Você tem medo de ser feliz? Você já parou para pensar quantas pessoas têm receio de ser fe-lizes, não aceitam a própria luz e ainda abraçam a escuridão? É muito estranho, você não acha? Quantas pessoas preferem os vícios, preferem cul-tivar maus hábitos, preferem falar mal das outras pessoas, preferem ver defeito em tudo e em todos? Quantas pessoas ainda preferem se aproximar de más companhias? Quantas pessoas ainda prefe-rem o prazer de curto prazo que a alegria genuína da alma de longo prazo que o Evangelho ensina? Meu amigo, felicidade é muito mais que abrir a boca para dizer que quer ser feliz. É um estado de espírito, uma proposta de vida, uma maneira de viver, de observar e sentir a vida em um novo pa-tamar.
Os medos acabam impedindo-nos de dar passos importantes rumo à nossa felicidade. As incertezas sobre o futuro que costumamos nutrir na nossa alma, os receios sobre o que nos pode acontecer – que, na maior parte das vezes, nunca se concretizam - incomodam bastante e nos
im-pedem de caminhar. Um deles é sintomático, e é importante ser olhado com muito carinho, para tentarmos compreender o que está acontecendo: o receio de ser feliz. Permita-me fazer um parêntese: podemos ter medo de várias coisas, mas prudência é saudável, já que nos auxilia a ter uma existência um pouco mais equilibrada. Para não sermos atro-pelados, é prudente olharmos para os dois lados da rua. Então, prudência é saudável, mas medo não, medo trava.
Pois é, meu amigo, o medo de ser feliz nada mais é que um processo da alma que nos orienta a permanecer no estado em que nos encontramos, muitas vezes de infelicidade. Há pessoas que vem de maneira ansiosa, tensa, temerosa, que vi-vem relacionamentos difíceis, que vivi-vem proble-mas graves na área afetiva, que acabaram de ter familiares desencarnados, que têm dificuldades na área profissional, às vezes foram demitidas ou trabalham em um lugar de que não gostam, ou simplesmente não se sentem confortáveis com a vida que possuem. Não importa o que esteja acon-tecendo: o desconforto é interno, e aí, por mais que tudo esteja presente, por algum motivo, esses nossos irmãos de caminhada não se movimentam,
têm receio de dar o próximo passo para sair desse círculo de desconforto. É como se, inconsciente-mente, houvesse uma trava, uma espécie de cor-rente que os segurasse a um sofrimento que na-turalmente não querem, mas, ao mesmo tempo, fazem muito pouco para dele se libertar. É o medo de ser feliz, é o receio do novo. É o receio de aban-donar o conhecido, por mais incômodo que seja, e dar o próximo passo rumo ao desconhecido, ainda que tudo mostre que o desconhecido tende a ser melhor.
A mesma coisa acontece na questão profis-sional: a pessoa reclama do que tem e pensa que, para melhorar, terá de fazer um monte de coisas e, assim, sente-se cansada, desanimada e acha que não vai conseguir. Ou, então, quando muito, dá o primeiro passo, mas vem a primeira dificuldade, e o desânimo logo abate sua alma. Isso não pode. O medo de ser feliz, na minha opinião, nada mais é que a falta de conhecimento do próprio potencial e de entender que a vida é um processo, que um pas-so leva ao seguinte e que não há caminhada longa sem os pequenos passos. Por mais que seja difícil enxergar um futuro melhor que o momento atual, meu amigo, é preciso dar passos com consciência.
Que afastemos para sempre o receio e a preguiça de dar os próximos passos e de ser feliz, porque nossa família merece que sejamos felizes e merecemos ser seres humanos mais felizes. A humanidade precisa que sejamos pessoas mais fe-lizes, porque, assim, nossa luz vai iluminar todos no mundo espiritual e no mundo terrestre. Afinal, estamos totalmente interligados. Como diz a física quântica, somos um único ser. Por isso, nada de ficarmos apegados ao passado. Vamos dar o pró-ximo passo sem nenhum medo de ser feliz. Pelo contrário, vamos fazer a nossa parte para sermos felizes agora!
Então, o convite para você é: largue esse medo de ser feliz não importa o que aconteceu no passado, largue suas culpas e arrependimentos e siga adiante. Se Deus que é Deus não nos jul-ga, por que você vai perder tempo julgando a si e aos outros? “Ah, mas eu não sei o que vou fazer.” Ore, mentalize seu anjo da guarda que está ao seu redor. Veja como Deus já é presente na sua vida. Sinta essa energia e perceba que as intuições vão chegar até você. É como ondas de rádio: se está bem sintonizado, capta a estação que quer; porém, se a sintonia está ruim, não capta. Esse também é
o nosso caso. Tenho certeza de que, se cuidarmos da nossa intuição, se fizermos nossas preces, se meditarmos, se serenarmos nossa mente, vamos nos conectar com o que há de mais sagrado den-tro da nossa alma, vamos sentir o primeiro passo que devemos dar, o segundo, o terceiro, e assim por diante.
Não tenha medo de ser feliz, de amar, de servir. Não tenha medo de sorrir, mesmo que as pessoas ao seu redor não entendam e lhe achem tolo. Com o perdão da sinceridade, tolos, infeliz-mente, são os nossos irmãos que se julgam mais inteligentes ou interessantes, que vivem julgando as pessoas escondidos atrás de crenças limitantes e de uma máscara de orgulho que, cedo ou tarde, vai cair, na maior parte dos casos, de forma dolorosa. Quem será o tolo: quem ama ou aquele que foge de praticar o amor? Fica a pergunta para que você reflita e encontre sua resposta.
