Um dos principais eixos de discussão ambiental é o desenvolvimento sustentável.
Inúmeros Congressos, Encontros, Simpósios e Estudos têm sido feito a respeito do tema.
Este tema é um tanto quanto vasto em seu conhecimento. Um dos focos centrais é a
respei-to da mudança no modelo de desenvolvimenrespei-to, o qual, se persistir, conduzirá o planeta a
uma situação extrema de escassez de recursos naturais, logo, a presente geração deve
cuidar do seu meio agora para que as gerações futuras possam desfrutar do mesmo.
A preocupação com a questão ambiental é pauta internacional já há alguns anos. No
Brasil, esta só veio a se consolidar a partir dos anos 1980, em conjunto com a preocupação
dos recursos hídricos. A exploração dos recursos naturais desenfreada veio a clamar por
uma mudança no comportamento e desenvolvimento conduzido pelo homem.
A escassez de recursos hídricos é fator fundamental para este alarde acadêmico,
ci-entífico, econômico, político e social. Somado ao desperdício do mesmo, estas
condicionan-tes ameaçam o avanço do desenvolvimento sustentável e dos cuidados ao meio ambiente.
O presente capítulo, sendo intrínseco aos outros temas abordados nos capítulos
se-guintes, segue com uma abordagem sobre desenvolvimento sustentável, se atendo à
Agen-da 21 e aos Objetivos do Milênio, estes analisados de forma conjunta. O conhecimento
tra-tado aqui será instrumento importante para compreensão da inter-relação ambiental e
soci-al, dado que o próprio conceito de desenvolvimento sustentável é derivado de resistência
das ações antrópicas pelo próprio homem, como numa condição paradoxal.
2.1. Da criação à implantação
A água é recurso fundamental para a vida humana. O crescimento populacional
ver-tiginoso no pós-Revolução Industrial, somado ao fator tecnológico, aumentou em demasia a
demanda pelos recursos naturais, especialmente a água. O Brasil vem aumentando sua
demanda exponencialmente, com o crescimento conjunto de população, parque industrial e
áreas de irrigação. Sob este cenário, desenvolvem-se os ideais e de transformação do modo
de utilização da água, conduzindo a eficiência do mesmo, criticando a visão tradicional de
aumento da oferta (OLIVEIRA, E. C., 2008).
Interessante abordar sobre a situação brasileira, visto que o país é rico no que diz
aos recursos hídricos (não de maneira igualitária; vide capítulo 3.3), todavia sua região
se-mi-árida é conhecida por seu alto índice de escassez do recurso. Entretanto, para Rebouças
(2004) há água suficiente para atendimento das necessidades básicas da região, bastando
a substituição dos sistemas tradicionais por outros mais eficazes, minimizando os índices de
consumo e melhorando a distribuição hídrica (apud OLIVEIRA, E. C., 2008).
A proposta do desenvolvimento sustentável e sua prática representam a visão
atuali-zada da relação meio ambiente e desenvolvimento. Nesta linha de pensamento, Muñoz
(2000) afirma que a sustentabilidade só é possível a partir da equidade social, ou seja, há de
se distribuir a economia equilibradamente, não deixando espaços para desigualdades
radi-cais, respeitando os limites ambientais. Assim será possível a legitimação da aspiração
quanto ao desenvolvimento sustentável.
