Na comunicação moderna, nomeadamente a comunicação digital, torna-se fundamental em qualquer estratégia a criação de conteúdo relevante para os utilizadores. Através da criação deste conteúdo é mais fácil nos diferenciarmos no meio on-line e captar de uma forma mais eficaz a atenção dos utilizadores já saturados com o excesso de informação existente no meio, na maioria, sem qualquer qualidade.
Neste sentido, é pertinente que a nossa estratégia de criação de conteúdos reúna na sua base a criação de narrativas e a propagação de cada uma destas nos diferentes meios digitais disponíveis.
Hoje, temos um fluxo considerável de conteúdos, bem como múltiplos suportes de comunicação em que a circulação de conteúdos depende da participação da nossa audiência. Ou seja, enquanto gestores procuramos que os consumidores sejam incentivados a procurar e a estabelecer ligações
com a nossa marca através de conteúdos dispersos propositadamente. Falamos de conteúdos criados para Redes Sociais, Aplicações Mobile, TV, Jogos, Websites,Wikis, entre outros.
Tudo isto é possível, já que a evolução do meio on-line permitiu a participação ativa dos utilizadores, tirando poder aos grandes grupos e meios de produção e distribuição de conteúdos como existiam antigamente, transformando os produtores e consumidores num só – Prosumer.
Esta mudança de paradigma na comunicação não só transformou a criação e consumo de media, como também deu ao comum cidadão informação e conhecimento, gerando neste a capacidade e poder para fazer frente aos meios tradicionais. Vivemos agora uma verdadeira época de mudança da relação de poder entre as pessoas comuns, os mercados, a tecnologia e as indústrias, sendo que os consumidores aprenderam a controlar os meios de comunicação através das plataformas tecnológicas que a web lhes faculta, conseguem criar canais próprios de interação alternativos aos tradicionais com outros consumidores, ganhando todo um poder de influência como nunca expectado.
Tudo isto é possível, pois o conteúdo passou a ser a base da comunicação moderna, sendo difundido pelos mais variados canais e percecionado por mais indivíduos de acordo com a plataforma ou meios que este usam.
Assim, torna-se pertinente na base de desenvolvimento de qualquer conteúdo uma estratégia de
Transmedia Storytelling, processo este que permite que os vários elementos que compõem uma
história sejam dispersos através de diferentes canais de distribuição.
O objetivo máximo desta estratégia é desenvolver nos públicos uma experiência de entretenimento e consumo de conteúdos que permita a estes participar na criação de novo conteúdo de uma forma coordenada e unificada. Cada meio dará o seu contributo para o desenvolvimento da história.
Dando um breve exemplo, imaginemos uma campanha de comunicação com base no tema “sensibilização rodoviária”, para uma empresa que explora troços de estrada privados. A história da nossa campanha poderia começar com o titulo “Condução Consciente” e ser divulgada através de um pequeno folheto entregue nas portagens e através dos CTT, que nos contasse pequenas histórias de pessoas que passaram por momentos traumáticos de acidentes de viação. Por sua vez, esse folheto poderia ter associado a cada história um QR Code que, quando apontado um smartphone ou tablet, nos fosse apresentado em vídeo a pessoa da história a relatar esta de uma forma mais pormenorizada e mostrando toda a sua emoção ao recordar o acontecimento.
Por outro lado, a campanha teria associado um micro-site próprio com o domínio
www.conducaoconsciente.com, onde estariam disponíveis também os conteúdos de vídeo criados,
teríamos uma série de informações e dicas para uma boa condução, daríamos a possibilidade aos utilizadores de nos enviarem conteúdos com as suas histórias de uma condução consciente, daríamos informações rodoviárias atualizadas em tempo real, percursos alternativos, entre outros.
Figura 11.2 Utilize o Transmedia Storytelling para contar a sua história em diversos meios
Associado à campanha, a empresa lançaria também uma Aplicação Mobile que permitia aos condutores fazer alguns testes antes de iniciarem uma viagem e perceber se estariam com fadiga ou mesmo com excesso de álcool no sangue. Essa aplicação poderia também ter um teste para os condutores perceberem se o seu tipo de condução é o mais adequado ou não, bem como daria a estes informações acerca do estado do tempo do percurso que iriam fazer.
Como podemos verificar, temos diferentes meios, onde cada um tem um conteúdo desenvolvido com base na característica desse mesmo meio, mas um conteúdo que faz parte de uma narrativa maior, que é a história da nossa campanha.
Por fim, e como não podia deixar de ser, a nossa campanha teria todo um desenrolar nas mais variadas Redes Sociais que permitissem a sua amplificação: Facebook,YouTube, Instagram, entre outras.
Devemos compreender que uma estratégia de Transmedia Storytellling deve cativar as pessoas para se envolverem com a nossa história ou causa, usando para isso os mais variados meios de comunicação ao nosso alcance e permitindo a todos os que interagem com o nosso conteúdo o alcance de uma experiência diferenciadora.
Neste processo, as histórias têm o papel de criar ligações emocionais, entre a nossa mensagem e a memória do consumidor, permitindo que o conhecimento seja mais facilmente armazenado na nossa memória, e permitindo que este possa “mexer” com as nossas emoções e valores.
Esta capacidade pode ser usada pelas marcas para: - Trabalhar causas
- Produtos - Serviços - Projetos
A forma como comunicamos nos meios off-line e on-line, Livros, Internet, TV, Filmes, Jogos, Embalagens, Revistas, entre outros, encontra no Storytelling a estratégia para a coerência do discurso, pois desta forma todos os pontos de contacto se complementam e asseguram a construção da marca e do mito à volta desta.