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VINTE TODO DIA FIXCICLANDO 12

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VINTE

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DIREITO PROCESSUAL PENAL 1

Resumão do ponto do dia: para não esquecer mais

Pontos abrangidos:

4. Comunicações no processo penal.

5. Medidas cautelares de natureza pessoal. Prisões e suas espécies. Medidas cautelares pessoais diversas da prisão.

6. Juizados Especiais Criminais.

COMUNICAÇÕES PROCESSUAIS

- CITAÇÕES

- A falta de citação configura nulidade absoluta.

#ATENÇÃO: “se a citação válida é providencia essencial à validade do processo, a nulidade abso- luta decorrente da inobservância da forma prescrita em lei poderá ser arguida mesmo após o trânsito em julgado de sentença condenatória ou absolutória imprópria, na medida em que, nessa hipótese, há instrumentos processuais aptos a fazê-lo, como a revisão criminal e o habeas corpus que somente podem ser ajuizados em favor do acusado.” (Renato Brasileiro)

- É desnecessária nova citação na fase de execução, (#EXCEÇÃO: execução da pena de multa, nos termos do art. 164 da LEP).

- A citação é feita para fins de apresentação da resposta à acusação (antes das reformas ao CPP, a citação era feita para que o acusado comparecesse em juízo).

- O único efeito da citação no processo penal é estabelecer a angularidade da relação processual, fazendo surgir a instância.

#SELIGA: “Há quem entenda que, nos mesmos moldes que ocorre no âmbito processual civil, a litispendência só estaria caracterizada no processo penal a partir da citação válida no segundo feito.

Prevalece, no entanto, o entendimento de que a litispendência está presente desde o recebimento da segunda peça acusatória, independentemente da citação válida do acusado, já que o CPP nada diz acerca do assunto.

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#ATENÇÃO: a prevenção do juízo ocorre com a distribuição ou com a prática de algum ato de caráter decisório, ainda que anterior ao oferecimento da peça acusatória, quando houver dois ou mais juízes igualmente competentes ou com jurisdição cumulativa.

- NO CPP, NÃO É A CITAÇÃO VÁLIDA QUE INTERROMPE A PRESCRIÇÃO, MAS SIM O RECEBIMEN- TO DA PEÇA ACUSATÓRIA PELO JUÍZO COMPETENTE.

- ESPÉCIES DE CITAÇÃO

a) real ou pessoal: é a regra. No processo penal comum, não se admite citação pelo correio, tampouco citação por e-mail ou telefone (nem citação eletrônica).

b) ficta ou presumida: compreende as citações por edital e por hora certa.

- CITAÇÃO PESSOAL

1. POR MANDADO: se o acusado estiver em local certo e sabido no território do juiz processante, sua citação deverá ser feita, em regra, por mandado.

#SELIGA: “Ao contrário do processo civil, que admite que a citação seja feita pessoalmente ao réu, ao seu representante legal ou ao procurador legalmente autorizado, em sede processual penal somente o sujeito passivo da pretensão punitiva é que pode ser citado. Na hipótese de crimes ambientais, em que haja dupla imputação à pessoa jurídica e à pessoa física que atua em seu nome ou benefício, a citação do ente moral deverá ser feita na pessoa de seu representante legal ou de algum diretor com poderes para receber a citação.” (Renato Brasileiro).

2. POR CARTA PRECATÓRIA: cabível quando o acusado estiver no território nacional, em local certo e sabido, porém fora do âmbito da competência territorial do juízo processante.

#OLHAOGANCHO: carta precatória itinerante.

É possível que, ao cumprir o mandado de citação expedido pelo juízo deprecado, verifique o Oficial de Justiça que o acusado não se encontra naquela comarca, mas sim em outra, sujeita à competência de outro juízo. Nessa hipótese, desde que haja tempo para fazer-se a citação, deve o juiz deprecado remeter os autos da carta precatória ao juiz da comarca onde se encontra o acusado para fins de efetivação da diligência, o que deverá ser feito independentemente de determinação do juízo deprecante.

Art. 355. A precatória será devolvida ao juiz deprecante, independentemente de traslado, depois de lançado o “cumpra-se” e de feita a citação por mandado do juiz deprecado.

§ 1º Verificado que o réu se encontra em território sujeito à jurisdição de outro juiz, a este remeterá o juiz deprecado os autos para efetivação da diligência, desde que haja tempo para fazer-se a citação.

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#SELIGA: quando o órgão jurisdicional que a solicita e aquele a quem se solicita estão no mesmo grau de jurisdição, trata-se de carta precatória; quando o órgão jurisdicional que solicita o cumpri- mento é de grau superior, fala-se em carta de ordem.

3. POR CARTA ROGATÓRIA: para a citação de acusado no estrangeiro, sendo indispensável que ele esteja em local certo e sabido; estando em local incerto e não sabido, sua citação será feita por edital.

- Fica suspenso o curso da prescrição enquanto não houver o seu cumprimento.

- Possui como dies a quo (início da contagem do prazo) não a data em que os autos da carta roga- tória derem entrada no cartório, mas sim naquela em que se der o efetivo cumprimento no juízo rogado.

- As citações em legação estrangeira também serão efetuadas mediante carta rogatória. Nesse caso, não haverá a suspensão do curso do prazo de prescrição, por ausência de disposição legal (e porque não se pode admitir a analogia em prejuízo do réu).

#OLHAOGANCHO:

Súmula 710 STF: No processo penal, contam-se os prazos da data da intimação, e não da juntada aos autos do mandado ou da carta precatória ou de ordem.

#MAISUMGANCHO: considera-se que a expedição de carta rogatória não se coaduna com o sistema do JECRIM, de sorte que, no caso que o acusado estar no estrangeiro, as peças existentes devem ser encaminhadas ao juízo comum, nos moldes do que ocorre no caso de o acusado ser encontrado para citação pessoal, eis que o procedimento da citação por edital, da mesma maneira que o da carta rogató- ria, não apresenta compatibilidade com os princípios adotados pela Lei 9099/95.

4. POR EDITAL: é espécie de citação ficta, cabível quando o acusado não for encontrado para ser citado pessoalmente. Predomina o entendimento de que não há necessidade de se transcrever, no edital, a integralidade da peça acusatória.

Súmula 366 STF: Não é nula a citação por edital que indica o dispositivo da lei penal, embora não transcreva a denúncia ou queixa, ou não resuma os fatos em que se baseia.

- Quando o acusado não é encontrado, e se faz necessária a citação por edital, seu prazo de dilação será de 15 dias. Esse prazo é o tempo que deve permear entre a publicação do edital e a data em que se considera efetivado o ato processual.

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#OLHAOGANCHO:

Súmula 351 STF: É nula a citação por edital de réu preso na mesma unidade da federação em que o Juiz exerce a sua jurisdição.

- Ocorrerá a suspensão do processo E da prescrição se verificados os seguintes pressupostos:

a) que o acusado tenha sido citado por edital;

b) que o acusado não tenha comparecido para o interrogatório;

c) que o acusado não tenha constituído defensor.

Art. 366. Se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem constituir advogado, ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional, podendo o juiz determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes e, se for o caso, decretar prisão preventiva, nos termos do disposto no art. 312.

- A aplicação do art. 366 CPP está condicionada à não apresentação da resposta à acusação a partir do prazo de 10 dias, contados do fim do prazo de dilação do edital (15 dias).

E qual o limite temporal do prazo de suspensão da prescrição? Temos duas orientações:

- 1ª corrente: o tempo máximo de prescrição admitido pelo CP, isto é, 20 anos; decorrido esse prazo, extaria extinta a punibilidade do agente.

- 2ª corrente: pena máxima cominada em abstrato ao crime; decorrido o prazo, a prescrição voltaria a correr novamente.

#SELIGA #SEMPRECAI:

Súmula 415 STJ: O período de suspensão do prazo prescricional é regulado pelo máximo da pena cominada.

#ATENÇÃO: Mas e o Supremo? O que ele diz? Galera, para o STF, a suspensão da prescrição deve perdurar por prazo indeterminado. Na visão do STF, a indeterminação do prazo da suspensão não cons- titui hipótese de imprescritibilidade, não impede a retomada do curso da prescrição, apenas a condiciona a um evento futuro e incerto, situação substancialmente diversa da imprescritibilidade.

