francesa, o veneravel professor Oarrigou, que creara
em
Toulouseum
Institute regional.A
vantagem deum
Institute desse generono
Brasil e inegavel.
A
questao da especializagao de nossas estac,6es para determinadas affecc.6es,como em
Franca as estac.6es dos Pyreneus para as affecgoesdo apparelho respiratorio, Vichy paraas affecc,oesdo figado, Uriage para a eliminac.ao do mercuric,etc.,soestararesolvida depois que a Hydrologia constituir entre nosum
estudo serio e para isso eu lembraria que o nosso
INSTITUTO OSWALDO CRUZ
acha-se esplendida-mente talhado para ser nelle fundadoum
curso de pesquisas hydrologicas nos moldes do Institute de Franca. Seria de incalcuiaveis beneficios entre nos o curso hydrologico, encarregado de estudar todas as questoes que interessam nossas estac,6es afim de crearmostambem
nossa sciencia hydrologica e clima-tica a que tem incontestavelmente direito nosso im-portante dominio hydrologicoe climatico.Para mostrar a irnportancia da especializac,ao basta dizer que ella da maior valor a cura, porque deixa de ser
uma
panacea a cura hydro-mineral. Para exemplo, napropria Allemanha,inclinada a considerar a hydrologia antesum ramo
ou capitulo datherapeu-tica physiotherapica,talvez por nao ser rico
em
diver-sidade seu dominio hydrologico, eu citarei Nauheim,estac.ao chloruretada sodica gazosa, que recebia cerca de 1.200 banhistas eque depoisde seterespecializado no tratamento das molestias do corac.ao, a ponto de setornar urn
nome
magico,come^ou
a receber para mais de 50.000visitantesem
procura deseus celebres banhos.S. A. R. o Principe de
Monaco
preparauma
exposic.ao da industria hydro-mineral, climatica e do
toitristno e pretende associaraellaCongressosafim de que sejam tratadas todas as questoes que interessam a Hydrologia e a Climatologia. Havera
tambem um
Congresso de hoteleiros.
A
obra desses Congressos,a que concorrerao as industrias americanas, alem de medicos e touristesdoNovo Mundo,
organizadoscom uma
subvenc.ao, vai ser deimmenso
successo e de extraordinario proveito para a sciencia hydrologica e para a Franca.A
agua mineral deve ser a base e o elemento essencial da cura e nao representarpapel secundario oufigurar apenascomo
elemento de cura igual aos outrosfactores, se quizermos crear a sciencia hydro-logica.No
Congresso de Hydrologia de Madrid, de 1Q13,numerosos foramos trabalhosapresentadospelos franceses, que nao concordaramcom
o Congresso de Budapesth porque nao admittiam que a Hydrologia fosse apenasum ramo
da therapeutica physica,como
quizeram os congressistas desta ultima cidade; e foi poresse motivo que o Congresso de Madrid teve desusada concorrencia por parte dos hydrologos franceses.Nesse Congresso foi lida a excellente
memoria
do Prof.Moureu
etambem
adocelebreProf.Garrigou que,embora
aceitasse a theoria-vulcanica de A.Gau-tier,aconselhava a que se nao desprezasse a theoria geothermica para explicar a origem da agua mineral, segundo a qual aguas superficiaes, infiltrando-se na profundeza do
Globo
ahi seaquecem
na visinhanc.ado fogo central.
O
Prof. Mazerantratouda applicaqao do regimen dietetico que, nas cidades de aguas, sao de primeira necessidade, e referio-se a necessidade deum
entendimento entre medicos e hoteleiros,no
sen-tido d'aquelles organizarem os diversos regimense destes executarem asprescripts
dieteticasformu-ladas. Isto e possivel,
uma
vez que fique assentado que os estabelecimentosthermaes sejam dirigidospor medicos,como
e de regra.Uma
questao importante acaba de ser tratada recentemente peloProf.Robin.As
curashydro-mineraes e climaticaspodem
ser realizadasem
qualquertempo
ou so por occasiao daschamadas
estac.6es?O
in-conveniente das estatesresultada faltadealojamento a muitos visitantes, que nao recorrem ao tratamento thermal,em
vista de,em
geral, estarem repletas as cidadesde aguas por essa occasiao.Vejamos
o quese passaem
Allemanha,com
relac.ao a esse facto.Nas
grandes cidades de aguas allemas a estac.ao dura de cinco a seis meses, comec,ando na primavera.Em
Karlsbad o estabelecimento acha-se aberto
no
inverno.Eis ahi
uma
das razoes de sua prosperidade.Em
Franca, os banhistas comec.ama chegar asestates la para o fim de Junho, e la para o fim de Agosto se retiram,
com
excepc.ao apenas deVichy, Aix-les-Bains, e Le Vernet,com
a suaestac.ao sulfurosa de inverno.Em
todas as outras ha apenas o que se poderia de-nominaruma
estagaoeconomicafeitaem
7 a8semanas. Comprehende-se os inconvenientes dessa pequena dura^ao: os hoteisaugmentam
suasdiarias,osmedicose o pessoal dos estabelecimentos nao
podem
prestar todo o devido cuidado e zeloao publico numerosis-simo.A
cura hydro-mineral e climatica, entretanto, realiza-seem conduces
muito mais salutaresantes e depois do verao do que durante o verao, alem deser mais agradavel,isto e,a cura nao devia ser feitano
verao, havendo razoes seriaspara isso.
