e problematizam essa mesma dimensão na enfermagem. Ainda, tem a intenção de incitar a própria subjetividade de cada leitor, além da utilização das várias abordagens quanto à temática em pauta e, têm a preocupação de não apresentar uma visão fechada da questão, mas uma proposta de Teoria dos Vínculos Profissionais contendo um Modelo para o trabalho em equipe na enfermagem, construído de forma participativa e elaborado com o auxílio de um grupo de profissionais da enfermagem.

Uma das características mais notáveis das organizações atuais é o convívio com fórmulas e estratégias, em inúmeros formatos, baseados em engenhosos artifícios tecnológicos de ação e execução, mas que na maioria das vezes oferecem limites

concretos, pois, freqüentemente, estão centrados somente na busca pela eficiência e pelo rendimento, em que os meios justificam o fim.

O esgotamento dessas fórmulas tem direcionado os estudos e as ações ao mostrar a necessidade de redefinir o espaço da subjetividade nas organizações, desencadeando, conforme Volnovich (2000, p.61) um movimento que coloca as

organizações ao serviço dos seres humanos e não ao contrário.

Nesse sentido, minha prática na função de coordenadora de equipes de enfermagem contribuiu como um fator importante para pensar a subjetividade no trabalho, pois sempre acreditei que o movimento dos participantes de uma equipe não se dá ao acaso e, sim, que está ligado ao modo de encaminhamento, por parte do coordenador do grupo e, principalmente, que essa condução, quando realizada de forma adequada, favorece a execução da tarefa profissional, ou seja, influencia na qualidade do cuidado terapêutico que essa equipe presta à clientela que procura os serviços de saúde.

O trabalhador deve ser percebido não apenas como um ser humano dotado de individualidade, um ser uno na sua relação com o trabalho, mas também na dimensão do grupo de trabalhadores. A esse respeito, para Ferreira (2000), a qualidade do trabalho da enfermagem, ou seja, a relação entre profissional e cliente, está na dependência da interação estabelecida entre os membros que compõe a equipe de enfermagem.

Observa-se, porém, que o ensino recebido pelo enfermeiro está pautado no modelo biomédico, ou seja, o processo saúde-doença visando prestar uma assistência ao ser humano nos serviços de saúde, com base num currículo fragmentado em que a pessoa é vista como peças de uma máquina. As disciplinas que enfocam o trabalho em equipe, geralmente, apresentam aos discentes os conteúdos de forma isolada e, por serem, assuntos teóricos e abstratos, normalmente não sensibilizam os acadêmicos. Sendo a enfermagem uma disciplina profissional, no qual o conhecimento está sendo desenvolvido a partir de ações práticas, as questões que envolvem o estudo de pequenos grupos de trabalho não são absorvidos como se faz necessário para a formação de uma equipe de enfermagem com o estabelecimento de vínculos profissionais agregadores.

Lunardi Filho e Lunardi (1996) fazem uma reflexão quanto ao ensino da administração na enfermagem e propõem que o ensinar a administração se dê como meio e instrumento para o alcance de um cuidado de qualidade ao ser humano. Abordam, ainda, que as dificuldades apresentadas quanto a essa temática têm sua origem na formação da Enfermagem Moderna, que buscou romper com a prestação de cuidados caritativos e logo na sua concepção foi adotando a divisão técnica do trabalho, com base na divisão social do trabalho. Assim, desde a sua formação, apresentou um caráter fragmentário. Desta forma, a enfermagem tem sido uma área fértil às influências de estratégias, modelos e teorias provenientes da administração, além de incorporar ações sob a subordinação do trabalho médico. Os autores ainda questionam se no ensino dos conteúdos da administração a ênfase está nos aspectos gerenciais ou com vistas ao desenvolvimento do cuidado de enfermagem.

Como eles, percebo que são duas racionalidades que se distanciam uma da outra, porque mesmo sendo fundamental a gerência do espaço dos instrumentos e da força de trabalho, em relação à assistência à saúde há que se ter em mente a finalidade a que se destina, ou seja, a coordenação de esforços para a oferta de cuidados terapêuticos. Para a efetivação desta finalidade, a equipe envolvida precisa trabalhar em sintonia entre si e com os usuários, por meio de vínculos profissionais saudáveis, em termos de ação e discurso, de modo a executar o cuidado terapêutico eficiente e de modo eficaz.

