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As experiências educativas vivenciadas por mim, enquanto aluno, ao longo do meu percurso educativo, iniciado com a frequência do 1º Ciclo do Ensino Básico e que se estende desde este momento até à conclusão do Mestrado em Ensino de Biologia e Geologia no 3º Ciclo do Ensino Básico e no Ensino Secundário (Universidade do Minho), permitiram-me construir e reconstruir o meu Eu pessoal. Desenvolvido inicialmente de uma forma quase implícita, sem ter essa perceção, reservamos um espaço onde guardamos as nossas reflexões e representações acerca dos processos de ensino e de aprendizagem. A frequência do Mestrado em Ensino contribuiu de forma primordial para a alteração do Eu pessoal, suplantando as experiências e registos anteriores, pela possibilidade de transformação que o papel do aluno experienciou, tornando-se um ator educativo que intervém de forma ativa e constante e não apenas um consumidor final e acrítico dos processos de ensino e aprendizagem. O conjunto de elementos que corporizam a dimensão do Eu pessoal condicionam e auxiliam a construção do Eu profissional, cujo momento de maior (re)construção é preconizado pelo momento de implementação da estratégia de intervenção pedagógica que está na origem deste relatório.

O contexto de sala de aula que experienciei como aluno ao longo do meu percurso académico foi predominantemente um espaço onde vigorou um tipo de prática pedagógica preconizada pela aproximação a um paradigma de caráter transmissivo e reprodutor, cuja finalidade seria o aluno adquirir os conhecimentos disciplinares, para depois os demonstrar num momento específico e conciso reservado para a avaliação. A valorização da palavra do aluno de forma explícita e inequívoca são apenas raros momentos que, em muitas das circunstâncias, não nos permitiam tomar consciência dessa valorização ou então não transmitiam ao aluno a relevância do seu envolvimento nos processos de ensino e aprendizagem, sendo assim assumido como apenas mais uma etapa durante o decorrer de todo um processo. Um exemplo desta situação eram os momentos de fim de ano letivo, em que aos alunos eram solicitados a realizar uma autoavaliação em relação à disciplina e, caso fosse considerado pertinente, assinalar situações que ao longo do ano letivo pudessem ter sofrido uma abordagem diferente da optada pelo professor, sempre sem antes deste momento sermos elucidados da sua importância e do seu contributo para o nosso desenvolvimento. O professor era o responsável pelas decisões na sala de aula, relegando para os alunos pequenas oportunidades de escolha, como por exemplo, selecionar os elementos do grupo, quando necessário, ou realizar a escolha de um tema de

trabalho a partir de um leque de opções. A consciência de que a sala de aula era mais do que um espaço para desenvolver conhecimentos de caráter disciplinar surgiu tardiamente no meu percurso educativo, não podendo afirmar que a oportunidade para desenvolver outros conhecimentos de caráter transversal/transferível era inexistente, mas podendo inferir, que terá sido uma abordagem pouco explicita e que não terá permitido a minha consciencialização para a sua ocorrência.

O acesso ao Mestrado em Ensino de Biologia e Geologia no 3º Ciclo do Ensino Básico e no Ensino Secundário permitiu a reconstrução de várias conceções relacionadas com o processo educativo, numa perspetiva enquanto aluno, através de práticas pedagógicas mais inclusivas, onde os interesses, dificuldades e opiniões dos alunos foram valorizados, tornando a sala de aula num verdadeiro espaço de aprendizagem de conhecimentos científicos, mas também de conhecimentos transversais. A possibilidade do aluno desenvolver as suas competências de regulação da aprendizagem e aprender a gerir de forma mais consciente o seu próprio processo de aprendizagem sempre apoiado pelo professor tornou-se uma realidade.

O período em que se operacionalizou a prática pedagógica, embora reduzido na sua extensão temporal, permitiu uma transformação efetiva das minhas perspetivas quanto ao papel do aluno e do professor na sala de aula. É possível a assunção por parte dos alunos de um papel mais preponderante no momento de tomada de decisões na sala de aula que, no caso da intervenção pedagógica aqui relatada, ficou demonstrado através da inclusão dos alunos em momentos de planificação da aprendizagem. Neste tipo de práticas compete ao aluno identificar e assumir as suas dificuldades e ele próprio tomar consciência do seu progresso para assim poder ajustar o seu percurso e partilhar essas perspetivas com os restantes colegas da turma e também com o professor. Assim, e em conjunto, é possível reestruturar as práticas educativas, adaptando- as às perspetivas dos diferentes atores educativos, assumindo os mesmos um sentido de responsabilidade perante todo o processo desenvolvido. A possibilidade do papel do aluno se transformar implica a mudança na visão e ideologias perfilhadas pelos professores. O professor deixa de ser apenas um veículo de informação, que permite a transmissão de conhecimento para os alunos e passa a ser um ator educativo capaz de propiciar aos seus alunos, as condições para eles desenvolverem e (re)construírem o seu próprio conhecimento, criando oportunidades para os alunos escolherem o seu próprio caminho e não ser o professor a fazer essa escolha. Para além de preparar os alunos para o percurso académico, ser professor é também ajudar os alunos a prepararem-se para a vida em comunidade, sendo cada vez mais importante os momentos

promotores de competências de caráter transferível. Num contexto educativo que necessita de uma figura do professor renovada, a presença assídua de momentos de reflexão sobre as próprias práticas educativas terão que ser uma obrigatoriedade, pois só assim será possível analisar as práticas atuais com o intuito de melhorar as práticas futuras, numa tentativa de tornar a sala de aula num espaço que seja perfilhado por uma visão de educação emancipatória e transformadora.

Termino esta secção com uma breve referência a outros momentos que integraram o estágio profissional, destacando os momentos que estiveram na idealização e conceção da intervenção pedagógica e por fim todo o processo de construção deste relatório de estágio. Embora os momentos anteriormente descritos sejam fulcrais na componente do estágio profissional, a sua relevância é muitas vezes ofuscada pelos seus produtos finais, respetivamente, a intervenção pedagógica e o relatório de estágio. A idealização e conceção da intervenção pedagógica é um primeiro momento de contacto com um tipo de metodologia de trabalho na qual possuía pouca experiência, com a sua consecução desenvolvi competências de estruturação do processo e de pesquisa de informação em fontes de informação diversificadas. O debate de ideias subjacente à elaboração de cada atividade de aprendizagem é também importante no desenvolvimento da capacidade de argumentação e reflexão. O momento de redação do relatório de estágio, é propiciador da promoção e desenvolvimento de capacidades, a constante reflexão sobre a implementação da intervenção pedagógica torna-se um novo momento de aprendizagem, pois permite identificar o valor epistemológico de algumas situações, repercutindo-se assim na (re)construção dos processos de ensino e aprendizagem e numa maior consciencialização das diversas decisões tomadas. O desenvolvimento da avaliação da intervenção pedagógica é importante na aquisição de competências que auxiliam o processo de análise de resultados, podendo tornar-se uma ferramenta educativa importante no sentido de continuar a realizar investigação no contexto de sala de aula, permitindo contribuir para a mudança da realidade na sala de aula, mas uma mudança que vá de encontro às pretensões e interesses dos diferentes atores educativos intervenientes.

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