Cumpre,
por-tanto, alongar as estates ate o inverno para opro-80
gresso da industria balnearia e no interesse dos do-entes. E' o que
devemos
fazer.Demonstrada, portanto, a utilidade publica das estancias de aguas mineraes, resulta justificada a in-tervenc.aodo
Governo
da Uniao ou submettendo-as auma
legislate especial de accordocom
o n. 31do
art. 34 da Constituigao Federal, ou auxiliando os poderes locaes a transformal-as e melhoral-as de accordo
com
asmodernas
exigencias da hydrologia medica, demodo
a tornal-as conhecidas e frequenta-dastanto pelo publico do nosso paizcomo
pelo dos demais Estados americanos e europeus.Acontece que os arrendatarios que ternexplorado nossos estabeleci-mentos thermaes obtem concessoes dos terrenos ne-cessarios as constructorse, ao dissolverem suasem-presas,
acabam
sempre partilhandoamigavelmenteen-tre si esses terrenos que receberam a titulo precario (poremprestimo), eque,na maioria dos casos,tinham sido doadosa povoa^ao, de
modo
que a cidade de aguas se ve,pouco
a pouco, privada dos melhores e mais uteis terrenos indispensaveis ao seu embelleza-mento e desenvolvimento, porque elles ficam quasi sempre inutilizados sob o usocapiao, que assim sechama
a propriedade adquirida pela posse tranquilla durante otempo
prescripto pelasleis, usocapiao esse de particulars.Muito
embora
este usocapiao nao se transformeem
dominio legal,porque os bensdo dominio publico nuncapodem,
pela prescripqao, cahir sob o dominio particular, nota-se que os podereslocaes autonomos,com
os politiqueiros debairro,intervem quasi sempreem
favor dos usocapientes apadrinhados, lesandoenormemente
a localidade e o publico.Como
esta, muitas outras providencias deixam de ser tomadasem
prol da estacjio pela
mesma
razao acima apontada.Entre tantas que
podiam
aqui ser alvitradas,citarei as providencias que carecem sertomadas no intuito de proteger os visitantescontra a explora^aodosagentes81
de hotels e medicos, vergonhoso systema que arruina a esta^ao de aguas, porque o visitante,ao descobrir a exploraqao de quefoivictima, vinga-se desacreditando a localidade e seusdirigentes.
Para acabar de vez
com
esse pernicioso habito de individuossem
responsabilidade, na cidade deHot
Springs of Arkansas, dos Estados Unidos da Americado Norte, o governo americano, pelo Secre-tario do Interior,ordenou a prohibigaode entrada nos estabelecimentos thermaes aos hospedes dehoteis,em
que fossemvistaspessoasnoserv!c.odesolicitarclientela para medicos. Mas, entre nos, para que isto se possa fazer, emisterqueasnossasestates de aguaspassem
para a Uniao, porqueem
POC.OS de Caldas, nada ternobstado a que esse systemaprospere desassombrado.
A
situac.aode inferioridade,em
que nos achamos, decorreem
grande parte da nossa ignorancia das dis-posic.6es legislativas, que regulam as aguas mineraes nas grandes cidades deaguas.
Falta-nos iniciativa por parte de profissionaes e competentes.
Os
nossos governostern infelizmentedespresado a intervenc.ao dos technicos na organizac.ao das clau-sulascontratuaesdearrendamento das aguas mineraes do nosso paiz.Quem
estudar assuasdisposic.6es vera logo que tudo tern sido feito por leigos,sem
noc.ao da sciencia medicahydrologica edasconduces
essenciaes,queem
outros paizesadeantados tern prevalecido para a pros-peridadeda grande industriahydro-mineral.
