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No documento VINTE TODO DIA FIXCICLANDO 12 (páginas 21-31)

FIXCICLANDO

ça. (Incluído pela Lei nº 13.641, de 2018)

§ 3º O disposto neste artigo não exclui a aplicação de outras sanções cabíveis. (Incluído pela Lei nº 13.641, de 2018)

Não se admite a decretação da prisão preventiva quando o juiz verificar das provas colhidas nos autos que o agente praticou o crime acobertado por uma causa excludente da ilicitude (estado de neces-sidade, legítima defesa, estrito cumprimento do dever legal, exercício regular de direito), por força do art.

386, VI, CPP.

#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA: Em nosso sistema jurídico, a prisão meramente processual do indiciado ou do réu reveste-se de caráter excepcional, mesmo que se trate de crime hediondo ou de delito a este equiparado. O excesso de prazo, quando exclusivamente imputável ao aparelho judiciário – não derivando, portanto, de qualquer fato procrastinatório causalmente atribuível ao réu –, traduz situação anômala que compromete a efetividade do processo. Além de tornar evidente o desprezo estatal pela liberdade do cidadão, frustra uma prerrogativa básica que assiste a qualquer pessoa: o direito à resolução do litígio sem dilações indevidas (art. 5º, LXXVIII, da CF/88). Ademais, a duração prolongada, abusiva e irrazoável da prisão cautelar ofende, de modo frontal, o postulado da dignidade da pessoa humana, que representa significativo vetor interpretativo, verdadeiro valor --fonte que conforma e inspira todo o ordenamento constitucional. STF. 2ª Turma. HC 142177/RS, Rel.

Min. Celso de Mello, julgado em 6/6/2017 (Info 868).

#ATENÇÃO #CONTROVÉRSIA: A falta da audiência de custódia não enseja nulidade da prisão preventiva, superada que foi a prisão em flagrante, devendo ser este novo título de prisão aquele a merecer o exame da legalidade e necessidade. STJ. 6ª Turma. RHC 99.091/AL, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 04/09/2018. A alegação de nulidade da prisão em flagrante em razão da não realização de audiência de custódia no prazo legal fica superada com a conversão do flagrante em prisão preventiva, tendo em vista que constitui novo título a justificar a privação da liberdade. STJ. 5ª Turma.

HC 444.252/MG, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 23/08/2018. Por força do Pacto dos Direitos Civis e Políticos, da Convenção Interamericana de Direitos Humanos e como decorrência da cláusula do devido processo legal, a realização de audiência de apresentação (“audiência de custódia”) é de observância obrigatória. Esta audiência não pode ser dispensada sob a justificativa de que o juiz já se convenceu de que a prisão preventiva é necessária. A audiência de apresentação constitui direi-to subjetivo do preso e, nessa medida, sua realização não se submete ao livre convencimendirei-to do Juiz, sob pena de cerceamento inconvencional. A conversão da prisão em flagrante em preventiva não traduz, por si, a superação da flagrante irregularidade, na medida em que se trata de vício que alcança a formação e legitimação do ato constritivo. Desse modo, caso o juiz não tenha decretado

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a prisão preventiva, o Tribunal deverá reconhecer que houve ilegalidade e determinar que o magis-trado realize a audiência de custódia. STF. 1ª Turma. HC 133992, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 11/10/2016.

Em um caso concreto, o réu foi preso preventivamente pela suposta prática de delitos previstos na Lei nº 11.343/2006 (Lei de Drogas). Ocorre que já se passaram mais de quatro anos desde a prisão preventiva sem haver, sequer, audiência de interrogatório. Diante disso, o STF entendeu que havia flagrante excesso de prazo na segregação cautelar e, por essa razão, concedeu habeas corpus para determinar a soltura do paciente. Embora a razoável duração do processo não possa ser considera-da de maneira isolaconsidera-da e descontextualizaconsidera-da considera-das peculiariconsidera-dades do caso concreto, diante considera-da demora no encerramento da instrução criminal, sem que o paciente, preso preventivamente, tenha sido interrogado e sem que tenham dado causa à demora, não se sustenta a manutenção da constrição cautelar. STF. 2ª Turma. HC 141583/RN, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 19/9/2017 (Info 878).

O juiz, mesmo sem provocação da autoridade policial ou da acusação, ao receber o auto de prisão em flagrante, deverá, quando presentes os requisitos previstos no art. 312 do CPP, converter a prisão em flagrante em preventiva, em cumprimento ao disposto no art. 310, II, do mesmo Código. Assim, não configura nulidade a decretação, de ofício, da preventiva quando fruto da conversão da prisão em flagrante, haja vista o expresso permissivo do inciso II do art. 310 do CPP. STJ. 5ª Turma. RHC 80.740/MG, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 20/06/2017. STJ. 6ª Turma. RHC 71.360/RS, Rel. Min.

