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Todo esse programma e o mesmo que, ha 25 annos, fora delineado pelo pai da sciencia hydrologica

francesa, o veneravel professor Oarrigou, que creara

em

Toulouse

um

Institute regional.

A

vantagem de

um

Institute desse genero

no

Brasil e inegavel.

A

questao da especializagao de nossas estac,6es para determinadas affecc.6es,

como em

Franca as estac.6es dos Pyreneus para as affecgoesdo apparelho respiratorio, Vichy paraas affecc,oesdo figado, Uriage para a eliminac.ao do mercuric,etc.,soestararesolvida depois que a Hydrologia constituir entre nos

um

estudo serio e para isso eu lembraria que o nosso

INSTITUTO OSWALDO CRUZ

acha-se esplendida-mente talhado para ser nelle fundado

um

curso de pesquisas hydrologicas nos moldes do Institute de Franca. Seria de incalcuiaveis beneficios entre nos o curso hydrologico, encarregado de estudar todas as questoes que interessam nossas estac,6es afim de crearmos

tambem

nossa sciencia hydrologica e clima-tica a que tem incontestavelmente direito nosso im-portante dominio hydrologicoe climatico.

Para mostrar a irnportancia da especializac,ao basta dizer que ella da maior valor a cura, porque deixa de ser

uma

panacea a cura hydro-mineral. Para exemplo, napropria Allemanha,inclinada a considerar a hydrologia antes

um ramo

ou capitulo da

therapeu-tica physiotherapica,talvez por nao ser rico

em

diver-sidade seu dominio hydrologico, eu citarei Nauheim,

estac.ao chloruretada sodica gazosa, que recebia cerca de 1.200 banhistas eque depoisde seterespecializado no tratamento das molestias do corac.ao, a ponto de setornar urn

nome

magico,

come^ou

a receber para mais de 50.000visitantes

em

procura deseus celebres banhos.

S. A. R. o Principe de

Monaco

prepara

uma

exposic.ao da industria hydro-mineral, climatica e do

toitristno e pretende associaraellaCongressosafim de que sejam tratadas todas as questoes que interessam a Hydrologia e a Climatologia. Havera

tambem um

Congresso de hoteleiros.

A

obra desses Congressos,a que concorrerao as industrias americanas, alem de medicos e touristesdo

Novo Mundo,

organizados

com uma

subvenc.ao, vai ser de

immenso

successo e de extraordinario proveito para a sciencia hydrologica e para a Franca.

A

agua mineral deve ser a base e o elemento essencial da cura e nao representarpapel secundario oufigurar apenas

como

elemento de cura igual aos outrosfactores, se quizermos crear a sciencia hydro-logica.

No

Congresso de Hydrologia de Madrid, de 1Q13,numerosos foramos trabalhosapresentadospelos franceses, que nao concordaram

com

o Congresso de Budapesth porque nao admittiam que a Hydrologia fosse apenas

um ramo

da therapeutica physica,

como

quizeram os congressistas desta ultima cidade; e foi poresse motivo que o Congresso de Madrid teve desusada concorrencia por parte dos hydrologos franceses.

Nesse Congresso foi lida a excellente

memoria

do Prof.

Moureu

e

tambem

adocelebreProf.Garrigou que,

embora

aceitasse a theoria-vulcanica de A.

Gau-tier,aconselhava a que se nao desprezasse a theoria geothermica para explicar a origem da agua mineral, segundo a qual aguas superficiaes, infiltrando-se na profundeza do

Globo

ahi se

aquecem

na visinhanc.a

do fogo central.

O

Prof. Mazerantratouda applicaqao do regimen dietetico que, nas cidades de aguas, sao de primeira necessidade, e referio-se a necessidade de

um

entendimento entre medicos e hoteleiros,

no

sen-tido d'aquelles organizarem os diversos regimense destes executarem as

prescripts

dieteticas

formu-ladas. Isto e possivel,

uma

vez que fique assentado que os estabelecimentosthermaes sejam dirigidospor medicos,

como

e de regra.

Uma

questao importante acaba de ser tratada recentemente peloProf.Robin.

As

curashydro-mineraes e climaticas

podem

ser realizadas

em

qualquer

tempo

ou so por occasiao das

chamadas

estac.6es?

O

in-conveniente das estatesresultada faltadealojamento a muitos visitantes, que nao recorrem ao tratamento thermal,

em

vista de,

em

geral, estarem repletas as cidadesde aguas por essa occasiao.

Vejamos

o quese passa

em

Allemanha,

com

relac.ao a esse facto.

Nas

grandes cidades de aguas allemas a estac.ao dura de cinco a seis meses, comec,ando na primavera.