Estando hoje estabelecido por todos os hydro-logos que essa industria nao prospera, entregue a arrendatarios particulares, porque ellesnao
empregam
a sua renda nos melhoramentos da estac.ao,resta-nos saberquaes saoas
condi0es
mais vantajosasem
que o nosso Estado, explorando asaguas porsua propria conta,possam
colher os melhores resultados praticos. Allemanha, Austriae Suissa possiiem as maisfa-82
mosas
erendosas estates de aguasdo mundo,
porquelaas municipalidadas tern a immediata direcgao de todos osservices,sendoellasas proprietariasdas aguas, tendo sido os particulares arredados de todos os ne-gocios referentesa explora?ao das aguas.
Nos
Estados Unidos da America do Norte, o governoe proprietariodasfamosas aguas thermaes de Arkansas, sendo a esta^ao dirigida porum
Superin-tendente,nomeado
pelo Secretario do Interior.Nunca
serademais insistirn'um
ponto importan-te.No
dia 30 de Abril de 1916,em
carta aberta que enderecei ao digno presidente do Estado de Minas Geraes, oEx.1710Snr.dr.DelphimMoreira,publicada noO
Imparcial do Rio de Janeiro, na qual expuzcom
franqueza a situagao real das aguas e dos estabeleci-mentos balnearies de Poc,os de Caldas, declarei o seguinte:
Pretendemosdemonstrar:
1.) que a explorac.So da industria thermal, das aguas e dos estabelecimentos deve estar soba imme-diata direcc.3odo governo doEstado, para serem de
um
modo absolutoarredados os particulares como arrenda-tarios privilegiados, constituindo empresas, que nunca prosperaramnas suas m5os;2.) quen5o devem ser concedidos privilegios paraa exploracao de quaesquer services relacionados coma industria thermal,afimdese favorecera iniciativa particulardaconstrucc.5odehoteis, estabelecimentos bal-nearios,etc.,e sertoda aaguathermal aproveitada,com o seu rendimento rigorosamente applicado nos melhora-mentosdaestacao.
A
experiencia europea e americanajatern consa-grado o principio de sen5o permittir explora?So das aguas de suas celebresestates, porparticulares,porqueellesfogemdeempregarassuasrendasnos melhoramen-tos indispensaveis eembaracamo progressolocal, oppon-doatodainiciativa particularuma concorrencia esmaga-dora>.
Em
cadaestaqao hydro-mineral ouclimatica,em
Franca, depois do seu reconhecimento por parte dos poderes publicos, fica instituido por
um
decretoum
83
estabelecimento publico, a
Camara
de Industria Ther-mal ou climatica,com
o fim puramenteconsultivo.Esta
Camara
da oparecer sobre quaesquer obras pro-jectadasesobre a cobran^a do imposto deestada nas estates;fiscaliza e collaboracom
aMunicipalidadeno modo
de empregar suas rendas; nao permitte que as rendas sejamempregadas em
despesas municipaessem
relacjiocom
o desenvolvimento e progresso das estates.A
creagao destaCamara
e indispensavel para impedir as hostilidades das Municipalidades asobras relacionadascom
a industria thermal, quedevem
ser deum
apurado gostosempre e realizadas por meio de concorrencia, sendo as propostas julgadascom
im-parcialidade.Um
decreto deve fixar a composi^ao destaCamara
etambem
a listado
corpo eleitoralpara anomea^ao
dosmembros
eleitos.As Camaras
dirigem annualmente, por intermediodo
Prefeito,um
relatorio dos seus trabalhos ao Ministro do Interior e tem as suas contas submettidas aum
Conselho administrativo e judiciario.Relativamente as estancias hydro-mineraes mi-neiras, affirmara
com
muita sabedoria,n'um
relatorio official,o secretario da Agricultura, exm. snr. dr.Raul Soares, a verdade: a obrigac,aode levar aeffeito de-terminados melhoramentos,em
troca do arrendamento gratuitodas fontes, e errocondemnado
pela mais do-lorosa das experiencias, pois,em
regra,naocumprem
os contratose ainda
pedem
e obtem indemnizagao*.O
illustresecretario referia-se as companhias
arrendata-rias das aguas,
com
a experiencia no seu Estado.Era a primeira vez que a palavra official se pro-nunciava contra os celebres arrendatarios, porque ate entao os dirigentes de Minas estavam erradamente
suppondo
que asestates de aguas soprosperam en-treguesa syndicates ecom
permissao de jogos. Isto porque se diz que o Estado emau
administrador!84