Atualmente, sem preparo adequado, o enfermeiro, freqüentemente, apresenta um sentimento de impotência, levando à fuga, isto é, não assumindo responsabilidade em seu processo de trabalho, nas relações interpessoais da equipe de enfermagem e nas questões que envolvem a subjetividade do trabalho, dificultando a realização de um cuidado que satisfaça a comunidade atendida pela enfermagem.

Constato pelo convívio com a prática e mediante uma busca entre os pesquisadores, que não existem estratégias claras ou modelos que subsidiem o trabalho para formação de uma equipe de enfermagem. O referencial bibliográfico consultado reporta-se sempre para a necessidade da formação dessa equipe, porém poucos mencionam os meios para que a mesma ocorra ou como qualificar a cooperação conseqüente.

Ferreira (2000), porém, pontua que o “conteúdo” essencial do cuidado na enfermagem é diretamente proporcional à qualidade da relação entre o sujeito- trabalhador e o sujeito-hospitalizado e, para tanto, é necessária a capacitação da equipe de enfermagem para que essa interação ocorra de modo a promover as dimensões subjetivas e as habilidades relacionais das pessoas envolvidas.

O tema habilidade relacional em pequenos grupos de trabalho há várias décadas já é estudado, tanto na área da psicologia social quanto na sociologia e, nossa proposta é que essa temática faça parte de maneira efetiva na vida da equipe de enfermagem e no cotidiano do enfermeiro.

Arendt (1997) contribui nesse sentido, ao se reportar ao processo grupal, mencionando que o mesmo somente ocorre a partir da ação e do discurso, pois são estes que interligam e relacionam os indivíduos, além de atuarem como mediação nos grupos, determinando uma teia de relações humanas, as quais revelam os seres humanos como sujeitos, pessoas distintas e singulares, mesmo quando unidas para alcançar um objetivo totalmente material e mundano. Essa teia está sempre presente onde as pessoas vivam juntas, circundadas pelos atos e palavras de todos os participantes do grupo.

Desta forma, o ser humano, ao agir, pode desconhecer as conseqüências de seus atos, sendo ‘culpado’ de resultados que nunca desejou ou previu; e que, por mais desastrosas que sejam as conseqüências da sua ação, jamais poderá desfazê-la, pois o processo iniciado não se desfaz pelo desejo. Desse modo, somente a práxis, por seu caráter reflexivo é capaz de dar ao trabalhador algum controle sobre o seu trabalho e o resultado dele.

Ainda, num grupo, durante o curso da ação, está presente o poder que resulta da capacidade humana para agir em conjunto, aqui, entendido como um poder construtivo, como resultado de um consenso, participação, debate. Arendt alerta para a outra face do poder e identifica a violência como sendo contrária ao poder, quando um domina, absolutamente, o outro está ausente e cada diminuição do poder é um convite a violência. É preciso ter clareza que a violência pode destruir o poder e jamais criá-lo, e que esta não pode ser derivada de seu oposto, o poder, e que, a fim de compreendê-

Assim, é necessário ter esperança da existência do novo, que provém da criatividade da ação conjunta, e que significa, apesar de todos os traumas do século XX, uma impugnação ao medo e o fortalecimento do poder coletivo.

Sob essa ótica, compreender como estão as relações numa equipe de enfermagem, qual é a sua dinâmica e, posteriormente, construir vínculos profissionais é a base para a cooperação, no seu sentido mais estrito, para o cuidado terapêutico ser realizado com vistas à satisfação das necessidades apresentadas pelas pessoas que procuram por serviços de saúde.

Quanto aos problemas causados na impossibilidade de desfazer o que se fez, mesmo sem saber o que se fazia, Arendt (1997) apresenta como solução a faculdade do perdão e a faculdade de prometer e cumprir promessas. Neste sentido, o caráter precípuo dos vínculos profissionais é a compreensão mútua e o acordo coletivo quanto às finalidades do trabalho, em termos de ação e discurso.

Ao se compreender os aspectos que envolvem as ações dos seres humanos, ou seja, as conseqüências da presença ou ausência dos atos e o perdão, em virtude da imprevisibilidade e da incerteza do futuro, torna-se necessário aprofundar o entendimento das relações humanas no trabalho, atentando, conforme dizem Leite e Ferreira (1997), para a percepção da teia de interações presentes na articulação complexa de três dimensões, isto é, institucional, profissional e pessoal.

