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“A Percepção é o início de todo o Conhecimento…”

2.3. O Treino como forma de operacionalizar a base do jogo de uma equipa

“Treinar é mais importante que jogar e é nos treinos que se forma a base de todo o jogo”

(Van Gaal cit. por Pacheco, 2005:37)

O processo de treino deve ser dirigido à obtenção e melhoria dos diferentes níveis de performance de um atleta e de uma equipa, deve portanto ser consciente e reflectido (Wrzos, 1984). Por outro lado requer um planeamento adequado, sistematização, estruturação, execução, regulação e controle científico das diferentes capacidades que constituem o rendimento desportivo(Pinto, 1996), para garantir assim um harmonioso e condizente nível de desempenho (Greco, 2000).

O treino surge então como o processo necessário para se coordenar colectivamente e de forma eficaz uma equipa (Borrie et al. 1995; Szwarc, 2008; Tavares, 1996). Isto é, a equipa através do processo de treino procura adquirir uma organização interna do jogo (Garganta & Gréhaigne, 1999).

Esta organização interna, resulta da assimilação de comportamentos que vão de encontro ao que o treinador idealizou como seu Modelo de jogo, e que vão ser assimilados ao longo do treino. Isto é, estes comportamentos são princípios que o treinador quer que os seus jogadores assimilem, resultantes de uma determinada forma de treinar, e como tal o “jogar” que se pretende deve estar presente no treino (Pereira, 2005; Zerhouni, 1980).

Neste sentido, torna-se necessário operacionalizar as nossas ideias de jogo (Garganta & Oliveira, 1996; Oliveira, 2005), isto é, fazer com que os jogadores vivenciem através de uma pratica constante, essas mesmas ideias, de modo a que elas se venham a manifestarem com regularidade (Gréhaigne et al. 2005; Zerhouni, 1980). Assim ao pretendemos “implementar” um determinado jogar, então este deve ser o centro de todo o processo de treino (Holt et. al, 2006; Queiroz, 1986).

Segundo Frade (2004), se o “nosso jogar” é o ponto de referência no treino, então ao “Modelarmos” o treino não nos podemos restringir a uma determinada dimensão ou “parte”, temos de conceber o treino de uma forma global, tendo consciência que as partes que constituem o “todo” só têm lógica interligadas. Pois,

apenas desta forma, conseguimos que, o treinar comportamentos tenha realmente significado no jogo (Teodorescu, 1984).

A modelação do jogo segundo Casas (2008) permite-nos, através do nosso modelo de referencia (que é o modelo de jogo), detectar os problemas encontrados, arranjar tarefas quer no jogo quer no treino, para ir de encontro aos objectivos pretendidos, de forma a colmatar esses mesmos problemas, assim como permite verificar a evolução da equipa, e neste caso, dos seus elementos em relação ao modelo de jogo pretendido (Barbosa, 2003; Garganta, 1996; 1997: Rhea et al. 2006).

Holt et al. (2006) falam-nos de um outro princípio do treino que se intitula de “Especificidade”. Referindo-nos que a “Especificidade” nos concede um conjunto de cenários de prática realísticos, que simulam as exigências de um elevado nível de competição, assim como contêm os elementos cruciais do jogo. Isto é, o planeamento do treino deve estar relacionado com as exigências do próprio jogo (Kuhn, 2005), assim como as situações elaboradas no treino têm que ser o mais próximas da realidade do jogo (Oliveira, 2005). Contudo, os exercícios só são verdadeiramente específicos se existir ao longo deles uma correlação constante entre todas as componentes e o modelo de jogo do treinador (Garganta & Gréhaigne, 1999).

No entanto, a grande dificuldade do processo de treino é a selecção dos exercícios, de modo a conseguir atingir o que se pretende, a assimilação de determinados princípios (Frade, 2004). Contudo, nesses mesmos exercícios deve privilegiar-se a “descoberta guiada” em que cada jogador tem a sua forma de operar e de executar, mas sempre direccionados para um determinado objectivo (Omadal, 2008).

A experiência da descoberta, através do aparecimento de várias soluções, sejam elas de sucesso ou não, é essencial na exploração dos movimentos de um sistema dinâmico (Gréhaigne et al. 2005). A aprendizagem por descoberta, promove a variabilidade na prática e a exploração desses movimentos dinâmicos, através do processo de expor quem aprende a uma variabilidade de soluções (Davids et al., 2005). Neste sentido espera-se que estes comportamentos sejam positivos, isto é, que exista uma relação favorável entre a competição e o treino (Wrzos, 1984; Zerhouni, 1980). Sendo esta relação necessária pois o processo de treino é orientado através das informações retiradas do próprio jogo (Garganta, 1998), ou seja, os dados que retiramos do jogo devem ser-lhe devolvidos, com informação adicional, depois de tratados, pois os jogos influenciam os treinos e vice-versa (Bankoff et al., 2005).