A primeira onda de preocupação ambiental foi resultante da Conferência de
Estocol-mo, em 1972, ocupando pela primeira vez o centro de debates mundiais. Nesta Conferência,
o principal tema abordado foi sobre poluição, com foco central na conscientização dos
paí-ses em reduzir suas emissões, principalmente em áreas de grande densidade populacional,
onde as condições de higiene e sanitárias são mais precárias. Princípios foram proclamados
a partir desta Conferência, os quais o Brasil se apresentou contra tais propostas
globalizan-tes, assumindo papel de vilão – esta situação viria a mudar ao longo da história, quando o
país começasse a passar por problemas de escassez e degradação de seus recursos
natu-rais. A Conferência de Estocolmo tornou-se marco histórico nas temáticas discutidas
mundi-almente, concretizando a questão ambiental. Seu maior fruto foi o Programa das Nações
Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), constituído de uma estrutura programática e
insti-tucional. Conseqüentemente, alguns anos após sua construção, o PNUMA publicou, em
1987, um relatório sobre a questão ambiental e sua relação com o homem, intitulado ―Nosso
futuro comum‖, conhecido também como Relatório Burdtland, apresentando o conceito de
desenvolvimento sustentável; este conceito veio a ser discutido e definido na XV Sessão do
Conselho de Administração do PNUMA:
O Conselho de Administração acredita ser sustentável o desenvolvimento que atende às ne-cessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades. Desenvolvimento sustentável tampouco implica transgressão al-guma ao princípio de soberania. O Conselho de Administração considera que a consecução do
desenvolvimento sustentável envolve cooperação dentro das fronteiras nacionais através da-quelas. Implica progresso na direção da equidade nacional e internacional, inclusive assistên-cia aos países em desenvolvimento de acordo com seus planos de desenvolvimento, priorida-des e objetivos nacionais. Implica também a existência de meio econômico internacional propí-cio que resulte no crescimento e no desenvolvimento. Estes são elementos da maior relevância
para o manejo sadio do meio ambiente. Desenvolvimento sustentável implica ainda a manuten-ção, o uso racional e valorização da base de recursos naturais que sustenta a recuperação dos
ecossistemas e o crescimento econômico. Desenvolvimento sustentável implica, por fim, a in-corporação de critérios e considerações ambientais na definição de políticas e de planejamento
de desenvolvimento e não representa uma nova forma de condicionalidade na ajuda ou no fi-nanciamento para o desenvolvimento. O Conselho de Administração está inteiramente consciente de que os próprios países são e devem ser os principais atores na reorientação de seu desenvolvimento, de forma a torná-lo sustentável. O desenvolvimento sustentável e ambientalmente sadio é de grande importância para todos os países, industrializados e em desenvolvimento. Os países industrializados
pos-suem os recursos necessários para fazer os ajustes requeridos; algumas de suas atividades econômicas efetivamente têm impacto substancial no meio ambiente, não apenas no âmbito
nacional, mas além de suas fronteiras. Mesmo no caso dos países em desenvolvimento, a maior parte dos recursos para o desenvolvimento provém deles mesmos. Para estes, muito embora a manutenção da base de recursos naturais para as futuras gerações seja de grande relevância, as necessidades da geração atual são de importância crítica. Ações induzidas pela pobreza e pela necessidade de sobrevivência consomem a base de recursos e assim geram mais pobreza. Em todos os países, questões de desenvolvimento e meio ambiente estão entre-laçadas em uma mútua interação. Hoje, novas questões ambientais desafiam a comunidade in-ternacional, enquanto as velhas questões se mantêm e até adquirem maior magnitude (apud
SETTI et al., 2000).
É válido expor aqui que alguns autores criticam o conceito de desenvolvimento
sus-tentável. Para Zorzal (1999), o conceito é de caráter hegemônico e inserido na agenda
mundial como instrumento de manipulação; semelhantemente assim já o era caracterizado
por Feldmann & Bernardo (1994, apud DIAS, 2003), os quais pensavam que o
desenvolvi-mento sustentável não se enquadrava como novo paradigma, o mesmo era característico da
comunidade elitista e conservadora, conduzindo as ações a uma modernização conforme
seus interesses. Para Oliveira, L. D. (2007), o conceito nasceu no âmago do pensamento da
classe dominante, a qual utiliza os pressupostos do conservacionismo juntamente com um
ensinamento do universo econômico de gestão de negócios, configurando um pensamento
derivado de acordos tácitos da burguesia internacional. Logo, apesar deste estudo não se
focar neste eixo temático, fica apropriada a exposição deste parágrafo para maiores
refle-xões sobre o assunto.
Em 1991, a Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABRH), sob cenário de
pre-ocupações com o futuro da humanidade a partir da crise ambiental, elabora a Carta do Rio
de Janeiro, cuja é responsável pelo apontamento da necessidade urgente em reduzir e
eli-minar a contaminação dos corpos hídricos. Além disso, a Carta propunha a integração da
gestão entre os recursos hídricos e da mesma para com a gestão ambiental. Sua influência
foi ratificada um ano depois, com a Conferência sobre meio ambiente, a ser realizada no Rio
de Janeiro. Entretanto, antes da Conferência no Rio de Janeiro, ocorreu a Conferência de
Dublin, em janeiro de 1992, esta já vista como recepção ao que viria acontecer no Rio de
Janeiro. Nesta Conferência, foi apresentada a Declaração de Dublin (1992), a qual registra
logo no início de seu documento:
A escassez e o desperdício de água doce representa uma séria e crescente ameaça para o desenvolvimento sustentável e proteção do ambiente. A saúde e o bem-estar do homem, a
ga-rantia de alimentos, o desenvolvimento industrial e os ecossistemas dos quais eles dependem estarão todos em risco, se os recursos de água e solos não forem geridos, na presente
déca-da, de forma bem mais efetiva do que tem sido no passado (apud ANA, 2002a).
