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O testemunho público da viúva Erna Falck Uma obra-prima da técnica quadridimensional

No documento Portal Luz Espírita (páginas 140-144)

Na primavera e no verão de 1962 recebemos inúmeras emissões em quanta.  A  maior  parte  das  gravações  continha  comunicações  pessoais, trazidas  por  amigos  de  infância  e  conhecidos.  Entre  elas  houve  uma  apresentação  bem  interessante,  dedicada a minha irmã Elly. 

“ Endlich  haben  wir  Kontakt  mit  Elly”   (“ Até  que  enfim  conseguimos  contato  com  Elly” ),  falou  alguém  no  inicio  da  irradiação,  e  nós  reconhecemos  a  maioria dos amigos pelas suas vozes. Uma canção que Elly cantava frequentemente  na adolescência foi cantada em alemão e russo. 

Esta apresentação evocava cenas e imagens dos acidentados anos de 1918­  19, quando Odessa fora ocupada pelas forças austríacas. Nessa época, a cidade teve  um desenvolvimento de curta duração, mas muito intenso. Muito mais que as armas,  parecia  que  os  sons  da  música  vienense  haviam  conquistado  o  coração  dos  odessistas. Entre  danças,  cantos  e  flertes,  gozava­se  a  vida plenamente até  que,  de  súbito, desencadeou­se o inferno da guerra civil, acabando com toda a alegria. 

Certa  noite,  gravei  um  singular  solo  de  canto.  A  voz  —  de  um  excelente  barítono  —  lembrava  vivamente  a  de  Hitler.  O  texto  também  poderia  ter  sido  inventado por Hitler, pois correspondia à sua mentalidade póstuma. Naquela época,  ainda não sabia que Hitler fora um harmonioso barítono, já que só na primavera de  1963 chegara­me às mãos um artigo de jornal muito interessante, redigido por dois  músicos vienenses, que informava que Hitler, na mocidade, fizera um teste de canto  na Ópera de Viena, mas, por lhe faltar uma casaca, não lhe foi permitido tomar parte  no ensaio geral. Uma simples casaca poderia talvez ter mudado fundamentalmente o  destino da Europa, concluía humoristicamente o artigo.  Em princípio de agosto, morreu repentinamente um amigo nosso na Itália,  vitimado por uma pneumonia aguda. Sua morte nos parecia inconcebível, pois ele se  encontrava  na  plenitude  da  vida,  era  um  homem  generoso  e  trabalhador,  que  irradiava  tolerência  e  sereno  equilíbrio.  Embora  tivesse  conhecido  os  horrores  da  guerra  e  dos  campos  de  concentração,  não  deixava  transparecer  qualquer  ressentimento ou hostilidade. Como se trata aqui de um contato extraordinariamente  interessante,  vinculado  a  uma  série  de  ocorrências  muito  importantes,  devo  prestar  alguns esclarecimentos para que se possa compreender o fato corretamente. 

Aliás,  já  me  reportara  a  esse  caso  numa  publicação  na  Suécia  no  ano  de  1964,  mas,  em  atenção  à  viúva,  modifiquei  o  nome  desse  meu  amigo  e  o  de  sua

família.  Antes,  porém,  da  minha  segunda  entrevista  à  imprensa  internacional  em  1964, pedi à viúva que nos visitasse em Nysund, pois decorridos dois anos, pensava  que  a  grande  dor  da  perda  do  marido  já  se  tivesse  atenuado  e  que  então  poderia  tentar aproximá­la do morto através do gravador de som. 

É  difícil  descrever  o  que  realmente  aconteceu.  A  emoção,  o  espanto,  a  felicidade,  tudo  isto  são  palavras  que  quase  nada  podem  expressar.  É  preciso  presenciar um momento desses, para ter uma ideia do efeito mitigante e consolador  dessas  gravações.  Descobrimos  juntos  uma  série  de  detalhes  e  indicações  pessoais  de  que  eu  não  poderia  ter  qualquer  noção,  mas  que  a  viúva  imediatamente  compreendeu. 

Finalmente,  ela  quis  apresentar­se  como  testemunha  na  próxima  conferência internacional de imprensa, e, espontaneamente, permitiu­me publicar o  seu nome e o do seu falecido marido. 