Grande parte da essência do jogo de Futebol depende das MOVIMENTAÇÕES realizadas pelos jogadores, sejam elas com ou sem bola. Segundo Milby (2006), podemos encontrar as formas mais importantes do movimento aplicado durante o jogo através dos passes efectuados com bola, pois eles determinam o ritmo de jogo e a velocidade das acções ofensivas e defensivas de cada uma das sequências. Assim podemos afirmar que, o desenrolar do jogo depende do género de passes, e do carácter desses passes o estilo de jogo da equipa (Wrzos, 1984).

No entender de Milby (2006), estilo de jogo é uma classe de agrupamento que define “jogares” do mesmo universo e os que são complementares a ele. O estilo de jogo pressupõe as diferenças que estão implícitas e explicitas dos outros tipos, faz surgir uma individualidade concreta mas que é continuadamente definida e redefinida, isto é, está em constantes adaptações às influências interiores e exteriores, e nunca é algo estático e imutável como se geralmente se pensa. O estilo de jogo é caracterizado por elementos específicos que classificam um tipo de jogar, funcionam como “ assinaturas” da equipa sendo definido pela forma como essa mesma equipa ataca e defende (Zerhouni, 1980). Isto é, é algo que nos define num universo de jogares, e é sustentado pela táctica, Táctica essa que é a “assinatura” do nosso estilo (McGarry et al. 2002).

2.4.

Uma Identidade… um “estilo” de jogo.

“Os estilos de jogo funcionam como “assinaturas” que classificam um determinado jogar”.

(Milby, 2006)

Estilo de jogo é algo que possui uma determinada identidade, é o traço que nos permite reconhecer e reconhecermo-nos nesse jogo. Os estilos de jogo caracterizam-se pelo género/forma dos passes efectuados e pela forma/duração dos seus processos (ofensivo, defensivo e transições),em suma pela maneira como equipa actua nos vários momentos do jogo (Wrzos, 1984). O futebol directo (passe em profundidade e longo), com um processo ofensivo de pouca duração, futebol indirecto (grande número de passes em apoio e curtos), e um processo ofensivo de longa duração, futebol misto (alternância de futebol de passes curtos e longos) (Zerhouni, 1980).

Se uma equipa, ao jogar de determinada forma, possui a sua própria identidade, e é ela que nos permite diferenciá-la das restantes equipas, então existindo vários tipos de “jogares” existe também, uma identidade em cada um deles (Marinho, 2007). De acordo com Lobo (2006b), ao analisarmos os diferentes campeonatos de futebol e as suas selecções, podemos verificar que existem determinadas características que os distinguem uns dos outros.

O Futebol espanhol é caracterizado pela qualidade técnica, um jogo onde se privilegia um futebol de vários passes, apoiado e onde se evita o confronto físico (Ramos, 2005). Valdano (1997), Refere que no seu tempo as ruas de Espanha, privilegiavam um tipo de desporto chamado “futebol de rua”, onde os miúdos passavam a maior parte do tempo em contacto com a bola (desenvolviam a técnica) e onde a sua acção era livre e espontânea (desenvolvendo a criatividade). Para Alves (2006), os jovens ao iniciaram a sua formação através do futebol de rua, como no caso do futebol espanhol, revelam à partida uma forma distinta de abordagem ao jogo, por exemplo, o jogador espanhol apresenta uma predisposição maior para ser um jogador tecnicista e criativo.

Em relação ao nosso futebol, segundo vários autores (Lobo, 2003; Milby, 2006; Sexton, 1981), ele preocupa-se com uma abordagem estética, pois os nossos jogadores possuem uma grande habilidade técnica (Valdano, 1997), onde procuram através do passe curto e da circulação de bola realizar um jogo fluido e apoiado (Figueiras, 2004; Milby, 2006). Contudo, ao ser um futebol muito apoiado, revela ser lento nas transições, e deste modo torna-se pouco objectivo, demonstrando algumas dificuldades na finalização (Pinto & Garganta, 1989). Esta preferência pelo passe surge por ser mais belo e exigir menor condição atlética, isto porque os jogadores portugueses demonstram ser fortes tecnicamente e relativamente mais fracos quanto à sua estatura (Lobo 2007).

Já o futebol inglês é caracterizado pelos passes longos e fortes, com um limitado tempo de posse de bola (Wrzos, 1984), este privilegia um tipo de jogo directo, onde as equipas avançam no terreno de jogo através de um enorme número de passes em profundidade (Valdano, 1997), que muitas vezes parece desorganizado, pois o jogador inglês é demasiado objectivo e emotivo (Lobo, 2007; Milby, 2006). O futebol Inglês é pouco táctico e muito emotivo (Mourinho, 2005), prevalecendo um jogo directo, de pouca técnica, mas muito intenso e físico (Benitez, 2005; Cardoso, 2006). Para Batty, (1980) as equipas inglesas são bastante agressivas a atacar, pois procuram inicialmente

preocupação de colocar logo a bola numa zona próxima da baliza adversária de forma controlada (Weisweiler, 1981).