A Declaração sugere a execução de ações em nível local, nacional e internacional,
baseadas em seus princípios que são:
Princípio nº 1 – A água doce é um recurso finito e vulnerável, essencial para a susten-tação da vida, do desenvolvimento e do meio ambiente.
Princípio nº 2 – O desenvolvimento e a gestão da água devem ser baseados na parti-cipação dos usuários, dos planejadores e dos políticos, em todos os níveis. Princípio nº 3 – As mulheres têm um papel essencial no aprovisionamento, gestão e proteção da água.
Princípio nº 4 – A água tem valor econômico em todos os seus usos competitivos e deve ser reconhecida como um bem econômico (apud ANA, 2002a).Assim, em 1992, no Rio de Janeiro, ocorreu a Conferência das Nações Unidas para
o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD), também conhecida como Rio-92,
resul-tando num dos documentos mais importantes para a gestão ambiental mundial: a Agenda
21. Além deste, outros importantes documentos foram elaborados e apresentados na
CNU-MAD: a Carta da Terra, estabelecendo princípios a serem seguidos; e acordos e tratados
internacionais, com a questão das alterações climáticas e proteção a biodiversidade como
tema principal (ONU, 1992a). A Agenda 21 não se restringe aos problemas ambientais, mas
propõe um novo modelo de desenvolvimento visando a sustentabilidade, atribuindo estas
responsabilidades não somente aos governos federais, estatais e municipais, como também
a sociedade civil como um todo. O documento foi traduzido para inúmeros idiomas, já
refle-tindo seu âmbito internacional.
Referente aos recursos hídricos, a Agenda 21 os trata em vários capítulos, sendo
específica no capítulo 18: ―Proteção da Qualidade e do Abastecimento dos Recursos
Hídri-cos: aplicação de critérios integrados no desenvolvimento, manejo e uso dos Recursos
Hí-dricos‖; inserido na seção II: ―Conservação e Gestão dos recursos para o desenvolvimento‖.
Então, no capítulo 18, tratando a respeito da escassez e destruição dos recursos hídricos, o
documento apresenta as seguintes áreas de programas para o setor de água doce:
Desenvolvimento e manejo integrado dos recursos hídricos; Avaliação dos recursos hídricos; Proteção dos recursos hídricos, da qualidade da água e dos ecossistemas aquáticos; Abastecimento de água potável e saneamento; Água e desenvolvimento urbano sustentável; Água para produção sustentável de alimentos e desenvolvimento rural sustentável; Impactos da mudança do clima sobre os recursos hídricos (ONU, 1992b).
As ações e objetivos elencados pela Agenda 21, no capítulo referido, propõem a
o-ferta de água generalizada, com acesso a todos, mediante seu uso sustentável e racional,
ou seja, o ideal apresentado é abastecer toda a população com o recurso para saciar as
necessidades básicas e, concomitantemente, inserido numa ótica sustentável; este é o fator
principal, além de outros apontados como: reconhecimento da água como bem econômico e
limitado, avaliação quali e quantitativa da mesma, auto-sustentação financeira dos sistemas
de gestão, previsão de conflitos, gestão integrada dos recursos hídricos (também entre si) e
meio ambiente, gestão participativa e descentralizada, integração com o setor de saúde,
proteção e preservação, entre outros variados fatores abordados pelo capítulo específico de
recursos hídricos da Agenda 21.
A respeito destes fatores, alguns podem ser revisados. A gestão descentralizada e
participativa já é prevista nas leis 9.433/97 e 3.239/99, federal e estadual respectivamente,
devendo contar com seus instrumentos para sua execução. Neste âmbito, as ações
regio-nais devem estar integradas, através de seus Planos Diretores ou Planos
Nacio-nais/Estaduais; para isso é necessário o emprego e utilização de manuais, padronizando e
integrando os sistemas de gestão. Somente assim será possível alcançar resultados
signifi-cativos. Quanto a auto-sustentação financeira dos sistemas de gestão, esta ainda não é
totalizada, provocando a pertinente situação estacionária destes quanto a sustentabilidade
ambiental, não havendo ainda a ruptura teórica e o alcance à prática (LANNA, 2000).