Súmula 455 STJ: A decisão que determina a produção antecipada de provas com base no art. 366

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do CPP deve ser concretamente fundamentada, não a justificando unicamente o mero decurso do tempo.

- Embora exista esse enunciado, o próprio STJ entende que a produção antecipada da prova nas hipóteses do art. 366 em desacordo com a súmula 455 configura mera nulidade relativa. Logo, haverá preclusão se não arguida oportunamente, além de ser necessária a comprovação do prejuízo.

#DEOLHONAJURIS #DIZERODIREITO: Existe um argumento no sentido de que se as testemunhas forem policiais, deverá haver autorizada a sua oitiva como prova antecipada, considerando que os policiais lidam diariamente com inúmeras ocorrências e, se houvesse o decurso do tempo, eles iriam esquecer dos fatos. Esse argumento é aceito pela jurisprudência? A oitiva das testemunhas que são policiais é considerada como prova urgente para os fins do art. 366 do CPP? * 1ª corrente:

SIM. É justificável a antecipação da colheita da prova testemunhal com arrimo no art. 366 do CPP nas hipóteses em que as testemunhas são policiais. O atuar constante no combate à criminalidade expõe o agente da segurança pública a inúmeras situações conflituosas com o ordenamento jurídi- co, sendo certo que as peculiaridades de cada uma acabam se perdendo em sua memória, seja pela frequência com que ocorrem, ou pela própria similitude dos fatos, sem que isso configure violação à garantia da ampla defesa do acusado. STJ. 3ª Seção. RHC 64.086-DF, Rel. Min. Nefi Cordeiro, Rel.

para acórdão Min. Rogério Schietti Cruz, julgado em 23/11/2016 (Info 595). * 2ª corrente: NÃO. Não serve como justificativa a alegação de que as testemunhas são policiais responsáveis pela prisão, cuja própria atividade contribui por si só, para o esquecimento das circunstâncias que cercam a apuração da suposta autoria de cada infração penal: STF. 2ª Turma. HC 130038/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 3/11/2015 (Info 806).

A citação editalícia, como medida de exceção, só tem lugar quando esgotados todos os meios disponíveis para localizar o réu. A inobservância dessa providência acarreta a nulidade insanável do processo a partir da citação. STJ. 5ª Turma. HC 213600-SP, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 4/10/2012.

5. POR HORA CERTA: cabível quando verificados os seguintes pressupostos: a) que o acusado seja procurado POR DUAS VEZES em seu endereço e não seja encontrado; e b) que haja suspeita de oculta- ção. Apesar de ser uma espécie de citação ficta (citação presumida), ao contrário da citação por edital, em que o processo e a prescrição ficam suspensos caso o acusado não compareça nem constitua advogado, no caso da citação por hora certa o processo seguirá seu curso normal, devendo o magistrado apenas providenciar a nomeação de defensor dativo em favor do acusado.

- Segundo entende o STF, não se pode admitir que a premeditada ocultação do acusado tenha o condão de impedir o prosseguimento do feito, sob pena de dar a ele verdadeiro direito potestativo sobre

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o curso do processo penal, ignorando a indisponibilidade inerente à persecução penal. É preciso, pois, compatibilizar a garantia do acusado à autodefesa com o caráter público e indisponível do processo-cri- me.

#DEOLHONAJURIS: É constitucional a citação com hora certa no âmbito do processo penal. STF.

Plenário. RE 635145/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Luiz Fux, julgado em 1º/8/2016 (repercussão geral) (Info 833).

- INTIMAÇÕES E NOTIFICAÇÕES

Intimação é a comunicação feita a alguém no tocante a ato já realizado. Notificação diz respeito à ciência a alguém quanto à determinação judicial impondo o cumprimento de certa providência.

Art. 370. Nas intimações dos acusados, das testemunhas e demais pessoas que devam tomar conhe- cimento de qualquer ato, será observado, no que for aplicável, o disposto no Capítulo anterior.

§ 1º A intimação do defensor constituído, do advogado do querelante e do assistente far-se-á por publicação no órgão incumbido da publicidade dos atos judiciais da comarca, incluindo, sob pena de nulidade, o nome do acusado.

§ 2º Caso não haja órgão de publicação dos atos judiciais na comarca, a intimação far-se-á direta- mente pelo escrivão, por mandado, ou via postal com comprovante de recebimento, ou por qualquer outro meio idôneo.

§ 3º A intimação pessoal, feita pelo escrivão, dispensará a aplicação a que alude o § 1º.

§ 4º A intimação do Ministério Público e do defensor nomeado será pessoal.

Art. 371. Será admissível a intimação por despacho na petição em que for requerida, observado o disposto no art. 357.

Art. 372. Adiada, por qualquer motivo, a instrução criminal, o juiz marcará desde logo, na presença das partes e testemunhas, dia e hora para seu prosseguimento, do que se lavrará termo nos autos.

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MEDIDAS CAUTELARES DE NATUREZA PESSOAL

As medidas cautelares do processo penal brasileiros podem, segundo a doutrina ser assim classifi- cadas:

MEDIDAS CAUTELARES DE NATUREZA PATRIMONIAL MEDIDAS CAUTELARES RELATIVAS À PROVA MEDIDAS CAUTELARES DE NATUREZA PESSOAL

No sistema originalmente previsto no CPP, ou o acusado respondia ao processo com total priva- ção de sua liberdade, ficando preso cautelarmente, ou então fazia uso do direito à liberdade provisória.

Porém, com o advento da Lei 12.403/2011, que alterou o CPP, tivemos o fim da chamada “bipolaridade das medidas cautelares de natureza pessoal” (bipolaridade porque ou o acusado ficava preso ou ficava solto, não existia “meio termo”).

Essa Lei 12.403/2011 introduziu uma novidade no CPP: a possibilidade de decretação de medidas cautelares diversas da prisão, previstas no art. 319 e 320, já que aquela medida é a mais gravosa para o direito à liberdade do acusado, que ainda não foi definitivamente julgado, e deve ser utilizada como ultima ratio. Essas medidas cautelares podem ser adotadas:

COMO INSTRUMENTO DE CONTRACAUTE- LAR, SUBSTITUINDO ANTERIOR PRISÃO EM FLAGRANTE, PREVENTIVA OU TEMPORÁRIA

Se o juiz verificar a ausência dos requisitos que autorizam a prisão preventiva, deve conceder ao preso liberdade provisória, impondo, se necessá-

rio, as medidas cautelares.

COMO INSTRUMENTO CAUTELAR AO ACUSADO QUE ESTAVA EM LIBERDADE

PLENA

As medidas cautelar também podem ser aplica- das de maneira autônoma, sem nenhuma relação

com anterior privação da liberdade do acusado.

O nosso estudo vai começar a partir do art. 282 do PP. #GRUDANOVADE

PRINCÍPIOS APLICÁVEIS ÀS MEDIDAS CAUTELARES DE NATUREZA PESSSOAL PRINCÍPIO DA

JURISDICIONALI- DADE

Segundo a doutrina, é um princípio tácito ou implícito da individualização da prisão (e não somente da pena). Determina que toda e qualquer espécie de medida cautelar de natureza pessoal está condicionada à manifestação fundamentada do Poder Judiciário (ex.: não é possível que sejam decretadas prisões por Comissão Parlamentar de Inquérito – CPI).

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PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DA PRISÃO EX LEGE

A prisão ex lege, imposta por força de lei, de maneira automática e obrigató- ria, independente da análise de sua necessidade pelo Poder Judiciário, ofende o princípio que determina a fundamentação da prisão.

PRINCÍPIO DA PROPORCIONA-

LIDADE

Possui duas facetas:

- vedação contra o excesso (garantismo negativo) - vedação da proteção deficiente (garantismo positivo)

#ATENÇÃO: Grande parte da doutrina defende que a decretação de uma medida cautelar por juiz absolutamente incompetente não pode ser ratificada posteriormente pelo juiz competente, conside- rando o disposto no art. 567 do CPP:

Art. 567. A incompetência do juízo anula somente os atos decisórios, devendo o processo, quando for declarada a nulidade, ser remetido ao juiz competente.