Relativamente ao futebol italiano, Paulo Sousa in Lobo (2007) refere-nos que as equipas em detrimento do espectáculo procuram ganhar a todo o custo. Isto é, no campeonato italiano procura-se primeiro não perder, e se possível, depois, tentar ganhar (Valdano, 1998). Facto esse demonstrado pela extrema protecção que realizam em relação à sua própria baliza, e por outro lado, pelo seu processo ofensivo ser caracterizado por uma rápida transição da defesa para o ataque (Wrzos, 1984). Basicamente o seu futebol valoriza a dimensão física em detrimento da dimensão técnica (Milby, 2006), privilegiando uma organização defensiva segura, com rápidas saídas em profundidade para aproveitar a desorganização defensiva da equipa adversária, isto é, joga-se essencialmente em contra-ataque (Gonçalves, 2005).

Portanto, o futebol tem e evidência padrões de jogo diferenciados em diferentes países (Queiroz, 2002 in Alves, 2006). Isto, porque cada país tem os seus próprios traços que o identificam, assim como existem diferentes formas de entender o futebol e de abordar o jogo (Oliveira, 2002). Neste sentido, na elaboração de um determinado modelo de jogo, é necessário ter em conta aquilo que o treinador pretende, assim como identificar-se com a cultura do país onde o clube esta inserido (Frade, 2004). Devendo deste modo existir uma adequação do modelo de jogo a essa mesma cultura de jogo. O modelo de jogo revela-se determinante na união de culturas num projecto colectivo (Cardoso, 2006), assim como deverá ter-se em consideração a cultura em que se insere, de forma a potenciar uma identidade com uma forte integridade.

Segundo vários autores (Castelo, 1994; 1996; Garganta & Pinto, 1995; Garganta, 1996; Oliveira, 2004; Szwarc, 2008; Teodorescu, 1984), o jogo de futebol revela dois processos distintos, que são definidos por diferentes conceitos, objectivos, princípios e atitudes, sendo determinados pela condição “posse ou não da bola” (processo ofensivo e processo defensivo). Contudo, estes dois processos, apesar de serem distintos, complementam-se um ao outro (Garganta, 1998).

As equipas quando se encontram em competição formam duas identidades colectivas (Teodorescu, 1984), que organizam e coordenam as suas acções para agir uma contra a outra (Szwarc, 2008), sendo os seus comportamentos determinados pela

& Gréhaigne, 1999). Na opinião de Tavares (1996), independentemente da fase em que se inserem, as acções dos jogadores no jogo realizam-se sempre em cooperação directa com os colegas de equipa e em oposição aos adversários.

Ora, para Bayer (1994), a cooperação representa um dos traços específicos dos desportos colectivos, quer isto dizer que, todo o jogador dentro da equipa, e em função do objectivo comum previamente determinado, deverá ajudar os seus companheiros e comunicar com eles. Para comunicar é necessário falar a mesma linguagem, ou seja, ter um sistema de referência comum (Garganta, 1998). Para Barreira (2006) o jogar com princípios idênticos, representa ter uma “linguagem comum” que vai permitir com que todos os jogadores se compreendam mutuamente. Quando existe esta “cumplicidade” entre os jogadores, eles conseguem antecipar as situações que se desenrolam, e deste modo agir de maneira vantajosa durante aquelas em que se encontram implicados (Gammelsaeter & Jakobsen, 2008; Garganta, 1998). Esta situação só será possível se todos os jogadores actuarem numa base de acção idêntica (Alves, 2006). Ora, numa equipa, é a organização que permite, a partir de um conjunto heterogéneo de elementos, criar uma unidade homogénea com novas qualidades e que visa a realização de acções congruentes (Pinto, 1996).

2.5.

Organização do jogo de Futebol

“O segredo de uma boa equipa está na sua organização”

(Guardiola cit. por Pacheco, 2005:37)

Organização de jogo é a repartição geral dos papéis atribuídos a cada elemento, de forma a constituir uma única unidade (Equipa) (Anguera, 2004; Zerhouni, 1980). É a capacidade notável de a equipa se unificar e agir como um todo em cada um dos momentos do jogo (Genç, 2007). Isto é, envolve a harmonia entre os jogadores, e a fase de jogo em que estão inseridos (ataque ou defesa) (Gréhaigne & Godbout 1995).