A implementação da Agenda 21 depende da ação e consciência de todos, sem
ex-ceções, envolvendo toda a comunidade num processo de reflexão e reestruturação do
mo-delo de desenvolvimento atual, integrando seus papéis, num processo de construção do
futuro. Sua vigência no Brasil tornou-se possível através do Decreto Presidencial de
26/02/1997, posteriormente revogado pelo Decreto Presidencial de 03/02/2004 (MMA,
2004a), onde se criou a Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável (CPDS),
alavancando um processo de planejamento participativo e interdisciplinar da realidade
na-cional. Esta Comissão se focou na visão integrada das esferas institucional, política,
econô-mica, social e ambiental. Não somente em nível mundial, a ONU propõe a criação e
instala-ção de Agendas locais, estaduais e nacionais, baseadas nos critérios estabelecidos pelo
documento principal – o capítulo 28 da Agenda 21 se atém a isto. O espaço deve ser tratado
em suas diferentes dimensões, levando em conta a integração das mesmas e,
concomitan-temente, implementando o plano de desenvolvimento local a partir do conhecimento dos
problemas locais, estes sendo extrapolados para outras dimensões geográficas, conduzindo
uma ação totalitária – num ambiente integrado destas. O desenvolvimento local está
inseri-do numa complexidade sistêmica multidimensional, onde atuam toinseri-dos os agentes sociais e
institucionais, sob diferentes planos de ação, representados na esfera política, econômica,
social, cultural, institucional, tecnológica e ambiental. (OSÓRIO e PINZÓN, 2000).
Em suas recomendações, a Agenda 21 diz:
Caso queiramos, no futuro, atender às necessidades humanas de maneira sustentável, é es-sencial resolver hoje esses conflitos e avançar para um uso mais eficaz e eficiente da terra e de
seus recursos naturais. A abordagem integrada do planejamento e do gerenciamento físico e do uso da terra é uma maneira eminentemente prática de fazê-lo. Examinando todos os usos da terra de integrada é possível reduzir os conflitos ao mínimo, fazer as alternâncias mais efici-entes e vincular o desenvolvimento social e econômico à proteção e melhoria do meio ambien-te, contribuindo assim para atingir os objetivos do desenvolvimento sustentável. A essência dessa abordagem integrada se expressa na coordenação de planejamento setorial e atividades de gerenciamento relacionadas aos diversos aspectos do uso da terra e dos recursos terrestres
Seguindo as propostas de elaboração de Agendas 21 Locais – incentivadas pelo
do-cumento oficial –, o Brasil criou a Agenda 21 Brasileira. Este processo se realizou de 1996 a
2002, tendo no último ano a elaboração dos documentos oficiais: ―Ações prioritárias‖ e
―Re-sultado da consulta nacional‖. A partir de 2003, a Agenda 21 Brasileira passou a ser parte
do Programa do Plano Plurianual, adquirindo mais força política e institucional, passando a
ser um dos mais importantes instrumentos institucionais para o desenvolvimento sustentável
do país. A construção da Agenda 21 Brasileira objetivou a redefinição do modelo de
desen-volvimento do país, embutindo o conceito de sustentabilidade nos planos de ações
nacio-nais; sua implementação se preocupou em ser de caráter amplo, participativo e
espacial-mente representativo (MMA, 2004a). O referente documento estipulou a divisão sistêmica de
suas linhas de estratégia a serem executadas ao longo do tempo, no que diz respeito à
in-clusão do conceito e prática da sustentabilidade no país (tabela 1).
Tabela 1. Linhas estratégicas segundo diferentes dimensões de sustentabilidade – Agenda 21 Brasileira.
