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Teste de Julgamento de Valor de Verdade (TJVV)

5. DOS RESULTADOS

5.1 Teste de Julgamento de Valor de Verdade (TJVV)

O teste de Julgamento de Valor de Verdade serviu para avaliarmos se os falantes eram capazes de interpretar o singular nu como fazendo referência direta à espécie. As respostas consideradas adequadas para as perguntas do TJVV foram as seguintes: ‘sim’ para a pergunta imediata e para distratora positiva e ‘não’ para a pergunta distratora negativa. Um número acentuado de respostas ‘não’ para uma pergunta positiva e ‘sim’ para uma pergunta negativa seria, então, uma indicação de que houve uma dificuldade por parte do participante em interpretar tal sentença.

A Tabela (11) a seguir traz os resultados para o TJVV, tanto no GE como no GC. A Tabela está disposta da seguinte maneira: na segunda, quarta e sexta colunas se encontram os resultados para as respostas ‘sim’, ‘não’ e ‘não soube ou não respondeu (Ns/Nr)’. Na terceira, quinta, sétima e nona colunas, encontram-se os valores percentuais.

Perguntas Imediatas

Grupo Controle Sim % Não % Ns/Nr % Total %

553 92,0 46 7,6 3 0,4 602 100

Grupo Experimental Sim % Não % Ns/Nr % Total %

717 78,7 178 19,5 15 1,8 910 100

Tabela (11): quadro de respostas do TJVV.

Como se vê, houve um índice de 92,5% de respostas adequadas para GC e 78,7% para GE. O índice de respostas inadequadas se deu em 7,6% para o GC e 19,5% para GE. Já o percentual de não-respostas se deu em 0,4% para GC e 1,8% para GE.

Com o fim de avaliar se as respostas dos participantes se deram de maneira aleatória ou não, apliquei sobre os resultados um teste de qui-quadrado, considerando o total de respostas adequadas e o total de respostas inadequadas para as perguntas imediatas, nos dois grupos de testagem. A aplicação desse teste confirmou haver uma diferença significativa entre as respostas consideradas adequadas e as respostas consideradas inadequadas, indicando, assim, que o experimento funcionou para os seus propósitos e que os falantes ofereceram respostas confiáveis para a análise. Na Tabela (12), exponho os resultados dos testes de qui-quadrado para as respostas contempladas na Tabela (12), acima. P er gu n ta Ime d ia ta Grupo Controle Valor de Qui-quadrado x²= 421,95 (1) p < 0,05 Grupo Experimental Valor de Qui-quadrado x²= 301,73 (1) p < 0,05 Tabela (12): resultados dos testes de qui-quadrado do TJVV

A Tabela (11) acima, contudo, engloba os resultados das perguntas imediatas, não especificando qual o tipo de DP que ocupa a posição de sujeito das sentenças. Como este trabalho pretende avaliar, especificamente, se as crianças podem interpretar o singular nu como nome de espécie, trago a seguir, na Tabela (13), os resultados concernentes apenas ao singular nu na posição de sujeito de predicados de espécie das perguntas imediatas. Si n gu la r nu Grupo Respostas

Sim % Não % Ns/Nr % Total

Controle 198 92,1 17 7,9 0 0,0 215

Experimental 251 77,2 70 21,5 4 1,3 325

Tabela (13): respostas das perguntas imediatas envolvendo o singular nu.

Como se observa, o índice de respostas ‘sim’ atribuídas ao singular nu por GC é de 92,1% em comparação aos 77,2% atribuídos por GE. Já para as respostas negativas, houve um índice de 7,9% em GC e 21,4% em GE. O gráfico (2), abaixo, apresenta a distribuição das respostas fornecidas pelos grupos para o singular nu como argumento de um predicado de espécie.

Aplicando-se um teste de qui-quadrado aos resultados obtidos, notamos que houve uma diferença significativa entre as respostas atribuídas pelo grupo Controle e

pelo Grupo experimental (x² = 19.352 (1) p <0,05), indicando uma diferença de comportamento entre o grupo de adultos e o grupo de crianças.

Olhando, agora, apenas para o resultado do Grupo Experimental, subdivididos por faixa-etária, obtemos os resultados dispostos na Tabela (10), a seguir.

Si n gu la r nu Grupo Respostas

Sim % Não % Ns/Nr % Total

G1 82 78,1 23 21,9 0 0,0 105

G2 80 76,2 21 20,0 4 3,8 105

G3 89 77,3 26 22,7 0 0,0 115

Tabela (10): respostas das perguntas imediatas com singular nu, por

faixa etária do grupo experimental.

