O CONCEITO ESCO COMO ALAVANCA À PENETRAÇÃO DA COGERAÇÃO
9. Final do contrato ESCO
4.6 Tipos de contratos efectuados por ESCO
Os contratos ESCO são o outro aspecto ao qual se dará maior relevância, quer pela sua importância, quer pela sua complexidade.
Existem diversos tipos de contratos ESCO. A selecção do melhor contrato, para cada caso, depende das circunstâncias impostas pelas características do projecto, por exemplo, o tipo de instalação, a sua dimensão, a política de investimento do cliente, o seu grau de confiança relativamente às medidas propostas pela ESCO e o retorno financeiro necessário para o sucesso ser alcançado. A duração dos contratos ESCO é, também, variável e depende dos mesmos factores. Tipicamente, têm uma duração mínima de cinco anos. [102]
A implementação deste conceito implica que a ESCO tome a responsabilidade pelo projecto, assumindo o risco técnico e garantindo o payback. Os contratos de desempenho, ou de
performance, baseiam-se no pressuposto de que as economias geradas tornam o projecto auto-
sustentável. Assim, as medidas de eficiência energética implementadas são pagas pelas economias que elas próprias permitem alcançar. [99]
O tempo de retorno do projecto depende da forma como as poupanças de energia evoluem no tempo face ao que havia sido estimado. Se as poupanças verificadas forem superiores às inicialmente estimadas, o tempo de retorno torna-se inferior ao planeado. Nestes casos, pode haver lugar a uma renegociação do tempo de duração do contrato ESCO. Se, por outro lado, as poupanças verificadas forem inferiores ao que havia sido previsto, pode haver necessidade de prolongar a duração do contrato ESCO. [100]
Um contrato ESCO deve, também, incluir uma cláusula que indique o valor a pagar, pelo cliente ou por uma terceira parte interessada no projecto, para que este seja terminado antecipadamente. [102]
A Figura 4.2 ilustra o modelo financeiro que sustenta o conceito ESCO. As proporções de divisão das poupanças, isto é, os dois tons de verde, variam de acordo com o tipo de contrato ESCO adoptado.
Uma componente essencial de um contrato ESCO é, então, a formulação financeira do projecto. É pelas diferentes formas que existem, nesta vertente, que se distinguem os contratos.
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4.6.1 Shared Savings
Neste modelo de contrato ESCO, as poupanças obtidas são repartidas entre a ESCO e o cliente, por um período de tempo determinado no contrato, em proporções estabelecidas previamente. Estas dependerão do investimento efectuado por cada uma das partes e do grau de risco que cada uma aceita assumir. Geralmente, a ESCO financia o projecto recorrendo a um esquema de TPF, assumindo não só o risco pela performance mas também pelo crédito.
De entre as vantagens desta formulação, destacam-se a simplicidade do conceito e a sua atractividade para o cliente. Por outro lado, a frequente necessidade de renegociação do baseline, o grau de risco assumido pela ESCO e a dificuldade em acordar as proporções da partilha de proveitos constituem-se como os seus inconvenientes. [109] [110]
4.6.2 Guaranteed Savings
Este modelo garante ao cliente um certo nível de poupanças, protegendo-o dos riscos de
performance. A ESCO garante que a poupança de energia terá, no mínimo, um valor estipulado
previamente. Se este mínimo não for atingido, ESCO paga a diferença. Se, por outro lado, as poupanças ultrapassarem o valor indicado, o cliente paga à ESCO o correspondente.
Geralmente, a ESCO assume o projecto e a instalação dos equipamentos, bem como o risco associado à performance das medidas de eficiência implementadas, mas o cliente é responsável pela operação dos mesmos. Contudo, por norma, transporta para o cliente os riscos associados ao crédito, isto é, o cliente financia o projecto recorrendo a uma entidade de crédito (TPF).
Do ponto de vista da ESCO, se o crédito for inteiramente assumido por uma terceira parte (TPF), este é um tipo de contrato vantajoso pois a entidade credora avalia e assume o risco de crédito do cliente. Contudo, se o investimento for realizado em iguais proporções, a ESCO assumirá um risco elevado, pois tem sempre de garantir o nível de poupanças pré-acordado.
O ponto forte deste tipo de contrato é a sua utilidade quando a ordem de grandeza das poupanças obtidas é pequena e, provavelmente, insuficiente para amortizar o investimento. Contudo, existe pouca motivação por parte do cliente, uma vez que os seus proveitos são reduzidos. [��9] [���]
4.6.3 Chauffage
Nestes contratos, a ESCO é considerada o proprietário dos equipamentos instalados e é responsável pelo seu financiamento e pela sua operação. São relativamente raros, mas mostram- se úteis quando o cliente deseja externalizar as actividades de operação e manutenção dos equipamentos produtores de energia, na sua instalação.
Geralmente, a duração destes contratos é superior (tipicamente, cerca de vinte anos). Nesta situação, a ESCO oferece os seus serviços exactamente como uma utility do sector energético, fornecendo ao cliente a energia de que a instalação necessita, sob a forma de electricidade e/ou calor. Neste caso, a remuneração da ESCO por este serviço toma em consideração diversas variáveis económicas, tais como as poupanças obtidas, os custos em combustível, de operação e manutenção, o lucro do projecto, entre outros. [109] [110]
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4.6.4 Build-Own-Operate-Transfer (BOOT)
Neste modelo de contrato, a ESCO toma a seu cargo as tarefas de concepção do projecto, implementação dos equipamentos, operação do sistema e financiamento da solução, por um período de tempo definido previamente. Após tal período, a propriedade dos equipamentos é transferida para o cliente, por um valor pré-estabelecido, que tem em conta o investimento feito pela ESCO, os custos operacionais e o lucro do projecto. [109] [110]
4.6.5 First Out
Esta formulação é uma derivação dos contratos Shared Savings e dos contratos BOOT. Neste caso, a ESCO assume todo o investimento mas é remunerada pelas poupanças obtidas, em exclusivo, até que recupere o capital investido e obtenha um certo nível de lucro. Quando tal acontece, todas as poupanças são direccionadas para o cliente. A duração do contrato depende do nível de poupança alcançado: quanto maior a poupança, menor duração terá o contrato.
Este tipo de contrato reduz o grau de risco da ESCO, bem como elimina os problemas associados à negociação das proporções de partilha dos proveitos, que ocorrem no modelo Shared Savings. Por outro lado, destaca-se pela negativa o facto de o cliente não obter proveitos do projecto, nos primeiros anos, o que pode constituir um factor de desmotivação. Ainda, refira-se que não é apropriado para situações em que as poupanças sejam reduzidas. [109] [110]
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