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Tributos Sobre Materiais

No documento CONTABILIDADE DE CUSTOS (páginas 55-61)

Em nossa disciplina não iremos nos aprofundar em aspectos tributários ou fiscais, no entanto, devemos comentar brevemente alguns aspectos relacionados ao tema dos tributos recuperáveis e a composição do saldo dos estoques de materiais, tendo em vista o imprescindível reflexo que o tema possui sobre a determinação dos custos dos materiais diretos ou mesmo de outros fatores de custos oriundos da conta do grupo de contas dos Estoques no Balanço Patrimonial.

a) Imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual, intermunicipal e de comunicação (ICMS) – A previsão legal do tributo está contida na Lei Complementar 87/1996 (denominada Lei Kandir), sendo que compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir o referido tributo.

O ICMS destaca-se como um tributo com ampla abrangência, tendo em vista que seus contribuintes são as pessoas físicas ou jurídicas que praticam com frequência, ou ainda em caráter comercial, operações de circulação de mercadorias ou prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, inclusive operações que se iniciem no exterior. O ICMS é um tributo indireto, não cumulativo, além de possuir a característica de ser um imposto calculado “por dentro”.

De forma simplista, podemos entender que ao nos referirmos a tributos calculados por dentro, estamos presumindo que o valor do tributo já está contido na operação, já um tributo calculado por fora pressupõe que o valor do tributo não está incluso no valor da operação.

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b) Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) – A base legal do imposto é o Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010. Sobre a competência do IPI, foi conferida para a União. Basicamente o IPI incide na importação e nas operações internas de saída de produto de estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial.

O IPI é um imposto indireto, não cumulativo. Quanto à aplicação de suas alíquotas, serão seletivas, obedecendo ao critério da essencialidade.

Sobre as contribuições do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), quando no regime não cumulativo (salvo exceções as empresas enquadradas no Regime Tributário do Lucro Real), basicamente consistem em deduzir das mercadorias os respectivos créditos admitidos pela legislação vigente, impactando assim na determinação no custo dos materiais.

Quadro 5 – Alíquotas PIS e COFINS Alíquota Básica

PIS não cumulativo 1,65%

COFINS não cumulativo 7,60%

Fonte: O autor.

Vejamos um exemplo de operação que envolve o cálculo dos tributos recuperáveis e o consequente registro do valor dos materiais para compor o saldo dos estoques:

Exemplo: Empresa contribuinte do ICMS, IPI com PIS e COFINS pelo regime não cumulativo.

A empresa Industrial LEO S/A está localizada no Estado de Santa Catarina, onde a alíquota interna do ICMS é de 17%, e está sujeita à tributação do PIS e COFINS não cumulativos (alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente), e adquiriu a prazo componentes eletrônicos que são matéria-prima para o seu produto final. Os materiais foram adquiridos da Indústria FORNECEDORA S/A, situada no Estado de Santa Catarina, e as informações contidas em Nota Fiscal são: 10 unidades da mercadoria ao valor unitário de R$ 1.000,00; alíquota do IPI de 8%.

ICMS a recuperar = R$ 10.000,00 * 17% = R$ 1.700,00 PIS a recuperar = R$ 10.000,00 * 1,65% = R$ 165,00 COFINS a recuperar = R$ 10.000,00 * 7,6% = R$ 760,00

Saldo do estoque de matéria-prima = Valor total da Nota Fiscal - IPI a recuperar - ICMS a recuperar - PIS a recuperar - COFINS a recuperar

Saldo do estoque de matéria-prima = R$ 10.800,00 – R$ 800,00 – R$

1.700,00 – R$ 165,00 – R$ 760,00

Saldo do estoque de matéria-prima = R$ 7.375,00 Lançamento Contábil:

Débito: Matérias-Primas (Estoques – Ativo Circulante – Ativo – Balanço Patrimo-nial)...R$ 7.375,00

Débito: IPI a Recuperar (Outros Créditos – Tributos a Recuperar – Ativo Circulante – Ativo – Balanço Patrimonial)...R$ 800.00

Débito: ICMS a Recuperar (Outros Créditos – Tributos a Recuperar – Ativo Circu-lante – Ativo – Balanço Patrimonial)...R$ 1.700.00

Débito: PIS a Recuperar (Outros Créditos – Tributos a Recuperar – Ativo Circulante – Ativo – Balanço Patrimonial)...R$ 165,00

Débito: COFINS a Recuperar (Outros Créditos – Tributos a Recuperar – Ativo Cir-culante – Ativo – Balanço Patrimonial)...R$ 760,00

Crédito: Indústria FORNECEDORA S/A (Fornecedores – Passivo Circulante – Pas-sivo – Balanço Patrimonial)...R$ 10.800,00 Podemos observar que os montantes relacionados aos tributos recuperáveis não

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compõem o saldo do estoque. Esse aspecto é fundamental para o nosso estudo, uma vez que o presente valor do estoque para fins de contabilidade de custos representa um investimento, que posteriormente passará a incorporar os produtos em andamento, e os produtos finais, e assim que ocorrer a venda dos produtos, passará a representar uma parcela dos custos diretos das mercadorias com ma-teriais diretos.

Atividade de Estudos:

1) Verifique o custo obtido na operação com mercadorias a seguir aplicando os critérios de avaliação de estoques, o PEPS, UEPS e Custo Médio:

Compra de 120 unidades da mercadoria no dia 10/05/2017 no valor de R$ 22,00.

Compra de 160 unidades da mercadoria no dia 14/05/2017 no valor de R$ 24,00.

Venda de 180 unidades de mercadorias no dia 18/05/2017, com preço de vendo de R$ 40,00.

Identifique os custos pelos métodos:

a) PEPS.

b) UEPS.

c) Custo Médio.

Algumas Considerações

Precisamos enfatizar dois aspectos importantes relacionados aos custos dos materiais diretos. O primeiro seria identificar os valores que de fato compõem o saldo dos estoques e os valores que são referentes a tributos recuperáveis. Já o segundo aspecto consiste em controlar as quantidades dos materiais e seu

esse segundo representa um saldo distinto do saldo dos estoques, representando sim um crédito que deverá ser compensado quando do recolhimento dos tributos.

Já em se tratando do acompanhamento das quantidades dos materiais aplicados, permite controlar elementos de produção como quantidades consumidas e, portanto, custos com os materiais. É importante ressaltar que o acompanhamento das variações dos elementos de custos consiste nas oscilações entre as quantidades do item de custo e seu respectivo preço.

Referências

COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. Pronunciamento Técnico CPC 16 (R1) – Estoques. Disponível em: <http://static.cpc.mediagroup.com.br/

Documentos/243_CPC_16_R1_rev%2003%20(2).pdf>. Acesso em: 3 maio 2016.

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C APÍTULO 6

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