Definição
São formas farmacêuticas sólidas, de forma e peso adequados, destinadas à inserção em orifícios corporais nos quais, amolecem, se dissolvem e exercem efeitos sistêmicos e localizados (ANSEL, POPOVICH & ALLEN Jr. Farmacotécnica, 6a ed., p. 471)
Razões de uso
Razões patológicas da mucosa gástrica ou por irritação
Inativação total ou parcial dos fármacos pelo suco gástrico.
Pacientes em coma total ou parcial
Problemas de ingestão do paciente ou cirurgia no trato bucal.
Medicamentos que provocam náusea ou tem sabor ruim.
Em pediatria e geriatria (fácil administração)
No tratamento de pacientes com episódios de vômitos. Anátomo fisiologia do reto
O reto – últimos 15 – 20 cm do intestino grosso, importante para a absorção. Dividido em 2 porções: reto pélvico e reto perineal
Reto pélvico: a parede do reto é recoberto por uma mucosa que contém 1 – 3 ml de líquido inerte (ampola retal).
Reto perineal (canal anal): é a seção para o exterior (2 – 3 cm de comprimneto)
O pH do reto é de cerca de 6,8 – 7,2 sem sistemas tampões para regulá-lo
A mucosa é fortemente irrigada pelo plexo hemorroidal que se divide em veias hemorroidais superior, média e inferior.
Classificação quanto ao mecanismo de ação
MECÂNICA: despertar do reflexo da defecação provocado pela presença de um corpo estranho no reto. Ex: glicerina – por ser hidrófila atrai água para a ampola retal e provoca os movimentos peristálticos ocorrendo o efeito laxativo.
LOCAL: pode ser uma ação anti-hemorroidal ou antiparasitária (oxiúros). SISTÊMICA: o princípio ativo passa à circulação geral
Absorção
• Poder de absorção igual a mucosa intestinal, porém com uma superfície absorvente
limitada.
• Passagem rápida dos princípios ativos à circulação sistêmica pelas veias
hemorroidais e em menor proporção pela linfática. Fatores que influenciam a absorção
Em relação ao local de atuação
• TEMPERATURA RETAL – Em torno de 37° C • pH - alterado de acordo com o pKa do fármaco • CONTEÚDO DO CÓLON
Em relação ao fármaco
• A absorção via retal obedece ao mecanismo de difusão passiva que é influenciada
pelo:
• Coeficiente de partição O/A do fármaco • pka do fármaco e pH do meio
• Granulometria do fármaco (menor que 100
m) – dissolvido ou emsuspensão
• Cristalinidade e polimorfismo – influi na velocidade de dissolução
• Fator limitante - pequena quantidade de líquido umedecendo a mucosa
(dissolução para absorção). Em relação ao excipiente
• MODO E TEMPO DE LIQUEFAÇÃO pode provocar evacuação. A demora na fusão
pode levar a evacuação.
• PONTO DE FUSÃO – Este deve ser inferior a 37o C até a um limite de 32o C. • VISCOSIDADE NO ESTADO FUNDIDO
• AFINIDADE PELO FÁRMACO – maior afinidade pela mucosa do que pelo excipiente • NÃO deve ser irritante para o cólon – provoca movimentos intestinais anulando a
liberação e absorção do fármaco
Exigências para os excipientes de supositórios
• Boa tolerância fisiológica
não ser irritante• Compatibilidade com os componentes da fórmula
• Boa estabilidade frente aos agentes atmosféricos e mos • Ser capaz de ceder o fármaco ao meio para ser absorvido
• Pequeno intervalo entre a temperatura de fusão e solidificação
• Viscosidade, no estado fundido, adequada para a preparação e a ação
medicamentosa
• Contração volumétrica favorável (sem formação de canais e fácil desprendimento
dos moldes)
• Dureza e consistência adequadas para o manuseio e para permitir a fácil aplicação
Classificação dos Excipientes LIPOFÍLICOS OU LIPOSSOLÚVEIS
1. Manteiga de cacau: PF = 34,5°C (rica em ác. oleico) apresenta fenômeno de sobrefusão e possui 3 formas alotrópicas sendo as formas metastáveis
e
’,
, e a forma estável
(PF = 34,5°C). Não é possível incorporar soluções aquosas.
2.Óleos hidrogenados: mistura de óleos naturais regulando-se o grau de hidrogenação – obtenção de massas de consistência semelhante à manteiga de cacau (PF = 33 – 37°C). Menor facilidade de oxidação e não incorpora soluções aquosas.
3. Glicérides semi-sintéticos sólidos: constituído por misturas de ác. graxos saturados (12 - 18 C), variando em mono ou diéster. Incorporam pequena quantidade de sol. aquosas.