Porém, o STF adota entendimento contrário, admitindo que as medidas cautelares decretadas por juiz absolutamente incompetente possam ser ratificadas pelo juízo competente, mesmo sendo um ato decisório.

Vamos ver quais são os pressupostos das medidas cautelares, que são decretadas em um juízo de cognição sumária, segundo o CPP:

FUMUS COMISSI DELICTI plausibilidade do direito de punir, constatada por meio de elemen- tos de informação que confirmem a presença da prova da materiali- dade e indícios de autoria do crime.

PERICULUM LIBERTATIS perigo concreto que a permanência do acusado em liberdade acarre- ta para a investigação criminal, o processo penal, a efetividade do direito ou a segurança social.

E quais são as características das medidas cautelares pessoais? #SÓVEM

ACESSORIEDADE depende de um processo principal, mas não afasta a possibilidade de ser decretada sem o futuro processo (ex.: prisão cautelar no curso de investigação que posteriormente é arquivada).

PREVENTIVIDADE sua finalidade é prevenir eventuais danos.

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INTRUMENTALIDADE HIPOTÉTICA E QUALIFI-

CADA

É instrumento do instrumento (o processo é o instrumento de que se vale o Estado para a aplicação do direito objetivo). “Diz-se instrumenta- lidade hipotética porque o resultado que a medida cautelar pretende garantir, por ser futuro, é incerto. Essa instrumentalidade é também qualificada porque tutela a função jurisdicional, que, por sua vez, é meio e modo para a realização do Direito”. (Renato Brasileiro)

PROVISORIEDADE enquanto vigorar a situação de emergência.

REVOGABILIDADE depende da manutenção dos motivos que a justificam (sujeita à cláusu- la rebus sic stantibus ou cláusula da imprevisão).

NÃO DEFINITIVIDADE não faz coisa julgada material.

REFERIBILIDADE refere-se a uma situação de perigo.

JURISDICIONALIDADE

inserida na cláusula de reserva de jurisdição (ressalvada a possibilida- de de a autoridade policial conceder liberdade provisória com fian- ça nos casos de infração cuja pena privativa de liberdade máxima não seja superior a 4 anos)

#SELIGA: Se o fundamento que deu ensejo à revogação da prisão preventiva de um dos acusados não tiver como fundamento argumento de caráter exclusivamente pessoal, os efeitos da decisão serão extensivos aos demais acusados em razão do art. 580 CPP.

Art. 580. No caso de concurso de agentes (Código Penal, art. 25), a decisão do recurso inter- posto por um dos réus, se fundado em motivos que não sejam de caráter exclusivamente pessoal, aproveitará aos outros.

→ PRISÕES

Prisão é a restrição da liberdade de locomoção, fruto de uma autuação em flagrante, por ordem judicial motivada ou ainda em razão de transgressão militar ou crime propriamente militar, comprome- tendo o nosso direito de ir, vir ou ficar.

#VEMDETABELINHA

ESPÉCIES DE PRISÃO PRISÃO EXTRAPENAL civil e militar

PRISÃO PENAL prisão como pena (#ATENÇÃO: lembrar da possibilidade de execução provisória da pena com o acórdão condenatório da segunda instância).

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PRISÃO CAUTELAR prisão provisória, processual ou sem pena (pode ser flagrante, temporária ou preventiva), para assegurar a eficácia das investigações ou do processo criminal.

- Prisão civil: o art. 5, LXIII, autoriza a prisão civil do devedor de alimentos e do depositário infiel, sendo que esta norma não é autoaplicável. Regras interpretativas: 1. A Convenção Americana de Direitos Humanos (art. 7º Dec. 678/92) autorizou tão somente a prisão do devedor de alimentos. CONCLUSÃO:

O STF, no RE 466.343 reconheceu que a convenção americana tem status de norma supralegal, de forma que a prisão do depositário infiel foi sepultada e todos os dispositivos que regem o tema foram invalida- dos. Súmula vinculante nº 25 do STF e súmula 419 do STJ.

b) Prisão do falido: a antiga lei de falências (Decreto-lei 7661/45) autorizava no art. 35, parágrafo único, o cárcere do falido que descumprisse os seus deveres normativos, sendo a prisão nitidamente obrigacional. O STJ, editando a súmula 280 sepultou o art. 35 da antiga Lei falimentar, por incompatibili- dade com o texto constitucional. A nova lei de falências também trata da prisão do falido, mas como uma espécie de prisão preventiva. Art. 99, VII. Para Paulo Rangel, essa nova disciplina se compatibiliza com a CF se a prisão for decretada no curso da investigação ou do processo, e, desde que, estejam presentes, os requisitos da prisão preventiva (art. 312 e 313 CPP).

c) Prisão pena (carcer ad pognam): é aquela que decorre do trânsito em julgado da sentença conde- natória. Retribuição estatal ao mal causado pelo crime. Fruto de um título definitivo.

#DEOLHONAJURIS: A execução provisória de acórdão penal condenatório proferido em grau de apelação, ainda que sujeito a recurso especial ou extraordinário, não ofende o princípio constitucio- nal da presunção de inocência (art. 5º, LVII, da CF/88) e não viola o texto do art. 283 do CPP. STF.

Plenário. ADC 43 e 44 MC/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgados em 05/10/2016 (Info 842).

#IMPORTANTE: Como todos sabem, o Supremo Tribunal Federal decidiu que é possível executar provisoriamente a pena após julgamento em segundo grau de jurisdição, ainda que pendente recurso extraordinário ou especial. Nesse contexto, o Superior Tribunal de Justiça, recentemente, deparou-se com a hipótese em que o réu interpôs embargos de declaração contra o acórdão, e, mesmo assim, foi determinado o início da execução provisória. Ao julgar o RESP 366.907- PR, a Sexta Turma decidiu que, não obstante a ausência de efeito suspensivo dos embargos de declaração, NÃO é possível a execução provisória nesses casos, tendo em vista a possibilidade de integração do acórdão, quer para sanar vícios ou afastá-los, sendo prudente se aguardar a condenação, em última análise, pelo Tribunal.

#ATENÇÃO: Se ainda não houve a intimação da Defensoria Pública acerca do acórdão condena-

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tório, mostra-se ilegal a imediata expedição de mandado de prisão em desfavor do condenado. Como a Defensoria Pública ainda não foi intimada, não se encerrou a jurisdição em 2ª instância, considerando que é possível que interponha embargos de declaração, por exemplo. STJ, julgado em 13/12/2016 (Info 597).

d) Prisão sem pena (carcer ad custodiam): é aquela admitida antes do trânsito em julgado, ou seja, no curso do inquérito ou no curso do processo. Obs.: expressões sinônimas – prisão cautelar, prisão processual e prisão provisória obs2. Espécies: a) flagrante; b) preventiva; c) temporária.

#OLHAOGANCHO: Imunidades prisionais.

O Presidente da República, nas infrações comuns, enquanto não sobrevier sentença condenató- ria, não estará sujeito à prisão. Enquanto vigente o mandado, o Presidente da República não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de sua função.

ADI 1026: o STF entende que essa regra aplica-se exclusivamente ao Presidente da República, não servindo de modelo para os Estados (ex.: governadores).

Senadores, deputados federais, estaduais e distritais, desde a expedição do diploma não podem ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável, sendo essa uma prerrogativa de caráter institucional (ou seja, o parlamentar não pode renunciar).

#ATENÇÃO: Prisão especial.

Art. 295. Serão recolhidos a quartéis ou a prisão especial, à disposição da autoridade competente, quando sujeitos a prisão antes de condenação definitiva:

I - os ministros de Estado;

II - os governadores ou interventores de Estados ou Territórios, o prefeito do Distrito Federal, seus respectivos secretários, os prefeitos municipais, os vereadores e os chefes de Polícia;

III - os membros do Parlamento Nacional, do Conselho de Economia Nacional e das Assembleias Legislativas dos Estados;

IV - os cidadãos inscritos no “Livro de Mérito”;

V – os oficiais das Forças Armadas e os militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios;

VI - os magistrados;

VII - os diplomados por qualquer das faculdades superiores da República;

VIII - os ministros de confissão religiosa;

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IX - os ministros do Tribunal de Contas;

X - os cidadãos que já tiverem exercido efetivamente a função de jurado, salvo quando excluídos da lista por motivo de incapacidade para o exercício daquela função;

XI - os delegados de polícia e os guardas-civis dos Estados e Territórios, ativos e inativos.

