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CAPITULO 2 – TERCEIRO SETOR

2.2 TERCEIRO SETOR NO BRASIL

Conforme já observado, o Terceiro Setor é composto pela sociedade civil organizada92, formados por pessoas físicas ou jurídicas, com participação da

sociedade civil e que tem por finalidade a promoção de direitos sociais, assegurados pela Constituição Federal.

De acordo com estudo com Tanya Linda Rothgiesser93, com advento de

conceitos de responsabilidade social das empresas e fortalecimento de um senso de responsabilidade e cidadania, o Terceiro Setor experimenta uma grande expansão, e para tanto, divide a trajetória do Terceiro Setor, no Direito Brasileiro, em seis etapas:

A primeira fase está compreendida do Império até a 1ª Republica, ressaltando que no ano de 1543 foi criada a primeira entidade para atender os desamparados – a Irmandade da Misericórdia – instalada na Capitania de São Vicente. As ações sociais desenvolvidas à época estavam vinculadas a Igreja Católica, e surgiram as primeiras ideias de mutualismo, benemerência e outras utilizadas até hoje.

A segunda fase está vinculada ao período de Revolução de 1930 até 1960, quando o país entrou na urbanização e na industrialização, passando a moldar uma nova atuação da elite econômica. Nesta época, o Estado ficou mais poderoso e era o único portador do interesse publico, e, em 1935 editou-se primeira lei que regulamentava as regras para a declaração de Utilidade Publica Federal, bem como em 1938 formalizou-se a relação do Estado com a assistência social com a criação do Conselho Nacional do Serviço Social, surgindo assim, paralelamente ações filantrópicas de senhoras de família economicamente privilegiadas, os grandes mecenas.

92 Para José Eduardo Sabo Paes, sociedade civil é uma expressão que apresenta diversos

significado, o que muitas vezes faz com seja vista como uma “esfera não-estatal, atiestatal, pós- estatal e até supra-estatal”, e conceitar sociedade civil é difícil e no âmbito da teoria política clássica é um dos conceitos mais usados no discurso social e político contemporâneo. (SABO PAES, 2010, p, 130)

93 Apud SEBRAE. “O que é Terceiro Setor”. Disponível em: http://www.sebraemg.com.br/culturada

cooperacao/oscip/terceiro_setor.htm. Acesso em 16 de novembro de 2012.

A terceira fase está compreendida entre 1960 até a década de setenta, período em que ocorreu o fortalecimento da sociedade civil, no bojo da ditadura militar. Iniciaram-se neste momento os movimentos comunitários de apoio e ajuda mútua, voltados para a defesa de direitos e à luta democrática. Ocorreu neste período o encontro da solidariedade e cidadania, representadas em ações não governamentais de caráter leigo, para combater a pobreza e o governo militar ditatorial.

A quarta fase ocorreu a partir dos anos setenta, época em que ocorreu a multiplicação das ONGs e o fortalecimento da sociedade civil - embrião do Terceiro Setor – em oposição ao Estado autoritário. Iniciava, neste período, a transição da ditadura militar para o regime democrático.

A quinta fase ocorreu nos anos noventa. Surge neste período um novo padrão de relacionamento entre os três setores da sociedade. O Estado começa reconhecer que as ONGs acumulam um capital de recursos, experiências e conhecimentos, com formas inovadoras de enfrentamento das questões sociais, que as qualificam como parceiros e interlocutores das políticas governamentais. Neste período o termo cidadania passa fazer parte do discurso do empresário. As palavras cidadania corporativa, responsabilidade social, investimento social passa a fazer parte dos três setores da economia brasileira.

É neste período, de acordo com a referida autora, que surge fortemente o conceito de Terceiro Setor, alargando outros atores sociais, além das ONGs, como fundações e institutos, associações beneficentes, assistenciais, bem como o trabalho voluntário. Cria-se o Programa Comunidade Voluntária articulando trabalhos sociais em vários ministérios, e, 1998 é regulamentada a Lei do Voluntariado.

A sexta e última fase chamada pela autora de Século XXI, a ONU – Organização das Nações Unidas decreta o ano 2001 como o “Ano Internacional do Voluntário” e acontece, no Brasil, o 1º e 2º Fórum Social Mundial, implementando ideias alternativas de ação econômica e social. Ocorre no Brasil a promoção do desenvolvimento social, a partir do incentivo a projetos autossustentáveis, em oposição às tradicionais práticas de caráter assistencialista geradoras de

dependência. Abrem-se novas perspectivas à aceitação de comportamento humano, de respeito á singularidade cultural e autodeterminação dos povos.

A par destas considerações, no Brasil, observa-se que o Terceiro Setor tem crescido significativamente, redefinindo as funções do Estado e sua atuação, coexistindo simultaneamente como Primeiro Setor, que exercer com exclusividade atividades precípuas do Estado, bem como com o Segundo Setor, que corresponde às Sociedades Empresárias, de capital privado, buscando sanar as questões sociais não solucionadas pelo Estado, buscando uma integração entre o Primeiro e Segundo Setor.

É importante frisar que o marco legal do Terceiro Setor no Brasil foi à edição e publicação da Lei 9.790 de março de 1999, que dispôs sobre qualificação de pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público, que instituiu e disciplinou o Termo de Parceria entre instituições de direito publico e direito privado, bem como apresentou os critérios de classificação das entidades sem fins lucrativos, de caráter público.Trouxe a possibilidade de qualificação de pessoas jurídicas de direito privado, criou a figura da Organização da Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIP, bem como em seu artigo 1º da Lei 9.790/99 definiu/ delimitou as organizações sociais sem fins lucrativos, para efeitos da referida Lei, notadamente para a realização dos Termos de Parceria, o que será objeto de análise.

A partir da edição e publicação da referida Lei, o Estado, ora Primeiro Setor, passou a delegar aos particulares e à sociedade civil inúmeras atividades voltadas para o interesse público, e, que antes era área de atuação exclusiva do Estado como a promoção da assistência social, da educação, da saúde, cultura, segurança alimentar e nutricional, de desenvolvimento econômico e combate a pobreza, geração de emprego e renda, da cidadania, dos direitos humanos, da democracia e outros direitos universais.

Outro ponto importante e essencial no desenvolvimento e promoção destes direitos, e que possui ligação direta com o tema proposto neste trabalho, foi a criação do Termo de Parcerias que é um instrumento jurídico fundamental neste processo, e, que é firmado entre o Poder Publico e as entidade qualificadas como

OSCIP, o qual deverá prevê os direitos, obrigações e responsabilidades das partes signatárias, no desenvolvimento e execução das atividades previstas. Após a assinatura do Termo de Parceria, a referida organização será acompanhada e ficará sujeita a fiscalização pelo órgão competente e pelos Conselhos de Políticas Publicas (art. 11 da Lei 9.790/99).

Neste contexto, verifica-se que o Terceiro Setor no Brasil vem crescendo e avançando a cada dia, e, entre as principais funções das entidades que compõe o Terceiro Setor está o cumprimento de direitos individuais, sociais e coletivos, de atuação pública, colaborando na prestação de serviços públicos, porém não estatal, promovendo e justiça social com responsabilidade.