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Aspectos teóricos e metodológicos

TEXTO DO FESTIVAL SUBMIDIALOGIA#4, DISPONÍVEL EM

http://submidialogia4.descentro.org/submidialogia.html.

Um elemento precisa ser ressaltado no Princípio de Dispersão verificável em Vitóriamaro. É que está presente em seus ensaios críticos teóricos a acusação de que toda auto-referência é banal. Nesse sentido, procura-se, com a recombinação simbólica, a desconstrução de comportamentos egocêntricos, a ridicularização de reverências, o questionamento da história linear, os conceitos de originalidade e autoria. Assim como a crítica às penalidades previstas nas legislações respectivas, como mostrado no capítulo 1. Vitóriamário suicidou-se em 1999109, depois de uma atuação que durou 13.

Programaticamente, a produção de mídias livres também incorpora de Vitóriamario e de outros avatares de não-identidade a busca pela desestruturação e desnorteamento do sistema corporativo de produção de informação, cultura e conhecimento, através de sua subversão. E a criação de canais, produtos e processos submidiáticos que se abram como possibilidade de afirmação de vivências periféricas. Essas duas dimensões, positiva e negativa, são melhor consideradas no tópico seguinte. Um outro avatar de não-identidade é o de Wanderlyne Selva. Moradora da

109 O que significa um comunicado concensual da rede de indivíduos que o animava de que a partir daquela data Vitóriamário não mais produziria. Apesar disso, o nome vez por outra é retomado, como no caso do texto que integra o convite acima mencionado.

região amazônica, onde atua com educação de índios, é filha de uma freira e de um militar que fugiram para a selva. Produz relatos variados, sempre sob a condição de dificuldades materiais (equipamentos de comunicação) que sua situação na selva impõe. A reprodução abaixo é a resposta que Wanderlyne Selva dá a um jornalista de revista ProNews, Anderson, que procura se informar sobre o encontro Submidialogia #2, que ocorreu em Olinda, em janeiro de 2006.

Pronews - O que seria a citada Submidialogia? Wanderlyne - Um encontro.

Pronews - É o segundo ano do evento?

Wanderlyne - É o primeiro que vou. Você irá no próximo?

Pronews - O que foi possível apreender nesses quatro dias de evento? A que

conclusões se chegou?

Wanderlyne - Eu concluí que todo mundo está conectado. Que a revista Pronews está

conectada. Que os três estão conectados. Você com certeza entendeu, Anderson.

Pronews - O que foi discutido, e por quem, durante o evento.

Wanderlyne - Não havia discussão e sim consensos fraternos. A programação você

encontra no site do evento, Anderson. Mas me diga uma coisa, você que esteve lá, achou o quê? Qual a sua opinião sobre submidialogia? E se não foi, o que acha que deve ser? Porque é isso que importa, né? :)

Pronews - Como o evento, e as discussões que ele sucinta, contribuem para o melhor

entendimento da mídia digital e sua relação com a vida das pessoas?

Wanderlyne - Entendimento da midia digital? São pessoas Anderson! Pessoas ! Pra

que precisamos entender as máquinas cheias de letras se temos pessoas entre elas? O legal de encontros como esses é que podemos ver vida. Agora quando escrevo para alguém, lembro da cara dessa pessoa, do tom de voz, do cabelo bagunçado. E aprendi também uma coisa: Seja a mídia. Você é a midia Anderson?

Pronews - A respeito disso, como a mídia digital pode se inserir na vida das pessoas? Wanderlyne - Assim como estamos fazendo: Conversando.

Pronews - Quantas pessoas participaram o encontro? Wanderlyne - Umas 200. Faltou você, Anderson.

Pronews - O que será feito a partir de agora, com o encerramento do evento? Wanderlyne - Já foi feito. Fizemos uma baita despedida.

Pronews - Para onde caminhamos (tanto país quanto Nordeste) quando o assunto é

mídia digital?

Wanerlyne - Pra periferia, que é o centro. Pronews - Em que parâmetro estamos agora?

Wanderlyne - No ponto 7. (hahaha! é uma piada Anderson! Para uma pergunta

assim, uma resposta assado!!)

Pronews - A respeito do Creative Commons, como vocês vêm a iniciativa?

Wanderlyne - Lá na aldeia os erês inventam brincadeiras todo dia. E tem outras

brincadeiras que já existem faz 3 gerações no mínimo. Nunca parei pra pensar que uma brincadeira teria um dono. Porque arte é brincadeira né? Pra que ter dono?