§ 1º A prisão especial, prevista neste Código ou em outras leis, consiste exclusivamente no recolhimen- to em local distinto da prisão comum.

§ 2º Não havendo estabelecimento específico para o preso especial, este será recolhido em cela distin- ta do mesmo estabelecimento.

§ 3º A cela especial poderá consistir em alojamento coletivo, atendidos os requisitos de salubridade do ambiente, pela concorrência dos fatores de aeração, insolação e condicionamento térmico adequados à existência humana.

§ 4º O preso especial não será transportado juntamente com o preso comum.

§ 5º Os demais direitos e deveres do preso especial serão os mesmos do preso comum.

Segundo a doutrina, a chamada prisão especial não é na verdade uma modalidade prisão cautelar, mas apenas uma forma especial de cumprimento da prisão cautelar, e que perdura somente enquanto o agente estiver sujeito à prisão antes de condenação definitiva. Após, o condenado é submetido ao regime ordinário de cumprimento da pena. Esse direito à prisão especial, segundo o STF, deve ser entendido de forma restritiva, não se podendo estender as pessoas beneficiadas pelo CPP.

Súmula 717 STF: Não impede a progressão de regime de execução da pena, fixada em sentença não transitada em julgado, o fato de o réu se encontrar em prisão especial.

Vamos agora ver cada uma das espécies de prisão cautelar: flagrante, preventiva e temporária.

→ PRISÃO EM FLAGRANTE

A prisão em flagrante é uma medida de autodefesa da sociedade, e exige como pressuposto apenas a aparência de tipicidade da conduta do agente (isto é, não há valoração sobre a ilicitude ou sobre a culpabilidade do acusado).

Existem duas correntes sobre a natureza jurídica da prisão em flagrante:

- 1ª posição: o flagrante teria natureza cautelar (entendimento prevalente);

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- 2ª Posição (Aury Lopes Júnior): a prisão em flagrante é precautelar, visto que as medidas cautela- res objetivam assegurar a utilidade do procedimento criminal principal. No caso do flagrante, ainda não existe nem inquérito e nem processo, a persecução penal não iniciou. A tutela do flagrante é social e não procedimental. Quando o flagrante acontece, o cenário é difuso, administrativo. A prisão só se cautelariza se o magistrado converte o flagrante em prisão preventiva. Para Aury Lopes Júnior, o flagrante é uma medida precautelar, de viés, nitidamente, administrativo e de proteção social. A medida se cautelariza com a sua conversão em prisão preventiva.

O flagrante se divide em quatro etapas:

CAPTURA

CONDUÇÃO COERCITIVA

LAVRATURA DO AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE RECOLHIMENTO À PRISÃO

#ATENÇÃO #OLHAOGANCHO: Lei 9.099/95.

Art. 69. A autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência lavrará termo circunstanciado e o encaminhará imediatamente ao Juizado, com o autor do fato e a vítima, providenciando-se as requisições dos exames periciais necessários.

Parágrafo único. Ao autor do fato que, após a lavratura do termo, for imediatamente enca- minhado ao juizado ou assumir o compromisso de a ele comparecer, não se imporá prisão em flagrante, nem se exigirá fiança. Em caso de violência doméstica, o juiz poderá determinar, como medida de cautela, seu afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a vítima.

#VEMDETABELINHA:

FLAGRANTE

FACULTATIVO qualquer do povo poderá (atuando em exercício regular de um direito) FLAGRANTE

OBRIGATÓRIO as autoridades policiais e seus agente deverão prender (atuando no estrito cumpri- mento de um dever legal)

#ATENÇÃO: É válida a prisão em flagrante efetuada por guarda municipal? SIM. Conforme prevê o art. 301 do CPP, qualquer pessoa pode prender quem esteja em flagrante delito. Desse modo, não existe óbice à prisão em flagrante realizada por guardas municipais, não havendo, portanto, que se falar em prova ilícita. STJ. 5ª Turma. HC 421.954/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 22/03/2018.

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ESPÉCIES DE FLAGRANTE FLAGRANTE PRÓPRIO

(perfeito, real ou verdadeiro) o agente é surpreendido cometendo uma infração penal ou quando acaba de cometê-la

FLAGRANTE IMPRÓPRIO

(irreal ou quase-flagrante) o agente é perseguido logo após cometer a infração penal FLAGRANTE PRESUMIDO

(ficto ou assimilado)

o agente é preso logo após cometer a infração com instrumen- tos, armas, objetos ou papeis que façam presumir ser ele o autor da infração

FLAGRANTE PREPARADO (provocado, crime de ensaio, delito de experiência ou delito

putativo por obra do agente provocador)

a autoridade policial (ou o particular) instiga o agente à prática do delito com o objetivo de prendê-lo em flagrante. É espécie de crime impossível por absoluta ineficácia dos meios empregados, já que o agente provocados adota todas as condutas necessárias à não consumação do delito.

FLAGRANTE ESPERADO a autoridade policial limita-se a aguardar o momento do come- timento do delito para efetuar a prisão em flagrante, sem a utili- zação de um agente que provoca a situação delituosa.

FLAGRANTE PRORROGADO (ou ação controlada/entrega

vigiada)

retardamento da ação policial.

Esta espécie de flagrante encontra-se prevista na lei de drogas (depende de autorização judicial), na lei de lavagem de capi- tais (depende de autorização judicial) e na lei de organizações criminosas (não depende de autorização judicial).

FLAGRANTE FORJADO cria-se novas provas de um crime inexistente, a fim de legitimar falsamente a prisão em flagrante.

Súmula 145 STF: Não há crime, quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a sua consumação.

#SELIGA: a prisão em flagrante em crimes formais deve ser efetivada enquanto o agente estiver em situação de flagrância, e não no momento do exaurimento do delito (ex.: crime de extorsão).

#ATENÇÃO: a autoridade competente para a lavratura do auto de prisão em flagrante é aque- la que exerce suas funções no local em que foi efetuada a prisão, e não a do local em que se deu a consumação da infração penal.

#SÓMAISUM: Flagrante fracionado é o que ocorre nos casos de crime continuado, de acordo com o art. 71 do Código Penal. Como existem várias infrações independentes, cada uma podendo

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constituir crime isoladamente, torna-se possível a prisão em flagrante por cada uma delas, consubstan- ciando o que a doutrina denomina de crime fracionado.

O flagrante ordinariamente é admitido para todo tipo de infração. Mas existem situações especiais:

a) Crimes permanentes: nesse caso, a prisão em flagrante é admitida a qualquer tempo enquanto perdurar a permanência, admitindo-se, inclusive, a invasão domiciliar (art. 5º, XI, CF c/c art. 303, CPP).

Atenção: analisar a natureza do crime (exemplo: estocagem de drogas).

b) Crimes de ação privada e de ação pública condicionada: nessas infrações o flagrante é admi- tido, mas a lavratura do auto depende de manifestação de vontade do legítimo interessado.

c) Crimes habituais: não se admite prisão em flagrante em crime habitual, pois no momento do flagrante a autoridade estará apenas visualizando uma conduta isolada, não tendo condições de atestar a habitualidade do fato e a própria tipicidade do crime. Crimes habituais são aqueles que revelam um modo de vida do agente e para que exista tipicidade é necessário que a conduta seja reiterada (exemplo: exercício ilegal da medicina, art. 282, CP). Para a doutrina amplamente prevalente não caberá flagrante em crime habitual pela impossibilidade de constatação no momento do flagra da existência de habitualidade.

e) Infrações de menor potencial ofensivo: admite-se a captura e condução coercitiva, mas a lavratura do auto foi substituída pela mera confecção do TCO (art. 69, Lei nº 9.099/95).

#OLHAOGANCHO: Audiência de custódia.

