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Testemunhe enquanto trabalha no estrangeiro

“Nesse caso, qual é o meu galardão? É que, evangelizando, proponha de graça o evangelho...” (1 Cr 9.18)

Visto que, de acordo com o mandamento de Cristo, a evangelização do mundo deveria ser o principal interesse de um fazedor de tendas, surge a preocupação acerca das melhores alternativas para um testemunho durante o período de trabalho no estrangeiro.

EVANGELISMO ATRAVÉS DA AMIZADE

“O homem que tem muitos amigos sai perdendo; mas há amigo mais chegado que um irmão” (Pv 18.24). William Carey reconheceu a importância deste aspecto ao escrever: “Missionários...devem...por todos os meios legais...empenhar-se em cultivar uma amizade com eles [os nacionais].”. O Dr. Stanley Soltau, com base em sua experiência como missionário veterano na Coréia, declara:

Dispender tempo com telefonemas de cortesia para autoridades, num esforço de adquirir seu respeito e apoio, pode parecer uma ocupação infrutífera, se não uma total perda de tempo. Mas o missionário que tem uma visão não imediatista reconhecerá que ganhar a confiança destas autoridades é claramente sua obrigação, não apenas visando a salvação das suas almas, mas também pela maior influência que o seu apoio exercerá em toda a região. A

Carey, Enquiry, p. 75.

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cortesia de Paulo para com Felix e Festo, no momento em que falou diante deles em sua própria defesa, é um exemplo que deveria ser seguido... A futura utilidade e eficácia do seu trabalho, em grande parte, depende disso.

O Dr. Cameron Townsend, fundador da Wycliffe Bible Translators (Tradutores da Bíblia Wycliffe) e do Summer Institute of Linguistics (Instituto Lingüístico de Verão) demonstrou através do seu sucesso na área de diplomacia cristã, a importância de se cultivar relações amistosas com autoridades e com todas as pessoas. Além disso, o Engel Scale confirma a importância do evangelismo através da amizade, que indica que a conversão acontece dentro de um processo que passa pela proclamação, persuação e perseverança da parte da pessoa que comunica, resultando em vários níveis de resposta da parte do ouvinte.

Na ocasião em que diversos fazedores de tendas partiram para o Afeganistão, a liberdade religiosa foi severamente restringida pelo governo radicalmente muçulmano. Éramos, no entanto, livres para fazer amigos. A hospitalidade em nossa casa era um meio de desenvolver um verdadeiro evangelismo pela amizade.

Através do convite que me fizeram para ensinar inglês aos membros do Ministério de Assuntos Estrangeiros, tive a oportunidade de travar conhecimento com diplomatas daquele país que posteriormente foram designados para trabalhar em embaixadas em muitas partes do mundo. Mais de uma vez, consegui obter um visto para voltar ao Afeganistão através daqueles que haviam sido meus alunos e, se não fosse por eles, minha esposa e eu possivelmente não teríamos recebido autorização para voltar.

Além disso, o fato de eu ter ensinado inglês ao Príncipe da Coroa e à sua secretária particular nos possibilitou permanecer no país todo o tempo que ficamos, até que o prédio da igreja foi destruído.

ORAÇÃO E EVAGELISMO

A Bíblia revela que “... a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e, sim, contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Ef 6.12). O Pacto de Lausanne reflete isso quando afirma: “Estamos envolvidos em constante batalha espiritual contra os principados e poderes do mal que procuram...frustar...a evangelização mundial”. No Afeganistão, as pessoas tradicionalmente dizem que quando Satanás foi expulso do céu,

T. Stanley Soltau. Missions at the Crossroads. (Wheaton, IL: Van Kampen, 1954), pp. 44,45.

James and Marti Hefley. Uncle Cam. (Waco, TX: Word, 1974).

James F. Engel and H. Wilbert Norton. What's Gone Wrong With the Harvest? (Grand Rapids, MI:

Zondervan, 1976), pp. 43-56.

Douglas, Let the earth Hear His Voice, p. 7.

caiu na terra em Kabul, a capital. Quando os primeiros cristãos ali chegaram, podiam sentir o poder do mal. Os ataques satânicos provinham não apenas dos de fora, mas havia também conflitos de personalidade dentro da comunidade cristã. Estas provações produziram amargura em alguns, mas quebrantamento em outros. Como testifica Davi: “Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito não desprezarás, ó Deus.” (Sl 51.17).

O segredo da vitória consiste não apenas em fortalecer-se no Senhor através da utilização da completa armadura de Deus, mas também na batalha contra Satanás por meio de “...oração e súplica, orando em todo o tempo no Espírito...” (Ef 6.18). Por esta razão, o apóstolo Paulo escreveu aos cristãos repetidas vezes, solicitando suas orações. Regularmente enviávamos uma carta mensal de oração para igrejas e amigos em nosso país, que continha um pedido diferente para cada dia. Ela chegava a centenas de guerreiros na oração. Era emocionante ver como Deus ouvia e respondia. Ele não apenas resolvia problemas insolúveis, mas ainda fazia com que o testemunho de Cristo fosse eficaz.

