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SUPOSITÓRIOS

No documento Apostila2011 (páginas 41-47)

Definição

São formas farmacêuticas sólidas, de forma e peso adequados, destinadas à inserção em orifícios corporais nos quais, amolecem, se dissolvem e exercem efeitos sistêmicos e localizados (ANSEL, POPOVICH & ALLEN Jr. Farmacotécnica, 6a ed., p. 471)

Razões de uso

 Razões patológicas da mucosa gástrica ou por irritação

 Inativação total ou parcial dos fármacos pelo suco gástrico.

 Pacientes em coma total ou parcial

 Problemas de ingestão do paciente ou cirurgia no trato bucal.

 Medicamentos que provocam náusea ou tem sabor ruim.

 Em pediatria e geriatria (fácil administração)

 No tratamento de pacientes com episódios de vômitos. Anátomo fisiologia do reto

 O reto  – últimos 15  – 20 cm do intestino grosso, importante para a absorção. Dividido em 2 porções: reto pélvico e reto perineal

 Reto pélvico: a parede do reto é recoberto por uma mucosa que contém 1  – 3 ml de líquido inerte (ampola retal).

 Reto perineal (canal anal): é a seção para o exterior (2 – 3 cm de comprimneto)

 O pH do reto é de cerca de 6,8 – 7,2 sem sistemas tampões para regulá-lo

 A mucosa é fortemente irrigada pelo plexo hemorroidal que se divide em veias hemorroidais superior, média e inferior.

Classificação quanto ao mecanismo de ação

MECÂNICA: despertar do reflexo da defecação provocado pela presença de um corpo estranho no reto. Ex: glicerina – por ser hidrófila atrai água para a ampola retal e provoca os movimentos peristálticos ocorrendo o efeito laxativo.

LOCAL: pode ser uma ação anti-hemorroidal ou antiparasitária (oxiúros). SISTÊMICA: o princípio ativo passa à circulação geral

Absorção

• Poder de absorção igual a mucosa intestinal, porém com uma superfície absorvente

limitada.

• Passagem rápida dos princípios ativos à circulação sistêmica pelas veias

hemorroidais e em menor proporção pela linfática. Fatores que influenciam a absorção

Em relação ao local de atuação

• TEMPERATURA RETAL – Em torno de 37° C • pH - alterado de acordo com o pKa do fármaco • CONTEÚDO DO CÓLON

Em relação ao fármaco

• A absorção via retal obedece ao mecanismo de difusão passiva que é influenciada

pelo:

• Coeficiente de partição O/A do fármaco • pka do fármaco e pH do meio

• Granulometria do fármaco (menor que 100

m)  – dissolvido ou em

suspensão

• Cristalinidade e polimorfismo – influi na velocidade de dissolução

• Fator limitante - pequena quantidade de líquido umedecendo a mucosa

(dissolução para absorção). Em relação ao excipiente

• MODO E TEMPO DE LIQUEFAÇÃO pode provocar evacuação. A demora na fusão

pode levar a evacuação.

• PONTO DE FUSÃO – Este deve ser inferior a 37o C até a um limite de 32o C. • VISCOSIDADE NO ESTADO FUNDIDO

• AFINIDADE PELO FÁRMACO – maior afinidade pela mucosa do que pelo excipiente • NÃO deve ser irritante para o cólon  – provoca movimentos intestinais anulando a

liberação e absorção do fármaco

Exigências para os excipientes de supositórios

• Boa tolerância fisiológica

não ser irritante

• Compatibilidade com os componentes da fórmula

• Boa estabilidade frente aos agentes atmosféricos e mos • Ser capaz de ceder o fármaco ao meio para ser absorvido

• Pequeno intervalo entre a temperatura de fusão e solidificação

• Viscosidade, no estado fundido, adequada para a preparação e a ação

medicamentosa

• Contração volumétrica favorável (sem formação de canais e fácil desprendimento

dos moldes)

• Dureza e consistência adequadas para o manuseio e para permitir a fácil aplicação

Classificação dos Excipientes LIPOFÍLICOS OU LIPOSSOLÚVEIS

1. Manteiga de cacau: PF = 34,5°C (rica em ác. oleico) apresenta fenômeno de sobrefusão e possui 3 formas alotrópicas  sendo as formas metastáveis

e

’,

, e a forma estável

(PF = 34,5°C). Não é possível incorporar soluções aquosas.