Audiência de custódia consiste no direito que a pessoa presa em flagrante possui de ser conduzida (levada), sem demora, à presença de uma autoridade judicial (magistrado) que irá analisar se os direitos fundamentais dessa pessoa foram respeitados (ex.: se não houve tortura), se a prisão em flagrante foi legal e se a prisão cautelar deve ser decretada ou se o preso poderá receber a liberdade provisória ou medida cautelar diversa da prisão. A audiência de custódia é prevista na Convenção Americana de Direitos Humanos (CADH), que ficou conhecida como “Pacto de San Jose da Costa Rica”, promulgada no Brasil pelo Decreto 678/92. Diante dessa situação, o TJSP editou o Provimento Conjunto nº 03/2015 regulamentando a audiência de custódia no âmbito daquele Tribunal. O STF entendeu que esse Provimento é constitucional porque não inovou na ordem jurídica, mas apenas explicitou conteúdo normativo já existente em diversas normas da CADH e do CPP. Por fim, o STF afirmou que não há que se falar em violação ao princípio da separação dos poderes porque não foi o Provimento Conjunto que criou obrigações para os delegados de polícia, mas sim a citada convenção e o CPP. STF. Plenário, julgado em 20/8/2015 (Info 795).

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→ PRISÃO PREVENTIVA

#FALADOUTRINADOR: “Cuida-se de espécie de prisão cautelar decretada pela autoridade judiciária competente, mediante representação da autoridade policial ou requerimento do Ministério Público, do querelante ou do assistente, em qualquer fase das investigações ou do processo criminal (nesta hipótese, também pode ser decretada de ofício pelo magistrado), sempre que estiverem preenchidos os requisitos legais e concorrem os motivos autorizadores listados no art. 312 do CPP, e desde que se revelem inadequadas ou insuficientes as medidas cautelares diversas da prisão.” (Renato Brasileiro)

Galera, a prisão preventiva não pode ser confundida com a prisão temporária, pelas seguintes razões:

a prisão temporária só pode ser decretada durante a fase pré-processual (inquérito) a prisão temporária não pode ser decretada de ofício pelo juiz

a prisão temporária só é cabível em relação a um rol taxativo de crimes a prisão temporária possui prazo certo

Como espécie de medida cautelar, a prisão preventiva também está condicionada à presença do fumus comissi delicti (que é o fumus boni iuris do processo civil) e do periculum libertatis (que corres- ponde ao periculum in mora do processo civil).

#VEMDETABELINHA

PRESSUPOSTOS DA PRISÃO PREVENTIVA FUMUS COMISSI

DELICTI prova da existência do crime (aqui é certeza) e indício suficiente de autoria (apenas probabilidade)

PERICULUM LIBERTATIS

garantia da ordem pública; garantia da ordem econômica; garantia da aplica- ção da lei penal; conveniência da instrução criminal; descumprimento de obri-

gações impostas por força de outras medidas cautelares.

- GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA: indícios concretos de que o agente voltará a delinquir, associa- dos à gravidade e à repercussão do delito. Não se confunde com o mero clamor público, que não justifica isoladamente a prisão preventiva. Ele é apenas mais um critério a ser tomado como acessório, mas não um critério autônomo apto a lastrear, por si só, a medida.

#SELIGA: A prática de atos infracionais anteriores serve para justificar a decretação ou manutenção

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da prisão preventiva como garantia da ordem pública, considerando que indicam que a personali- dade do agente é voltada à criminalidade, havendo fundado receio de reiteração. Não é qualquer ato infracional, em qualquer circunstância, que pode ser utilizado para caracterizar a periculosidade e justificar a prisão antes da sentença. É necessário que o magistrado examine três condições: a) a gravidade específica do ato infracional cometido, independentemente de equivaler a crime consi- derado em abstrato como grave; b) o tempo decorrido entre o ato infracional e o crime em razão do qual é decretada a preventiva; e c) a comprovação efetiva da ocorrência do ato infracional. STJ.

3ª Seção. RHC 63855-MG, Rel. Min. Nefi Cordeiro, Rel. para acórdão Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 11/5/2016 (Info 585).

- GARANTIA DA ORDEM ECONÔMICA: É a aplicação da garantia da ordem pública especifica- mente no campo da ordem econômica.

- POR CONVENIÊNCIA DA INSTRUÇÃO CRIMINAL: Exemplos: réu que ameaça a testemunha, assaltante solto que não comparece à audiência.

- PARA ASSEGURAR A APLICAÇÃO DA LEI PENAL: Possibilidade concreta de fuga. A prisão preventiva não pode ser decretada isoladamente pelo fundamento do artigo 366, é preciso que haja a verificação dos demais requisitos. Se o réu foi citado por edital e não compareceu, também não pode ser decretada a preventiva por garantia da instrução criminal, pois, para obstruir a instrução criminal, o réu tem de estar presente. Em princípio, são argumentos incompatíveis entre si.

#ATENÇÃO: o magistrado só poderá decretar a prisão preventiva quando não existirem outras medidas menos invasivas ao direito de liberdade do acusado (medidas cautelares diversas da prisão), que ensejem os mesmos resultados.

HIPÓTESES DE ADMISSIBILIDADE DA PRISÃO PREVENTIVA

CRIMES DOLOSOS COM PENA MÁXIMA SUPERIOR A 4 ANOS

independentemente da natureza da pena (se reclusão ou detenção). **Nos casos de concurso de crimes, deve ser levado em consideração o quantum resultante da somatória das penas nas hipóteses de concurso material e de concurso formal, assim como a majoração resultante do concurso formal próprio e do crime continuado.

No caso das causas de aumento e diminuição de pena, deve-se levar em consideração o quantum

que mais aumente ou diminua a pena.

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INVESTIGADO OU ACUSADO CONDENADO POR OUTRO CRIME DOLOSO EM SENTENÇA

TRANSITADA EM JULGADO

Não basta que o acusado seja reincidente: a rein- cidência deve ser específica (crime doloso).

Aqui, independe a quantidade da pena comina- da ao delito.

PARA GARANTIR A EXECUÇÃO DE MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA***

Quando o crime envolver violência doméstica e familiar contra a mulher, criança, adolescen- te, idoso, enfermo ou pessoa com deficiência.

DÚVIDA SOBRE A IDENTIDADE CIVIL DA PESSOA OU NÃO FORNECIMENTO DE ELEMENTOS SUFICIENTES PARA SEU ESCLA-

RECIMENTO

poderá ser decretada para crimes dolosos e culposos, independente do quantum de pena

cominado.

A fuga do distrito da culpa é fundamentação idônea a justificar o decreto da custódia preventi- va para a conveniência da instrução criminal e como garantia da aplicação da lei penal. As condições pessoais favoráveis não garantem a revogação da prisão preventiva quando há nos autos elementos hábeis a recomendar a manutenção da custódia.

Os fatos que justificam a prisão preventiva devem ser contemporâneos à decisão que a decreta.

A alusão genérica sobre a gravidade do delito, o clamor público ou a comoção social não constituem fundamentação idônea a autorizar a prisão preventiva.

#ATENÇÃO: as atenuantes e agravantes não são consideradas na análise do cabimento da prisão preventiva, porque não existe um critério legal determinando o quantum da majoração ou a dimi- nuição da pena.

*** #ATENÇÃO #NOVIDADELEGISLATIVA #ATUALIZAOVADE: Crime de Descumprimento de Medidas Protetivas de Urgência introduzido pela Lei 13.641 na Lei Maria da Penha.

Art. 24-A. Descumprir decisão judicial que defere medidas protetivas de urgência previstas nesta Lei: (Incluído pela Lei nº 13.641, de 2018)

Pena – detenção, de 3 (três) meses a 2 (dois) anos. (Incluído pela Lei nº 13.641, de 2018)

§ 1º A configuração do crime independe da competência civil ou criminal do juiz que deferiu as medidas. (Incluído pela Lei nº 13.641, de 2018)

§ 2º Na hipótese de prisão em flagrante, apenas a autoridade judicial poderá conceder fian-

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ça. (Incluído pela Lei nº 13.641, de 2018)

§ 3º O disposto neste artigo não exclui a aplicação de outras sanções cabíveis. (Incluído pela Lei nº 13.641, de 2018)

Não se admite a decretação da prisão preventiva quando o juiz verificar das provas colhidas nos autos que o agente praticou o crime acobertado por uma causa excludente da ilicitude (estado de neces- sidade, legítima defesa, estrito cumprimento do dever legal, exercício regular de direito), por força do art.

386, VI, CPP.