Embora a liberdade religiosa fosse restrita, ainda assim, ninguém nos impedia de orar. E Deus nos concedeu oportunidades inesperadas para testemunhar. Um rapaz do Instituto dos Cegos veio me visitar. Ele disse que, embora cego, havia percebido o amor existente na vida de seus professores e queria que eu lhe falasse sobre Deus. Foi uma alegria compartilhar o evangelho com ele.

EVANGELISMO DIANTE DE OPOSIÇÃO

Atualmente, muitos países do mundo, especialmente os que se encontram sob regimes Islâmicos e Comunistas, restringem a liberdade religiosa. Isso não é uma coisa nova. Nosso Senhor viveu sob um dos regimes mais opressores conhecidos na história. E, mesmo neste contexto, ele deu aos seus discípulos a Grande Comissão de levar o evangelho a toda criatura. Mas ele deixou claro que seus discípulos deveriam ser prudentes como as serpentes e simples como as pombas na execução desta tarefa. Os cristãos precisam de discernimento e discreção na maneira pela qual levarão a cabo o mandamento deixado por Jesus de evangelizar o mundo. Acima de tudo, devem prestar obediência e lealdade a Deus. Assim sendo, se os governos derem uma ordem contrária aos mandamentos expressos de Deus, os crentes devem responder como Pedro e João: “Julgai se é justo diante de Deus ouvir-vos antes a vós outros do que a Deus.” (At 4.19). Portanto, embora os cristãos devam ser leais aos governos humanos no que diz respeito aos direitos civis, no momento em que as autoridades políticas infringem os mandamentos do Senhor, os seguidores de Cristo tem para com Ele uma responsabilidade e uma obrigação prioritárias. O evangelho não muda e, conseqüentemente, os cristãos devem prosseguir “...exortando-vos a batalhardes diligentemente pela fé que uma vez por todas foi entregue

aos santos” (Judas 1.3). No entanto, os métodos utilizados para compartilhar o evangelho são realmente variáveis, e devemos ser sábios quanto à forma que empregamos para evangelizar, especialmente em lugares onde existe oposição.

Nas nações muçulmanas, a conversão é considerada uma via de mão única. Uma pessoa pode se tornar um convertido ao islamismo, mas não tem permissão para abandonar essa fé. É necessário ressaltar que nem mesmo Deus obriga as pessoas a crer, e, assim sendo, como pode uma religião ou governo humano presumir que tem direito de tomar tal autoridade sobre si?

Os governos comunistas consideram a religião “o ópio do povo” e, desta forma, restringem as atividades religiosas nos lugares onde exercem o domínio. Todavia, os crentes que se encontram nessas nações continuam testemunhando, freqüentemente sob o risco de serem aprisionados e mortos.

E Deus os está abençoando e concedendo muito fruto, como pode-se perceber através do crescimento das igrejas sofredoras.

Os cristãos nominais também podem ser responsáveis por problemas na esfera espiritual. Com freqüência, o trabalho do Senhor no Afeganistão foi dificultado pelas autoridades das embaixadas Americana e Britânica. Aqui, mais uma vez, nas questões espirituais, os crentes devem prestar mais lealdade a Deus do que ao seu país.

EVANGELISMO DENTRO DE CASA

O Rev. William Sutherland trabalhou como missionário na fronteira do Afeganistão por muitos anos. Ao final do seu trabalho, perguntei-lhe que área do seu ministério ele considerava que havia sido mais efetiva. Após breve reflexão, ele respondeu que acreditava que haviam sido as devocionais diárias realizadas em sua casa. Ele podia mencionar pastores em todo o Paquistão que, em alguma ocasião, o haviam auxiliado em casa.

Em muitos lugares do mundo, as pessoas precisam desesperadamente de um emprego. Além disso, quando conseguimos pessoas para a judar no serviço doméstico, temos liberdade de passar tempo estudando, ensinando e ministrando aos que estão em necessidade. Além disso, ter devocionais diárias com aqueles que nos auxiliam é uma oportunidade comprovadamente eficaz para evangelizá-los. As Escrituras podem ser usadas na língua local e, desta forma, eles ficam conhecendo a Palavra de Deus, que fala aos seus corações.

Costumávamos nos reunir diariamente com nosso ajudante no Afeganistão. Jamais esquecerei o jardineiro da igreja que ouviu pela primeira vez a história em que nosso Senhor ressucitou a Lázaro dentre os mortos. Enquanto ouvia o relato deste milagre, as lágrimas começaram a rolar pelo seu rosto, descendo até sua barba, e então ele disse: “Que poder maravilhoso Jesus Cristo possuía para ser capaz de trazer um homem de volta à vida depois de haver estado morto por 4 dias!”