DIMENSÕES LINHAS ESTRATÉGICAS
Geoambiental
1. Uso sustentável, conservação e proteção dos recur-sos naturais.
2. Ordenamento territorial.
3. Manejo ade-quado dos resí-duos, efluentes, das substâncias tóxicas e radioati-vas. 4. Manejo susten-tável da biotecno-logia. Social 5. Medidas de redu-ção das desigualda-des e de combate à pobreza. 6. Proteção e promoção das condições de saúde humana e seguridade social. 7. Promoção da educação e cultu-ra, para a susten-tabilidade. 8. Proteção e promoção dos grupos estratégicos da sociedade. Econômica 9. Transformação produtiva e mudança dos padrões de consumo. 10. Inserção econômica competitiva. 11. Geração de emprego e renda reforma agrária e urbana. 12. Dinâmica de-mográfica e susten-tabilidade. Político-institucional 13. Integração entre desenvolvimento e meio ambiente na tomada de decisões. 14. Descentrali-zação para o desenvolvimen-to sustentável. 15. Democratiza-ção das decisões e fortalecimento do papel dos parceiros do desenvolvimento sustentável. 16. Cooperação, coordenação e fortalecimento da ação institucional. 17. Instru-mentos de regulação. Da Informação e do conhecimento 18. Desenvolvimento tecnológico e coope-ração, difusão e transferência de tecnologia 19. Geração, absorção, adap-tação e inova-ção do conhe-cimento. 20. Informação para a tomada de decisão. 21. Promoção da capacitação e conscientização para a sustentabili-dade.
Fonte: MMA, 2004a.
Devem-se levar em conta as condicionantes existentes nas regiões brasileiras, estas
diferentes em sua forma econômica, cultural e social, caracterizando os diferentes avanços
na implementação da Agenda 21. Segundo o MMA (2004b), para que haja execução das
linhas estratégicas com eficácia e velocidade será indispensável que:
o nível de consciência ambiental e de educação para a sustentabilidade avance; o conjunto do empresariado se posicione de forma proativa quanto às suas
responsa-bilidades sociais e ambientais; a sociedade seja mais participativa e que tome maior número de iniciativas próprias em favor da sustentabilidade; a estrutura do sistema político nacional apresente maior grau de abertura para as
polí-ticas de redução das desigualdades e de eliminação da pobreza absoluta; o sistema de planejamento governamental disponha de recursos humanos qualifica-dos, com capacidade gerencial, distribuídos de modo adequado nas diversas instituições públi-cas responsáveis; as fontes possíveis de recursos financeiros sejam identificadas em favor de
progra-mas inovadores estruturantes e de alta visibilidade (MMA, op. cit.).
A Agenda 21 Brasileira estabelece os cuidados a serem tomados em cada esfera
dos recursos naturais: terrestres, hídricos e atmosféricos. Sobre os recursos hídricos, foco
deste estudo, o documento transcorre sobre proposições para uma gestão integrada,
objeti-vando a sustentabilidade destes. Deve-se reconhecer o caráter multissetorial do
desenvol-vimento dos recursos hídricos no contexto do desenvoldesenvol-vimento sócio-econômico, bem como
seus usos múltiplos. À medida que o país se desenvolve, sua população aumenta, este
al-cança uma condição de escassez de água rapidamente se não houver uma gestão
qualifi-cada; é justamente o que se observa no mundo atual. A escassez dos recursos hídricos já
se tornou tema fundamental em todas as Conferências de Meio Ambiente, pois este é um
recurso natural de condição de sobrevivência humana.
Tanto em sua fase de construção quanto atualmente, a Agenda 21 Brasileira, através
da CPDS, sob presidência do MMA, reconhece sua dependência direta com o Estado, este
atuando como gestor do futuro e regulamentando a utilização dos recursos naturais
(CER-QUEIRA e FACCHINA, 2005). Contudo, não somente o Estado pode se responsabilizar pela
sustentabilidade de uma nação, mas também, como recomendado pela Agenda 21 Global,
por todos os setores da sociedade. Assim, a Agenda 21 Brasileira induz a elaboração e
exe-cução das Agendas 21 Locais, no intuito de integrar e acelerar o processo no que diz
respei-to ao desenvolvimenrespei-to sustentável. A Agenda 21 Local representa a criação e execução de
políticas sustentáveis, com parcerias entre o sistema local e outros setores. O planejamento
do desenvolvimento sustentável, por meio da Agenda 21 Local, deve ser dado através de
algumas etapas:
1º passo: mobilizar para sensibilizar governo e sociedade; 2º passo: criar o Fórum da Agenda 21 Local; 3º passo: elaborar o Diagnóstico Participativo; 4º passo: elaborar o Plano Local de Desenvolvimento Sustentável/Publicação da Agenda 21 Local; 5º passo: implementar o Plano Local de Desenvolvimento Sustentável; 6º passo: monitorar e avaliar o Plano Local de Desenvolvimento Sustentável (MMA, 2005).