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Associação de espécies de Anastrepha (Diptera: Tephritidae) e seus parasitoides obtidos de hospedeiros nativos e introduzidos coletados em

TEPHRITIDAE) IN CENTRAL AMAZON, BRAZIL

BEATRIZ RONCHI-TELES1, VIVIAN SIQUEIRA DUTRA1, ALEXANDRA PRISCILLA TREGUE COSTA1, ELEN DE LIMA AGUIAR-MENEZES2, ALINE

CRISTINA ARAUJO MESQUITA1 E JANISETE GOMES SILVA3

1

Coordenação de Pesquisas em Entomologia, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Caixa Postal 478, 69011-970 - Manaus, Amazonas, Brasil

2

Departamento de Entomologia e Fitopatologia, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Caixa Postal 74538, 23890-000 - Seropedica, Rio de Janeiro, Brasil

3

Departamento de Ciências Biológicas, Universidade Estadual de Santa Cruz, Rodovia Ilhéus-Itabuna km 16, 45650-000 - Ilhéus, Bahia, Brasil

A Amazônia brasileira abriga uma alta diversidade de moscas-das-frutas do gênero Anastrepha Schiner (Diptera: Tephritidae) tendo sido registradas 53 espécies de um total de 103 que ocorrem no Brasil. Destas, 12 espécies de Anastrepha ocorrem exclusivamente na Amazônia brasileira (Zucchi et al. 1996; Silva & Ronchi-Teles 2000; Zucchi 2008).

Na Amazônia Central, a maioria dos estudos sobre espécies de moscas-das-frutas foram realizados em áreas de sistemas agroflorestais (Silva et al. 1996; Zucchi et al. 1996), utilizando armadilhas para a coleta dos exemplares (Ronchi-Teles & Silva 2005), e apenas um estudo foi realizado em áreas de florestas não perturbadas, tendo como foco os parasitoides (Costa et al. 2009). Assim, informações sobre a associação entre hospedeiro / moscas-das-frutas / parasitoides ainda é limitada.

Neste estudo, foram registradas associações entre moscas-das-frutas e hospedeiros para espécies de Anastrepha na Amazônia Central e no Brasil, e também foram identificados parasitoides braconídeos associados com espécies de Anastrepha.

As coletas foram realizadas em uma área de 30 km da Reserva Florestal Adolpho Ducke (RFAD) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), localizado a nordeste de Manaus (02º53’S, 59º59’W) no estado do Amazonas, Brasil. Essa área possui cerca de 100 km2 de floresta primária. A média anual de temperatura é de 26,5ºC, com a máxima mensal de 38,6 ºC (Dezembro) e mínima de 18,2 ºC (Julho) e média anual de umidade relativa é de 82% (Araújo 1970). Foram coletados frutos maduros ou em amadurecimento aleatoriamente no chão e na copa das árvores a cada duas semanas, no período de outubro/2002 a junho/2003, de março a maio/2009, e de março a maio/2010. Os frutos foram coletados em uma área de floresta de cerca de 30 km2, onde todas as espécies de árvores já haviam sido identificadas por botânicos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Os frutos coletados foram contados, pesados e armazenados em frascos plásticos de 500 mL contendo uma camada de vermiculita e cobertos com organza até a obtenção das pupas. As pupas obtidas foram contadas e colocadas em frascos plásticos de 30 mL contendo uma camada de vermiculita e cobertos com organza até a emergência dos adultos. Espécimes testemunho foram depositados na Coleção de Invertebrados do INPA.

Foi coletado um total de 63,7 kg de frutos de 50 espécies de plantas que fazem parte de 18 famílias botânicas. Um total de 1.398 frutos pesando 19,7 kg de 13 espécies de plantas representado sete famílias botânicas foram infestados por moscas-das-frutas e obtidas 880 pupas (Tabela 1). Foram registradas as associações entre Anastrepha pulchra Stone e Mouriri collocarpa Ducke (Melastomataceae), espécie de árvore nativa e o parasitoide Doryctobracon areolatus (Szépligeti) (Hymenoptera: Braconidae) para o Brasil, pela primeira vez. Anastrepha pulchra foi registrada no Panamá, Venezuela e Brasil (Amazônia) (Norrbom 2002).

Também foram registrados dois novos hospedeiros para Anastrepha atrigona Hendel: Strychnos jobertiana Baillon (Loganiaceae) e Pouteria durlandii (Standley) Baehni (Sapotaceae). Três espécies de parasitoides himenópteros Opius bellus Gahan, Opius sp. (Braconidae), e Aganaspis pelleranoi (Brèthes) (Figitidae) foram observados parasitando A. atrigona, pela primeira vez. Até o momento, A. atrigona foi registrada apenas na Venezuela, Guiana, Suriname e Brasil (estado do Amazonas) (Norrbom et al. 1999; Zucchi 2008).