#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA: Em nosso sistema jurídico, a prisão meramente processual do indiciado ou do réu reveste-se de caráter excepcional, mesmo que se trate de crime hediondo ou de delito a este equiparado. O excesso de prazo, quando exclusivamente imputável ao aparelho judiciário – não derivando, portanto, de qualquer fato procrastinatório causalmente atribuível ao réu –, traduz situação anômala que compromete a efetividade do processo. Além de tornar evidente o desprezo estatal pela liberdade do cidadão, frustra uma prerrogativa básica que assiste a qualquer pessoa: o direito à resolução do litígio sem dilações indevidas (art. 5º, LXXVIII, da CF/88). Ademais, a duração prolongada, abusiva e irrazoável da prisão cautelar ofende, de modo frontal, o postulado da dignidade da pessoa humana, que representa significativo vetor interpretativo, verdadeiro valor- -fonte que conforma e inspira todo o ordenamento constitucional. STF. 2ª Turma. HC 142177/RS, Rel.

Min. Celso de Mello, julgado em 6/6/2017 (Info 868).

#ATENÇÃO #CONTROVÉRSIA: A falta da audiência de custódia não enseja nulidade da prisão preventiva, superada que foi a prisão em flagrante, devendo ser este novo título de prisão aquele a merecer o exame da legalidade e necessidade. STJ. 6ª Turma. RHC 99.091/AL, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 04/09/2018. A alegação de nulidade da prisão em flagrante em razão da não realização de audiência de custódia no prazo legal fica superada com a conversão do flagrante em prisão preventiva, tendo em vista que constitui novo título a justificar a privação da liberdade. STJ. 5ª Turma.

HC 444.252/MG, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 23/08/2018. Por força do Pacto dos Direitos Civis e Políticos, da Convenção Interamericana de Direitos Humanos e como decorrência da cláusula do devido processo legal, a realização de audiência de apresentação (“audiência de custódia”) é de observância obrigatória. Esta audiência não pode ser dispensada sob a justificativa de que o juiz já se convenceu de que a prisão preventiva é necessária. A audiência de apresentação constitui direi- to subjetivo do preso e, nessa medida, sua realização não se submete ao livre convencimento do Juiz, sob pena de cerceamento inconvencional. A conversão da prisão em flagrante em preventiva não traduz, por si, a superação da flagrante irregularidade, na medida em que se trata de vício que alcança a formação e legitimação do ato constritivo. Desse modo, caso o juiz não tenha decretado

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a prisão preventiva, o Tribunal deverá reconhecer que houve ilegalidade e determinar que o magis- trado realize a audiência de custódia. STF. 1ª Turma. HC 133992, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 11/10/2016.

Em um caso concreto, o réu foi preso preventivamente pela suposta prática de delitos previstos na Lei nº 11.343/2006 (Lei de Drogas). Ocorre que já se passaram mais de quatro anos desde a prisão preventiva sem haver, sequer, audiência de interrogatório. Diante disso, o STF entendeu que havia flagrante excesso de prazo na segregação cautelar e, por essa razão, concedeu habeas corpus para determinar a soltura do paciente. Embora a razoável duração do processo não possa ser considera- da de maneira isolada e descontextualizada das peculiaridades do caso concreto, diante da demora no encerramento da instrução criminal, sem que o paciente, preso preventivamente, tenha sido interrogado e sem que tenham dado causa à demora, não se sustenta a manutenção da constrição cautelar. STF. 2ª Turma. HC 141583/RN, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 19/9/2017 (Info 878).

O juiz, mesmo sem provocação da autoridade policial ou da acusação, ao receber o auto de prisão em flagrante, deverá, quando presentes os requisitos previstos no art. 312 do CPP, converter a prisão em flagrante em preventiva, em cumprimento ao disposto no art. 310, II, do mesmo Código. Assim, não configura nulidade a decretação, de ofício, da preventiva quando fruto da conversão da prisão em flagrante, haja vista o expresso permissivo do inciso II do art. 310 do CPP. STJ. 5ª Turma. RHC 80.740/MG, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 20/06/2017. STJ. 6ª Turma. RHC 71.360/RS, Rel. Min.

Nefi Cordeiro, julgado em 28/6/2016.

A alegação de desproporcionalidade da prisão preventiva somente poderá ser aferível após a prola- ção de sentença, não cabendo, durante o curso do processo, a antecipação da análise quanto a possibilidade de cumprimento de pena em regime menos gravoso, caso seja prolatada sentença condenatória, sob pena de exercício de adivinhação e futurologia, sem qualquer previsão legal.

Assim, não há que se falar em ofensa ao princípio da homogeneidade das medidas cautelares porque não cabe ao STJ, em um exercício de futurologia, antecipar a provável colocação da paciente em regime aberto/semiaberto ou a substituição da sua pena de prisão por restritiva de direitos. STJ.

5ª Turma. RHC 77070/MG, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 16/02/2017. STJ. 6ª Turma. RHC 79041/

MG, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 28/03/2017.

→ PRISÃO TEMPORÁRIA

Prevista na Lei 7.960/89, a prisão temporária visa assegurar a eficácia das investigações criminais quanto a alguns crimes graves, sendo, portanto, aplicada na fase preliminar de investigações (durante o inquérito policial).

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REQUISITOS DA PRISÃO TEMPORÁRIA

quando for imprescindível para as investigações do inquérito policial

quando o indiciado não tiver residência fixa ou não fornecer elementos necessários ao esclareci- mento de sua identidade (ausência total de um endereço onde possa o indiciado ser encontrado).

quando houver fundadas razões de autoria ou parti- cipação do indiciado na lista taxativa de crimes

homicídio doloso sequestro ou cárcere privado

extorsão

extorsão mediante sequestro estupro

atentado violento ao pudor epidemia com resultado morte

envenenamento de água potável ou substância alimentícia ou medicinal qualificado pela morte

quadrilha ou bando genocídio tráfico de drogas

crimes contra o Sistema Financeiro crimes previstos na Lei de Terrorismo

Uma vez recebida a denúncia, não mais deve subsistir o decreto de prisão temporária, porque finda a fase de investigações. Assim, nesse caso, o acusado deve ser colocado em liberdade, salvo se sua prisão preventiva for decretada.

#ATENÇÃO: Não cabe a decretação de prisão temporária para contravenções penais ou crimes culposos.

#SELIGA: o querelante, na ação penal privada, não possui legitimidade para requerer a decretação de prisão temporária.

#NÃOCONFUNDA:

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PRISÃO PREVENTIVA PRISÃO TEMPORÁRIA

Têm legitimidade para requerer: o querelante

e o assistente de acusação. NÃO pode o querelante ou o assistente de acusa- ção.

A prisão temporária somente pode durar pelo prazo de 5 dias, prorrogável por igual período em caso de extrema e comprovada necessidade. Nos crimes hediondos, o prazo é de 30 + 30.

#DEOLHONAJURIS: A prisão temporária, por sua própria natureza instrumental, é permeada pelos princípios do estado de não culpabilidade e da proporcionalidade, de modo que sua decretação só pode ser considerada legítima caso constitua medida comprovadamente adequada e necessária ao acautelamento da fase pré-processual, não servindo para tanto a mera suposição de que o suspeito virá a comprometer a atividade investigativa. STJ. 6ª Turma. HC 379.690/SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 04/04/2017.

→ PRISÃO DOMICILIAR

“Levando em consideração certas situações especiais, de natureza humanitária, a substituição da prisão preventiva pela prisão domiciliar visa tornar menos desumana a segregação cautelar, permi- tindo que ao invés de ser recolhido ao cárcere, ao agente seja imposta a obrigação de permanecer em sua residência.” (Renato Brasileiro).

Introduzida pela Lei 12.403/2011 no CPP, a prisão domiciliar também possui natureza cautelar e sua finalidade será a mesma da prisão substituída.

#SELIGA: O Marco Legal da Primeira Infância (Lei nº 13.257/2016), ao alterar as hipóteses autori- zativas da concessão de prisão domiciliar, permite que o juiz substitua a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for gestante ou mulher com filho até 12 anos de idade incompletos (art. 318, IV e V, do CPP). STF, julgado em 21/6/2016 (Info 831).

#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA: O tempo de prisão cautelar efetivamente cumprida em regime domiciliar deve ser computado na pena privativa de liberdade para fins de detração. STJ, HC225/CE.