Eu gostaria agora de falar sobre a diferen-ça entre prazer e felicidade. Prazer diz respeito às sensações do corpo; felicidade é a sensação da alma. Prazer é passageiro, porque tudo que diz res-peito ao nosso corpo vai e vem com muita rapidez;
felicidade é perene, é constante. Não é à toa que Jesus sempre nos convidou à felicidade da alma, a beber a água que Ele tinha a oferecer, para que nunca mais voltássemos a ter sede. Longe de mim querer fechar esse assunto, mas este ponto mere-ce nossa atenção: traga à tona a luz do Evangelho. Lógico! Jesus disse três frases famosas: “Batei e abrir-se-vos-á”, “Buscai e achareis”, “Pedi e obte-reis”. Se aprendermos a fazer a nossa parte, a dar o passo que nos levará ao seguinte, um dia acor-daremos, olharemos para trás e falaremos: “Meu Deus, como eu caminhei!” O grande problema é que boa parte de nós quer tudo perfeito de uma hora para outra. E é mais ou menos assim também com a pessoa que está angustiada com vários pro-blemas familiares. Ela se alimenta da ilusão de um dia acordar, ter todos seus problemas resolvidos e ficar feliz. Como ela sabe que isso não existe, a sensação de que vai demorar muito, que é difícil e complicado faz com que fique sem energia para dar o primeiro passo. Como não dá o primeiro passo, consequentemente não consegue dar o se-guinte, e o problema nunca se resolve.
O Evangelho nos traz uma esperança. Jesus disse que, se fizermos a nossa parte, com certeza,
atrairemos aquilo de que necessitamos. O mun-do espiritual sublime nos mostra que somos cer-cados por uma nuvem invisível. O que isso quer dizer? Se formos pessoas otimistas e positivas que, mesmo em meio à dor e à dificuldade, damos um passo após o outro, fazemos a nossa parte, nos es-forçamos de verdade para sermos seres humanos melhores, tenhamos certeza de que amigos espiri-tuais nos protegem, nos amparam, nos inspiram e não nos vão deixar esmorecer. Agora não tem jeito para quem fica de braços cruzados, reclamando da vida, com medo do futuro, apegado à dor do pre-sente sem fazer nada e, ainda assim, com a ilusão de que as coisas vão mudar. Concorda? Não faz sentido. É o que sempre falo: pé de jaca dá jaca, pé de melancia dá melancia e pé de laranja dá laran-ja. Ou seja, vamos colher o fruto da semente que plantarmos.
Nos últimos 20 anos, no campo da psico-logia positiva, todas as pesquisas realizadas por neurocientistas de universidades renomadas do mundo mostram que a felicidade das pessoas está relacionada a servir. Não tem jeito. Quer ser feliz? Ame ser útil. Isso não é gostoso? Quer ser feliz? Aprenda a tratar bem os animais, a natureza e seja
uma pessoa grata. Quer ser feliz? Descubra hoje, mesmo em meio a dificuldades, como você pode ser grato, útil, como pode servir à vida e ser uma ponte entre as almas. Pelo que dá para perceber, só é possível sermos felizes se abrirmos mão de velhas crenças e jogarmos fora o medo de ser feliz. Mui-ta gente vive escondida nas suas armaduras. Não é verdade? Armadura sim: cabeça-dura, fechada, coração bloqueado, porque está enxergando a vida dolorida, não tenho dúvida disso. As pessoas difí-ceis que conhecemos - inclusive nós mesmos - são assim porque há muita sensibilidade que ainda não foi trabalhada e cuidada em sua alma.
Quando Jesus fala «deixai brilhar a vossa luz» ou quando consideramos a teoria junguiana da individuação – a pessoa descobre seu papel no mundo, se reconhece como um ser divino, de luz, que pode e deve fazer diferença na sua vida e na humanidade –, lembramos da promessa eterna do Evangelho de que somos a luz do mundo, o sal da terra. É isso que Jesus falou. A pessoa equilibrada e serena emana luz. A pessoa equilibrada e sere-na, com tranquilidade, perdoa, passa por cima dos próprios problemas, é otimista, ri de si mesma, faz piada com as suas dificuldades afetivas, de saúde
e até financeiras. Ao contrário, a pessoa triste e amargurada, muitas vezes se sente como um dos piores seres humanos do mundo. Converse com alguém com baixa autoestima que você vai ver se não estou falando a verdade. Nós nos esquecemos de quem somos.
Acorde o Eu Sagrado dentro de você! Acor-de sua luz divina! Deixe-a brilhar! Faça aquilo que lhe cabe sem erros, sem medos, para que todos ao seu redor se inspirem e possam crescer também. A sua luz serve ao mundo! Inspire as pessoas em dificuldade! Não tenha vergonha da sua luz! Se essa luz é bonita, genuína, generosa, bondosa, se se importa com seu semelhante, com certeza é uma luz que tem de ser cultivada. E a nossa humani-dade, nessa fase de transição, precisa de pessoas como você, que estão se espiritualizando, que se importam com o outro, que cuidam dos animais, que cuidam da natureza e procuram viver de ma-neira harmoniosa e feliz. Que Deus lhe permita, com certeza, brilhar cada vez mais sua luz para que tudo flua da melhor maneira possível.