Em

Karlsbad o estabelecimento acha-se aberto

no

inverno.

Eis ahi

uma

das razoes de sua prosperidade.

Em

Franca, os banhistas comec.ama chegar asestates la para o fim de Junho, e la para o fim de Agosto se retiram,

com

excepc.ao apenas deVichy, Aix-les-Bains, e Le Vernet,

com

a suaestac.ao sulfurosa de inverno.

Em

todas as outras ha apenas o que se poderia de-nominar

uma

estagaoeconomicafeita

em

7 a8semanas. Comprehende-se os inconvenientes dessa pequena dura^ao: os hoteis

augmentam

suasdiarias,osmedicos

e o pessoal dos estabelecimentos nao

podem

prestar todo o devido cuidado e zeloao publico numerosis-simo.

A

cura hydro-mineral e climatica, entretanto, realiza-se

em conduces

muito mais salutaresantes e depois do verao do que durante o verao, alem deser mais agradavel,isto e,a cura nao devia ser feita

no

verao, havendo razoes seriaspara isso.

Cumpre,

por-tanto, alongar as estates ate o inverno para o

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gresso da industria balnearia e no interesse dos do-entes. E' o que

devemos

fazer.

Demonstrada, portanto, a utilidade publica das estancias de aguas mineraes, resulta justificada a in-tervenc.aodo

Governo

da Uniao ou submettendo-as a

uma

legislate especial de accordo

com

o n. 31

do

art. 34 da Constituigao Federal, ou auxiliando os poderes locaes a transformal-as e melhoral-as de accordo

com

as

modernas

exigencias da hydrologia medica, de

modo

a tornal-as conhecidas e frequenta-dastanto pelo publico do nosso paiz

como

pelo dos demais Estados americanos e europeus.Acontece que os arrendatarios que ternexplorado nossos estabeleci-mentos thermaes obtem concessoes dos terrenos ne-cessarios as constructorse, ao dissolverem suas

em-presas,

acabam

sempre partilhandoamigavelmente

en-tre si esses terrenos que receberam a titulo precario (poremprestimo), eque,na maioria dos casos,tinham sido doadosa povoa^ao, de

modo

que a cidade de aguas se ve,

pouco

a pouco, privada dos melhores e mais uteis terrenos indispensaveis ao seu embelleza-mento e desenvolvimento, porque elles ficam quasi sempre inutilizados sob o usocapiao, que assim se

chama

a propriedade adquirida pela posse tranquilla durante o

tempo

prescripto pelasleis, usocapiao esse de particulars.

Muito

embora

este usocapiao nao se transforme

em

dominio legal,porque os bensdo dominio publico nunca

podem,

pela prescripqao, cahir sob o dominio particular, nota-se que os podereslocaes autonomos,

com

os politiqueiros debairro,intervem quasi sempre

em

favor dos usocapientes apadrinhados, lesando

enormemente

a localidade e o publico.

Como

esta, muitas outras providencias deixam de ser tomadas

em

prol da estacjio pela

mesma

razao acima apontada.

Entre tantas que

podiam

aqui ser alvitradas,citarei as providencias que carecem sertomadas no intuito de proteger os visitantescontra a explora^aodosagentes

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de hotels e medicos, vergonhoso systema que arruina a esta^ao de aguas, porque o visitante,ao descobrir a exploraqao de quefoivictima, vinga-se desacreditando a localidade e seusdirigentes.

Para acabar de vez

com

esse pernicioso habito de individuos

sem

responsabilidade, na cidade de

Hot

Springs of Arkansas, dos Estados Unidos da Americado Norte, o governo americano, pelo Secre-tario do Interior,ordenou a prohibigaode entrada nos estabelecimentos thermaes aos hospedes dehoteis,

em

que fossemvistaspessoasnoserv!c.odesolicitarclientela para medicos. Mas, entre nos, para que isto se possa fazer, emisterqueasnossasestates de aguas

passem

para a Uniao, porque

em

POC.OS de Caldas, nada tern

obstado a que esse systemaprospere desassombrado.

A

situac.aode inferioridade,

em

que nos achamos, decorre

em

grande parte da nossa ignorancia das dis-posic.6es legislativas, que regulam as aguas mineraes nas grandes cidades de

aguas.

Falta-nos iniciativa por parte de profissionaes e competentes.

Os

nossos governostern infelizmentedespresado a intervenc.ao dos technicos na organizac.ao das clau-sulascontratuaesdearrendamento das aguas mineraes do nosso paiz.

Quem

estudar assuasdisposic.6es vera logo que tudo tern sido feito por leigos,

sem

noc.ao da sciencia medicahydrologica edas

conduces

essenciaes,que

em

outros paizesadeantados tern prevalecido para a pros-peridadeda grande industriahydro-mineral.