Nessa mesma linha de pensamento, quanto aos fatores subjetivos, Hirigoyen (2002) chama a atenção para a existência do “assédio moral”, que no local de trabalho é manifestado por toda e qualquer conduta abusiva, sobretudo por palavras, gestos, atos, comportamentos, que possam danificar a personalidade, a dignidade, a integridade física ou psíquica do trabalhador. Essa agressão não se dá abertamente, ela é praticada de modo subjacente, na linha da comunicação não-verbal, em que o agressor utiliza as fraquezas de sua vítima, leva-a a duvidar de si mesmo, visando aniquilar suas defesas, e alerta que cabe aos coordenadores de grupo recusar tais formas de assédio e resgatar o respeito pelo ser humano.

Assim, é preciso impulsionar a enfermagem no sentido de seu engajamento às grandes mudanças que estão ocorrendo na sociedade, possibilitando que a construção do conhecimento se encaminhe no sentido de definir e divulgar o campo de atuação da

enfermagem na sociedade para novas formas de trabalho, que tenham como norte a complexidade de processos interativos, reafirmando os vínculos na ação, sem perder sua condição humana e sem alienar-se pela banalização de seu próprio sofrimento e do sofrimento do outro.

Como campo de atuação da enfermagem, a ser reconhecido pela sociedade, vislumbra-se o cuidado terapêutico, e, para tanto, Leopardi (1994, p.13), propõe que esse cuidado seja exercido com compaixão. Compaixão [...] que pode conceber

possibilidades de ajuda, sem domínio, sem exploração, sem desconfiança, sem paternalismo, sem falsa ética.

Percebo que, nesse círculo de modificações e redimensionamento, a enfermagem, enquanto disciplina profissional, precisa instrumentalizar-se para o enfrentamento desta nova visão de mundo, por meio da flexibilidade, diversidade e de uma mistura criativa entre cooperação e concorrência, esta no sentido de primar para ser e fazer melhor. Como um dos meios para a formação de uma equipe eficiente e eficaz na enfermagem, acredito que é pela afirmação dos vínculos profissionais de um trabalho coletivo, levando ao respeito, ao entendimento do comportamento e do funcionamento dos seres humanos nos grupos de trabalho, para aprimoramento das relações interpessoais e conseqüente aperfeiçoamento do cuidado terapêutico ao cliente.

Ao pensar num trabalho coletivo, Ramos (1996) diz que a condição humana do trabalhador envolve o sujeito em seu cotidiano, a expressão de suas experiências, desejos, sentimentos e sua história. Em virtude de o trabalho ocupar grande parte do nosso tempo vivido, o imaginário traduz os pequenos dramas dos serviços de saúde, sendo possível identificar três personagens: o eu, o outro e a instituição. Esse imaginário se forma, se desfaz e refaz nas questões palpáveis nas instituições, durante a realização das normas, rotinas e técnicas e nas manifestações verbais e não-verbais das pessoas durante o trabalho.

Ortega (2000) esclarece que estamos presos a um imaginário que dificulta nossas relações afetivas, em virtude da pobreza em nossas formas de sociabilidade. E que existem imagens dominantes, que direcionam esse imaginário e condiciona nosso modo de pensar, amar, agir e interferem nas relações afetivas, em qualquer espaço de

vida.

Constato que o ser humano surge como uma preocupação comum e primordial, em todas as recentes tendências teóricas emergentes no mundo do trabalho, desencadeando o interesse pela dimensão da subjetividade nas organizações contemporâneas.

A dimensão da subjetividade entendida como a existência da confiança, da responsabilidade, da ética, da colaboração, da cooperação, do engajamento, da criatividade, da iniciativa, transpondo um “saber-fazer” para um “saber-ser”, deslocando o foco do “recurso” humano máquina para a atenção ao ser humano subjetivo e ator num processo de fazer algo.

Olhar para o futuro significa investir nos seres humanos, desenvolver as individualidades, a autopercepção, o autocontrole. Num contexto de situações mutáveis e imprevisíveis, permitir que a diversidade e riqueza das aptidões e dos talentos possam aflorar e dinamizar as organizações do século XXI.