Mas voltemos agora ao mês de agosto de 1962, quando a Sra. Elna Falck —  assim se chamava a viúva — nos visitou em Nysund pouco depois da morte do seu  marido Arne. Ela contou que logo após a morte do seu marido, começaram a ocorrer  estranhos  fenômenos  sonoros,  o  que  lhe  dera  a  vívida  impresão  de  que  Arne,  de  algum modo, queria assinalar a sua presença. Como ainda estivesse muito abalada,  não  lhe  propus  fazer  nenhuma  gravação,  pois  sabia  que  nem  todas  as  pessoas  são  capazes, logo depois da perda, de ouvir com tranqüilidade a voz dos seus mortos. 

Assim que a Sra. Falck partiu, coloquei uma nova fita magnética e liguei o  rádio. 

Quase  que  imediatamente  se  fez  ouvir  aquele  som  ruidoso  que  me  é  tão  familiar  e,  ao  receber  os  sinais  de  Lena,  deixei  rodar  a  fita  magnética.  Estava  bastante  ansioso,  porque  então  já  sabia  que  aquele  “som  ruidoso”  resultava  de  frequência de onda direta dos meus amigos. Dentro em pouco, podia­se perceber um  som cantante secundário, que parecia vibrar numa concha acústica, produzindo uma  cadência rítmica e ecoante. 

Então  ressoou  uma  conhecida  voz  de  mulher,  ora  cantando,  ora  falando,  que me transmitiu uma mensagem particular. Exprimia­se em russo e alemão. 

Pelo conteúdo da comunicação se evidenciava claramente que ela estava a  par  dos  assuntos  particulares  de  minha  família.  Embora  escutasse  frequentemente  essa  voz,  que  evocava  alguém  de  minha  infãncia,  não  podia  imaginar  a  quem  pertencia. 

Infelizmente, até hoje a voz ainda não se identificou. 

Ao silenciar o canto, ouviu­se novamente aquele característico som ruidoso.  “Kontakt!”  (Contato),  exclamou  uma  voz  clara  de  homem,  que  lembrava  Churchill, soando como uma chamada telefônica ou tela de radar.

Na  concha  acústica  cantante,  uma  outra  voz  de  homem  começou  a  falar  baixinho. “ Falck” , sussurrou: “ Falck” , repetiu mais alto e nitidamente. “ Agora vem  Falck”, acrescentou cantarolando em sueco. 

“ Churchill — agora vem o velho amigo...”, tornou outra vez, proferindo as  últimas  palavras  em  sueco  e  alemão.  A  linguagem depois  descambou  para  o  estilo  poliglótico.

“ Este  é  Arne  —  vem  a  Sra.  Falck?”,  perguntou  a  voz  num  tom  meio  cantante. 

Reconheci  imediatamente  a  voz  de  Falck,  que  era  norueguês  e  tinha  um  sotaque bem característico. 

“ Eu  sei  — eu  vivo  —  não  há  morte  —  eu  posso falar com  Pelle!”   ecoou  bem alto. (“ Estou sendo tratado por Monika e as crianças de Pelle.”) 

“ Eu... no Jürgenson... na fita...”  “ Aqui vive Falck — e ali — tra­lá­láa!”  O  final foi corretamente cantado, e a voz parecia feliz e até um pouco divertida. 

“ Brevemente se ganha um navio!”  Súbito, Falck passou para o tom bemol  num canto bem afinado. 

Seguiam­se  algumas  frases  naquele  fantasioso  idioma  poliglótico.  Falck  ainda mencionou duas vezes o seu nome, e depois houve um prolongado intervalo.  Voltou  então  a  falar  a  primeira  voz  de  homem,  soando  como  que  à  distância;  exprimia­se em alemão, num tom de voz amável e animador. 

“ Sprich  doch  mit  dem  kleinen  Radarchen  —  Friedel  kontrollietr  die  Toten...”  (“Então fale com o pequeno radarzinho — Friedel controle os mortos...”) 