2.Óleos hidrogenados: mistura de óleos naturais regulando-se o grau de hidrogenação  – obtenção de massas de consistência semelhante à manteiga de cacau (PF = 33  – 37°C). Menor facilidade de oxidação e não incorpora soluções aquosas.

3. Glicérides semi-sintéticos sólidos: constituído por misturas de ác. graxos saturados (12 - 18 C), variando em mono ou diéster. Incorporam pequena quantidade de sol. aquosas.

Suppocire L

38-40 Tegester Triglicérides especialmente preparados

TG-95 32,2-34,5

TO-MA

34,5-36 TG-57

34-36,5

BASE COMPOSIÇÃO PONTO OU INTERVALO DE

FUSÃO Manteiga de

cacau

Mistura de triglicérides de ácido oléico, palmítico e esteárico

34-35 Cotomar Óleo de semente de algodão parcialmente hidrogenado

35 Dehydag Álcoois e ésteres graxos hidrogenados

Base I Base II Base III

Glicerídeos de ácidos graxos saturados C12-C18

33-36 37-39 9 intervalos Fattibase Triglicérides de óleo de palma, óleo de semente de palme e óleo de

coco, combinados com agentes autoemulsificantes e estearato de

polioxila 35,5-37

Hexaride Base 95

33-35 Hydrokote 25 Frações superiores de óleo de coco e de semente de palma

33,6-36,3

Hydrokote711 39,5-44,5

Hydrokote SP 31,1-32,3

Polybase Mistura homogênea de polietilenoglicol e polissorbato 80

60-71 S-70-XX-95 Óleos vegetais hidrogenados reorganizados 34,4-35,6

S-070-XXA 38,2-39,3

Suppocire Mistura eutética de mono, di e triglicérides derivados de óleos vegetais naturais. Cada tipo apresenta propriedades diferentes

Vários Suppocire OSI 33-35 Suppocire OSIX 33-35 Suppocire A 35-36,5 Suppocire B 36-37,5 Suppocire C 38-40 Suppocire D 42-45 Suppocire DM 42-45

Suppocire H Idêntica às anteriores, mas adicionada de glicerídeos polietoxilados

Tween 61 Utilizada sozinha ou em combinação com monoestearato polietilenoglicol e sorbitano

35-49

Wecobee FS Triglicérides derivados de óleo de coco

39,4-40,5 Wecobee M 33,3-36 Wecobee R 33,9-35 Wecobee S 38-40,5 Wecobee SS 40-43 Wecobee W 31,7-32,8 Witepsol Triglicérides de ácidos graxos saturados (C12-C18) com

diversas porções de glicerídeos parciais

H-5 35,2 H-15 33-35 H19 34,8 H-85 42-44 H-12 32-33 HIDROFÍLICOS

Razões de uso: utilização em climas quentes e ideal para liberação de fármacos lipossolúveis

• Mistura de glicerina e gelatina

• Mistura de glicerina e estearato de sódio

forte efeito laxativo

• Polietilenoglicol (PEGs 4000 ou 6000 com 400 ou 600 ) – são incompatíveis com

muitos fármacos e são irritantes. ADJUVANTES PARA SUPOSITÓRIOS

Corretivos de ponto de fusão e consistência

Substâncias que diminuem o PF = cânfora, hidrato de cloral e essências.