No entanto temos a noção que, esta harmonia só tem significado quando os jogadores/equipa operam como um sistema (Gammelsaeter & Jakobsen, 2008). Isto é, uma equipa opera como um sistema, quando os seus constituintes (jogadores) se organizam de acordo com uma lógica particular, assumindo com regularidade

determinados padrões de comportamento que surgem, independentemente da situação do jogo, assim como actuam através de decisões tácticas, que vão determinar uma variedade de respostas convergentes para objectivos comuns (Gréhaigne et al. 2005).

Contudo para que as respostas sejam convergentes, a equipa carece de organização (Amieiro, 2005). É a organização que maximiza o rendimento de um sistema, neste caso de uma equipa. É algo mais do que a totalidade dos elementos, é uma nova unidade dinâmica, que possui novas qualidades que surgem da organização. (Pinto, 1996; Di Salvo, 2001). Desta forma, ao falarmos de uma equipa, temos que ser capazes de observar as relações existentes entre os seus elementos, ou seja, os resultados obtidos pela equipa têm que ser maiores do que a soma dos resultados obtidos por cada elemento agindo separadamente (Garcia & Espitia, 2005).

Assim, ao termos consciência que o jogo de Futebol é algo incerto e imprevisível, então temos que partir de uma analogia sistémica, de forma a compreendermos a identidade dos sistemas envolvidos (Garganta, 1996). Segundo Genç (2007), SISTEMA é o quadro que define, num único pensamento, o plano dos padrões de jogo utilizado nesse mesmo jogo, definindo o que os jogadores vão fazer, assim como criando uma efectiva combinação entre o ataque e a defesa. Os sistemas complexos têm a propriedade inerente de se auto reorganizarem, em resposta às mudanças realizadas pelos elementos que constituem o sistema, ou às mudanças que exteriormente afectam esse mesmo sistema (Gréhaigne et al. 1997; McGarry et al. 2002; Szwarc, 2008). Isto é, num sistema dinâmico, uma perturbação irá provavelmente criar ou originar um período transitório de instabilidade, contudo o sistema tem a capacidade de regressar ao seu estado pré-existente.

Neste sentido, os desequilíbrios de uma organização fragilizam a coordenação da própria equipa, e consequentemente a sua eficácia. Isto é, todo o método de jogo (Ofensivo ou Defensivo) deve procurar uma organização sustentada por um equilíbrio dinâmico constante (Pinto, 1996). Desta forma é necessário, por um lado, evitar que a equipa adversária crie, na nossa organização, momentos de desequilíbrios em termos numéricos, espaciais e temporais, e estar preparado, por um lado, para atacar de forma eficaz e equilibrada mal se recupere a posse de bola.

Contudo para existir um equilíbrio dinâmico constante é necessário que a organização de jogo seja concebida a partir do “todo”, isto é, da coordenação entre as partes que a constituem, pois, não importa isolar cada uma delas (partes), sendo o

processo concebido através da interacção existente entre as mesmas (Alves, 2007; Carvalhal, 2001).

Segundo Oliveira (2003), a organização do jogo de uma equipa é definida por duas formas: a organização estrutural e funcional. O mesmo autor define organização estrutural como a forma como os jogadores se colocam em campo e a sua articulação, a organização funcional é a identidade de equipa, ou seja, definida por um conjunto articulado de comportamentos e padrões de comportamento.

2.5.1. Organização funcional e estrutural

Para Garganta (1997), a organização funcional consiste nas acções do jogo que são resultado da interacção existente entre as duas equipas, procurando superar a equipa adversária e, deste modo, atingir os seus objectivos. A organização estrutural embora não podendo apenas definir-se pelo posicionamento dos jogadores (Castelo, 1994; Costa et al. 2002), abrange esse posicionamento, assim como a sua organização interna, isto é, as relações que se estabelecem entre eles (Gréhaigne et al. 1997). Segundo Gomes (2006) a organização estrutural pode ser entendida como o sistema de jogo da equipa, no entanto, a organização de jogo de uma equipa não pode ser apenas o seu sistema de jogo, pois este não compreende a sua ordem dinâmica (Gréhaigne et al. 1997). Deste modo, Gomes (2006) refere-nos que o sistema de jogo (organização estrutural) funciona como a base do jogar de uma equipa (organização funcional), é onde determinado jogar se sustenta.

A organização funcional é definida pelos métodos de jogo (ofensivo e defensivo) e pela organização dos vários processos relacionados ao longo do tempo, como por exemplo, mudanças, regulações, e a reorganização dos elementos. (Costa et al. 2002; Gréhaigne & Godbout, 1995). Isto é, constituído por determinados comportamentos, por um determinado padrão de jogo, sustentado por determinados princípios e pelas relações existentes entre eles (Campos, 2007). Pois, num jogo de futebol, mais importante do que a disposição dos jogadores em campo, revela-se a dinâmica comportamental necessária para criar e desenvolver situações de sucesso (Pinto, 1996).