Nefi Cordeiro, julgado em 28/6/2016.

A alegação de desproporcionalidade da prisão preventiva somente poderá ser aferível após a prola-ção de sentença, não cabendo, durante o curso do processo, a antecipaprola-ção da análise quanto a possibilidade de cumprimento de pena em regime menos gravoso, caso seja prolatada sentença condenatória, sob pena de exercício de adivinhação e futurologia, sem qualquer previsão legal.

Assim, não há que se falar em ofensa ao princípio da homogeneidade das medidas cautelares porque não cabe ao STJ, em um exercício de futurologia, antecipar a provável colocação da paciente em regime aberto/semiaberto ou a substituição da sua pena de prisão por restritiva de direitos. STJ.

5ª Turma. RHC 77070/MG, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 16/02/2017. STJ. 6ª Turma. RHC 79041/

MG, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 28/03/2017.

→ PRISÃO TEMPORÁRIA

Prevista na Lei 7.960/89, a prisão temporária visa assegurar a eficácia das investigações criminais quanto a alguns crimes graves, sendo, portanto, aplicada na fase preliminar de investigações (durante o inquérito policial).

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REQUISITOS DA PRISÃO TEMPORÁRIA

quando for imprescindível para as investigações do inquérito policial

quando o indiciado não tiver residência fixa ou não fornecer elementos necessários ao esclareci-mento de sua identidade (ausência total de um endereço onde possa o indiciado ser encontrado).

quando houver fundadas razões de autoria ou parti-cipação do indiciado na lista taxativa de crimes

homicídio doloso sequestro ou cárcere privado

extorsão

extorsão mediante sequestro estupro

atentado violento ao pudor epidemia com resultado morte

envenenamento de água potável ou substância alimentícia ou medicinal qualificado pela morte

quadrilha ou bando genocídio tráfico de drogas

crimes contra o Sistema Financeiro crimes previstos na Lei de Terrorismo

Uma vez recebida a denúncia, não mais deve subsistir o decreto de prisão temporária, porque finda a fase de investigações. Assim, nesse caso, o acusado deve ser colocado em liberdade, salvo se sua prisão preventiva for decretada.

#ATENÇÃO: Não cabe a decretação de prisão temporária para contravenções penais ou crimes culposos.

#SELIGA: o querelante, na ação penal privada, não possui legitimidade para requerer a decretação de prisão temporária.

#NÃOCONFUNDA:

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PRISÃO PREVENTIVA PRISÃO TEMPORÁRIA

Têm legitimidade para requerer: o querelante

e o assistente de acusação. NÃO pode o querelante ou o assistente de acusa-ção.

A prisão temporária somente pode durar pelo prazo de 5 dias, prorrogável por igual período em caso de extrema e comprovada necessidade. Nos crimes hediondos, o prazo é de 30 + 30.

#DEOLHONAJURIS: A prisão temporária, por sua própria natureza instrumental, é permeada pelos princípios do estado de não culpabilidade e da proporcionalidade, de modo que sua decretação só pode ser considerada legítima caso constitua medida comprovadamente adequada e necessária ao acautelamento da fase pré-processual, não servindo para tanto a mera suposição de que o suspeito virá a comprometer a atividade investigativa. STJ. 6ª Turma. HC 379.690/SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 04/04/2017.

→ PRISÃO DOMICILIAR

“Levando em consideração certas situações especiais, de natureza humanitária, a substituição da prisão preventiva pela prisão domiciliar visa tornar menos desumana a segregação cautelar, permi-tindo que ao invés de ser recolhido ao cárcere, ao agente seja imposta a obrigação de permanecer em sua residência.” (Renato Brasileiro).

Introduzida pela Lei 12.403/2011 no CPP, a prisão domiciliar também possui natureza cautelar e sua finalidade será a mesma da prisão substituída.

#SELIGA: O Marco Legal da Primeira Infância (Lei nº 13.257/2016), ao alterar as hipóteses autori-zativas da concessão de prisão domiciliar, permite que o juiz substitua a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for gestante ou mulher com filho até 12 anos de idade incompletos (art. 318, IV e V, do CPP). STF, julgado em 21/6/2016 (Info 831).