Foi registrado um novo hospedeiro para Anastrepha bahiensis Lima, Helicostylis scabra (Macbride) Cornelis Christiaan Berg (Moraceae). Anastrepha bahiensis ocorre no México e no Brasil (em vários estados) (Norrbom et al. 1999; Zucchi 2008). Neste estudo, também foram encontradas Anastrepha bondari Lima, Anastrepha coronilli Carrejo & González, Anastrepha obliqua Macquart e Anastrepha striata Schiner. Seus hospedeiros listados na Tabela 1 já foram registrados anteriormente, bem como vários outros (Norrbom 2002; Zucchi 2007, 2008). Foram observadas quatro novas espécies de Anastrepha, ainda não descritas. Esses exemplares foram obtidos em uma espécie de Annonaceae, uma de Bignoniaceae e duas em espécies de Sapotaceae, respectivamente (Tabela 1).

Três espécies de braconídeos (D. areolatus, Opius sp. e O. bellus) e duas espécies de figitídeos (Aganaspis nordlanderi Wharton e A. pelleranoi) foram associadas com espécies de Anastrepha. Também foi realizado o primeiro registro de A. nordlanderi parasitando A. coronilli. Neste estudo, os braconídeos e figitídeos registrados foram encontrados previamente associados com outras espécies de Anastrepha (Canal & Zucchi 2000; Guimarães et al. 2000; Ovruski et al. 2000).

Os autores agradecem a Claudemir M. Campos e Ulisses G. Neiss pelo auxílio durante as coletas, José Lima pela identificação das plantas, Carter R. Miller, Gary J. Steck e dois revisores anônimos pelos comentários feitos em uma versão anterior desse manuscrito. Esse estudo foi financiado pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - projeto n°575664/2008-8).

RESUMO

Um hospedeiro natural (Mouriri collocarpa) e um parasitoide (Doryctobracon areolatus) foram registrados pela primeira vez para Anastrepha pulchra no Brasil. Foram registrados novos hospedeiros para Anastrepha atrigona e Anastrepha bahiensis na Amazônia brasileira. Também foram registrados parasitoides atacando A. atrigona, Anastrepha coronilli e A. pulchra.

33 TABELA 1. ESPÉCIES DE ANASTREPHA E PARASITOIDES COLETADOS NA AMAZÔNIA CENTRAL, BRASIL.

Família Botânica Espécies Botânicas Hospedeiros N. de frutos Peso (kg) N. de pupas Espécies de Anastrepha (n) Espécies de parasitoides (n)

Annonaceae Anonaceae (unidentified) Nativo 3 0.317 10 8 Anastrepha sp.1 0 Bignoniaceae Clytostoma sp. Nativo 2 0.096 2 1 Anastrepha sp.3

1 Anastrepha sp.4

0

Loganiaceae Strychnos jobertiana Baill. ▲ Nativo 56 1.970 17 12 A. atrigona 0

Melastomataceae Bellucia grossularioides (L.) Triana Nativo 758 5.029 68 59 A. coronilli 7 D. areolatus 1 A. nordlanderi◘ Melastomataceae Mouriri collocarpa Ducke▲ Nativo 13 0.153 108 59 A. pulchra 18 D. areolatus ◘ Moraceae Helicostylis scabra (Macbr.)

C.C.Berg. ♦

Nativo 92 0.978 290 218 A. bahiensis 48 D. areolatus

Moraceae Helicostylis tomentosa (Planch. &

Endl.) Rusby

Nativo 239 2.794 275 162 A. bahiensis 24 D. areolatus

Moraceae Naucleopsis sp. Nativo 21 0.803 9 8 A. bondari 0

Myrtaceae Eugenia patrisii Vahl. Nativo 15 0.083 16 14 A. obliqua 1 A. pelleranoi Myrtaceae Psidium guajava L. Nativo 12 0.486 5 3 A. striata 0

Sapotaceae Chrysophyllum prieurii A.DC. Nativo 55 2.970 12 6 Anastrepha sp.4 0 Sapotaceae Pouteria durlandii (Standl.) Baehni

Nativo 19 0.567 66 29 A. atrigona 10 Opius bellus ◘ 2 Opius sp. ◘ 2 A. pelleranoi ◘ Sapotaceae Pouteria williamii (Aubrév. &

Pellegrin) T.D. Penn.

Nativo 8 0.358 2 1 Anastrepha sp.2 0

▲ Primeiro registro de hospedeiro ♦ Novo registro de hospedeiro ◘ Novo registro de parasitoide

Ronchi-Teles, B.; Dutra, V.S.; Silva, J.G. 2011. Host Plant of Anastrepha pulchra (Diptera: Tephritidae) in Central Amazon, Brazil - Mistaken Identity Resolved. Florida Entomologist, 94(3): 719-720 (Anexo 2).

HOST PLANT OF ANASTREPHA PULCHRA (DIPTERA: TEPHRITIDAE) IN