Vários estudiosos têm se dedicado e esforçado para o entendimento da subjetividade, a partir de práticas de ordem individual, grupal ou institucional. E têm recomendado atenção, pois ao se pensar em subjetividade, essa não se inscreve num campo puramente racional, mas está relacionada a uma cadeia de significações, nem sempre perceptíveis para o indivíduo ou para a organização à qual pertence.

O próximo passo será compreender o quanto é possível conciliar interesses do ser humano-trabalhador e da organização na qual ele trabalha e depende em última instância. Não é uma tarefa fácil, portanto, entendo ser necessário fazer uma incursão aos conceitos elaborados sobre as organizações, entendido como espaço de relações humanas, além de relações de trabalho.

2.3.1.1 Questões sobre as organizações

As pessoas como sujeitos ou em grupos, são dinâmicas, pois se formam, mudam e se dissolvem de uma maneira contínua dentro das organizações atuais. A estrutura está relacionada à escala hierárquica, que define os relacionamentos formais dos indivíduos nas organizações e mencionam que os diferentes cargos são necessários para que todas as atividades de uma organização sejam realizadas.

conhecimento de sua posição na estrutura hierárquica, o que é esperado deste serviço dentro da organização, já que é essa posição organizacional que determina o grau de autonomia na realização de sua ação específica, isto é, o cuidado terapêutico. Desta forma, vislumbram-se vários estudos que são propostos para que as organizações revejam o seu papel junto à comunidade.

Enriquez (2000) propõe às organizações, um projeto com base na cultura da empresa, visando atender a sociedade em constante mutação, pois acredita que além da estrutura hierárquica, é preciso levar em consideração os mitos, os valores, os símbolos e o funcionamento imaginário da organização. O ser humano é aquele que sabe ser frágil, que tem um “foro interior”, ao qual respeita, que constrói uma identidade maleável e capaz de ser criador de história, ou seja, imprimir sua marca, por menor que ela seja, no contexto no qual está inserido. Ele desenvolve seu trabalho com outros, porque entendeu que não passa de um sujeito em uma história coletiva e que esta se encontra acima dele, mas que ele auxiliou a construir.

A esta noção gostaria de acrescentar que o coletivo está acima dele em termos éticos, porém, não o suprime como indivíduo, nem lhe retira as responsabilidades em seus atos e discursos individuais, mesmo que a decisão não seja exclusivamente sua. Quando um coletivo decide algo e o sujeito aceita, assume a co-responsabilidade, sejam quais forem as contingências presentes nas decisões.

O autor citado ainda menciona que o ser humano precisa aprender a não ter mais medo de si mesmo e de seu imaginário, pois mediante a conscientização do seu “eu autêntico”, poderá transformar a sociedade em que vive. Na presença destes sonhadores realistas, as sociedades, talvez tornem-se num ambiente para todos viverem.

É na busca de um ambiente solidário, de complementaridade, com espírito de coletividade e respeito aos valores e cultura, que a equipe de enfermagem garantirá um cuidado terapêutico, em conformidade com as necessidades e anseios das pessoas que procuram as organizações de saúde.

As organizações têm a finalidade de fazer surgir o ser humano, individual e coletivo, capaz de integrar a ética da finitude, entendida como sendo a ética que:

consciência dos limites, a consideração da identidade e do narcisismo da morte, a disposição de examinar as conseqüências possíveis nefastas de suas atuações sobre o futuro do gênero humano, a convivência com a morte que ele leva em si e que pode projetar sobre os outros. É quando o sujeito se situa, respectivamente, como portador de vida e de morte, como egoísta e altruísta, como ser de paixão e de razão, que ele pode ter convicções fortes, mas ser apto de modificá-las, se na mudança ele vier a se transformar; saber, portanto, pensar sozinho e com os outros(ENRIQUEZ, 2000, p.21).

Já para Leite (2000, p.87), encontramo-nos em busca de uma nova solução paradigmática, possibilitando que o “eu”, crença básica da modernidade, possa ser melhor atendido em suas demandas de amor, felicidade e ausência de angústia. Pois estamos diante do fracasso da abordagem tradicional, devido à incapacidade de dar conta dos problemas criados pelas tensões indivíduo e organização e o desejo ardente em encontrar qualquer solução para acabar com o crescente mal-estar de nossas