O gráfico (1), a seguir, apresenta a distribuição das respostas (em porcentagem) dos subgrupos de GE:

Gráfico (1): distribuição das respostas para o singular nu, em %, nos

subgrupos de GE

Aplicando-se um teste de qui-quadrado comparando o total de respostas adequadas com o total de respostas inadequadas para a pergunta imediata envolvendo o singular nu nos três grupos em análise, notamos que não houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos (x² = 0,10495 (2) p = 0,9489). Isso sugere que o comportamento das crianças de G1, G2 e G3 avaliando sentenças com singular nu na posição de sujeito de um predicado de espécie se deu, basicamente, de forma semelhante.

Houve, também, ocorrências de singular nu com predicados de indivíduo (I- level) nas sentenças distratoras. Dispomos dos resultados na Tabela (14) a seguir:

77% 78% 73% 77% 22% 22% 20% 23% 1% 0% 4% 0% 0% 20% 40% 60% 80% 100% GE G1 G2 G3 R es p o st as e m %

TJVV - Subgrupos de GE - Singular nu

Sim Não Ns/Nr

Distratora positivas Respostas Singular

nu Controle Grupo Sim 82 95,4 2 % Não 2,3 % Ns/Nr % Total 2 2,3 86 100 % Experimental 119 91,5 11 8,5 0 0 130 100

Distratora negativa Respostas

Singular

nu Controle Grupo Sim 2 0,6 % Não 253 98,7 3 % Ns/Nr % Total 0,7 258 100 % Experimental 31 8,0 355 91,0 4 1,0 390 100

Tabela (14): respostas das perguntas distratoras em GE e GC.

Aplicando-se um teste de qui-quadrado nas respostas adequadas para a distratora positiva, notamos que não houve diferença estatisticamente significativa entre os dois grupos (x² = 0,64801 (1) p=0.4), o que sugere que o comportamento do grupo controle e do grupo experimental não diferem em relação ao singular nu na posição de um predicado do tipo I-level.

Já o teste de qui-quadrado aplicado nas mesmas condições para as perguntas distratoras negativas mostrou que houve uma diferença significativa entre as respostas adequadas do grupo de controle e as respostas adequadas do grupo experimental (x² = 12,087 (1) p<0,05). Depreende-se deste teste que GE e GC apresentaram comportamentos distintos em relação à atribuição de respostas adequadas para o singular nu na posição de sujeito de predicados I-level: o grupo das crianças cometeu mais erros na atribuição de respostas adequadas aos singular nu do que o grupo controle.

Resultado curioso surgiu em relação ao definido genérico na posição de sujeito de um predicado de indivíduo, nas sentenças distratoras positivas, como exemplificado em (1), a seguir.

(1) O cavalo tem quatro patas? [definido genérico + predicado I-level]

Enquanto GC se comportou como o esperado, GE apresentou um comportamento distinto, como se pode notar na Tabela (15), a seguir:

D efi n id o ge n ér ic o Grupo Respostas

Sim % Não % Ns/Nr % Total

Controle 85 98,8 1 0,2 0 0 86

Experimental 47 36,2 80 61,5 3 2,3 130

G1 23 54,8 17 40,5 2 4,7 42

G2 12 28,5 29 69,0 1 2,5 42

G3 12 26,0 34 74,0 0 0 46

Tabela (15): respostas do definido genérico das distratoras

GC atribuiu um total de repostas “sim” em 98,8% das vezes em que a pergunta continha um singular nu argumento de um predicado de indivíduo. GE, por outro lado, atribuiu um total de 61,5% de respostas negativas ao mesmo tipo de pergunta. Este comportamento se manifesta também intra-GE: G2 e G3 apresentaram um índice de 69,0% e 74,0% de respostas negativas para o singular nu argumento de um predicado I-level, enquanto G1 preferiu responder positivamente na mesma situação.

Aplicando-se um teste de qui-quadrado nos resultados obtidos para o definido genérico, nos grupos controle e experimental, notamos uma diferença estatisticamente significativa entre os resultados (x² = 82.958 (1) p < 0,05). Isto sugere que houve um comportamento distinto entre GE e GC.

Comparando-se as respostas dos três grupos de GE, notamos que também houve uma diferença significativa entre o comportamento dos participantes (x² = 9.36 (2) p < 0,05). O grupo G1 obteve mais acertos comparando-se com os grupos G1 e G2.

Esses resultados serão oportunamente discutidos no capítulo seguinte, dedicado à análise dos dados. Antes, porém, reportarei na próxima seção, os resultados da Tarefa de Seleção de Imagem.