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2.2 TOMADA DE DECISÃO (TD)

2.2.2 Tomada de decisão (TD) no voleibol

Modalidades esportivas como o voleibol, exigem habilidades específicas como o reconhecimento da informação visual proporcionada pela situação de jogo, os sinais que emergem dos comportamentos dos diferentes esportistas participando direta e indiretamente da ação, a elaboração das suas estratégias de percepção e TD (condicionadas pela conexão entre o sistema visual e os lóbulos frontais do cérebro) e a produção eficiente de ações específicas resultantes da integração entre o sistema visual, cérebro e corpo (KUKLA et al., 1996; PALMI, 2007), ou seja, um complexo e delicado processo de interações entre pessoa- tarefa-ambiente, do qual emergem respostas e ações para obter-se vantagem no jogo.

A otimização do conhecimento tático (ARROYO et al., 2008), as capacidades perceptivo-visuais e de TD são imprescindíveis em esportes abertos como o voleibol, caracterizados por situações e ambiente variável (VILA-MALDONADO et al., 2012, 2014b), movimentos rápidos da bola, focalizações variadas entre oponente e ambiente (VILA- MALDONADO et al., 2014a), pressão de tempo e as opções diversas para resolução da ação (RAAB, 2003).

No estudo realizado por Pereira e Tavares (2003) com 18 levantadores não verificaram-se diferenças no tempo da TD adequada quando comparados os atletas da primeira e segunda divisões do campeonato português de voleibol, o que significa que as decisões corretas não diferiram nos tempos de resposta. Esses resultados explicam-se pelos semelhantes níveis de experiência e idades entre os atletas utilizados no estudo.

Bordini et al. (2015) realizaram um estudo com atletas masculinos de voleibol de diferentes níveis de experiência relacionando a oclusão temporal de cenas de ataque com a antecipação das respostas (TD) de defesa, encontrando-se melhores antecipações e respostas nos atletas mais experientes.

Para o Ensino-Aprendizagem-Treinamento (E-A-T) da TD nos esportes, no entanto, é importante a compreensão da lógica do jogo (RAAB, 2007). No estudo realizado por Schlappi-Lienhard e Hossner (2015) com o objetivo de identificar os fatores que influenciam nas TD de atletas de vôlei de praia em situações de defesa, constatou-se que a TD depende dos detalhes da informação emitida na situação de jogo pelo adversário, o contexto externo, o contexto situacional específico e os movimentos do adversário. Além disso, relata-se uma alta influência do comportamento visual e do domínio do conhecimento específico da modalidade. É importante que a transferência de aprendizagem considere a influência de experiências anteriores sobre a realização de uma ação em um novo contexto.

Domínguez et al. (2011) realizaram um estudo com jogadores de voleibol na etapa de formação (14 e 15 anos de idade) com o objetivo de uma intervenção com um programa de

supervisão reflexiva das suas próprias ações de ataque para melhora da TD nesse fundamento tático. Encontraram-se diferenças significativas para os atletas quando comparados a pré e a pós intervenção de forma positiva para a melhora na TD.

Nos esportes coletivos, como o voleibol, tendo em vista a necessidade de concretizar- se a TD de forma muito veloz, pois as ações correm – conforme já explicitado – com elevada pressão de tempo, emerge a necessidade de se integrar os processos cognitivos e as habilidades motoras (DICKS; BUTTON; DAVIDS, 2010; TRAVASSOS et al., 2013). Estudos demonstraram em diferentes categorias do voleibol que os atletas conseguem tomar uma decisão correta porém não conseguem explica-la, verbalizá-la declarando o porque tomaram aquela decisão, demonstrando-se assim um baixo nível de CTD e um alto nível de CTP (CASTRO et al., 2013; COSTA et al., 2013; LIMA et al., 2005; MATIAS; GIACOMINI; GRECO, 2004; MATIAS; GRECO, 2013).

Lola, Tzetzis e Zetou (2012) estudaram o efeito da aprendizagem explícita, implícita e sequencial (implícita-explícita) na aquisição e retenção da habilidade de TD com 60 atletas femininas de voleibol com idades entre 10 e 12 anos. Nesse estudo o grupo de aprendizagem sequencial foi mais rápido e mais preciso nas decisões quando comparados aos outros grupos. Concluiu-se que se o papel da MT é reduzido nas fases iniciais de aprendizado, o acúmulo de conhecimento declarativo (aprendizagem explícita) pode beneficiar o CTP e melhorar a TD.

Araújo, Neves e Mesquita (2012) realizaram um trabalho com atletas femininas de voleibol de diferentes faixas etárias e experiência específica na modalidade com o objetivo de comparar o CTP, TD e desempenho da jogadora em uma ação. Nesse estudo os autores não encontraram diferenças significativas entre os parâmetros avaliados nas comparações entre os grupos.

No trabalho realizado por Arroyo et al. (2008), com levantadoras de voleibol de diferentes níveis de perícia, as atletas mais experientes (peritas) apresentaram melhores resultados no CTP e na representação de problemas táticos do jogo quando comparadas à atletas de nível médio e baixo de experiência na modalidade.

Em um estudo recente realizado por Vila-Maldonado et al. (2014a), foram encontradas diferenças significativas no número de respostas corretas utilizando-se de pré-pistas visuais e oclusão da fase pós-contato com a bola quando comparados jogadores peritos e não atletas de voleibol. Os resultados indicam que os jogadores peritos decidem melhor que os não atletas em situações de oclusão através de pré-pistas visuais. Já em outro estudo realizado por Vila- Maldonado et al. (2014b) com atletas de voleibol, não foram encontradas diferenças entre os

grupos de elite e amadoras em situações de bloqueio para a quantidade de respostas corretas (TD).

Com o avanço tecnológico, conta-se atualmente com um sistema de rastreamento ocular (denominado Eye Tracking) que inclui métodos para detecção do movimento dos olhos (GEGENFURTNER; LEHTINEN; SALJO, 2011), a análise da movimentação do globo ocular e dilatação da pupila (LARSSON et al., 2015; NUMMENMAA; HYÖNÄ; CALVO, 2006), utilizando principalmente o princípio de reflexão da córnea via emissão de raio infravermelho (TIEN et al., 2014). Com isso, utiliza-se do Eye Tracking para análises do comportamento visual, obtendo-se o número, duração e locais de fixação visual realizado pelo usuário, mapeando-se assim os pontos de interesse e servindo de base para a condução de treinamentos específicos no caso dos esportes.

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