Substâncias que aumentam o PF e a dureza - dióxido de titânio, óxido de zinco

incorporação de líquidos

Misturas que endurecem e dão consistência = ceras, parafina sólida, ácido esteárico, álcool cetílico.

Misturas que diminuem o PF = óleos vegetais, glicerina. água , sorbitol, PEGs líquidos . Excipientes hidrofílicos – uso de plastificantes para elevar a consistência

Corretivos de Viscosidade (monoestearato de alumínio – concentração: 1 – 3%) Diluentes (Lactose, sacarose ou veículos como álcool, água)

Conservantes (parabenos - nipagin e nipazol) Anti-oxidantes (BHA, BHT)

Agentes emulsionantes (lecitina, sabões da trietanolamina, polissorbatos). FORMAS

MOLDES

Formato variado

Metal (aço inoxidável, bronze)

Plástico (polietileno, PVC, poliestireno) Método de preparação

POR FUSÃO (+ utilizado)

 Fundir o excipiente em uma cápsula em banho  – maria.

 Colocar o fármaco pulverizado em um gral com uma igual quantidade de excipiente fundido. Homogeneizar.

 Transferir a mistura para a cápsula de aço inox com o excipiente resfriado justo acima do ponto de solidificação.

 Agitar com uma espátula ou bastão de vidro até tornar-se líquida e homogênea.

 Verter para um molde sob agitação, previamente lubrificado para prevenir aderência e facilitar a retirada do molde (Vaselina líquida, óleos, silicone)

PROBLEMA: PESO --- VOLUME

FATOR DE DESLOCAMENTO: é o número de gramas de excipiente deslocado por 1 grama de princípio ativo.

CÁLCULO DA QUANTIDADE DE EXCIPIENTE M = F - ( f x S )

M = quantidade total de excipiente a utilizar (g)

F = capacidade do molde para o número de supositórios a serem fabricados (g) f = fator de deslocamento do princípio ativo num determinado excipiente

S = quantidade de fármaco para o número de supositórios a serem fabricados (g)

Ex: 10 supositórios a 0,10 g Fenobarbital sódico em moldes contendo 3 g de manteiga de cacau:

Fator deslocamento ativo = 0,62

M = 30 – (0,62 x 1) = 29,38 g manteiga de cacau Controle de qualidade

• Ensaios organolépticos

Superfície lisa, brilhante e homogênea, sem fissuras, sem cristalização do fármaco ou excipientes, base plana.

• Ensaios físicos

 Dureza

 Peso médio (+/- 5 %)

 Desagregação

• Ensaios químicos (teor, identificação)

• Ensaios fisiológicos: para ajuste de uma nova fórmula (Biodisponibilidade)

Outras formas retais

 RETO-TAMPÕES

• Limitados as veias hemorroidais inferiores. • Tampões de algodão hidrófilo

• Com 3 a 4 cm de comprimento (se monta em torno de uma haste de polietileno c/

um disco que impede o deslize para o reto)

• São impregnados com a solução do fármaco (

1 ml ). Uso de alginatos e CMC para

facilitar a introdução do tampão no reto.

• Soluções hipertônicas são melhor absorvidas • Ação local: hemorróidas e prurido anal

 POMADAS RETAIS

• Preparações semi sólidas destinadas a serem aplicadas sobre a mucosa retal  – ação

local.

 ENEMAS (ou injeções retais ou clisteres)

São formas líquidas medicamentosas destinadas a serem injetadas no reto

• Ação local: laxativas ou para exames radiológicos (raio X ou cirurgia) • Volume de alguns mililitros até 1 a 3 litros

• CÁPSULA GELATINOSA MOLE

• Fármacos dissolvidos ou dispersos em veículos líquidos

• Veículo oleoso ou de polietilenoglicol  – adição de emulsionante para facilitar a

difusão na ampola retal

• Fácil administração (menor dimensão e liberação mais rápida

No documento Apostila2011 (páginas 41-47)

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