ESCOLAR – 1º CICLO DO ENSINO BÁSICO
Esta experiência profissional, em Rabo de Peixe, a qual consideramos gratificante, tem-nos aberto caminhos de sensibilização para uma realidade crítica, de forma a incutir nos alunos, valores para uma escola de futuro. Neste sentido, tentamos diversificar actividades, criar novos métodos/estratégias de ensino, para uma educação cívica e social, tentando, desta forma, optimizar a inteligência/criatividade, para uma presença assídua/harmoniosa perante a escola.
As estratégias de ensino, acima referidas, não são de todo bem acatadas, pela maioria dos alunos, ao demonstrarem um baixo rendimento escolar. Daí, surge a implementação do Programa Oportunidade, que no nosso ponto de vista, se adapta ao próprio meio envolvente à escola, visto ser um meio considerado problemático, com fracas expectativas, em relação ao futuro dos jovens/alunos.
Os programas são referências que permitem alternativas e possibilidades para os alunos realizarem diferentes aprendizagens de forma a alcançarem o sucesso educativo. Essas experiências de aprendizagem devem ser “activas, significativas, diversificadas, integradas e socializadoras” (citado em ME - Organização Curricular e Programas - 1º Ciclo Ensino Básico - 2001:29).
No que diz respeito às aprendizagens activas, os alunos têm oportunidade de viverem situações gratificantes de descoberta, de novos saberes e de novos percursos, de forma a apontarem alternativas que, mobilizem a sua inteligência.
Quando as aprendizagens são, de acordo com as vivências dos alunos, quer dentro quer fora da escola, que correspondam aos seus interesses, são denominadas por aprendizagens significativas, ou seja, vão-se construindo, de acordo, com o desenvolvimento de cada criança. As aprendizagens diversificadas apontam, para a necessidade de se diversificar as modalidades de trabalho, nomeadamente as técnicas, os processos de desenvolvimento de conteúdos e assim como dos materiais. No que diz respeito, às aprendizagens integradas, estas partem das experiências vividas ou imaginadas pelos alunos. Todos os saberes e experiências que os alunos tinham adquirido, recriam a novas descobertas.
Os métodos, que utilizam no processo de ensino - aprendizagem, reproduzem formas de solidariedade e de autonomia, como o exercício de trocas culturais e a criação de hábitos
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de interajuda nas actividades educativas, são designadas por aprendizagens socializadoras. Deste modo, cabe ao professor criar um clima benéfico à socialização, tendo em consideração os interesses/ necessidades de cada aluno, as experiências escolares, as diferenças individuais e o seu ritmo de aprendizagem. Deve, também, permitir a escolha de actividades, a promoção de iniciativa individual, estimular as trocas de saberes e experiências.
Segundo Antão (1997), o papel de ensinar, não é apenas transmitir conhecimentos de uma “ cabeça para outra(s)”, mas sim, estimular o aluno na identificação e na resolução de problemas, de forma a criar novos hábitos de pensamento e acção. Assim, o professor, ainda na linha de pensamento do mesmo autor, “(…) deve conduzir o aluno à problematização e ao raciocínio, e nunca à absorção passiva das ideias e informações transmitidas. Além disso, para ser um bom comunicador, o professor deve gerar empatia, deve tentar colocar-se no lugar do aluno e, com ele, problematizar o mundo” (ibidem:14). Deste modo, o professor irá transmitir-lhe novos conteúdos e ajudá-lo a crescer ao nível de cooperação, criatividade e respeito mútuo.
É nesta ordem de ideias, que pretendemos apresentar o Programa Oportunidade, enquanto programa específico de recuperação de escolaridade, que se destina, segundo a Portaria nº 53/2010 de 04 de Junho de 2010 (anexo III), melhorar a socialização e a integração do aluno na comunidade ao qual está inserido; contribuir para a redução de factores de exclusão social; prevenir o abandono escolar precoce e de forma a responder ao insucesso escolar repetido no ensino básico.