#NÃOCONFUNDA #SEMPRECAI:

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PRISÃO DOMICILIAR (CPP) LEI DE EXECUÇÃO PENAL cautelar, durante o processo cumprimento da pena definitiva

substitui prisão preventiva beneficiário do regime aberto maior de 80 anos condenado maior de 70 anos extremamente debilitado por motivo de

doença grave condenado cometido de doença grave

imprescindível aos cuidados especiais de pessoa menor de 6 anos de idade ou com

deficiência

condenado com filho menor ou deficiente físico mental

gestante condenada gestante

mulher com filho até 12 anos de idade incompletos

homem, caso seja o único responsável pelos cuidados do filho de até 12 anos de

idade incompletos.

#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA: O art. 318, II, do CPP é chamado de prisão domiciliar huma- nitária. Em um caso concreto, o STF entendeu que deveria conceder prisão humanitária ao réu tendo em vista o alto risco de saúde, a grande possibilidade de desenvolver infecções no cárcere e a impossibilidade de tratamento médico adequado na unidade prisional ou em estabelecimento hospitalar — tudo demostrado satisfatoriamente no laudo pericial. Considerou-se que a concessão da medida era necessária para preservar a integridade física e moral do paciente, em respeito à dignidade da pessoa humana (art. 1º, III, da CF). STF. 2ª Turma.HC 153961/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 27/3/2018 (Info 895).

#IMPORTANTE: O STF reconheceu a existência de inúmeras mulheres grávidas e mães de crianças que estavam cumprindo prisão preventiva em situação degradante, privadas de cuidados médi- cos pré-natais e pós-parto. Além disso, não havia berçários e creches para seus filhos. Também se reconheceu a existência, no Poder Judiciário, de uma “cultura do encarceramento”, que significa a imposição exagerada e irrazoável de prisões provisórias a mulheres pobres e vulneráveis, em decor- rência de excessos na interpretação e aplicação da lei penal e processual penal, mesmo diante da existência de outras soluções, de caráter humanitário, abrigadas no ordenamento jurídico vigente.

A Corte admitiu que o Estado brasileiro não tem condições de garantir cuidados mínimos relativos

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à maternidade, até mesmo às mulheres que não estão em situação prisional. Diversos documentos internacionais preveem que devem ser adotadas alternativas penais ao encarceramento, principal- mente para as hipóteses em que ainda não haja decisão condenatória transitada em julgado. É o caso, por exemplo, das Regras de Bangkok. Os cuidados com a mulher presa não se direcionam apenas a ela, mas igualmente aos seus filhos, os quais sofrem injustamente as consequências da prisão, em flagrante contrariedade ao art. 227 da Constituição, cujo teor determina que se dê prio- ridade absoluta à concretização dos direitos das crianças e adolescentes. Diante da existência desse quadro, deve-se dar estrito cumprimento do Estatuto da Primeira Infância (Lei 13.257/2016), em especial da nova redação por ele conferida ao art. 318, IV e V, do CPP, que prevê: Art. 318. Poderá o juiz substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for: IV - gestante; V - mulher com filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos; Os critérios para a substituição de que tratam esses incisos devem ser os seguintes: REGRA. Em regra, deve ser concedida prisão domiciliar para todas as mulheres presas que sejam - gestantes - puérperas (que deram à luz há pouco tempo) - mães de crianças (isto é, mães de menores até 12 anos incompletos) ou - mães de pessoas com deficiência. EXCEÇÕES: Não deve ser autorizada a prisão domiciliar se: 1) a mulher tiver praticado crime mediante violência ou grave ameaça; 2) a mulher tiver prati- cado crime contra seus descendentes (filhos e/ou netos); 3) em outras situações excepcio- nalíssimas, as quais deverão ser devidamente fundamentadas pelos juízes que denegarem o benefício. Obs1: o raciocínio acima explicado vale também para adolescentes que tenham praticado atos infracionais. Obs2: a regra e as exceções acima explicadas também valem para a reincidente. O simples fato de que a mulher ser reincidente não faz com que ela perca o direito à prisão domiciliar. STF. 2ª Turma.HC 143641/SP. Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 20/2/2018 (Info 891).

→ MEDIDAS CAUTELARES DE NATUREZA PESSOAL DIVERSAS DA PRISÃO

As cautelares pessoais, no Processo Penal brasileiro, durante anos, viveram um regime de estrita BIPOLARIDADE, consistente na dicotomia: PRISÃO VERSUS LIBERDADE PROVISÓRIA. Tal dicotomia reve- lava-se extremamente deletéria, pois vivia entre os extremos: total cerceamento da liberdade (com todos os seus estigmas e problemas) ou plena liberdade (muitas vezes sem o necessário acompanhamento).

Em 2011, rompeu-se com o sistema da BIPOLARIDADE, passando a adequar o ordenamento jurídi- co brasileiro às chamadas REGRAS DE TÓQUIO de 1990, que estabelecem regras mínimas para a prisão cautelar, deixando-a como medida de ultimaratio. Assim sendo, o sistema brasileiro passou a adotar mais NOVE medidas cautelares PESSOAIS DIVERSAS DA PRISÃO. Hoje, por exemplo, passou a ser possível a proibição de ausentar-se da Comarca quando a permanência seja conveniente ou necessária para a investigação ou instrução (evitando-se assim a prisão).

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#TABELALOVERS:

COMPARECIMENTO PERIÓDICO

EM JUÍZO para situações em que o acusado não possui vínculos com o local e há risco de não ser encontrado posteriormente.

PROIBIÇÃO DE ACESSO OU FREQUÊNCIA A DETERMINADOS

LUGARES

é inadmissível a proibição de frequência a determinados locais em termos genéricos, sem especificação

PROIBIÇÃO DE MANTER CONTA- TO COM PESSOA DETERMINADA

para proteção de determinadas pessoas e para impedir que, em liberdade total e absoluta, possa influenciar testemunha ou a própria vítima.

PROIBIÇÃO DE AUSENTAR-SE DA COMARCA OU DO PAÍS

será comunicada pelo juiz às autoridades encarregadas de fiscalizar as saídas do território nacional, intimando-se o indi- ciado ou acusado para entregar o passaporte no prazo de 24 horas.

RECOLHIMENTO DOMICILIAR no período noturno e nos dias de folga quando o investiga- do ou acusado tenha residência e trabalho fixos.

SUSPENSÃO DO EXERCÍCIO DE FUNÇÃO PÚBLICA OU DE ATIVI- DADE DE NATUREZA ECONÔMICA

OU FINANCEIRA

voltada para crimes praticados por funcionário público contra a administração pública e contra a ordem econômi- co-financeira.

INTERNAÇÃO PROVISÓRIA aplicável ao inimputável ou ao semi-imputável nas hipóteses de fatos típicos e ilícitos cometidos com violência ou grave ameaça, quando houver risco de reiteração.

MONITORAÇÃO ELETRÔNICA pode ser aplicada como medida cautelar em si, isoladamen- te, ou como medida cautelar auxiliar de outra medida diver- sa da prisão, cumulativamente.

#ATENÇÃO: Tem também previsão de monitoração eletrônica na Lei de Execução Penal.

Além dessas medidas, existe também a fiança, que vamos ver separadamente.

#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA: É possível que o Juiz de primeiro grau, fundamentadamente, imponha a parlamentares municipais as medidas cautelares de afastamento de suas funções legis- lativas sem necessidade de remessa à Casa respectiva para deliberação. STJ. 5ª Turma. RHC 88.804- RN, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 07/11/2017 (Info 617).

Não é possível que o juiz determine, como medida cautelar substitutiva da prisão, a incomunica-

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bilidade do acusado com seu genitor/corréu. A fixação da medida restritiva substitutiva não deve se sobrepor a um bem tão caro como é a família, sendo isso protegido inclusive pela Constituição Federal, em seu art. 226. STJ. 6ª Turma. HC 380734-MS, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 28/3/2017 (Info 601).

Na hipótese em que a atuação do sujeito na organização criminosa de tráfico de drogas se limitava à lavagem de dinheiro, é possível que lhe sejam aplicadas medidas cautelares diversas da prisão quando constatada impossibilidade da organização continuar a atuar, ante a prisão dos integrantes responsáveis diretamente pelo tráfico. STJ. 6ª Turma. HC 376169-GO, Rel. Min. Nefi Cordeiro, Rel.

para acórdão Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 1/12/2016 (Info 594).