“ Ach,  lass  sem!  Hier  lebt  Falck”,  continuava  Arne  cantando  despreocupadamente, “ Falck, Berlin — Ost — Berlin... aah — aaah!”  (“ Ah, deixe  disso! Aqui vive Falck — Falck — Berlim oriental... aha — aaah!” ) 

Escutou­se outra vez a intercalação de uma chamada telefônica, e a alegre  voz de homem exclamou em sueco: “ Tu chegarás ao livre.”  

“ Jürgenson  —  agradeço...” ,  cantava  Arne  a  meia  voz,  e  encerrou  o  seu  canto alegremente:“ Aqui mora Falck — e lá — lá­lá­lá­á­á­á!”  

Um  instrumento  semelhante  a  um  robô,  mas  que  talvez  fosse  uma  voz  modificada  de  repentista,  anunciou,  com  uma  inflexão  metálica,  em  alemão:  “ Mölnbo  sitzen  und  hören...  Mälarhöjden!”   (“ Mölnbo  sentado  e  escutando...  Mälarhöjden!”)  A  voz  poderia  ter  acrescentado “ tranquilo,  feliz  e  grato”,  pois  eu  estava sentado e emocionado diante do aparelho, feliz como uma criança, por causa  dessa excepcional gravação.  Serão necessárias ainda outras provas? O que poderia ser mais convincente  do que o conteúdo da fita magnética?  Todo o  conjunto representa uma obra­prima de técnica quadridimensional,  já que se trata aqui de uma irradiação diretamente do éter que, evidentemente, correu

paralela à tela do radar. Essa gravação resiste a todo e qualquer ceticismo, porquanto  fala por si mesma e dispensa maiores comentários. 

Já naquela época, poderia ter dado uma entrevista internacional à imprensa,  mas eu hesitava, por julgar ainda não haver chegado o momento oportuno. 

Considerando bem, talvez fosse a minha própria falta de confiança que, em  parte,  me  impedia  de  fazer  publicidade.  Chegara  também  à  conclusão  de  que  os  mortos esperam dos vivos algo bem definido, pelo menos com relação àqueles que  gostariam  de  participar  na  construção  da  nova  ponte  de  comunicação.  Era  igualmente  claro  que  o  trabalho  de  comunicação  puramente  exterior  representava  apenas uma parte da construção da ponte. 

No  que  me  dizia  respeito,  não  bastava  que  eu  registrasse  com  o  maior  escrúpulo  as  mensagens,  as  testasse  e  traduzisse.  O  conjunto  da  obra  exigia  uma  ampla publicidade do planejado contato. 

Mas com isso não se encerrava a minha tarefa. Uma indicação neste sentido  já me havia sido dada no verão de 1959, quando encontrei, entre as minhas primeiras  gravações através do microfone na fita magnética, a misteriosa frase: “ Friedrich —  wenn du auch des Tages übersetzt und deutest, jeden Abend versuche die Wahrheit  zu  lösen  mit  dem  Schiffe  —  mit  dem  Schiff im  Dunkeln!...”  (“ Frederico —  mesmo  que  tu  traduzas  e  interpretes  durante  o  dia,  todas  as  noites  procura  desvendar  a  verdade com o navio — com o navio na escuridão.”) 

Evidentemente,  os  mortos  ainda  esperavam  algo  diferente  de  mim.  Mas  isto,  em  última  análise,  teria  de  decidir  sozinho  e,  apesar  da  minha  insuficiência,  encontrar o “rumo verdadeiro”. 

Também  era  admissível  que  os  mortos,  lá  de  sua  dimensão  imensurável  e  intemporal,  pudessem  perceber  com  mais  clareza  as  possibilidades  da  evolução  humana e, por isso, esperassem de nós um estado de consciência em que se aliasse a  espontaneidade de uma criança à maturidade de um sábio. 

Por  mais  estranho  que  pareça,  custei  a apreender  o  ponto  fundamental  do  assunto,  mas  minha  mulher  logo  o  percebeu:  em  verdade,  se  os  mortos  me  escolheram  para  elemento  de  contato,  cabia­me  a  missão  de  avocar  à  causa  todos  aqueles  seres  que  ainda  vivem  na  terra  e  que  por  sua  maturidade  espiritual,  equilíbrio e posição social pudessem colaborar.

40

In summa: dez parentes, cinquenta amigos

particulares, trinta pessoas preeminentes e cerca

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