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5 O PROFESSOR ADMINISTRADOR NA DOCÊNCIA DE

5.3 TRAJETÓRIA PROFISSIONAL

A trajetória profissional é compreendida como os ciclos de vida profissional de professores do ensino superior, como estes se constituem ao longo da carreira (trajetória docente) e qual a pedagogia que os norteia, as concepções de docência e o contexto institucional em que atuam.

Este bloco de questões abordou inicialmente a autorrealização profissional. Ao serem questionados, “você se considera uma pessoa autorrealizada profissionalmente?”, todos os respondentes consideram-se autorrealizados profissionalmente. Alguns aspectos foram apontados pelos professores:

“Sou uma pessoa autorrealizada profissionalmente, pois já sou professor titular graças a minha trajetória acadêmica”.

“Prejudicada”.

Entendemos que a autorrealização passa obrigatoriamente pelo processo do professor compreender sua importância dentro do contexto em que está atuando, segundo Zabalza (2000), perceber o significado de vivenciar a experiência de aprender e se reinventar a cada dia.

Para Bolzan, Isaia e Maciel (2013), isso significa estar mobilizado para continuar aprendendo, nos diferentes contextos de atuação; em nosso ponto de vista, a autorrealização também perpassa a construção da identidade profissional. Conforme Marcelo Garcia (2009), essa é a construção do seu eu profissional, evoluindo ao longo da sua carreira. Complementamos, com base em Maciel, Isaia e Bolzan (2012), que o professor é o protagonista no complexo processo de ensinar e de aprender. Estes aportes teóricos auxiliaram-nos na análise dos resultados, sendo que as informações encontram ressonância nos estudos já realizados.

Na questão proposta, “O que tem sido mais significativo para você ao longo de sua trajetória docente?”, os professores rememoram as suas vivências, relacionando o significado delas com a positividade:

“O fato de poder contribuir para a formação profissional de muitas pessoas”.

“Acompanhar o desenvolvimento, amadurecimento pessoal e profissional dos estudantes”.

“Realização profissional, atuar na minha área de formação e pesquisa (comportamento organizacional)”. “A possibilidade de aprender coisas novas a cada dia, o reconhecimento e interação com os alunos e a possibilidade de estar em constante desenvolvimento”.

“A possibilidade de estar estudando e em sala de aula”. “Respeito entre os pares”.

“O reconhecimento dos alunos”.

“Satisfação com o crescimento dos orientandos. Me sinto realizada quando vejo um ex-aluno meu se tornando um docente que gosta do que faz”.

Para entender melhor as respostas apresentadas pelos professores, partimos da análise fundamentada na experiência em si, onde o docente percebe-se como parte das suas próprias narrações e de suas histórias vivenciadas (LARROSA, 2002). Por sua vez, Josso (2012) percebe o sujeito professor como um “sujeito mais ou menos ativo” ao longo do processo formativo, a partir das experiências vividas ao longo da trajetória.

Nesse sentindo, observamos nas respostas dos professores administradores que as experiências mais significativas estão concentradas nos relacionamentos com os alunos, com os pares e em relação às atividades profissionais ligadas ao ensino, à pesquisa e à extensão.

Dessa forma, entendemos, com base dos autores pesquisados, que os professores se constituem a partir de suas experiências.

Reportando ao “que tem sido mais traumático ao longo de sua trajetória docente”, os professores apontaram:

“Não vejo como traumático, mas sim uma ação de constante busca pelo saber e dedicação à profissão”. “Conflitos entre colegas docentes”.

“Posicionamento político”.

“Em alguns momentos, conviver com o desinteresse dos alunos e ter que encontrar formas de atrair a atenção deles”.

“O início da atividade docente, falta de preparo e também a saída para os cursos de mestrado e doutorado o afastamento da família”.

“Respeito entre os pares”.

“A relação com pares e chefias quando há desvalorização da mulher”.

“Relacionamentos interpessoais. Departamento de ensino que desrespeita sucessivamente normas, é regido por relações de interesse e não de competência técnica e profissional”.

Esta tese tem confirmado a compreensão de quão difícil e trabalhosa é a vida docente, pois, no contexto universitário, existem muitas agruras que precisam ser enfrentadas pelo profissional ao aceitar o desafio de atuar na docência superior. Observamos, nos relatos extraídos da pesquisa on-line, uma série de considerações e situações enfrentadas pelos professores durante sua trajetória, questões que vão desde o relacionamento com os colegas até a incerteza da saída para uma qualificação.

Em relação à trajetória docente, reportamos a Morin (2011), quando este descrever os saberes necessários para uma educação do futuro, pois com os professores se confirma o “saber da incerteza”; para o autor, a “incerteza” é a única certeza, ou seja, não sabemos o que nos espera como docentes. O fato de ir “beber na fonte”, buscar a informação junto àqueles que vivenciam o dia-a-dia da docência, possibilitou-nos identificar depoimentos como os apresentados acima, onde o professor relata a falta de interesse dos alunos. Para aprofundarmos a reflexão, agregamos Pimenta (2005), ao considerar que o conhecimento não pode se reduzir somente a uma mera informação.

Como supracitado, vivemos em um mundo de incertezas. Os nossos alunos vivenciam este ambiente diariamente, o que nos desafia a estarmos preparados para enfrentar as situações que um sistema altamente complexo impõe. Para tal, precisamos, conforme Pimenta (2005) desenvolver “inteligência, consciência ou sabedoria”, pois, dessa forma, poderemos

oferecer ao aluno uma formação sólida, despertando o seu interesse pelas teorias e disciplinas estudadas.

Também em relação aos momentos críticos relatados anteriormente, percebemos, nos depoimentos, que os professores procuram enfrentar a situação com coragem, buscando sempre o seu desenvolvimento profissional e pessoal. Percebemos, desde esse estudo exploratório, a pertinência da resiliência docente (como o professor enfrentou tais incidentes críticos e o que aprendeu com eles), pois este eixo encontra significado nos relatos e nas narrativas docentes.