Pode o Magistrado decretar a prisão preventiva, mesmo que a representação da autoridade policial ou do Ministério Público seja pela decretação de prisão temporária, visto que, provocado, cabe ao juiz ofertar o melhor direito aplicável à espécie. Vale ressaltar que neste caso não se está decretando a prisão de ofício considerando que o julgador só atuou após ter sido previamente provocado, não se tratando de postura que coloque em xeque a sua imparcialidade. STJ. 5ª Turma. HC 319.471/MG, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 16/06/2016. STJ. 6ª Turma. HC 362.962/RN, Rel.

Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 01/09/2016.

Para a imposição de qualquer das medidas alternativas à prisão previstas no art. 319 do CPP é necessária a devida fundamentação (concreta e individualizada). Isso porque essas medidas caute- lares, ainda que mais benéficas, representam um constrangimento à liberdade individual. STJ. 5ª Turma. HC 231817–SP, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 23/4/2013 (Info 521).

→ FIANÇA E LIBERDADE PROVISÓRIA

A liberdade provisória possui fundamento constitucional (art. 5º, LXVI), sendo um direito subjetivo do cidadão. Conforme explica Renato Brasileiro, a liberdade provisória com ou sem fiança, sempre foi tratada pelo CPP como espécie de medida de contracautela para substituir a prisão em flagrante delito.

No entanto, atualmente a fiança também configura uma medida cautelar autônoma, que pode ser imposta isolada ou cumulativamente para assegurar o comparecimento a atos do processo, evitar a obstrução do seu andamento ou em caso de resistência injustificada a ordem judicial.

Assim, a liberdade provisória agora também pode ser adotada como providência cautelar autôno- ma, com a imposição de uma ou mais das medidas cautelares diversas da prisão. Tais medidas, conforme dito, são alternativas à prisão, podendo ser impostas mesmo se o acusado estiver em liberdade desde o início da persecução penal, como condição para que assim permaneça. Além disso, a liberdade provisó- ria pode ser convertida em prisão preventiva, em caso de descumprimento de qualquer das obrigações

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impostas ao acusado.

Vejamos agora as hipóteses de liberdade provisória sem fiança, admitidas pelo CPP segundo a juris- prudência e a doutrina dominantes:

- Liberdade provisória sem fiança nas hipóteses de descriminantes: se o juiz verificar, pelo auto de prisão em flagrante, que o agente praticou o fato acobertado por uma das excludentes da ilici- tude (estado de necessidade, legítima defesa, estrito cumprimento de dever legal ou exercício regular de direito) poderá, fundamentadamente, conceder ao acusado liberdade provisória, mediante termo de comparecimento a todos os atos do processo, sob pena de revogação.

#CUIDADO #ALTERAÇÃOLEGISTATIVA!

ANTES DO PACOTE ANTICRIME DEPOIS DO PACOTE ANTICRIME Art. 311. Em qualquer fase da investigação

policial ou do processo penal, caberá a prisão preventiva decretada pelo juiz, de ofício, se no curso da ação penal, ou a requerimento do Ministério Público, do querelante ou do assis- tente, ou por representação da autoridade poli-

cial.

Art. 311. Em qualquer fase da investigação policial ou do processo penal, caberá a prisão preventiva decre- tada pelo juiz, a requerimento do Ministério Público, do querelante ou do assistente, ou por representa-

ção da autoridade policial.

Repare que a trecho do artigo que permitia a decretação da prisão preventiva de ofício pelo juiz foi suprimido pela Lei nº 13.964/2019. Resta saber se os Tribunais brasileiros vão acatar a nova norma!

#ESTAMOSDEOLHO

- Liberdade provisória sem fiança por motivo de pobreza:

Art. 350. Nos casos em que couber fiança, o juiz, verificando a situação econômica do preso, poderá conceder-lhe liberdade provisória, sujeitando-o às obrigações constantes dos arts. 327 e 328 deste Código e a outras medidas cautelares, se for o caso.

Pera aí, prof... o que é fiança?

Galera, fiança é uma caução para assegurar o cumprimento de uma obrigação. Tem natureza jurídica de garantia real (porque recai sobre objetos, coisas, e não sobre pessoas) de cumprimento das obrigações processuais do réu. No processo penal, seu objetivo é garantir o pagamento das custas, da indenização do dano causado pelo crime e da multa.

Pode ser concedida, nos termos do CPP, enquanto não houver o trânsito em julgado da senten- ça condenatória, independentemente de prévia oitiva do MP.

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A fiança pode ser concedida pela autoridade judiciária, em qualquer caso, ou pela autoridade policial, quando a infração tiver pena privativa de liberdade máxima não superior a 4 anos.

#ATENÇÃO: crimes inafiançáveis.

Art. 323. Não será concedida fiança:

I - nos crimes de racismo; [esse também é imprescritível]

II - nos crimes de tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, terrorismo e nos definidos como crimes hediondos;

III - nos crimes cometidos por grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático; [esse também é imprescritível]

As obrigações processuais assumidas pelo réu são as seguintes:

- comparecimento perante a autoridade todas as vezes que for intimado para atos do inquérito e da instrução criminal e para o julgamento, reputando-se quebrada a fiança em caso de não compa- recimento;

- o réu afiançado não poderá, sob pena de quebramento da fiança, mudar de residência, sem prévia permissão da autoridade processante, ou ausentar-se por mais de 8 dias de sua residência, sem comuni- car àquela autoridade o lugar onde será encontrado;

- se o réu praticar nova infração penal dolosa, a fiança será tida por quebrada.

#ATENÇÃO #NÃOCONFUNDA:

QUEBRAMENTO DA FIANÇA

Perda de 50% do valor da fiança prestada quando: o acusado, regu- lamente intimado para ato do processo, deixar de comparecer, sem motivo justo; deliberadamente praticar ato de obstrução do andamen- to do processo; descumprir medida cautelar imposta cumulativamente com a fiança; resistir injustificadamente a ordem judicial; praticar nova

infração penal dolosa.

Com o quebramento da fiança, é impossível nova prestação dessa garantir no mesmo processo.

PERDA DA FIANÇA

Perda do total do valor da fiança prestada: se, proferida sentença condenatória com trânsito em julgado, o acusado não se apresenta para o início do cumprimento da pena definitivamente imposta (incluí-

das aí qualquer espécie de pena).

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CASSAÇÃO DA FIANÇA

A fiança será cassada em qualquer fase do processo quando: for conce- dida por equívoco; ocorrer uma inovação na tipificação do delito, reco- nhecendo-se a existência de infração inafiançável; houver aditamento

da denúncia, acarretando a inviabilidade de concessão de fiança.

O valor será devolvido a quem a prestou.

FIANÇA SEM EFEITO Quando houver sua cassação ou quando não houver o seu reforço.

REFORÇO DA FIANÇA Pode ocorrer quando: a autoridade tomar por engano fiança insufi- ciente; houver depreciação material ou perecimento dos bens hipote-

cados ou caucionados; for inovada a classificação do delito.

#ATENÇÃO: não haverá restituição do valor da fiança prestada se a extinção da punibilidade do agente tiver por fundamento a prescrição da pretensão executória. As fianças quebradas ou perdidas serão destinadas ao FUNPEN.

JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS

- Os juizados encontram previsão na Constituição Federal, em seu art. 98, I e §1º:

Art. 98. A União, no Distrito Federal e nos Territórios, e os Estados criarão:

I - juizados especiais, providos por juízes togados, ou togados e leigos, competentes para a concilia- ção, o julgamento e a execução de causas cíveis de menor complexidade e infrações penais de menor potencial ofensivo, mediante os procedimentos oral e sumariíssimo, permitidos, nas hipóteses previs- tas em lei, a transação e o julgamento de recursos por turmas de juízes de primeiro grau;

§ 1º Lei federal disporá sobre a criação de juizados especiais no âmbito da Justiça Federal. (Renume- rado pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

OBJETIVOS PRINCÍPIOS

REPARAR O DANO (CONCILIAÇÃO)

ORALIDADE SIMPLICIDADE INFORMALIDADE

Referências

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