#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA: O tempo de prisão cautelar efetivamente cumprida em regime domiciliar deve ser computado na pena privativa de liberdade para fins de detração. STJ, HC225/CE.

#NÃOCONFUNDA #SEMPRECAI:

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PRISÃO DOMICILIAR (CPP) LEI DE EXECUÇÃO PENAL cautelar, durante o processo cumprimento da pena definitiva

substitui prisão preventiva beneficiário do regime aberto maior de 80 anos condenado maior de 70 anos extremamente debilitado por motivo de

doença grave condenado cometido de doença grave

imprescindível aos cuidados especiais de pessoa menor de 6 anos de idade ou com

deficiência

condenado com filho menor ou deficiente físico mental

gestante condenada gestante

mulher com filho até 12 anos de idade incompletos

homem, caso seja o único responsável pelos cuidados do filho de até 12 anos de

idade incompletos.

#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA: O art. 318, II, do CPP é chamado de prisão domiciliar huma-nitária. Em um caso concreto, o STF entendeu que deveria conceder prisão humanitária ao réu tendo em vista o alto risco de saúde, a grande possibilidade de desenvolver infecções no cárcere e a impossibilidade de tratamento médico adequado na unidade prisional ou em estabelecimento hospitalar — tudo demostrado satisfatoriamente no laudo pericial. Considerou-se que a concessão da medida era necessária para preservar a integridade física e moral do paciente, em respeito à dignidade da pessoa humana (art. 1º, III, da CF). STF. 2ª Turma.HC 153961/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 27/3/2018 (Info 895).

#IMPORTANTE: O STF reconheceu a existência de inúmeras mulheres grávidas e mães de crianças que estavam cumprindo prisão preventiva em situação degradante, privadas de cuidados médi-cos pré-natais e pós-parto. Além disso, não havia berçários e creches para seus filhos. Também se reconheceu a existência, no Poder Judiciário, de uma “cultura do encarceramento”, que significa a imposição exagerada e irrazoável de prisões provisórias a mulheres pobres e vulneráveis, em decor -rência de excessos na interpretação e aplicação da lei penal e processual penal, mesmo diante da existência de outras soluções, de caráter humanitário, abrigadas no ordenamento jurídico vigente.

A Corte admitiu que o Estado brasileiro não tem condições de garantir cuidados mínimos relativos

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à maternidade, até mesmo às mulheres que não estão em situação prisional. Diversos documentos internacionais preveem que devem ser adotadas alternativas penais ao encarceramento, principal-mente para as hipóteses em que ainda não haja decisão condenatória transitada em julgado. É o caso, por exemplo, das Regras de Bangkok. Os cuidados com a mulher presa não se direcionam apenas a ela, mas igualmente aos seus filhos, os quais sofrem injustamente as consequências da prisão, em flagrante contrariedade ao art. 227 da Constituição, cujo teor determina que se dê prio-ridade absoluta à concretização dos direitos das crianças e adolescentes. Diante da existência desse quadro, deve-se dar estrito cumprimento do Estatuto da Primeira Infância (Lei 13.257/2016), em especial da nova redação por ele conferida ao art. 318, IV e V, do CPP, que prevê: Art. 318. Poderá o juiz substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for: IV - gestante; V - mulher com filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos; Os critérios para a substituição de que tratam esses incisos devem ser os seguintes: REGRA. Em regra, deve ser concedida prisão domiciliar para todas as mulheres presas que sejam - gestantes - puérperas (que deram à luz há pouco tempo) - mães de crianças (isto é, mães de menores até 12 anos incompletos) ou - mães de pessoas com deficiência. EXCEÇÕES: Não deve ser autorizada a prisão domiciliar se: 1) a mulher tiver praticado crime mediante violência ou grave ameaça; 2) a mulher tiver prati-cado crime contra seus descendentes (filhos e/ou netos); 3) em outras situações excepcio-nalíssimas, as quais deverão ser devidamente fundamentadas pelos juízes que denegarem o benefício. Obs1: o raciocínio acima explicado vale também para adolescentes que tenham praticado atos infracionais. Obs2: a regra e as exceções acima explicadas também valem para a reincidente. O simples fato de que a mulher ser reincidente não faz com que ela perca o direito à prisão domiciliar. STF. 2ª Turma.HC 143641/SP. Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 20/2/2018 (Info 891).