Este programa, segundo o seu Regulamento, artigo 1º, capítulo I, ponto 1, é destinado a alunos que estão num percurso de insucesso escolar, que frequentam o ensino básico e tenham idades compreendidas entre os 10 e os 18 anos.
O Programa Oportunidade constitui-se, como um programa específico de escolaridade e, está organizado em quatro subprogramas designados por Oportunidade I, Oportunidade II, Oportunidade III e Oportunidade Profissionalizante.
Relativamente ao Subprograma Oportunidade I, o qual faz parte do nosso estudo, destinam-se a alunos que não atingiram as competências essenciais para aprovação no 1º ciclo do ensino básico e tenham 10 anos à data de início do ano escolar, em que ingressam. A constituição de turmas deve ser feita, sempre que seja possível, de acordo com o nível etário e perfil de competências dos alunos e não deverá exceder os vinte alunos por turma.
De acordo, com a matriz curricular deste subprograma, está definido que deve ter um limite mínimo de 15 blocos e um máximo de 17 blocos semanais: Língua Portuguesa – 3
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blocos; Matemática – 3 blocos; Meio Físico e Social – 2; Língua Estrangeira I – 1; Expressões Artísticas e Físico - Motora – 3; Formação Pessoal e Social – 1; Área Vocacional – 4. A distribuição da carga horária cabe ao Conselho Executivo de cada escola decidir, tendo em atenção as necessidades e interesses dos alunos. À equipa pedagógica de cada turma compete desenvolver as áreas temáticas de cada disciplina/ área curricular, em função das necessidades dos alunos, tendo sempre por referência o perfil das competências essenciais.
No que diz respeito, à avaliação é de carácter descritivo no 1º e 2º períodos, mas no final do ano lectivo é de carácter qualitativo relatando se desenvolveu/não desenvolveu as competências definidas para a disciplina/área curricular. A aprovação dos alunos é feita em qualquer ano, desde que o Conselho de Turma considere que o aluno desenvolveu o conjunto de competências consideradas essenciais para este subprograma. Caso contrário, ou seja, se o aluno não desenvolveu as competências e no ano escolar seguinte perfaz 14 anos, pode submeter-se a exames terminais de ciclo, seguindo-se as regras de aprovação do currículo regular ou pode ir para um Programa Formativo de Inserção dos Jovens (PROFIJ) nível I ou Oportunidade II. Em qualquer momento do ano, os alunos que estejam inseridos neste tipo de programa, podem ser integrados no Sistema de Ensino Regular, como forma de trazer benefícios para o seu percurso escolar, sem obrigatoriedade de cumprimento de um ano lectivo. Esta decisão deve ser do Conselho de Turma, mencionando o ano de escolaridade recomendado, tendo em conta a idade do aluno, assim como, o desenvolvimento das competências verificadas. Por isso, a escola deve adequar as estratégias, de acordo, com as necessidades e interesses dos seus alunos, de forma a contribuir para a rápida recuperação da escolaridade dos alunos, pois neste programa não existe a noção de ano de escolaridade, nem de progressão ou retenção.
O Subprograma Oportunidade I, segundo o Regulamento, capítulo II, artigo 6º, funciona em escolas do 2º ciclo, estando a cargo de docentes do 1º e do 2º ciclo, em regime de par pedagógico, sempre que se considere necessário, e numa das seguintes modalidades, segundo o regulamento deste programa: “ a) Um docente a tempo inteiro, que irá desempenhar as funções de director de turma, sendo seleccionado pelo perfil adequado a este percurso curricular, e um docente de cada disciplina / área curricular; b) Dois docentes por disciplina / área curricular”. Compete à escola decidir em que disciplinas / áreas curriculares que a presença do director de turma será mais necessário. A frequência deste subprograma finaliza até o aluno atingir as competências definidas do 2º ciclo ou até ao limite de idade de 14 anos no início do ano escolar subsequente, ano em que ingressa para o 3º ciclo.
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