Suppocire L
38-40 Tegester Triglicérides especialmente preparados
TG-95 32,2-34,5
TO-MA
34,5-36 TG-57
34-36,5
BASE COMPOSIÇÃO PONTO OU INTERVALO DE
FUSÃO Manteiga de
cacau
Mistura de triglicérides de ácido oléico, palmítico e esteárico
34-35 Cotomar Óleo de semente de algodão parcialmente hidrogenado
35 Dehydag Álcoois e ésteres graxos hidrogenados
Base I Base II Base III
Glicerídeos de ácidos graxos saturados C12-C18
33-36 37-39 9 intervalos Fattibase Triglicérides de óleo de palma, óleo de semente de palme e óleo de
coco, combinados com agentes autoemulsificantes e estearato de
polioxila 35,5-37
Hexaride Base 95
33-35 Hydrokote 25 Frações superiores de óleo de coco e de semente de palma
33,6-36,3
Hydrokote711 39,5-44,5
Hydrokote SP 31,1-32,3
Polybase Mistura homogênea de polietilenoglicol e polissorbato 80
60-71 S-70-XX-95 Óleos vegetais hidrogenados reorganizados 34,4-35,6
S-070-XXA 38,2-39,3
Suppocire Mistura eutética de mono, di e triglicérides derivados de óleos vegetais naturais. Cada tipo apresenta propriedades diferentes
Vários Suppocire OSI 33-35 Suppocire OSIX 33-35 Suppocire A 35-36,5 Suppocire B 36-37,5 Suppocire C 38-40 Suppocire D 42-45 Suppocire DM 42-45
Suppocire H Idêntica às anteriores, mas adicionada de glicerídeos polietoxilados
Tween 61 Utilizada sozinha ou em combinação com monoestearato polietilenoglicol e sorbitano
35-49
Wecobee FS Triglicérides derivados de óleo de coco
39,4-40,5 Wecobee M 33,3-36 Wecobee R 33,9-35 Wecobee S 38-40,5 Wecobee SS 40-43 Wecobee W 31,7-32,8 Witepsol Triglicérides de ácidos graxos saturados (C12-C18) com
diversas porções de glicerídeos parciais
H-5 35,2 H-15 33-35 H19 34,8 H-85 42-44 H-12 32-33 HIDROFÍLICOS
Razões de uso: utilização em climas quentes e ideal para liberação de fármacos lipossolúveis
• Mistura de glicerina e gelatina
• Mistura de glicerina e estearato de sódio
forte efeito laxativo• Polietilenoglicol (PEGs 4000 ou 6000 com 400 ou 600 ) – são incompatíveis com
muitos fármacos e são irritantes. ADJUVANTES PARA SUPOSITÓRIOS
Corretivos de ponto de fusão e consistência
Substâncias que diminuem o PF = cânfora, hidrato de cloral e essências.
Substâncias que aumentam o PF e a dureza - dióxido de titânio, óxido de zinco
incorporação de líquidos
Misturas que endurecem e dão consistência = ceras, parafina sólida, ácido esteárico, álcool cetílico.
Misturas que diminuem o PF = óleos vegetais, glicerina. água , sorbitol, PEGs líquidos . Excipientes hidrofílicos – uso de plastificantes para elevar a consistência
Corretivos de Viscosidade (monoestearato de alumínio – concentração: 1 – 3%) Diluentes (Lactose, sacarose ou veículos como álcool, água)
Conservantes (parabenos - nipagin e nipazol) Anti-oxidantes (BHA, BHT)
Agentes emulsionantes (lecitina, sabões da trietanolamina, polissorbatos). FORMAS
MOLDES
Formato variado
Metal (aço inoxidável, bronze)
Plástico (polietileno, PVC, poliestireno) Método de preparação
POR FUSÃO (+ utilizado)
Fundir o excipiente em uma cápsula em banho – maria.
Colocar o fármaco pulverizado em um gral com uma igual quantidade de excipiente fundido. Homogeneizar.
Transferir a mistura para a cápsula de aço inox com o excipiente resfriado justo acima do ponto de solidificação.
Agitar com uma espátula ou bastão de vidro até tornar-se líquida e homogênea.
Verter para um molde sob agitação, previamente lubrificado para prevenir aderência e facilitar a retirada do molde (Vaselina líquida, óleos, silicone)
PROBLEMA: PESO --- VOLUME
FATOR DE DESLOCAMENTO: é o número de gramas de excipiente deslocado por 1 grama de princípio ativo.
CÁLCULO DA QUANTIDADE DE EXCIPIENTE M = F - ( f x S )
M = quantidade total de excipiente a utilizar (g)
F = capacidade do molde para o número de supositórios a serem fabricados (g) f = fator de deslocamento do princípio ativo num determinado excipiente
S = quantidade de fármaco para o número de supositórios a serem fabricados (g)
Ex: 10 supositórios a 0,10 g Fenobarbital sódico em moldes contendo 3 g de manteiga de cacau:
Fator deslocamento ativo = 0,62
M = 30 – (0,62 x 1) = 29,38 g manteiga de cacau Controle de qualidade
• Ensaios organolépticos
Superfície lisa, brilhante e homogênea, sem fissuras, sem cristalização do fármaco ou excipientes, base plana.
• Ensaios físicos
Dureza
Peso médio (+/- 5 %)
Desagregação
• Ensaios químicos (teor, identificação)
• Ensaios fisiológicos: para ajuste de uma nova fórmula (Biodisponibilidade)
Outras formas retais
RETO-TAMPÕES
• Limitados as veias hemorroidais inferiores. • Tampões de algodão hidrófilo
• Com 3 a 4 cm de comprimento (se monta em torno de uma haste de polietileno c/
um disco que impede o deslize para o reto)
• São impregnados com a solução do fármaco (
1 ml ). Uso de alginatos e CMC parafacilitar a introdução do tampão no reto.
• Soluções hipertônicas são melhor absorvidas • Ação local: hemorróidas e prurido anal
POMADAS RETAIS
• Preparações semi sólidas destinadas a serem aplicadas sobre a mucosa retal – ação
local.
ENEMAS (ou injeções retais ou clisteres)
São formas líquidas medicamentosas destinadas a serem injetadas no reto
• Ação local: laxativas ou para exames radiológicos (raio X ou cirurgia) • Volume de alguns mililitros até 1 a 3 litros
• CÁPSULA GELATINOSA MOLE
• Fármacos dissolvidos ou dispersos em veículos líquidos
• Veículo oleoso ou de polietilenoglicol – adição de emulsionante para facilitar a
difusão na ampola retal
• Fácil administração (menor dimensão e liberação mais rápida