Wanderlyne - Eu acho que a cultura é a coisa mais importante pra disseminação da

cultura. E sua maior contribuição. OU seja, é como aquelas plantas que se enrolam nos galhos, entendeu? Aquilo é a floresta. Toda a floresta é um monte de florestas. Toda a cultura é um monte de culturas. O tal do certificado para provar que é de todos não precisa existir. A floresta é de todos, como a cultura e os galhos. Ix, acho que me enrolei. Entendeu Anderson? Me enrolei ! Hah.

Pronews - Que ações estão sendo realizadas no Estado, e no Nordeste, que envolvam

o CC?

Wanderlyne – Tudo!

******

Anderson, espero que possa aproveitar trechos do que disse. Eu sei que você é um cara ocupado, mas sei também que você entende que todos somos a mídia. Então eu espero poder continuar conversando com você. E quando a matéria sair publicada, vou gostar de ver o Anderson dizendo com as palavras do Anderson o que ele acha

sobre tudo.

***

abraços pra tod@s!!

wan selva

RESPOSTA AO REPÓRTER ANDERSON LIMA PUBLICADO EM 8 DE NOVEMBRO DE 2006 NO ENDEREÇO http://blogs.metareciclagem.org/selva/ E TAMBÉM ENVIADO PARA A LISTA SUBMIDIALOGIA NA MESMA DATA.

As respostas procuram desnortear a quem pergunta e expõem as diferenças entre a inspiração no pensamento nômade e o plano fundacionalista do pensamento sedentário; entre a perspectiva produtiva, apropriadora e subversiva com que se encara a mídia (o imperativo “seja a mídia”) e a perspectiva comodista de quem faz a mídia corporativa. Wanderlyne Selva está “presente” e dispersa comentando diversos fatos relacionados às ações coletivas com mídias livres na lista de discussão Submidialogia e assina manifestos e textos dos convites aos festivais de mesmo nome. Como o que segue.

Gostaríamos de convida-l@ para tomar parte no festival 'SubmidialogiA3, que acontecerá em Lençóis, Bahia, Brasil, de 7 a 11 de Dezembro de 2007.

Esse evento procura ser um espaço-tempo para a troca de experiências, idéias e materiais, para visualizar conexões, assim como para fortalecer uma rede de pessoas interessadas nas potencialidades culturais, políticas e sociais da teoria e ação de mídia.

Uma miríade de temas e formatos estão sendo discutidos. Você pode participar da construção de um festival imaginário, num futuro imaginário, durante o presente criativo.

Todo processo de produção é aberto e visível, desde a captação de recursos, até a limpeza da casa onde iremos conviver.

Existe uma lista de discussão em http://lists.riseup.net/www/info/submidialogia, e

http://www.descentro.org/submidialogia3.

Uma página wakka, acessível no endereço http://midiatatica.org onde você poderá colaborar na programação e na produção.

O principal objetivo do festival é estimular uma reflexão crítica a respeito das transformações sociopolíticoculturais pelas quais a sociedade contemporânea pensa que passa, e dos efeitos nos sujeitos que dela participam.

Submidialogia é um projeto crítico multidisciplinar de arte, mídia e tecnologia participativas, de cujo processo artístico todos os agentes envolvidos - comunidade, teóricos, artistas, ativistas e público - tomam parte.

Através da realização de diferentes formas de oficinas e interações (Convivências filosóficas, choques elétricos, intervenções cotidianas), do resgate de relatos orais e da criação de mecanismos de exposições públicas dentro e fora das comunidades, o projeto busca equipar seus participantes com recursos para que falem de suas especulações, estudos avançados, práticas, e que reflitam, através da experiência criativa, um pouco sobre esta identidade conturbada pela velocidade da transformação econômica-social.

A idéia é:

• trazer diferentes experiências - teóricas e práticas - para contatarem-se;

• jogar, de um novo ponto de vista, articulações entre teoria e prática nos meios tecnológicos;

• incentivar teoria sobre as práticas para que estas não se anulem, tornando-se utilitarismo;

• incentivar práticas sobre teoria, aplicando experiências em prol de uma (sub) concepção do aparato tecnológico midiático; • criar um espaço- tempo de subversão das práticas e teorias sobre tecnologia;

Na terceira edição deste encontro, investigaremos as táticas e estratégias da dominação capitalista contemporânea, discutindo a política da música, performance, do software livre, das redes artísticas, metodologias de aprendizado autônomas, biotecnologias e tudo o mais que aprofunde e expanda essas questões.

Resumindo, SubmidialogiA3 intenciona colocar de cabeça para baixo os princípios disciplinares dos estudos de mídia e articular idéias de forma com que se tornem

perigosas.

Venha e colabore! Encorajamos você a confirmar sua participação no festival e ajudar na sua construção, colaborando na produção e organização.

Inscreva-se na nossa lista de discussão

Contando com a sua presença.

Wanderlynne Selva