Estando hoje estabelecido por todos os hydro-logos que essa industria nao prospera, entregue a arrendatarios particulares, porque ellesnao

empregam

a sua renda nos melhoramentos da estac.ao,resta-nos saberquaes saoas

condi0es

mais vantajosas

em

que o nosso Estado, explorando asaguas porsua propria conta,

possam

colher os melhores resultados praticos. Allemanha, Austriae Suissa possiiem as mais

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mosas

erendosas estates de aguas

do mundo,

porque

laas municipalidadas tern a immediata direcgao de todos osservices,sendoellasas proprietariasdas aguas, tendo sido os particulares arredados de todos os ne-gocios referentesa explora?ao das aguas.

Nos

Estados Unidos da America do Norte, o governoe proprietariodasfamosas aguas thermaes de Arkansas, sendo a esta^ao dirigida por

um

Superin-tendente,

nomeado

pelo Secretario do Interior.

Nunca

serademais insistir

n'um

ponto importan-te.

No

dia 30 de Abril de 1916,

em

carta aberta que enderecei ao digno presidente do Estado de Minas Geraes, oEx.1710Snr.dr.DelphimMoreira,publicada no

O

Imparcial do Rio de Janeiro, na qual expuz

com

franqueza a situagao real das aguas e dos estabeleci-mentos balnearies de Poc,os de Caldas, declarei o seguinte:

Pretendemosdemonstrar:

1.) que a explorac.So da industria thermal, das aguas e dos estabelecimentos deve estar soba imme-diata direcc.3odo governo doEstado, para serem de

um

modo absolutoarredados os particulares como arrenda-tarios privilegiados, constituindo empresas, que nunca prosperaramnas suas m5os;

2.) quen5o devem ser concedidos privilegios paraa exploracao de quaesquer services relacionados coma industria thermal,afimdese favorecera iniciativa particulardaconstrucc.5odehoteis, estabelecimentos bal-nearios,etc.,e sertoda aaguathermal aproveitada,com o seu rendimento rigorosamente applicado nos melhora-mentosdaestacao.

A

experiencia europea e americanajatern consa-grado o principio de sen5o permittir explora?So das aguas de suas celebresestates, porparticulares,porque

ellesfogemdeempregarassuasrendasnos melhoramen-tos indispensaveis eembaracamo progressolocal, oppon-doatodainiciativa particularuma concorrencia esmaga-dora>.

Em

cadaestaqao hydro-mineral ouclimatica,

em

Franca, depois do seu reconhecimento por parte dos poderes publicos, fica instituido por

um

decreto

um

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estabelecimento publico, a

Camara

de Industria Ther-mal ou climatica,

com

o fim puramenteconsultivo.

Esta

Camara

da oparecer sobre quaesquer obras pro-jectadasesobre a cobran^a do imposto deestada nas estates;fiscaliza e collabora

com

aMunicipalidade

no modo

de empregar suas rendas; nao permitte que as rendas sejam

empregadas em

despesas municipaes

sem

relacjio

com

o desenvolvimento e progresso das estates.

A

creagao desta

Camara

e indispensavel para impedir as hostilidades das Municipalidades asobras relacionadas

com

a industria thermal, que

devem

ser de

um

apurado gostosempre e realizadas por meio de concorrencia, sendo as propostas julgadas

com

im-parcialidade.

Um

decreto deve fixar a composi^ao desta

Camara

e

tambem

a lista

do

corpo eleitoralpara a

nomea^ao

dos

membros

eleitos.

As Camaras

dirigem annualmente, por intermedio

do

Prefeito,

um

relatorio dos seus trabalhos ao Ministro do Interior e tem as suas contas submettidas a

um

Conselho administrativo e judiciario.

Relativamente as estancias hydro-mineraes mi-neiras, affirmara

com

muita sabedoria,

n'um

relatorio official,o secretario da Agricultura, exm. snr. dr.Raul Soares, a verdade: a obrigac,aode levar aeffeito de-terminados melhoramentos,

em

troca do arrendamento gratuitodas fontes, e erro

condemnado

pela mais do-lorosa das experiencias, pois,

em

regra,nao

cumprem

os contratose ainda

pedem

e obtem indemnizagao*.

O

illustresecretario referia-se as companhias

arrendata-rias das aguas,

com

a experiencia no seu Estado.

Era a primeira vez que a palavra official se pro-nunciava contra os celebres arrendatarios, porque ate entao os dirigentes de Minas estavam erradamente

suppondo

que asestates de aguas soprosperam en-treguesa syndicates e

com

permissao de jogos. Isto porque se diz que o Estado e

mau

administrador!

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