Sempre que tínhamos convidados para comer em nossa casa, dávamos graças ao Senhor pelo alimento, sentados à mesa, e orávamos no nome de Cristo pelas necessidades das diversas pessoas presentes. Os muçulmanos têm uma grande apreciação por orações, e sempre as escutavam com reverência e respeito. Nós também descobrimos que parar para orar antes de dirigir, mesmo que fosse uma viagem curta, resultava não apenas na proteção do Senhor, mas também era um testemunho muito eficaz diante dos afegãos ou outros que viajassem conosco.

EVANGELISMO JUNTO AOS NACIONAIS

As pessoas em outros países normalmente são menos reticentes para falar acerca de assuntos religiosos do que os ocidentais. Eles adoram fazer perguntas sobre a crença de outras pessoas. Isso proporciona uma oportunidade natural para que a pessoa compartilhe sua fé e também descubra em que consiste a crença deles.

Quando os nacionais aceitam a Cristo, é importante que mantenham comunhão com outros crentes. Eles também precisam cultuar em sua própria língua, usar sua própria música, de maneira que se sintam identificados com o Cristianismo. Desde o princípio, devem ser encorajados a assumir a liderança em sua própria comunidade. Eles devem ser os líderes no culto, na administração do batismo, e na distribuição da ceia do Senhor.

Os crentes locais devem tornar-se independentes na área financeira, nas decisões e na propagação o mais rápido possível.

Para que consumemos a Comissão de Cristo de ensinar tudo o que ele ordenou, é importante despetar neles uma visão evangelística e missionária.

Os crentes devem ser ensinados a levar outros a Cristo. Além disso, devem receber uma noção do andamento da obra de Deus em todo o mundo, para que possam participar da tarefa de atingir os não-alcançados.

EVANGELISMO JUNTO AOS ESTRANGEIROS

A Comunidade Internacional também é um campo muito carente de testemunho. Foi uma alegria, no Afeganistão, ver cristãos nominais alcançarem um conhecimento salvador de Cristo. Eles não precisam ser alcançados de uma maneira transcultural. Muitos deles estão famintos de amizade e amor verdadeiros. Além dos encontros informais para cafés e estudo bíblico nos lares, boa literatura pode realizar um tremendo impacto.

Algumas pessoas vieram a Cristo no Afeganistão em suas próprias casas, durante a leitura de livros cristãos. A exibição de boa literatura na igreja tornou-se um ministério produtivo. Muitos estrangeiros não haviam trazido suas bíblias consigo, e por isso ficavam felizes pela oportunidade de poder obter as Escrituras.

TREINAMENTO EM EVANGELISMO

Alguns fazedores de tendas têm conseguido fazer cursos de caráter cristão por correspondência enquanto estão no campo ou se envolvem com educação teológica por extensão no lugar onde trabalham. Um engenheiro cristão na Nigéria, por exemplo, conseguiu fazer um curso de homilética.

Após dois anos de estudo, foi aceito como pregador local. Visto que o ensino teológico cristão é um treinamento voltado para cristãos leigos, este tipo de preparo no campo se ajusta naturalmente ao ministério de fazedores de tendas.

Muitas organizações para-eclesiásticas são agora internacionais. Por esta razão, os fazedores de tendas podem receber assistência no campo através de agências que atuam no exterior. A Campus Crusade possui, atualmente, materiais para evangelismo traduzidos para diversos idiomas.

Os Gideões, além de fornecerem Bíblias para hotéis e escolas em todo o mundo, também têm interesse em construir mais acampamentos dirigidos por cristãos leigos em várias nações. No momento, eles também têm atuado em mais de 100 países, e a maior parte do dinheiro que recebem na América do Norte tem sido destinada aos seus ministérios no exterior. A Aliança Pró Evangelização da Criança (APEC), tem realizado trabalhos em 66 países.

Eles têm excelentes seminários que tratam de alternativas para dirigir encontros para crianças, utilização de material que desperte o interesse de meninos e meninas, e métodos de evangelismo pessoal.

As Escrituras dizem que devemos estar prontos para responder a qualquer pessoa que nos interrogue acerca da razão da esperança que há em nós (1 Pe 3.15). O Dr. Howard Mattson Boze conta sobre um estudante iraniano que lhe fez a seguinte pergunta em sala de aula: “Você veio aqui para nos converter ao Cristianismo?”. Sua resposta foi a seguinte: “Sim.

Meu propósito aqui é o mesmo que tive quando ensinava nos Estados Unidos”.

Nash, Christians — World Citizens, p. 19.

Mattsson-Boze, “Self-Supporting Missionary”.

Fazedores de tendas