→ MEDIDAS CAUTELARES DE NATUREZA PESSOAL DIVERSAS DA PRISÃO

As cautelares pessoais, no Processo Penal brasileiro, durante anos, viveram um regime de estrita BIPOLARIDADE, consistente na dicotomia: PRISÃO VERSUS LIBERDADE PROVISÓRIA. Tal dicotomia reve-lava-se extremamente deletéria, pois vivia entre os extremos: total cerceamento da liberdade (com todos os seus estigmas e problemas) ou plena liberdade (muitas vezes sem o necessário acompanhamento).

Em 2011, rompeu-se com o sistema da BIPOLARIDADE, passando a adequar o ordenamento jurídi-co brasileiro às chamadas REGRAS DE TÓQUIO de 1990, que estabelecem regras mínimas para a prisão cautelar, deixando-a como medida de ultimaratio. Assim sendo, o sistema brasileiro passou a adotar mais NOVE medidas cautelares PESSOAIS DIVERSAS DA PRISÃO. Hoje, por exemplo, passou a ser possível a proibição de ausentar-se da Comarca quando a permanência seja conveniente ou necessária para a investigação ou instrução (evitando-se assim a prisão).

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#TABELALOVERS:

COMPARECIMENTO PERIÓDICO

EM JUÍZO para situações em que o acusado não possui vínculos com o local e há risco de não ser encontrado posteriormente.

PROIBIÇÃO DE ACESSO OU FREQUÊNCIA A DETERMINADOS

LUGARES

é inadmissível a proibição de frequência a determinados locais em termos genéricos, sem especificação

PROIBIÇÃO DE MANTER CONTA-TO COM PESSOA DETERMINADA

para proteção de determinadas pessoas e para impedir que, em liberdade total e absoluta, possa influenciar testemunha ou a própria vítima.

PROIBIÇÃO DE AUSENTAR-SE DA COMARCA OU DO PAÍS

será comunicada pelo juiz às autoridades encarregadas de fiscalizar as saídas do território nacional, intimando-se o indi-ciado ou acusado para entregar o passaporte no prazo de 24 horas.

RECOLHIMENTO DOMICILIAR no período noturno e nos dias de folga quando o investiga-do ou acusainvestiga-do tenha residência e trabalho fixos.

SUSPENSÃO DO EXERCÍCIO DE FUNÇÃO PÚBLICA OU DE ATIVI-DADE DE NATUREZA ECONÔMICA

OU FINANCEIRA

voltada para crimes praticados por funcionário público contra a administração pública e contra a ordem econômi-co-financeira.

INTERNAÇÃO PROVISÓRIA aplicável ao inimputável ou ao semi-imputável nas hipóteses de fatos típicos e ilícitos cometidos com violência ou grave ameaça, quando houver risco de reiteração.

MONITORAÇÃO ELETRÔNICA pode ser aplicada como medida cautelar em si, isoladamen-te, ou como medida cautelar auxiliar de outra medida diver-sa da prisão, cumulativamente.

#ATENÇÃO: Tem também previsão de monitoração eletrônica na Lei de Execução Penal.

Além dessas medidas, existe também a fiança, que vamos ver separadamente.

#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA: É possível que o Juiz de primeiro grau, fundamentadamente, imponha a parlamentares municipais as medidas cautelares de afastamento de suas funções legis-lativas sem necessidade de remessa à Casa respectiva para deliberação. STJ. 5ª Turma. RHC 88.804-RN, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 07/11/2017 (Info 617).

Não é possível que o juiz determine, como medida cautelar substitutiva da prisão, a

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bilidade do acusado com seu genitor/corréu. A fixação da medida restritiva substitutiva não deve se sobrepor a um bem tão caro como é a família, sendo isso protegido inclusive pela Constituição Federal, em seu art. 226. STJ. 6ª Turma. HC 380734-MS, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 28/3/2017 (Info 601).

Na hipótese em que a atuação do sujeito na organização criminosa de tráfico de drogas se limitava à lavagem de dinheiro, é possível que lhe sejam aplicadas medidas cautelares diversas da prisão quando constatada impossibilidade da organização continuar a atuar, ante a prisão dos integrantes responsáveis diretamente pelo tráfico. STJ. 6ª Turma. HC 376169-GO, Rel. Min. Nefi Cordeiro, Rel.

para acórdão Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 1/12/2016 (Info 594).

Pode o Magistrado decretar a prisão preventiva, mesmo que a representação da autoridade policial ou do Ministério Público seja pela decretação de prisão temporária, visto que, provocado, cabe ao juiz ofertar o melhor direito aplicável à espécie. Vale ressaltar que neste caso não se está decretando a prisão de ofício considerando que o julgador só atuou após ter sido previamente provocado, não se tratando de postura que coloque em xeque a sua imparcialidade. STJ. 5ª Turma. HC 319.471/MG, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 16/06/2016. STJ. 6ª Turma. HC 362.962/RN, Rel.

Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 01/09/2016.

Para a imposição de qualquer das medidas alternativas à prisão previstas no art. 319 do CPP é necessária a devida fundamentação (concreta e individualizada). Isso porque essas medidas caute-lares, ainda que mais benéficas, representam um constrangimento à liberdade individual. STJ. 5ª Turma. HC 231817–SP, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 23/4/2013 (Info 521).

→ FIANÇA E LIBERDADE PROVISÓRIA

A liberdade provisória possui fundamento constitucional (art. 5º, LXVI), sendo um direito subjetivo do cidadão. Conforme explica Renato Brasileiro, a liberdade provisória com ou sem fiança, sempre foi tratada pelo CPP como espécie de medida de contracautela para substituir a prisão em flagrante delito.

No entanto, atualmente a fiança também configura uma medida cautelar autônoma, que pode ser imposta isolada ou cumulativamente para assegurar o comparecimento a atos do processo, evitar a obstrução do seu andamento ou em caso de resistência injustificada a ordem judicial.

Assim, a liberdade provisória agora também pode ser adotada como providência cautelar autôno-ma, com a imposição de uma ou mais das medidas cautelares diversas da prisão. Tais medidas, conforme dito, são alternativas à prisão, podendo ser impostas mesmo se o acusado estiver em liberdade desde o início da persecução penal, como condição para que assim permaneça. Além disso, a liberdade provisó-ria pode ser convertida em prisão preventiva, em caso de descumprimento de qualquer das obrigações

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impostas ao acusado.

Vejamos agora as hipóteses de liberdade provisória sem fiança, admitidas pelo CPP segundo a juris-prudência e a doutrina dominantes:

- Liberdade provisória sem fiança nas hipóteses de descriminantes: se o juiz verificar, pelo auto de prisão em flagrante, que o agente praticou o fato acobertado por uma das excludentes da ilici-tude (estado de necessidade, legítima defesa, estrito cumprimento de dever legal ou exercício regular de direito) poderá, fundamentadamente, conceder ao acusado liberdade provisória, mediante termo de comparecimento a todos os atos do processo, sob pena de revogação.

#CUIDADO #ALTERAÇÃOLEGISTATIVA!

ANTES DO PACOTE ANTICRIME DEPOIS DO PACOTE ANTICRIME Art. 311. Em qualquer fase da investigação

policial ou do processo penal, caberá a prisão preventiva decretada pelo juiz, de ofício, se no curso da ação penal, ou a requerimento do Ministério Público, do querelante ou do assis-tente, ou por representação da autoridade

poli-cial.

Art. 311. Em qualquer fase da investigação policial ou do processo penal, caberá a prisão preventiva decre-tada pelo juiz, a requerimento do Ministério Público, do querelante ou do assistente, ou por

representa-ção da autoridade policial.

Repare que a trecho do artigo que permitia a decretação da prisão preventiva de ofício pelo juiz foi suprimido pela Lei nº 13.964/2019. Resta saber se os Tribunais brasileiros vão acatar a nova norma!

#ESTAMOSDEOLHO

- Liberdade provisória sem fiança por motivo de pobreza:

Art. 350. Nos casos em que couber fiança, o juiz, verificando a situação econômica do preso, poderá conceder-lhe liberdade provisória, sujeitando-o às obrigações constantes dos arts. 327 e 328 deste Código e a outras medidas cautelares, se for o caso.

Pera aí, prof... o que é fiança?

Galera, fiança é uma caução para assegurar o cumprimento de uma obrigação. Tem natureza jurídica de garantia real (porque recai sobre objetos, coisas, e não sobre pessoas) de cumprimento das obrigações processuais do réu. No processo penal, seu objetivo é garantir o pagamento das custas, da indenização do dano causado pelo crime e da multa.

Pode ser concedida, nos termos do CPP, enquanto não houver o trânsito em julgado da senten-ça condenatória, independentemente de prévia oitiva do MP.

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A fiança pode ser concedida pela autoridade judiciária, em qualquer caso, ou pela autoridade policial, quando a infração tiver pena privativa de liberdade máxima não superior a 4 anos.

#ATENÇÃO: crimes inafiançáveis.

Art. 323. Não será concedida fiança:

I - nos crimes de racismo; [esse também é imprescritível]

II - nos crimes de tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, terrorismo e nos definidos como crimes hediondos;

III - nos crimes cometidos por grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional

III - nos crimes cometidos por grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional

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